Últimos Posts

Vídeo: Um-Corredor-Como-Você...



Um-corredor-como-você acordou de manhã, tomou banho, café e saiu para treinar. Deparou com a cidade estirando tapetes de asfalto molhado de orvalho, para ele pisar. Uma brisa suave fez carícias em seus ombros enquanto os pássaros saudavam a manhã. Aquele ar renovado penetrou no seu peito, refrescou sua alma e animou sua largada... Então, pôs-se a correr e a aquecer feito o dia!


Um-corredor-como-você dobrou dezenas de esquinas e migrou entre os bairros, enquanto o sol se elevava e a manhã se perdia. Pouco a pouco, o calor expulsou o orvalho do chão. Gradualmente, o burburinho da metrópole abafou a cantiga dos pássaros. Logo, logo, o batuque das suas passadas não alcançaria mais os seus ouvidos. Muito menos os bipes do frequencímetro ou o pulsar do coração... É que uma orquestra confusa de buzinas, freadas e autofalantes poluíram o dia. Feito um corredor, fora de forma, o dia começou a ofegar.

Um-corredor-como-você ignorou os problemas do dia e fez verter no suor os seus próprios problemas. Sentiu-se livre como o vapor que dele saía. Pegou carona no vento e, sem se importar, misturou-se à fumaça que no ambiente crescia. Fez parte do caminho por onde passou por eternos instantes. Cada passo que deu, configurou uma conquista de si mesmo ou da cidade:

-- Outra rua, outro bairro!... Novas descobertas na mesma metrópole e novos desejos no mesmo ser!... Desejou correr pelo mundo e essa utopia fez seus olhos brilharem!

Um-corredor-como-você esqueceu que enquanto corria seu corpo exauria e não queria mais parar. Correu até o cansaço da manhã. Depois, aplacou a sede na fome da tarde. Por fim, recuperou seu o corpo no sono da noite. Até que outro dia lhe acordou renovado:

-- Outra manhã, outro despertar!... Novas descobertas na mesma cidade e novos caminhos dentro e fora do ser!... Sem querer, fundiu todo o mundo na visão distorcida pelo balanço de outra corrida!

Um-corredor-como-você é condutor da esperança no olhar que une o mundo. Humano que é, ele pode até sorrir e sofrer no decurso do mesmo dia, mas sabe que tem sempre outra manhã a lhe esperar!

Abraços!

Bira.


Vídeo - Correr, Tropeçar, Chorar e Sorrir...




Se o dependente químico soubesse do poder da endorfina,

Deixaria de lado as drogas ilegais.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Cheiraria de novo o frescor esquecido da manhã!

Se o alcoolista soubesse do prazer de um gole d'água, após a corrida,
Deixaria de lado a outra bebida.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Brindaria de novo o sabor esquecido do dia!

Se o depressivo soubesse do alívio que traz um abraço de corredor,
Deixaria de lado os remédios.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Choraria pelos poros o suor esquecido dentro de si!

Se o compulsivo soubesse da força que arrasta os corredores na largada,
Deixaria se levar por ela.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Repetiria os passos esquecidos nas corridas da infância!

Se o Workaholic soubesse da lucratividade dos treinos com amigos,
Deixaria de lado a caneta e o terno.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Suaria no escritório esquecido que tem vento, chuva e sol!

Se o corredor soubesse por que não é um alcoolista ou depressivo,
Teria medo de parar de correr.
Mas o melhor é não ter medo,
Que está na origem dessas doenças.

Se o corredor dissesse que a corrida lhe trouxe saúde,
Outro rebateria, que a corrida lhe conduziu à saúde,
Mas tudo terminaria num pique,
Como nos Tempos das Descobertas de infância!

Se você estiver pensando que não há nada mais para descobrir na vida.
Se você estiver desiludido, recorrendo às drogas ou ao excesso de álcool...

