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Diário de Treinos no Whatsapp - IV

(Rio, quarta, 05.10.22)

Dia Off, Sonho On!

É inevitável: com apenas um mês e meio de retorno aos treinos e eu já me pego sonhando em fazer a Maratona do Vinho, em fevereiro de 2023. A prova é das mais difíceis, são 42km em meio aos vinhedos da Serra Gaúcha. A paisagem é das mais belas, pelas trilhas ornadas por milhões de pencas da uva madura e cheirosa, em plena época de colheita. Há trechos de subida forte, onde apenas poucos conseguem correr sem se esgotar. Há trechos de descida forte, onde apenas poucos conseguem correr sem se desequilibrar.

Os habitantes dos vales atiram sorrisos aos corredores, dos parapeitos das varandas de madeira. Nas porteiras dos sítios são colocados cestos de uva fresca e doce, basta pegar. Em meio à prova, de 2020, eu não resisti e peguei um cacho, mas não consegui correr e chupar, pois a boca fechada pelo gesto impede a respiração.  Comparando: correr chupando uva é como assobiar chupando cana!

Volta e meia eu interrompia a corrida para fotografar a beleza das montanhas e vales. Por isso fiquei surpreso ao descobrir que, na minha faixa etária, eu fora o segundo colocado com direito a troféu.

A chegada da prova foi em um imenso gramado semelhante a um campo de futebol. Estirei-me longamente no verde para me recuperar. Músicas e danças do folclore gaúcho se exibiam num palco, recobrando o movimento de corredores dançarinos. Outros corredores subiam no pódio para receberem seus troféus. Barracas no entorno gratificavam frutas, lanches e um delicioso chopp de vinho numa organização sem igual. 

A Maratona do Vinho foi minha última antes da lesão, quem sabe será a primeira no meu retorno?: Dia off, Sonho on!

Até a parte V...

Abraços!

Bira.



Diário de Treinos no Whatsapp - III

(Rio, segunda, 03.10.22)

VOLTANDO A MALHAR:

Em verdade vos digo: se você não gosta de levantar peso, dispense a academia, mas esteja pronto para levantar seu próprio peso cada vez maior!

Não se irrite, é humor em negrito, apenas para dizer que hoje eu voltei à malhar. 

Nunca gostei dessa atividade. Faço apenas por reforço muscular, devido à Corrida, mal começo já conto o tempo daquilo acabar.Esqueço o nome dos aparelhos e a maneira correta de executar  movimentos. Adquiro o pacote anual, pago em 12 vezes no cartão de crédito, para não desistir no caminho.

Cheguei na Academia Race à tarde, com pouca gente no ambiente. Peguei leve para o corpo não doer depois. Foram quase duas horas quando eu pensei: "Se estivesse correndo, já teria feito prazerosos 20km...", então decidi correr pelo menos 5km depois da musculação acabar. 

Não corro em esteira, gosto de chão e fui para a rua. O chão nem sempre gosta de mim, por isso me benzo e peço a Deus para não cair. Já levei vários tombos e nunca esqueço dos locais: Aterro, Avenida Brasil, Bonsucesso, Vila da Penha, Saquarema, Jericoaquara e etc. Quebrei óculos, celular, ganhei marcas nos joelhos... Mas, vamos mudar de assunto?

Pois bem: imagino que neste momento a felicidade é tão grande, diante de mim, que eu não consigo enxergá-la direito sem ter que me afastar. Então melhor ficar perto, e perder a noção do seu tamanho, e por fim vislumbrar o meu próximo treino! Até lá!

Até a parte IV...

Abraços!

Bira.



DIÁRIO DE TREINOS NO WHATSAPP - II 

(Rio, sábado, 01.10.22)

MUSEU DO DIA DE HOJE:

São 12h e 15min na reformulada Praça Mauá, no Centro do Rio. O sol disputa terreno com as nuvens, feito atacante com zagueiros, dentro da área, antes da cobrança de escanteio. Não sei dizer se faz frio ou calor, pois acabo de encerrar meu treino. Foram pouco mais de duas horas correndo os 21,5 km que separam meu bairro daquele local.

