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Amigos!






A mais nova ferramenta para a difusão do TREINÃO DO BRASIL já está disponível. Trata-se de um aplicativo para Android com todas as novidades do evento. Clicando no app, os corredores terão acesso fácil às informações e promoções, atualizadas constantemente.


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Correndo no Texto - gif animado produzido com Gimp e Paint - Bira, 10/07/15.



Onde está a Corrida neste texto?

Ontem à noite eu saí do trabalho e segui caminhando pela Avenida Rio Branco. A rua mais conhecida do Centro do Rio está tomada por obras do VLT (veículo leve sobre trilhos). De suas quatro pistas sobraram duas, abarrotadas de ônibus que parecem búfalos em um curral. Eles flatulam petróleo no ar, enquanto disputam cada centímetro de asfalto.

Tudo se mostrava confuso no cruzamento com a Nilo Peçanha. O apito incessante do guarda despontava no burburinho do trânsito. Um rapaz tatuado tinha fones nos ouvidos e, isolado de tudo, volta-e-meia esbarrava em alguém. Um cone caído no meio do asfalto parecia gemer sob as rodas de um veículo. Um pedinte gemia (de verdade?), sentado na calçada de um banco fechado. Uma senhora, mais assustada que precavida, abraçava sua bolsa para não ser roubada... Finalmente o sinal de pedestres se abria e aquela gente apressada cruzava entre si, no meio da pista.

Onde está a Corrida neste texto?

Próximo à Candelária, esquina com a Avenida Presidente Vargas, a impaciência pairava nas luzes vermelhas dos sinais de trânsito. Aparelhos de ar condicionado cuspiam gotas d'água nas calçadas, assustando as pessoas que têm medo de chuva. Motocicletas serpenteavam nos corredores dos carros parados na pista, assustando as pessoas que não esperavam o sinal fechar para atravessar a rua.

Tudo era tenso, tanto quanto as notícias penduradas nas bancas de jornal. Aquelas mesmas bancas que quase não vendem mais os jornais de papel que ninguém lê. Agora quem entra nas bancas não é mais atraído pela bala perdida da manchete, mas pelas balas e doces expostos em potes. Os tempos de hoje portabilizam as notícias no display do smartphone. Enquanto as pessoas se apressam para atravessar as dez pistas da Presidente Vargas, esses aparelhinhos não param de apitar ou vibrar, na bolsa ou no bolso. Do outro lado da rua, camelos ou cadeiras de uma lanchonete tomam conta da calçada. Mas ninguém dá bola para o fato, eles só querem pegar um ônibus e chegar em casa.

Onde está a Corrida neste texto?

Para colocar a Corrida neste texto eu preciso voltar três anos no tempo. Quando eu treinava para correr maratonas e tinha que cobrir mais de 100 quilômetros semanais. Não me restava outra alternativa senão correr à noite, ao sair do trabalho. Trocava de roupa em uma academia próxima à Praça Mauá, quando ainda estava escurecendo. Corria, ida e volta, do Centro até Copacabana. Quando voltava, percorria quase toda a Avenida Rio Branco. Tudo bem que ainda não tinha as obras do VLT e o auge do horário de rush já havia passado, mas ainda circulava muita gente na ex-Avenida Central. Eu pouco ligava para quem estranhasse me ver correndo ali. Eu estava dando o meu jeito de cumprir a meta semanal.

Mas o que eu quero mesmo dizer, é que quando eu ali corria, não via ônibus virarem búfalos nem o rosnar tenso das motos e de toda gente que não quer esperar para atravessar a rua. Nada afetava meu humor, depois de correr na Praça XV, Aterro, Botafogo e Calçadão de Copa. Quando eu chegava em frente ao Hotel Copacabana Palace consultava o Garmim, para ver se meu tempo fora bom. Comprava uma garrafinha d'água e voltava a correr. Iluminado pelas luzes noturnas do Aterro, tomava todo cuidado para não tropeçar no retorno. Sem saber, eu estava no melhor de minha forma, muito acima das tensões urbanas.