Se você tiver tristeza demais,
Se estiver comendo demais,
Trabalhando demais,
Demasiadamente demais...

Lembre que quando criança
Você corria e sorria,
E tropeçava, e chorava,
E levantava, e corria de novo!
E descobria o mundo...
E tudo era demais!

Se você pensa que não há mais nada para descobrir no mundo,
Experimente olhar para ele, enquanto corre!
Resgate os olhos brilhantes de criança:
Correr, tropeçar, chorar e sorrir...

E se redescobrir,
E revelar o mundo!

Abraço!
Bira.


Corredores se Encantam na Ilha (com vídeo)



Domingo, 11 de outubro de 2020, 7 h e 30 mim:


Quarenta corredores posam animados na largada do quinto Treinão BR. Eles estão no gramado da pista de atletismo do Campus da UFRJ - Fundão, a 500 metros do parque natural da Ilha do Catalão.


A maioria está ansiosa para conhecer o lugar. Por sorte, o sol surgiu de manhã, há poucas horas do treino. Nos últimos dias, toda cidade foi encoberta por nuvens e banhada de chuva que afugentou pelo menos a metade público. Quem não se assustou com o mau tempo se deu bem e agora estampa um sorriso que não sai da face, nem mesmo durante o trote.


Se o seu celular não está exibindo o vídeo, acima, clique no link para oYouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=r-IJEu9VA-A


Dentro do parque é dada a segunda largada. Todos estão perfilados na trilha e agora redescobrem as praias ocultas da ilha. Apesar da poluição, trazida pelas águas até a areia, o lugar insiste em ser belo e a surpreender. Dentro da mata, ramos de árvores se entrelaçam aos cipós e formam túneis, onde os corredores confundem realidade com sonho. Fachos de luz escapam por entre as árvores e dançam entre as folhas que fertilizam o chão. O barulho das ondas e o canto dos pássaros se confundem com o batuque dos tênis no solo e o burburinho dos corredores na mata. Alguns escolhem dar duas voltas no parque, cerca de 6 km, outros irão rodopiar um pouco mais para aproveitar e tirar fotos. Os mais "fominhas" estenderão seu treino com voltas no gramado rente á pista de atletismo, perto da concentração.


Embaixo de uma árvore, está montada uma mesa com lanches que os corredores levaram. Uma potente caixa de som toca músicas de todos os gêneros, animando quem chega. Quem tem compromissos se despede e vai embora, alguns dançam e outros não param de falar... O clima é muito bom!


Enquanto isso, os arredores do fundão não estão desertos. Uma equipe de corrida realiza outro treino no asfalto, times disputam partidas nos campos de futebol, caminhantes se espalham nas calçadas e vez em quando passam ciclistas na estrada. O sol ainda resiste o quanto pode, mas vai sucumbir. O benevolente astro faz de tudo para estender as festas. Quando as nuvens retornam, todos já estão fartos de tanta diversão, se despedem e vão embora...


O Treinão da Ilha do Catalão foi muito mais festa do que treinão, mas era disso que a gente precisava!


Abraço!

Bira.


Sol-Medalha-Lua: gif composto com imagens da internet - Bira.

Vídeo - Correndo às Cinco da Tarde

Amigos!

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e o sol ainda pendia entre as pipas no céu. Dava para perceber a noite se aproximando, pelo avanço das sombras nas calçadas. Dava para ver o aumento do fluxo dos automóveis e do movimento de pessoas na estação do metrô. Ele deveria ter evitado passar no centro do bairro, mas se distraiu e tomou aquele rumo. Só deu conta do fato, quando foi obrigado a caminhar para evitar esbarrões.


Se o seu celular não visualizar o vídeo, clique no link a seguir: https://youtu.be/vnIdCU3DG8E

Quando o Bira se livrou do engarrafamento de carros e de gente, tomou um rumo mais seguro para correr pelos bairros - se é que se pode chamar de "seguro", nos dias de hoje, qualquer trajeto escolhido. No subúrbio, onde ele mora, os perigos estão por todos os lados. Acho, até, que o Bira corre para fugir dos perigos e fica nos iludindo ao dizer que é atleta!... Acho, também, que o Bira deve ter percebido que pode ser muito mais perigoso viver escondido dentro de casa.