Uma feirinha expõe bugigangas e roupas para turistas em frente ao Museu do Amanhã. As figueiras amparam alguns bancos de concreto em suas sombras, onde eu me sento para descansar. Uma brisa seca o suor do meu corpo e eu retiro a camisa encharcada, vestindo um quebra vento em seu lugar.

Estou bem: consegui refazer um trajeto rotineiro e antigo, tanto quanto a Perimetral que não está mais ali. 

Ainda não estou preparado para esticar este treino até Copacabana ou Leblon, como antes. Rechaço esta ambição para ser feliz na reconquista de hoje.

- Até a parte III...

Abraços!

Bira.



DIÁRIO DE TREINOS NO WHATSAPP - I

(Rio, 30.09.22)

INTRODUÇÃO:

Estava com medo de dizer: "Voltei!". Sou medroso diante das coisas que não quero perder. Minha Corrida é uma delas, por isso ganha este "C" maiúsculo, que mesmo assim parece pouco.

Voltei, a correr entre julho e agosto, passados, depois de quase dois anos parado devido à lesão. Meu corpo engordava enquanto o ânimo emagrecia, então comprei uma bike e redescobri o medo. Medo de me equilibrar no trânsito e tragicamente morrer sob as rodas de um carro... Fazer o quê?: Em se tratando de morte, ficar parado também é morrer aos poucos!

Fiz apenas três pedaladas, até arrebentae as correntes da bike em uma subida. Então, no dia seguinte resolvi correr um pouquinho (a pé), outra vez. Com oito quilos acima do peso senti falta de fôlego, mas percebi poderia voltar, quem sabe, aos poucos a correr. Reconquistar o meu cantinho de asfalto, rente ao meio-fio, nas contramãos do subúrbio!...

Deus seja louvado: já estou voltando!

Agora avancei outro pouco e me rematriculei na musculação. Confesso que não gosto de malhar, mas é um mal necessário, reforça os músculos de quem corre. Com isso eu tenho a bike, a academia e a Corrida para encaixar no dia a dia: Já estou quatro quilos mais magro!

Até a parte II...

Abraços!

Bira.

Carta para o Amigo Paulo Portela (I)


Prezado Portela;

Hoje acordei assustado, com a voz de alguém me chamando lá no portão: "Biraaa!". Olhei para a janela, mas ainda não havia amanhecido. Portanto, não estava na hora dos pedreiros chegarem (tem reformas sendo feitas por aqui). A voz me chamando foi um sonho, sem imagem. 

O celular apontou 4:01 da manhã e, sem sono, falei com minha esposa, depois danei de pensar no que tinha feito:

Começou em novembro, quando resolvi reparar o muro com reboco estufado. Deu certo, mas disparou um monte de outros reparos e pinturas... 

Em dezembro e janeiro, eu já tinha pintado o interior da casa quase toda (dia a dia, cômodo a cômodo). Reformei um banheiro no terraço. Comecei a pintar a casa por fora. Fui alugar andaimes, comprei cinto de segurança. Explicando melhor, minha casa é tipo apartamento: moro nos segundo e terceiro andares. As paredes são lá no alto, quase inacessíveis, mas isso não me parecia empecilho...

Enquanto isso, eu já estava trocando a antiga mesa de jantar por nova. Lá na loja de móveis vi sofás a bom preço e troquei pelos velhos. 

Em outra loja de móveis, tinha os guardas-roupas que a minha mulher precisava. Tirei fotos do móvel e ficou para "comprar depois". Esse depois, aconteceu por acaso, em duas semanas apenas, quando uma funcionária do banco (para bater meta) me ofereceu refinanciar um consignado (baixando os juros!), mantendo o valor e quantidade de parcelas, no novo contrato, ainda me dando um belo troco (!) (coincidência ou sorte?!).