Ontem na Rio Branco eu me peguei tenso e impaciente, como toda gente que não sabe o que é correr. Natural, estou sem correr há oito meses e esperando por melhores dias. A corrida não está na minhas pernas, mas não sai da minha cabeça e invade meu texto. A corrida está aqui, no lado radiante de um texto urbano, feito por quem acredita que seus melhores dias voltarão!

Abraços!
Bira.



Amigos!



Gif feito com imagens do vídeo oficial da Maratona do Rio de 2010, que registrou minha chegada.

São muitas as formas de descrever a Maratona do Rio. Ainda mais para mim que sou um apaixonado pela mais bela do Brasil. As postagens abaixo ganharam muitos elogios, inspirando muita gente a correr nas ruas maravilhosas da minha cidade.

Há quinze dias da edição 2015, fiz uma busca para reunir algumas postagens sobre a primeira prova que corri na vida - acreditem: eu comecei a correr em uma maratona, sem fazer um treino sequer!... Essa história também foi contada abaixo... São cinco postagens que retratam a maratona de diferentes formas. Pelo menos uma delas vai fazer sua cabeça, clique e confira!


Meu País Maratona, março de 2014

...Isso mesmo, em 1985 só os "loucos" corriam, enquanto as "pessoas normais" davam longas tragadas em seus cigarros, imitando os atores de Hollywood e desportistas dos um comercias de TV...




Interrogação Flutuante, julho de 2014

...Diante de mim flutuava um imenso ponto de interrogação, feito balão. E eu não conseguia passar por baixo dele de jeito nenhum. Meu ponto de interrogação se portava como um arco-íris - a gente se aproxima e ele se afasta, na mesma proporção. Meu ponto de interrogação escapou da pergunta que corria comigo: Será que eu consigo completar a maratona(?)...







Vídeo Crônica Sou Corredor!, julho de 2014

...Uma homenagem aos blogueiros de corrida em forma de vídeo-crônica, juntando pequenos trechos do vídeo oficial da Maratona do Rio às imagens colhidas por Vannucci Jr. (blog Corrida Rústica) e Jorge Ultramaratonista. Como fundo e cereja do bolo, o poema: "Muito Prazer, Sou Corredor!"...





Vem, Deus, na Maratona do Rio!, julho de 2015

...Vem, Deus, ampara meu corredor maratonista quando o cansaço chegar... Faz que ele corra nas vias deste texto. Que sinta o sol expelindo raios vibrantes no céu. Sabemos que ele vacilará num breve momento, perguntando a si mesmo "O que eu estou fazendo aqui?". Mas sua resposta virá da boca de uma senhora vibrante na calçada: "Vá em frete!... Você é um campeão!"...



Minha Primeira Maratona, junho de 2014

...Lembro-me de um trecho muito difícil, entre os túneis de Botafogo. Eu já devia estar "correndo" por quase quatro horas, praticamente sozinho e totalmente esgotado. Seguia em uma faixa estreita, na contra-mão da pista. Fui bombardeado pelos faróis dos carros. As rajadas de luzes queriam me abater. Pensei em desistir, sucumbir sentado no meio-fio, mas perdurei...


Abraços!
Bira.

Amigos!




QUE TREINÃO É ESSE?


(...) O céu azul lhe cobrirá feito um lençol. Deixa-o sentir o aconchego que vem do céu, enquanto seu corpo ainda não ressente do esforço repetido (...)


Percorrer as mais belas praias cariocas e concluir a prova sob o olhar do Cristo, passando rente ao Pão de Açúcar...


Vem, Deus, na Maratona do Rio!

Amigos!


Vem Deus, escreve essa postagem pra mim!

Faz isso não por mim, mas pelo leitor deste blog que nunca correu a Maratona do Rio. Ele precisa entender o que nós, maratonistas, sentimos, na maratona mais bela do Brasil. Faz ele dimensionar toda alegria gerada no momento e depois da largada. Faz ele entender que a cidade mais linda do mundo é muito mais, para quem corre, do que já se exibe nas fotos. Faz com que ele sinta a brisa atravessando seu corpo, então permeável, correndo às margens do mar. Deixa o vento inflar sua alma de orgulho, como inflam as dos corredores...