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e o outono amarelava as ruas, no brilho do sol. Aos 56 anos, o Bira era como um sol, do fim de tarde, que reluta para manter-se pendente no céu. Às vezes ele se pergunta por quanto tempo ainda correrá. Nos últimos anos, algumas lesões enturveceram o seu céu, mas ele não desistiu e encarou as tempestades. Correndo bem menos, ele perdeu a condição de fazer maratonas - sua prova predileta. Ele também perdeu o seu Garmin, mas isso é o de menos, pior foi perder a vontade de comprar outro Garmim. O lado bom é que hoje ele corre sem se preocupar com a medição de tempo ou distância. E foi por isso que anoiteceu, enquanto ele trilhava as ruas de Olaria.

Quando o Bira se esquivou de um carro que encostou no meio-fio, ele pulou para a calçada e deparou com outro carro!... No subúrbio onde ele mora, os carros se esparramam e as pessoas só reclamam quando estão do lado de fora. Bira conformou-se e continuou a correr sob os postes de luz amarela. As luzes brancas dos faróis ofuscaram o seu olhar de contra-mão. Para não ser atropelado, ele aguçou os ouvidos. Para não tropeçar, ele ativou os sensores dos pés. Acho, até, que o Bira corre para sentir melhor o mundo e fica nos iludindo ao dizer que é atleta!... Acho, também, que o Bira deve ter percebido que pode ser muito mais arriscado não correr riscos.

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e a noite chegaria antes do final de seu treino. Uma noite de sombras e luzes; de buracos, lombadas e riscos; de cachorros raivosos que latem detrás do portão; de passantes que lhe olham um olhar enigmático; de fim de treino, após percorrer 17 quilômetros; de orgulho e de gratidão...

Quando Bira olhou para o céu, no fim do treino, já não eram cinco horas há muito tempo. Ele queria encontrar a lua, cheia e brilhante feito uma medalha! Queria colher a lua com as mãos e colocá-la no peito, mas a lua não estava lá... Apenas na sua imaginação!

Abraços!
Bira.

 

Foto oficial antes da largada

Rio da Prata 2020: Mais Um Treinão para a História!


Amigos!


Que tal escrever bem pouco e deixar que as imagens falem por mim?...


Quando chegou a manhã de domingo, 20 de setembro de 2020, uma forte ameaça de chuva ainda pairava no céu. Os sites de meteorologia afirmavam que ela cairia, como fez na noite anterior. Foi nesse clima de incerteza que a equipe de organizadores deram toque final ao Treinão Rio da Prata. Mas tivemos sorte: quando amanheceu o céu estava apenas nublado.


Compareceram 130 dos 180 corredores que se inscreveram. Um número de atletas suficiente para reviver aquele clima das corridas que foram suspensas. Ainda rolava uma rave largo do Rio da Prata perto do local de largada: música alta, gente dançando... Não tive tempo de olhar ou conferir. Faltavam apenas vinte e cinco minutos para a largada, mas o Zekka já tinha preparado o terreno.


Várias fotos foram tiradas no topo... Não foi possível reunir todos corredores desta vez.


Vídeo do Treinão do Mendanha 2020

Foi no último domingo de agosto que mais de 150 corredores encararam a Serra do Mendanha, local alternativo dos corredores cariocas. Aquilo que seria um treino programado para poucos amigos, ganhou força e projeção, em apenas duas semanas. Vários atletas aderiram pelo WhatsApp. Muitos deles nem conheciam o recanto.