Voltando às pinturas, o locador dos andaimes se ofereceu para pintar a casa por fora e ainda corrigir problemas. Analisei o preço que ele deu, mas não estava nos meus planos... Por fim, eu cheguei à conclusão que não conseguiria pintar sozinho e contratei.

Agora março está chegando e a casa está renovada, faltando alguns detalhes, mas... 

Por que eu estou te escrevendo esta carta virtual?

Provavelmente é porque o tempo vai passando e levando os amigos. Quanto mais tempo passa, menos amigos se têm. Amigos inteligentes quase não existem, pelo menos para mim. A maioria dos que parecem inteligentes são apenas calados, como disfarce. Deve ser por isso que eu me tornei corredor, compensando a solidão no rastro de gente ao redor. No final das contas, nesta vida, todo mundo passa como um rastro...

Mas veja a ironia: Foi preciso que eu me lesionasse (estou há sete meses sem correr) para ver os problemas da casa. Não se trata de "fazer do limão uma limonada": minha lesão já era uma limonada pronta! Não fosse isso, eu estaria correndo sem tempo para reparar o muro e consertar um monte de coisas, que é preciso estar parado para ver, ou lesionado no meu caso.

Eu tenho um defeito - que para os amigos pode ser visto como qualidade: quando me foco em algo, tudo ao redor pode virar onda e passar batido. No entanto, naquilo que foco em geral fica muito bem feito... Daí a importância de ter amigos, para me julgar pelos acertos! 


Aquele abraço!

Bira

Vídeo: Um-Corredor-Como-Você...



Um-corredor-como-você acordou de manhã, tomou banho, café e saiu para treinar. Deparou com a cidade estirando tapetes de asfalto molhado de orvalho, para ele pisar. Uma brisa suave fez carícias em seus ombros enquanto os pássaros saudavam a manhã. Aquele ar renovado penetrou no seu peito, refrescou sua alma e animou sua largada... Então, pôs-se a correr e a aquecer feito o dia!


Um-corredor-como-você dobrou dezenas de esquinas e migrou entre os bairros, enquanto o sol se elevava e a manhã se perdia. Pouco a pouco, o calor expulsou o orvalho do chão. Gradualmente, o burburinho da metrópole abafou a cantiga dos pássaros. Logo, logo, o batuque das suas passadas não alcançaria mais os seus ouvidos. Muito menos os bipes do frequencímetro ou o pulsar do coração... É que uma orquestra confusa de buzinas, freadas e autofalantes poluíram o dia. Feito um corredor, fora de forma, o dia começou a ofegar.

Um-corredor-como-você ignorou os problemas do dia e fez verter no suor os seus próprios problemas. Sentiu-se livre como o vapor que dele saía. Pegou carona no vento e, sem se importar, misturou-se à fumaça que no ambiente crescia. Fez parte do caminho por onde passou por eternos instantes. Cada passo que deu, configurou uma conquista de si mesmo ou da cidade:

-- Outra rua, outro bairro!... Novas descobertas na mesma metrópole e novos desejos no mesmo ser!... Desejou correr pelo mundo e essa utopia fez seus olhos brilharem!

Um-corredor-como-você esqueceu que enquanto corria seu corpo exauria e não queria mais parar. Correu até o cansaço da manhã. Depois, aplacou a sede na fome da tarde. Por fim, recuperou seu o corpo no sono da noite. Até que outro dia lhe acordou renovado:

-- Outra manhã, outro despertar!... Novas descobertas na mesma cidade e novos caminhos dentro e fora do ser!... Sem querer, fundiu todo o mundo na visão distorcida pelo balanço de outra corrida!