-- Os primeiros quilômetros da Maratona do Rio possuem a mágica da mais intensa paixão!



Vem Deus, conduz meu leitor, agora pretenso maratonista!

Faz com que ele ouça o choque das ondas, na Praia da Reserva, e que perceba o silencio de um pássaro planando sobre a mata. As montanhas do Rio ainda estarão distantes dali. Atrás da nebulosidade aguardarão pela sua passagem, sabes Tu quanto tempo depois. Ainda não será a hora dele pensar na chegada, mas de aproveitar o momento e beijar a cidade com seus pés. Transfere, Senhor, o meu leitor para essa cena. Faz ele experimentar esses momentos de amor! Meu leitor sorrirá o sorriso da Barra da Tijuca. Trocará olhares fraternos com outros maratonistas ao seu lado. Mas ele ainda estará no começo da jornada e dentro de si fluirá um coquetel de endorfina. O céu azul lhe cobrirá feito um lençol. Deixa-o sentir o aconchego que vem do céu, enquanto seu corpo ainda não ressente do esforço repetido.

-- O trecho da Barra a São Conrado possui a euforia de uma criança que desvenda a vida!



Vem Deus, ampara meu corredor maratonista, quando o cansaço chegar!

Faz com que não desanime aos primeiros sinais de esgotamento, na descida da Avenida Niemeyer - chegada à Praia do Leblon. Junta-Te ao público que o aplaude, ali, e reacenda o seu espírito! E que a chama do espírito reanime o corpo do corredor. Faz que ele corra nas vias deste texto. Que sinta o sol expelindo raios vibrantes no céu. Sabemos que ele vacilará num breve momento, perguntando a si mesmo "O que eu estou fazendo aqui?". Mas sua resposta virá da boca de uma senhora vibrante na calçada: "Vá em frete!... Você é um campeão!".

-- O trecho do Leblon à entrada do Túnel Novo corresponde aos desafios da vida de um homem, em busca de seu lugar ao sol!



Vem Deus, faz meu leitor maratonista superar a dor!

Eu Te rogo, faz isso Senhor! No momento que o meu leitor chegar à Enseada de Botafogo, faz o Cristo emitir vigor pelas mãos, do alto do Corcovado. Correndo em direção ao Aterro e de costas para o morro, ele nem perceberá que utiliza a energia que vem de Ti. Mas ele ainda terá discernimento para admirar, pela milionésima vez, a beleza do Pão de Açúcar. Depois de fazer a curva, na pista larga, deparará com o Pórtico de Chegada. Meu leitor, pretenso maratonista, exibirá um sorriso que vai dos lábios à alma. Uma carga de emoção, as emoções de toda a vida, eclodirá em soluços e lágrimas, e ele se curvará no asfalto e diante de Ti, agradecendo pelos 42 quilômetros de vida que lhe concedeu!

-- A linha de chegada não corresponde à morte de um homem, mas ao começo de uma nova vida!



Vem Deus, vem dizer que maratonistas são seres capazes de viver, numa só, diversas vidas!

Abraços!
Bira.





Amigos!



O Grupo Reciclados por Corrida já tem intimidade com as areias do Leme, local da largada no Rio. 


Amigos!





Com pouquíssimo tempo de divulgação, o TREINÃO DO BRASIL começa a ganhar adeptos e incentivadores. Até o fechamento desta postagem, três cidades já haviam definido os locais de eventos: Rio de Janeiro, São Paulo e Jundiaí. Outras cidades, como, Goiânia, Uberaba e Boa Vista ainda não informaram o local, mas o treinão já é certo.

Corredores de Belo Horizonte, Bagé, Curitiba e Magé demonstraram forte interesse e estão convidando outros corredores locais. Tudo isso em apenas quatro dias de divulgação.

Às 16h deste sábado, 04/07/15, o evento criado no Facebook, denominado TREINÃO DO BRASIL, estava prestes a tingir 500 adesões. Tudo leva a crer que, na manhã de 20 de setembro de 2015, os corredores brasileiros promoverão o maior treinão simultâneo do país, em prol da paz.