O tempo ajudou e todos estavam animados. O treino, no entanto, era simples e sem estrutura. Houve falha na largada, o que provocou dispersão logo no início. Mas vários grupos se formaram por todo percurso... O chato é que não deu para tirar aquela foto, com todo mundo, no alto das torres. Confira o vídeo:

 

Parte dos corredores na tradicional foto ao pé das Torres do Mendanha: muitos já haviam descido.

Finalmente, Corrida Está de Volta!

Amigos, 

A Corrida voltou para alegrar as manhãs cariocas!... E foi neste fim de semana, em Campo Grande, quando aproximadamente 180 corredores subiram a Serra do Mendanha, em dois eventos seguidos: 

  • No Sábado, 29/08/20, dezesseis ultramaratonista encararam uma prova de 100 km. A altimetria acumulada da prova somou mais de 4.800 metros. A largada foi de manhã e a competição se estendeu até a madrugada de domingo. Foram oito voltas, subindo e descendo, da Praça da Bica até as torres de transmissão celular, no alto da serra. Quando anoiteceu, os atletas utilizaram lanternas portáteis para se deslocar na mata escura, sobre o terreno íngreme e extremamente irregular. 

De Volta Às Torres!

Amigos!


Foi em janeiro de 2013 que Sergio Pessoa (camiseta verde, na foto) convidou os amigos para o primeiro treinão do ano. Escolheu como palco o Mendanha, local pouco conhecido pelos corredores cariocas, até então. Partiriam da Praça da Bica, rumo ao alto da serra, onde estão fincadas as torres de transmissão celular.


Era época de ascensão das corridas de rua e do Facebook, onde Sergio anunciou seu evento. O resultado foi surpreendente: 50 corredores compareceram. Um recorde, até então!



As fotos e videos daquele treino repercutiram nas redes. Muitos corredores se tornaram amigos a partir dali... Tal eco atingiu mais corredores e, sem que ninguém percebesse: Estava dada a largada na Época dos Grandes Treinões!


Maravilhoso!... Mas nem tudo são flores nesta história. Poucos dias depois o corredor Adriano Molinaro, um dos incentivadores do Treinão do Mendanha faleceu. Comovidos, os corredores marcaram um treino em homenagem póstuma e a rede de amigos aumentou. Vários treinos foram marcados, desde então, com número cada vez maior de público. No ano seguinte, o Treinão do Mendanha reuniu 120 pessoas, mas já era comum atingir tal público em 2014... A alegria foi contagiante e registrada no vídeo, a seguir:




A Igualdade Está no Céu!

I - O Fim da história:

(...) E um arco-íris surgiu no fim da rua e da tarde... E o sorriso de quem passava gratificou a Deus por tamanho espetáculo! E eu pensei comigo: "A igualdade está no ceu!".

II - O Meio da História:

Até que enfim eu estava correndo de novo!... Depois de vários dias parado esperando me curar de uma nova lesão.

Era uma daquelas tardes de inverno, onde a gente procura  o sol para se esquentar - coisa rara no Rio de Janeiro.

Mas o tempo também corria e logo o sol se esconderia atrás de um prédio em construção - ou de um morro suburbano e desvalido.

Ao lado da estrada, eu prosseguia correndo e fugindo do tombo. Minha visão focava nas irregularidades do chão e todo cenário, ao redor, se fazia periférico.  Eu não queria pisar no buraco, tropeçar na lombada ou chutar a raiz que rompeu a calçada... E assim por tudo a perder.

É assim mesmo: corredores como eu desenvolverem visão periférica. Quando não dá para tirar os olhos do chão, os objetos do entorno se misturam num rastro multicor. Seu caminho se torna um corredor mágico, com paredes de rastros de todas as cores!

Um carro passa ao lado e faz "zum" - barulho do ar que se atira no meu rosto... As folhas secas chiam debaixo dos meus tênis... O jasminzeiro expele perfume, na esquina, em meio à poeira que vento espalhou.