Um-corredor-como-você é condutor da esperança no olhar que une o mundo. Humano que é, ele pode até sorrir e sofrer no decurso do mesmo dia, mas sabe que tem sempre outra manhã a lhe esperar!

Abraços!

Bira.


Vídeo - Correr, Tropeçar, Chorar e Sorrir...




Se o dependente químico soubesse do poder da endorfina,

Deixaria de lado as drogas ilegais.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Cheiraria de novo o frescor esquecido da manhã!

Se o alcoolista soubesse do prazer de um gole d'água, após a corrida,
Deixaria de lado a outra bebida.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Brindaria de novo o sabor esquecido do dia!

Se o depressivo soubesse do alívio que traz um abraço de corredor,
Deixaria de lado os remédios.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Choraria pelos poros o suor esquecido dentro de si!

Se o compulsivo soubesse da força que arrasta os corredores na largada,
Deixaria se levar por ela.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Repetiria os passos esquecidos nas corridas da infância!

Se o Workaholic soubesse da lucratividade dos treinos com amigos,
Deixaria de lado a caneta e o terno.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Suaria no escritório esquecido que tem vento, chuva e sol!

Se o corredor soubesse por que não é um alcoolista ou depressivo,
Teria medo de parar de correr.
Mas o melhor é não ter medo,
Que está na origem dessas doenças.

Se o corredor dissesse que a corrida lhe trouxe saúde,
Outro rebateria, que a corrida lhe conduziu à saúde,
Mas tudo terminaria num pique,
Como nos Tempos das Descobertas de infância!

Se você estiver pensando que não há nada mais para descobrir na vida.
Se você estiver desiludido, recorrendo às drogas ou ao excesso de álcool...

Se você tiver tristeza demais,
Se estiver comendo demais,
Trabalhando demais,
Demasiadamente demais...

Lembre que quando criança
Você corria e sorria,
E tropeçava, e chorava,
E levantava, e corria de novo!
E descobria o mundo...
E tudo era demais!

Se você pensa que não há mais nada para descobrir no mundo,
Experimente olhar para ele, enquanto corre!
Resgate os olhos brilhantes de criança:
Correr, tropeçar, chorar e sorrir...

E se redescobrir,
E revelar o mundo!

Abraço!
Bira.


Corredores se Encantam na Ilha (com vídeo)



Domingo, 11 de outubro de 2020, 7 h e 30 mim:


Quarenta corredores posam animados na largada do quinto Treinão BR. Eles estão no gramado da pista de atletismo do Campus da UFRJ - Fundão, a 500 metros do parque natural da Ilha do Catalão.


A maioria está ansiosa para conhecer o lugar. Por sorte, o sol surgiu de manhã, há poucas horas do treino. Nos últimos dias, toda cidade foi encoberta por nuvens e banhada de chuva que afugentou pelo menos a metade público. Quem não se assustou com o mau tempo se deu bem e agora estampa um sorriso que não sai da face, nem mesmo durante o trote.


Se o seu celular não está exibindo o vídeo, acima, clique no link para oYouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=r-IJEu9VA-A


Dentro do parque é dada a segunda largada. Todos estão perfilados na trilha e agora redescobrem as praias ocultas da ilha. Apesar da poluição, trazida pelas águas até a areia, o lugar insiste em ser belo e a surpreender. Dentro da mata, ramos de árvores se entrelaçam aos cipós e formam túneis, onde os corredores confundem realidade com sonho. Fachos de luz escapam por entre as árvores e dançam entre as folhas que fertilizam o chão. O barulho das ondas e o canto dos pássaros se confundem com o batuque dos tênis no solo e o burburinho dos corredores na mata. Alguns escolhem dar duas voltas no parque, cerca de 6 km, outros irão rodopiar um pouco mais para aproveitar e tirar fotos. Os mais "fominhas" estenderão seu treino com voltas no gramado rente á pista de atletismo, perto da concentração.