OS ORGANIZADORES


Amigos!






TREINÃO DO BRASIL -
Amigos!





Digamos que você fosse um corredor de rua, mas não um corredor comum... Digamos que abandonasse tudo na vida atrás de um propósito: Correr em todos os municípios do Brasil. Digamos que você corresse todo dia, dia após dia, nos diferentes municípios... Pois bem: Você levaria mais que 15 anos para concluir essa missão em 5.570 cidades!

Quinze anos é tempo suficiente para alguém se formar, casar, ter filhos e, se bobear, netos!... Então você não vai querer entrar para o Livro Guinness de Recordes, dessa forma. Como eu, você irá apenas sonhar em correr no número máximo de cidades, e dizer para si mesmo: "Quem mandou nascer num país tão grande?"

Mas eu vou contar uma mágica: Se não dá para correr em tantos lugares por tanto tempo, é possível correr em todos os lugares ao mesmo tempo, no TREINÃO DO BRASIL!

Isso mesmo, seremos milhares de corredores em várias cidades, correndo ao mesmo tempo, pela Paz. Um evento simples, sem cunho político ou religioso. Com apoio de blogs e Grupos de Corrida, divulgando e participando do evento!

Vamos escolher a melhor data, levando em conta que o Calendário de Corridas está lotado nessa época do ano. Vamos correr com camisetas da mesma cor, quem sabe mandar fazer camisa para o evento?... Antes da largada, vamos fazer uma corrente positiva pela paz e largar todos no mesmo horário. Vamos atrair patrocinadores que oferecerão blindes para sorteio aos corredores. Vamos recolher e doar alimentos às instituições filantrópicas. Vamos postar imagens e editar um filme, reunindo as imagens de todos os treinões. Vamos fazer o que mais gostamos no TREINÃO DO BRASIL!

Para começar, criei um grupo no Facebook para você ingressar, tirar dúvidas e falar sobre o evento:

PÁGINA DE DISCUSSÃO DO TREINÃO DO BRASIL NO FACEBOOK: https://www.facebook.com/groups/eprimavera/

INGRESSE NO EVENTO TREINÃO DO BRASIL NO FACEBOOK, NO LINK:
https://www.facebook.com/events/1661846440713830/


Participe do Treinão do Brasil!

*          *          *          *          *

Confira nos links abaixo, as postagens e vídeos produzidos, até o momento, sobre o TREINÃO DO BRASIL.

O último link desta página o conduzirá ao evento TREINÃO DO BRASIL no Facebook. Se você deseja participar do maior treinão de todos os tempos, não deixe de entrar no evento para manter-se informado.

TREINÃO DO BRASIL JÁ TEM DATA (BiraNaNet, 30/06/15)

http://www.birananet.com/2015/06/treinao-do-brasil-ja-tem-data.html

CIDADES DIVULGAM OS SEUS TREINÕES (BiraNaNet, 04/07/15)

http://www.birananet.com/2015/07/cidades-divulgam-seus-treinoes.html

VEM AÍ O TREINÃO DO BRASIL, PARTICIPEM! (Companheiros de Corrida, 03/07/15)

http://www.companheirosdecorrida.com.br/site/vem-ai-o-treinao-do-brasil-participem/

TREINÃO GANHA APOIO E ADESÕES (BiraNaNet, 06/07/15)

http://www.birananet.com/2015/07/treinao-ganha-apoio-e-adesoes.html

EM GOIÂNIA O LOCAL JÁ ESTÁ DEFINIDO (Companheiros de Corrida, 06/07/15)

http://www.companheirosdecorrida.com.br/site/1o-treinao-do-brasil-goiania-ja-definiu-o-local/


O seguite link o conduzirá ao evento TREINÃO DO BRASIL no Facebook:

EVENTO TREINÃO DO BRASIL NO FACEBOOK:

https://www.facebook.com/events/1661846440713830/1664677270430747/


Abraços!
Bira.
Amigos!




CENA 1 - LONDRES...