É assim mesmo: Corredores, como eu, não podem se dar ao luxo de parar para observar este caos: eles simplesmente se misturam ao caos! Eles potencializam seus sentidos para sobreviver, ali no meio, o máximo de tempo possível!

III - O Começo e O Fim da História:

Mais uma vez, tomei uma ducha e vesti a roupa de corrida para mais um treino. Disparei o cronômetro e saí pelo bairro, pela enésima vez. Nada demais, o treino foi concluído...

...Até que no fim, surgiu um arco-íris embelezando o meu subúrbio, que tem o céu tão lindo quanto de qualquer lugar!... E eu pensei comigo: "A igualdade está no céu!"

Abraço, 

Bira.

Postada no blog Cronistas de WhatsApp :
www.cronistasdewhatsapp.blogspot.com




Vamos, levanta!...

Não fica aí parado, tentando encontrar a solução dos seus problemas! Vou lhe contar um segredo: Esta solução é uma questão de distância, pois lhe espera passar correndo em alguma pista lá no parque, para enfim se revelar.


Vamos, levanta!...

Não fica aí perguntando se o que eu digo é verdade. Dúvida é  sinônimo de problema e você não precisa ter mais um! Perceba que agora a questão é de tempo: tempo de vestir seus tênis, bermuda e camiseta, e sair para correr antes da luz do dia apagar.


Vamos, levanta!...

Não fica aí se comprazendo na dor dos injustiçados. Problemas  são pontos de interrogação virados de ponta-cabeça, feito um gancho, onde você está espetado e pendurado pelo peito. Liberte-se e corra, encha seu peito ferido de ar e descubra que a questão, desta feita, é viver preso (ou se libertar?).


Vamos, levanta!...

Não fica aí congelado e pálido pelo pelo efeito do seu condicionador de ar. Seus problemas ficaram presos nesta geleira que te forma, então corra!... Deixa seus problemas derreterem, fluírem  no suor e se perderem no ar! A questão, por fim é simplesmente correr, por aí, sem medo de se perder (ou se encontrar?).


Vamos, levanta!...


Abraços!
Bira.

(Postagem de WhatsApp, sem revisão de provaveis erros).

Veja mais em: www.cronistasdewhatsapp.blogspot.com

 

Lembro de Você Correndo e Sorrindo...

Amigos!

Lembro de você, criancinha, correndo trôpego pela sala, brincando de fugir do seu pai.  Você sabia que seria pego e coberto de cócegas e beijos, mas a adrenalina lhe fazia fugir e gargalhar de alegria.

Lembro que você cresceu mais um pouco e foi correr no intervalo da escola. Ao seu redor, tinha uma dúzia de meninos rápidos e inquetos, riscando o pátio para todo lado... Não demorou para eu lhe perder de vista, mas eu sentia que você estava ali:  Sua energia era visível na algazarra colegial. Seu sorriso, braços e pernas, em movimento incessante, se confundiam com os demais!

Lembro que, anos depois, eu lhe vi correndo na pelada juvenil. Vi você  perder uma jogada ao se distrair olhando a moça bonita passar, na beirada do campo. Naquele momento, os colegas do seu time lhe deram uma bronca. Mas depois do jogo todos sorriram, secando o suor e contando o fato.

Lembro que você foi envelhecendo, correndo cada vez menos e vendendo seu sorriso cada vez mais caro. Agora lhe vejo sem pai, colégio ou pelada e digo: "Desculpe, meu amigo, você vai ter que se reinventar!..."

... Então, vamos, levante e corra! *Se não der, caminhe!* Faz alguma coisa e resgata logo o seu sorriso! *Lembre de você!* 

Abraço!
Bira.

(Postagem de WhatsApp, sem revisão de prováveis erros).
Confira em : www.cronistasdewhatsapp.blogspot.com

 

Boa noite, Papai!


Amigos!

Se vivo fosse, meu pai teria feito 100 anos em julho próximo. Levei um susto quando meu irmão revelou este detalhe. 