Embaixo de uma árvore, está montada uma mesa com lanches que os corredores levaram. Uma potente caixa de som toca músicas de todos os gêneros, animando quem chega. Quem tem compromissos se despede e vai embora, alguns dançam e outros não param de falar... O clima é muito bom!


Enquanto isso, os arredores do fundão não estão desertos. Uma equipe de corrida realiza outro treino no asfalto, times disputam partidas nos campos de futebol, caminhantes se espalham nas calçadas e vez em quando passam ciclistas na estrada. O sol ainda resiste o quanto pode, mas vai sucumbir. O benevolente astro faz de tudo para estender as festas. Quando as nuvens retornam, todos já estão fartos de tanta diversão, se despedem e vão embora...


O Treinão da Ilha do Catalão foi muito mais festa do que treinão, mas era disso que a gente precisava!


Abraço!

Bira.


Sol-Medalha-Lua: gif composto com imagens da internet - Bira.

Vídeo - Correndo às Cinco da Tarde

Amigos!

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e o sol ainda pendia entre as pipas no céu. Dava para perceber a noite se aproximando, pelo avanço das sombras nas calçadas. Dava para ver o aumento do fluxo dos automóveis e do movimento de pessoas na estação do metrô. Ele deveria ter evitado passar no centro do bairro, mas se distraiu e tomou aquele rumo. Só deu conta do fato, quando foi obrigado a caminhar para evitar esbarrões.


Se o seu celular não visualizar o vídeo, clique no link a seguir: https://youtu.be/vnIdCU3DG8E

Quando o Bira se livrou do engarrafamento de carros e de gente, tomou um rumo mais seguro para correr pelos bairros - se é que se pode chamar de "seguro", nos dias de hoje, qualquer trajeto escolhido. No subúrbio, onde ele mora, os perigos estão por todos os lados. Acho, até, que o Bira corre para fugir dos perigos e fica nos iludindo ao dizer que é atleta!... Acho, também, que o Bira deve ter percebido que pode ser muito mais perigoso viver escondido dentro de casa.

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e o outono amarelava as ruas, no brilho do sol. Aos 56 anos, o Bira era como um sol, do fim de tarde, que reluta para manter-se pendente no céu. Às vezes ele se pergunta por quanto tempo ainda correrá. Nos últimos anos, algumas lesões enturveceram o seu céu, mas ele não desistiu e encarou as tempestades. Correndo bem menos, ele perdeu a condição de fazer maratonas - sua prova predileta. Ele também perdeu o seu Garmin, mas isso é o de menos, pior foi perder a vontade de comprar outro Garmim. O lado bom é que hoje ele corre sem se preocupar com a medição de tempo ou distância. E foi por isso que anoiteceu, enquanto ele trilhava as ruas de Olaria.

Quando o Bira se esquivou de um carro que encostou no meio-fio, ele pulou para a calçada e deparou com outro carro!... No subúrbio onde ele mora, os carros se esparramam e as pessoas só reclamam quando estão do lado de fora. Bira conformou-se e continuou a correr sob os postes de luz amarela. As luzes brancas dos faróis ofuscaram o seu olhar de contra-mão. Para não ser atropelado, ele aguçou os ouvidos. Para não tropeçar, ele ativou os sensores dos pés. Acho, até, que o Bira corre para sentir melhor o mundo e fica nos iludindo ao dizer que é atleta!... Acho, também, que o Bira deve ter percebido que pode ser muito mais arriscado não correr riscos.

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e a noite chegaria antes do final de seu treino. Uma noite de sombras e luzes; de buracos, lombadas e riscos; de cachorros raivosos que latem detrás do portão; de passantes que lhe olham um olhar enigmático; de fim de treino, após percorrer 17 quilômetros; de orgulho e de gratidão...

Quando Bira olhou para o céu, no fim do treino, já não eram cinco horas há muito tempo. Ele queria encontrar a lua, cheia e brilhante feito uma medalha! Queria colher a lua com as mãos e colocá-la no peito, mas a lua não estava lá... Apenas na sua imaginação!