Em toda transmissão da Maratona de Londres 2015, nenhuma cena foi tão marcante quanto os poucos segundos dedicados à Paula Radcliffe. Isso mesmo, foram breves segundos que TV exibiu um sorriso encantador, nunca visto em seu rosto durante uma prova. A maior maratonista de todos os tempos, bem longe das primeiras colocadas, parecia sentir as maiores emoções de toda sua carreira, no dia sua aposentadoria. Quando a prova terminou, disse aos jornalistas:

-- Eu queria que essa corrida durasse para sempre. Eu só queria aproveitar aquele momento... *

Não havia para ela nenhum troféu em jogo, nenhum prêmio milionário, nenhuma glória que não fosse o foco dos olhares admirados dos corredores à sua volta ou das ondas de aplausos, vindas das calçadas. Paula estava feliz de verdade!

CENA 2 - RIO DE JANEIRO...

Faz tempo que eu corria com meu amigo Ozeias Carlos quando ele me disse:

-- Bira, eu desisti de melhorar meu desempenho nas corridas ao perceber que estava treinando cada vez mais sozinho... Prefiro treinar com os amigos do que seguir planilhas solitárias.

Para Ozeias, o prazer da corrida não era erguer um troféu no pódio, sequer colocar uma medalha no peito. O prazer de Ozeias era a companhia dos corredores, fosse nas corridas ou nos treinões. Amado por todos, ele não media esforços para reunir a turma para correr mais uma vez. Às vezes nos encontrávamos acidentalmente correndo nas ruas do subúrbio, e cada um abria mão do seu percurso para traçar um novo caminho comum.

CENA 3 - LONDRES, RIO OU QUALQUER LUGAR DO PLANETA...

A Corrida de Rua permite reunir, na mesma prova, tanto meu amigo Ozeias quanto meu ídolo Paula Radcliffe. É a modalidade esporte mais democrática do mundo, onde uma única fronteira (entre os atletas de elite e os amadores) se rompe ao espocar do tiro de largada. A partir daí, os limites são invisíveis e pessoais, ditados pelo desempenho. Quanto maior o desempenho, maior a solidão do atleta que desponta. A recompensa de um grande atleta o aguarda no pódio. A recompensa dos corredores comuns, no entanto, pode correr ao seu lado por todo percurso.

É emocionante ver Paula colhendo recompensas comuns ao exibir o seu sorriso mais belo. Vê-la brincar de correr no dia da aposentadoria. Rodeada por uma dezena de "Ozeias", no meio da prova, onde corre a felicidade.    


Abraços!
Bira.

A bela história de Moraes Runners, um dos corredores de rua mais conhecidos do Rio de Janeiro.

Moraes Runners num Mar de Medalhas, montagem Bira - 13/06/15


Amigos;


Moraes Runners Somos Nós!

Depois de cruzar toda costa brasileira, o navio de guerra G 26 aproximou-se do  mar do Caribe, rumo a Porto Rico. Era noite e a tênue linha do horizonte separava o mar rasteiro de águas escuras de um outro mar: o mar das estrelas. No convés do navio, um marinheiro solitário ergueu a cabeça e seus olhos espelharam todos os astros do céu. Foi quando surgiu um terceiro mar intangível de saudade no seu peito, querendo afogar seu coração. Naquele momento, nem todos os sois de todos os céus brilhariam mais que os olhos de uma amada distante...

Em 1975, o jovem marinheiro Moraes cuidava da casa das máquinas do navio G-26, o Duque de Caxias. Essa função o mantinha abaixo do nível do mar na maior parte do dia. Seu dormitório também estava abaixo do nível do mar, onde escutava o bater das ondas. Ao final do expediente, costumava subir ao convés para pescar, respirar e refletir. Às vezes, se dirigia à popa do navio e fixava o olhar no turbilhão das águas, que o mar dissipava. Se no começo de uma missão tudo era festa. Bastariam três meses no isolamento para fazê-lo pensar; "Não vou ficar nisso para sempre!..."

Navio de Desembarque de carros de Combate Duque de Caxias, o G 26 da Marinha de Guerra.