Meu pai era baixo, magro, cabelos negros e lisos, rosto fino e pele de índio. Vestia terno azul marinho com pins do Fluminense e brasão da República. Em sua mão direita brilhava um imenso anel de São Jorge, enquanto sua boca repetia a canção: "Ogum, olha sua bandeira..." Quando não, cantava "Amélia, Mulher de Verdade". Minha mente gravou essas músicas, para eu nunca mais esquecer de seus bons momentos.

Eu sentia um carinho transbordante pelo meu pai. A separação entre ele e minha mãe, quando eu tinha apenas seis anos, nunca abalou meu sentimento. Volta e meia ele vinha em casa e a gente pegava o ônibus para visitar minhas tias. A felicidade que eu sentia numa simples viagem de ônibus, ao seu lado, ecoa até hoje: incrível!

Mas a vida de meu pai não foi fácil: Antes mesmo de eu nascer, ele entraria para o serviço público federal, mas pegou tuberculose e foi reprovado. Conseguiu se curar, porém nunca teve um bom emprego. Aprendeu viver com pouco no IAPC de Irajá. Quando se separou, abriu mão da casa e chegou a morar num barraco. Seus ternos ficaram surrados e seu anel de São Jorge perdeu o brilho. Por outro lado eu crescia, mas não tinha como ajudar: eu também me virava com pouco.

Quando as coisas melhoraram para mim, meu pai já tinha partido de vez. Mesmo com pouco dinheiro, ele pegou um ônibus lunar e foi morar com São Jorge, que como diz a musica: "... venceu a guerra sem perder soldado!"

Apesar disso tudo, meu pai não se perdeu: Filho de Deus, soldado de Ogum, reside na lua!... Boa noite, Papai!

Abraço!
Bira.

(Postagem de Whatsapp, sem revisão de prováveis erros) 
Confira em: www.cronicasdewhatsapp.blogspot.com

Sopa com Mosca!

Amigos,

Quanta vezes sua TV fica ligada mas seus olhos não saem do celular?...
...Garanto que muitas e comigo não é  diferente.

Praticamente desisti de ver TV ao vivo. Bem que eu tentei resistir e acompanhar um ou outro noticiário, mas foi dando nojo. Muito diferente dos canais de YouTube que têm bem menos recursos e muito mais interesse. A tela do smartphone dá  privacidade ao expectador, além da praticidade de trocar de aplicativo num toque.

A facilidade do descarte, o direito de escolha: Eu vejo o que quero, quando quero, onde quero e sem pacotes de programação...

Há pouco, eu assistia um canal de YouTube que têm a ver comigo. Canais de YouTube são mais sinceros que a agonizante TV ao vivo,  pois não fingem isenção.

Na TV, a hipocrisia saiu dos telejornais e invadiu os debates esportivos. Nas mesas redondas, os comentaristas deixaram de falar de bolas para falar dos testículos de nossos políticos... Então, vazei. Não preciso ver isso! Corro para os canais de streaming que falam de futebol e do meu time. Não importa se eles não são jornalistas, ou taxistas,: vou tomar um uber!

Agora sou que escrevo, no Whatsapp, com a TV desligada... Dane-se!: Quem disse que eu também não posso ser um emissor? A Imprensa se desespera com tal fenômeno, mas eles sabem que o mundo mudou. Os formadores de opinião viraram moscas se debatendo na tigela da sopa que a gente não quer engolir... Bora pedir uma pizza!

Abs!
Bira.

(Postagem de Whatsapp,  sem revisão de prováveis erros).

Postagem de WhatsApp: feita no aplicativo e replicada no blog, sem alterações.


Tempo e Espaço 

Amigos!