Abraços!
Bira.

 

Foto oficial antes da largada

Rio da Prata 2020: Mais Um Treinão para a História!


Amigos!


Que tal escrever bem pouco e deixar que as imagens falem por mim?...


Quando chegou a manhã de domingo, 20 de setembro de 2020, uma forte ameaça de chuva ainda pairava no céu. Os sites de meteorologia afirmavam que ela cairia, como fez na noite anterior. Foi nesse clima de incerteza que a equipe de organizadores deram toque final ao Treinão Rio da Prata. Mas tivemos sorte: quando amanheceu o céu estava apenas nublado.


Compareceram 130 dos 180 corredores que se inscreveram. Um número de atletas suficiente para reviver aquele clima das corridas que foram suspensas. Ainda rolava uma rave largo do Rio da Prata perto do local de largada: música alta, gente dançando... Não tive tempo de olhar ou conferir. Faltavam apenas vinte e cinco minutos para a largada, mas o Zekka já tinha preparado o terreno.


Várias fotos foram tiradas no topo... Não foi possível reunir todos corredores desta vez.


Vídeo do Treinão do Mendanha 2020

Foi no último domingo de agosto que mais de 150 corredores encararam a Serra do Mendanha, local alternativo dos corredores cariocas. Aquilo que seria um treino programado para poucos amigos, ganhou força e projeção, em apenas duas semanas. Vários atletas aderiram pelo WhatsApp. Muitos deles nem conheciam o recanto.

O tempo ajudou e todos estavam animados. O treino, no entanto, era simples e sem estrutura. Houve falha na largada, o que provocou dispersão logo no início. Mas vários grupos se formaram por todo percurso... O chato é que não deu para tirar aquela foto, com todo mundo, no alto das torres. Confira o vídeo:

 

Parte dos corredores na tradicional foto ao pé das Torres do Mendanha: muitos já haviam descido.

Finalmente, Corrida Está de Volta!

Amigos, 

A Corrida voltou para alegrar as manhãs cariocas!... E foi neste fim de semana, em Campo Grande, quando aproximadamente 180 corredores subiram a Serra do Mendanha, em dois eventos seguidos: 

  • No Sábado, 29/08/20, dezesseis ultramaratonista encararam uma prova de 100 km. A altimetria acumulada da prova somou mais de 4.800 metros. A largada foi de manhã e a competição se estendeu até a madrugada de domingo. Foram oito voltas, subindo e descendo, da Praça da Bica até as torres de transmissão celular, no alto da serra. Quando anoiteceu, os atletas utilizaram lanternas portáteis para se deslocar na mata escura, sobre o terreno íngreme e extremamente irregular. 

De Volta Às Torres!

Amigos!


Foi em janeiro de 2013 que Sergio Pessoa (camiseta verde, na foto) convidou os amigos para o primeiro treinão do ano. Escolheu como palco o Mendanha, local pouco conhecido pelos corredores cariocas, até então. Partiriam da Praça da Bica, rumo ao alto da serra, onde estão fincadas as torres de transmissão celular.


Era época de ascensão das corridas de rua e do Facebook, onde Sergio anunciou seu evento. O resultado foi surpreendente: 50 corredores compareceram. Um recorde, até então!



As fotos e videos daquele treino repercutiram nas redes. Muitos corredores se tornaram amigos a partir dali... Tal eco atingiu mais corredores e, sem que ninguém percebesse: Estava dada a largada na Época dos Grandes Treinões!


Maravilhoso!... Mas nem tudo são flores nesta história. Poucos dias depois o corredor Adriano Molinaro, um dos incentivadores do Treinão do Mendanha faleceu. Comovidos, os corredores marcaram um treino em homenagem póstuma e a rede de amigos aumentou. Vários treinos foram marcados, desde então, com número cada vez maior de público. No ano seguinte, o Treinão do Mendanha reuniu 120 pessoas, mas já era comum atingir tal público em 2014... A alegria foi contagiante e registrada no vídeo, a seguir:




A Igualdade Está no Céu!