Corrida e Futebol

Carioca de Padre Miguel, Moraes entrou para Escola de Aprendizes da Marinha, em Santa Catarina, aos 18 anos. Ali deu sequência à prática de esporte, iniciado na infância, nas competições de corrida entre colégios da Zona Oeste. Bom de bola, logo entrou para a seleção de futebol do quartel. Manteve-se invicto por um ano e quatro meses - todo período que atuou como cabeça de área da seleção. Já formado marujo, voltou para o Rio, onde foi indicado para servir no navio G 26.

Enquanto marinheiro, aproveitava os intervalos entre as longas viagens para jogar futebol ou dar uma corridinha. Começou a namorar e casou-se em 1980, ano em que deixou a Marinha, e conta:

-- "Bati perna" um pouquinho, até que em 83 entrei para a Secretaria de Segurança Pública...

Em terra, voltou a treinar sozinho e tentar convencer os amigos a correrem também, mas era difícil. Participou de algumas corridas e maratonas dos anos oitenta, mas sua prova marcante foi a Maratona Atlântica Boa Vista de 1990, com largada na Barra da Tijuca e chegada na Quinta da Boa Vista:

-- A família foi assistir minha chegada na Quinta, e na premiação teve a presença do Zico!

Paralelo à corrida, Moraes continuou a jogar bola até 2004. Nesse ano, foi convidado pelo corredor Valdecir a entrar para a Equipe Mula-Manca. Entrou, e no mês seguinte foi para Paraty, correr a "mini-maratona" de 18 km. O ex-corredor solitário retornou à Paraty, por oito anos seguidos, junto à equipe.

A profusão das corridas de rua fez o velho marinheiro ganhar infindáveis amigos e vencer sua timidez. Mais valem, hoje, os seus inúmeros amigos táteis do que todo encanto das constelações distantes, na solidão do mar. Seu armário guarda um mar de medalhas, de tantas corridas, que já perdeu a conta. Conta que já fez uma corrida noturna, voltando para casa de madrugada, para acordar três horas depois e ir a outra corrida. Conta que correu em Niterói de manhã e depois partiu, imediatamente para o Rio, para concluir um revezamento no Aterro, uma hora depois. Conta que já correu em outros estados, até mesmo no exterior, na bela Paris. Conta que nunca se divertiu tanto, como na Corrida de Obstáculo (Rio Cross - em Búzios) feita com amigos do trabalho. Conta que adora os treinões coletivos do Jericinó, da Serra do Mendanha, que nunca esquecerá do histórico treinão organizado por Erivaldo Zim, na Ilha Grande. Contaria tantas histórias que acabariam com a bateria do meu celular. Faço de conta que eu posso vê-lo, enquanto apenas ouço. Faço de conta que posso testemunhar toda emoção que o seu olhar expressa, enquanto conta.

Moraes Runners (foi esse nome que ele escolheu no Facebook) não é um corredor de ponta, nem precisa. É um velho marujo de 60 anos e estatura baixa, que desaparece em meio ao mar de corredores. Acredito que quando Paulo Antonio Moraes escolheu o seu pseudo-sobrenome Runners (Corredores) no plural, ele quisesse dizer que Moraes Runners somos nós, não apenas ele!

É Runners quando se esconde entre os movimentos das cabeças, dos troncos e das pernas, em meio à multidão de uma corrida.

É Moraes quando abre os braços e um amplo sorriso para cruzar a linha de chegada!

Abraço!
Bira.


(...) Substituí refeições por Shake de Herbalife batido com gelo, banana e adoçante. Bebi muito chá verde e em pouco tempo comecei a trotar. Em meio ano, perdi mais de 50 kg. (...)

Ico Pires, 47, corredor do Rio de Janeiro. Fisgado pela corrida, perdeu a obesidade mórbida.




Quando a Corrida Te Fisgou?

Amigos!

Rio de Janeiro, manhã de 22 de setembro de 2013...

...Três mil corredores se concentravam em frente a Estátua do Bellini, no Maracanã. Seria dada a largada da Corrida das Torcidas. O percurso de 7,5 km, no entorno estádio, não assustava maioria dos atletas. O estreante Ico Pires, no entanto, fugia a essa regra e deu a largada pensando:

-- Vou completar essa corrida de qualquer jeito... Seja na ambulância ou carregado!