Quando eu era criança, no início dos anos 70, levava o almoço para o meu irmão, no trabalho. Ia de ônibus (905 - Irajá / Bonsucesso) praticamente de um ponto final ao outro. Só que não era fácil fazer aquilo: As viagens me provocavam náuseas e pareciam que nunca iam acabar... Todos os dias, o lotação rodopiava pelos bairros, parando de poste em poste, feito um cachorro de rua. Eram 13 km de trajeto convertidos em 50 minutos de agonia, ida e volta... Mas, tudo bem, isso passou!

Fiquei quase adulto, me livrei das náuseas e fui trabalhar de office boy no Centro. A qualidade dos ônibus melhorou um pouquinho e eu descobri que para ir à praia bastava descer do 905, na Penha, e embarcar no 483 nos finais de semana. Daquela feita, o itinerário de 35 km se converteria em duas horas de frisson para ver o mar.

Curioso é que, ao longo dos anos, eu tinha a impressão que a Zona Sul estava em outro município, apartado de mim, suburbano, pelo tempo e espaço... 

Sorte minha me tornar corredor e romper essas barreiras com os próprios pés! Agora eu já tenho mais de 60 anos e vou de Irajá a Bonsucesso sem embarcar no 905. Sigo correndo, mas não me contento e continuo o trajeto... Avanço mais dez quilômetros e chego ao Centro da Cidade, porém ainda não é o fim: Só  desembarco dos tênis nas areias de Copacabana, com quase três horas de treino e 32 km de percurso.

É assim que funciona: toda vez que corro eu pego carona no tempo e tomo posse do chão que piso, naquele lapso. Cada pisada que dou representa uma nova conquista e o desprendimento da conquista anterior. Trocando as pisadas como quem troca os amores e vive de paixão, eu vou! 

Sigo reinterpretando o tempo e redimensionando o espaço, não quero parar!

Abraço!
Bira.

(Postagem de Whatsapp,  sem revisão de prováveis erros)

Privilégio de Ser e de Estar...

Amigos!

Aos 61 anos eu tenho dois privilégios: ser aposentado e estar saudável...

...Daí, não me faço de rogado, calço os tênis e saio para correr. Não tenho dia nem hora para essa brincadeira. Corro na subida do sol da manhã ou na descida da chuva da tarde. Desloco-me na noite contra faróis ou vento. Escapo do trânsito, pulando da margem do asfalto para cima da calçada. Fico atento, evito o tropeço, aproveito a chance de atravessar outra rua. Volta e meia me perco nas entranhas de um bairro. Tento me achar sem diminuir a passada e consigo. Observo canteiros de flores ou despejos de lixo, alimentando borboletas ou ratos. Passante que sou, carrego minha própria paisagem pois corro dentro de mim... E vou!...

Aos 61 anos eu tenho dois privilégios: ser aposentado e estar saudável...

... Daí, não dou bola para os cálculos renais, calço o tênis e saio para correr. Essas pedrinhas que moram nos meus rins desde os anos 80 (!) já me fizeram rolar de dor. Em 1987 eu desisti de correr por conta disso. Só voltei vinte anos depois, ainda com elas dentro de mim. O que mudou foi a cabeça mais resistente ou um milagre tardio, explico: 

Saibam que em 1986 eu corri minha terceira maratona, a "do Rio", levando uma imagem de São Judas Tadeu nas mãos. Eu tinha feito uma promessa pela cura do problema renal. Só depois alguém me advertiu que eu havia pago a promessa antes de obter o milagre (!)... O milagre só surgiria muitos anos depois. As crises renais praticamente se extinguiram. Passei a expelir os cálculos de forma natural e aleatória, na maioria das vezes sentindo apenas um incômodo ao invés da forte dor. Voltei a correr aos 47 para nunca mais parar... E vou!

Aos 61 anos eu tenho dois privilégios: ser aposentado e estar saudável... Durante toda vida, por mais difícil que fosse cada fase, eu sempre tive privilégios mas nem sempre reconheci.

Abraço!
Bira.

(Postagem de Whatsapp, sem revisão de prováveis erros)