I - O Fim da história:

(...) E um arco-íris surgiu no fim da rua e da tarde... E o sorriso de quem passava gratificou a Deus por tamanho espetáculo! E eu pensei comigo: "A igualdade está no ceu!".

II - O Meio da História:

Até que enfim eu estava correndo de novo!... Depois de vários dias parado esperando me curar de uma nova lesão.

Era uma daquelas tardes de inverno, onde a gente procura  o sol para se esquentar - coisa rara no Rio de Janeiro.

Mas o tempo também corria e logo o sol se esconderia atrás de um prédio em construção - ou de um morro suburbano e desvalido.

Ao lado da estrada, eu prosseguia correndo e fugindo do tombo. Minha visão focava nas irregularidades do chão e todo cenário, ao redor, se fazia periférico.  Eu não queria pisar no buraco, tropeçar na lombada ou chutar a raiz que rompeu a calçada... E assim por tudo a perder.

É assim mesmo: corredores como eu desenvolverem visão periférica. Quando não dá para tirar os olhos do chão, os objetos do entorno se misturam num rastro multicor. Seu caminho se torna um corredor mágico, com paredes de rastros de todas as cores!

Um carro passa ao lado e faz "zum" - barulho do ar que se atira no meu rosto... As folhas secas chiam debaixo dos meus tênis... O jasminzeiro expele perfume, na esquina, em meio à poeira que vento espalhou.

É assim mesmo: Corredores, como eu, não podem se dar ao luxo de parar para observar este caos: eles simplesmente se misturam ao caos! Eles potencializam seus sentidos para sobreviver, ali no meio, o máximo de tempo possível!

III - O Começo e O Fim da História:

Mais uma vez, tomei uma ducha e vesti a roupa de corrida para mais um treino. Disparei o cronômetro e saí pelo bairro, pela enésima vez. Nada demais, o treino foi concluído...

...Até que no fim, surgiu um arco-íris embelezando o meu subúrbio, que tem o céu tão lindo quanto de qualquer lugar!... E eu pensei comigo: "A igualdade está no céu!"

Abraço, 

Bira.

Postada no blog Cronistas de WhatsApp :
www.cronistasdewhatsapp.blogspot.com




Vamos, levanta!...

Não fica aí parado, tentando encontrar a solução dos seus problemas! Vou lhe contar um segredo: Esta solução é uma questão de distância, pois lhe espera passar correndo em alguma pista lá no parque, para enfim se revelar.


Vamos, levanta!...

Não fica aí perguntando se o que eu digo é verdade. Dúvida é  sinônimo de problema e você não precisa ter mais um! Perceba que agora a questão é de tempo: tempo de vestir seus tênis, bermuda e camiseta, e sair para correr antes da luz do dia apagar.


Vamos, levanta!...

Não fica aí se comprazendo na dor dos injustiçados. Problemas  são pontos de interrogação virados de ponta-cabeça, feito um gancho, onde você está espetado e pendurado pelo peito. Liberte-se e corra, encha seu peito ferido de ar e descubra que a questão, desta feita, é viver preso (ou se libertar?).


Vamos, levanta!...

Não fica aí congelado e pálido pelo pelo efeito do seu condicionador de ar. Seus problemas ficaram presos nesta geleira que te forma, então corra!... Deixa seus problemas derreterem, fluírem  no suor e se perderem no ar! A questão, por fim é simplesmente correr, por aí, sem medo de se perder (ou se encontrar?).


Vamos, levanta!...


Abraços!
Bira.

(Postagem de WhatsApp, sem revisão de provaveis erros).

Veja mais em: www.cronistasdewhatsapp.blogspot.com