Não era pra menos... Ico Pires (então com 46 anos) pesava 135 kg, mais que a soma do peso de dois corredores de ponta. Porém isso não era nada, há apenas seis meses daquele dia, nosso herói era obeso mórbido, pesando nada menos que 187 kg, e conta:

-- Era fevereiro e Denis Pires, meu irmão, veio passar carnaval no Rio. Professor de educação física, em Aracaju, ele começou a me orientar na perda de peso. Comecei a caminhar, de domingo a domingo, na Vila Olímpica de Nova Iguaçu. Substituí refeições por Shake de Herbalife batido com gelo, banana e adoçante. Bebi muito chá verde e em pouco tempo comecei a trotar. Em meio ano, perdi mais de 50 kg.

De volta ao Nordeste, seu irmão mandava orientações pelo Facebook, que foram seguidas com disciplina. O sucesso que Ico obteve fez seu amigo, corredor, Flávio Pascoal convidá-lo para a Corrida das Torcidas... Inscreveu-se e, duas semanas depois, dava a largada em frente estátua de Bellini...

A Fisgada da Corrida

Entrevistei Ico, imaginando que ele descreveria o momento exato que foi fisgado pela corrida. Achei que isso tivesse acontecido na sua primeira vez, mas não foi bem assim... Ico parecia mais animado em relatar o dia de entrega dos kits, do que o próprio dia da primeira corrida. Espontaneamente, começou a descrever momentos marcantes da Meia Maratona Atenas, que fez logo depois.

-- Na meia maratona, onde a quilometragem era maior, em dado momento eu pensei que estava ficando ruim pra mim... Mas é quando a gente pensa que está ruim que vê um monte de gente lá atrás... Nessa hora surge uma força extra, e eu digo: vou chegar, nem que seja me arrastando!

Ano passado, o ex-manequim 68, correu a Maratona do Rio. Quando passava por Copacabana - a parte mais dura do percurso - um corredor com seus 58 anos se aproximou reclamando do cansaço e querendo desistir. Ico pôs-se a reanimá-lo:

-- Vamos embora, amigo!! Não desanima!... Olha as pessoas que estão atrás da gente!...

Suas palavras deram sobrevida ao corredor que conseguiu manter-se ao seu lado. Aos poucos, no entanto, homem recuperou as forças e acelerou, deixando Ico, seu salvador, para trás.


*          *           *


Acho que Ico Pires foi fisgado pela corrida, não uma, mas várias vezes. Feito um peixe de pesca esportiva, ele continua sendo fisgado por ela. Recentemente descobriu as ultra-maratonas de montanha, o X Terra. Para encarar o duríssimo percurso, põe na mente uma frase que eu não poderia deixar de anotar:

-- Você tem que entrar na corrida como quem entra numa guerra!


*          *            *

E você?... Quando foi fisgado pela corrida??


Abraços!
Bira.




Amigos!




Aconteceu por acaso: Mês passado eu quis deixar gravado o famoso filme "Corra, Lola, Corra!" no aparelho da Sky. Só que eu ignorava se ele seria, ou não, exibido nos próximos dias, em algum canal fechado. Arrisquei uma busca de programação para conferir. Digitei com o controle remoto a palavra "corra", e a tela não tardou a exibir o resultado: Ao invés de "Corra, Lola, Corra!", o Telecine exibiria "Corra, Milkha, Corra!" no dia primeiro de junho, e eu pensei:

-- O que é isso?? Um filme, uma paródia, um programa?...

Como eu tinha mais o que fazer e não quis buscar respostas. Apenas deixei a gravação programada e esqueci do fato, até ontem, quando senti vontade de ver um filme. Lembrei de olhar minhas gravações e lá estava o intrigante titulo. Sem maiores expectativas comecei a assistir "Corra, Milkha, Corra!"-- um filme surpreendente, emocionante e maravilhoso!... E se você for corredor, acrescente a expressão "imperdível"!


É Claro que eu não sou crítico, sou corredor!


Amigos!

Correndo Com O Saci, Set/10. Parabéns Pra Mim, Jul/12. Um Corpo Errante, Mai/12. As Janelas de Lançamento, Abr/12. O Melhor Sorvete do Mundo, Set/11. Corredores da Vida, Aparatos de Intelingência, Jul/11. Arte com Amigos, Jun/13. Arte com Corredores, Dez/13. Arte com Medalhas, Jun/13. Eu Faço o Meu tempo, Nov/11. Arte com Imagens, Ago/14. Então Vais, Homem Água! (imagem com movimento), Jul/14. Crônicas de Corrida, Coletânea 2014. Rua Turva, Corredor Radiante, Jul/14. Mosaico de ilustrações do blog, basta clicar nas imagens e conferir as postagens originais


Há pouco me perguntaram por que eu não estava mais postando aqui no blog. A resposta foi uma evidente pergunta:

Se eu estou há sete meses sem dar sequer uma corridinha, onde vou encontrar inspiração?

Convivi dois anos com uma fascite plantar até não ter jeito, senão parar. Engavetei meus tênis no final do ano passado. Comecei a fazer intermináveis sessões de fisioterapia, sem sucesso. Dei início a uma reforma na minha residência e parei de pensar em corrida. A reforma da casa produziu bons resultados, mas durou sete(!) meses. Tanto tempo parado não ajudou na cura do solado do pé. Resignado, ainda respondo a mesma pergunta, feita por diferentes pessoas, onde quer que eu vá:

-- E aí, Bira?!... Como vão as corridas?

Mas hoje foi diferente, me perguntaram "como vai o blog?" e eu não tinha nenhuma resposta-padrão para dar... Então vou tentar explicar:

BiraNaNet e Eu

Criei esse blog em 2008. Eu já tinha 48 anos de idade, e estava 22 anos(!) afastado da corrida. Eu me sentia inseguro quanto à corrida. Tinha medo de desistir mais uma vez, e pensei:

-- Vou criar um blog, como todos fazem e relatar todas corridas que eu fizer. Isso vai me manter focado...

Não durou muito para eu cair na real: um corredor comum, como eu, não tem muito que falar dos resultados comuns que obtém nas competições. Para tornar o blog interessante, eu teria de fazer algo diferente. Então comecei a tentar transferir o prazer que sentia correndo, para dentro do meu texto. Foi esse exercício que me ensinou a escrever: "Como corredor, eu sou um ótimo blogueiro" - plagiei esta frase, certo dia, para um amigo... Comecei a relatar treinos solitários e comuns, nos lugares mais simples da cidade. Eu saía para correr e no meio do percurso visualizava a postagem que deveria fazer... Deparar com um texto enquanto se corre é como abrir a porta do céu. É sentir o corpo exalando suor e prazer, enquanto a mente se expande em todas as direções. É quando o indivíduo pode escolher o melhor ângulo de visão para cada objeto ou elemento, recompondo o paraíso.

Além dos textos, comecei a compor as imagens do blog. Na maioria das vezes optei por recortes de fotos da internet, evitando o plágio e buscando a criatividade. Forçosamente, tive aprender sozinho a manipular alguns programas de imagem. Dava um trabalho tremendo, mas a satisfação era na mesma medida. Compus, na figura acima, um mosaico com algumas dessas imagens. Basta clicar em cada imagem e conferir sua postagem original.


Nesses últimos sete anos, a corrida me trouxe saúde, novos amigos e abriu as portas do céu da criatividade. Digamos que eu não volte mais a correr (batendo três vezes na madeira) este blog continuará no ar, testemunhando os anos mais surpreendentes da minha vida.


Pois bem, agora eu já posso responder "como vai o blog?":

-- O blog vai bem, como um livro que espera ser aberto, bastando clicar e ler... Se eu não estou correndo e colhendo meus texto pelo caminho, vou precisar que alguém me provoque, de quando em vez, como o autor da pergunta que provocou este texto... Mas vai que eu fique bom de repente?...

Abraços!
Bira.