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Doze momentos marcantes nas postagens de BiraNaNet de 2015... Reveja ou confira, algumas postagens imperdíveis...

Trecho de "Estou Voltando?", mar/15 - para ler a postagem completa, clique na imagem.

Trecho de "Morro de Saudade da Corrida!" - mar/15 - para ler a postagem completa, clique na imagem.

Trecho de "Moraes Runners Somos Nós!" - jun/15 - para ler a postagem completa, clique na imagem. 


Trecho de "Correr, Tropeçar, Chorar e Sorrir..." - ago/15 - Para ler a portagem completa, clique na imagem.

Trecho de "O Começo e o Fim dos Grandes Treinões." - out/15 - Para ler a postagem completa, clique na imagem.

Trecho de "O Diário de Corrida de Zim." - nov/15 - Para ler a postagem completa, clique na imagem.


Trecho de "Vannucci, Filma Eu!!!" - nov/15 - Para ler a postagem completa, clique na imagem.


Trecho de "O Treinão Não Morreu, Muito Menos Eu!" - nov/15 - Para ler a postagem completa, clique na imagem.

Amigos,

Muita gente conheceu este blog somente este ano. Talvez você seja um desses, talvez já estivesse por aqui. 2015 foi um ano difícil para mim que permaneci lesionado. Este blog quase parou, porém, além de simplesmente resistir ele conseguiu crescer!...

>> clique nos botões para curtir e compartilhar esta postagem, no final do texto. 

É isso que desejo para todos nós, no difícil ano de 2016 que se anuncia. Que a gente possa crescer, em todos os aspectos. Que a gente vença a crise e supere a si mesmo!

Muito obrigado por ter passado aqui em BiraNaNet!... Vem muito mais por aí!

Abraço!
Bira.
Amigos!

Gif animado, montado com recortes de imagens extraídas na internet - Bira
.

Poema do Corredor Machucado


Machucado,
Essa prova eu não corro.

Frustrado,
Às recordações recorro:

De quando eu corria
No plano e no morro!...

De quando eu fugia
No latir do cachorro!...

Acuado,
Feito o cão que leva esporro.

Amuado,
Ergo a mão que quer socorro:

Quando resgatarei
Meu projeto e meu louro?

Quando restaurarei
Meu concreto e meu couro?


Sentado, eu corro para os versos
E tropeço no controverso...
Embaralho a cabeça...
Esqueço a métrica...
Escapo da rima...
Me emputeço!
Me revolto!
Sumo!
(...)
Ressurjo!
Sonho de novo!
Mergulho na incoerência!
Dou largada em corrida surreal...
São quarenta e dois MIL quilômetros...
Respiro, suo, sinto calor, frio e arrepio na chegada...
No pódio, não ganho medalha mas um tablet com tela acesa.


No tablet está escrito SOCORRO!...
Mas minha mente confusa traduz para:
SÓ CORRO!
(...)
CORRO SÓ!
(...)
CORRO!...
(...)
SÓ!...
(...)
CORRO!
(...)
SOCORRO!!!

Abraços!
Bira.




(...) O céu azul lhe cobrirá feito um lençol. Deixa-o sentir o aconchego que vem do céu, enquanto seu corpo ainda não ressente do esforço repetido (...)


Percorrer as mais belas praias cariocas e concluir a prova sob o olhar do Cristo, passando rente ao Pão de Açúcar...


Vem, Deus, na Maratona do Rio!

Amigos!


Vem Deus, escreve essa postagem pra mim!

Faz isso não por mim, mas pelo leitor deste blog que nunca correu a Maratona do Rio. Ele precisa entender o que nós, maratonistas, sentimos, na maratona mais bela do Brasil. Faz ele dimensionar toda alegria gerada no momento e depois da largada. Faz ele entender que a cidade mais linda do mundo é muito mais, para quem corre, do que já se exibe nas fotos. Faz com que ele sinta a brisa atravessando seu corpo, então permeável, correndo às margens do mar. Deixa o vento inflar sua alma de orgulho, como inflam as dos corredores...

-- Os primeiros quilômetros da Maratona do Rio possuem a mágica da mais intensa paixão!



Vem Deus, conduz meu leitor, agora pretenso maratonista!

Faz com que ele ouça o choque das ondas, na Praia da Reserva, e que perceba o silencio de um pássaro planando sobre a mata. As montanhas do Rio ainda estarão distantes dali. Atrás da nebulosidade aguardarão pela sua passagem, sabes Tu quanto tempo depois. Ainda não será a hora dele pensar na chegada, mas de aproveitar o momento e beijar a cidade com seus pés. Transfere, Senhor, o meu leitor para essa cena. Faz ele experimentar esses momentos de amor! Meu leitor sorrirá o sorriso da Barra da Tijuca. Trocará olhares fraternos com outros maratonistas ao seu lado. Mas ele ainda estará no começo da jornada e dentro de si fluirá um coquetel de endorfina. O céu azul lhe cobrirá feito um lençol. Deixa-o sentir o aconchego que vem do céu, enquanto seu corpo ainda não ressente do esforço repetido.

-- O trecho da Barra a São Conrado possui a euforia de uma criança que desvenda a vida!



Vem Deus, ampara meu corredor maratonista, quando o cansaço chegar!

Faz com que não desanime aos primeiros sinais de esgotamento, na descida da Avenida Niemeyer - chegada à Praia do Leblon. Junta-Te ao público que o aplaude, ali, e reacenda o seu espírito! E que a chama do espírito reanime o corpo do corredor. Faz que ele corra nas vias deste texto. Que sinta o sol expelindo raios vibrantes no céu. Sabemos que ele vacilará num breve momento, perguntando a si mesmo "O que eu estou fazendo aqui?". Mas sua resposta virá da boca de uma senhora vibrante na calçada: "Vá em frete!... Você é um campeão!".

-- O trecho do Leblon à entrada do Túnel Novo corresponde aos desafios da vida de um homem, em busca de seu lugar ao sol!



Vem Deus, faz meu leitor maratonista superar a dor!

Eu Te rogo, faz isso Senhor! No momento que o meu leitor chegar à Enseada de Botafogo, faz o Cristo emitir vigor pelas mãos, do alto do Corcovado. Correndo em direção ao Aterro e de costas para o morro, ele nem perceberá que utiliza a energia que vem de Ti. Mas ele ainda terá discernimento para admirar, pela milionésima vez, a beleza do Pão de Açúcar. Depois de fazer a curva, na pista larga, deparará com o Pórtico de Chegada. Meu leitor, pretenso maratonista, exibirá um sorriso que vai dos lábios à alma. Uma carga de emoção, as emoções de toda a vida, eclodirá em soluços e lágrimas, e ele se curvará no asfalto e diante de Ti, agradecendo pelos 42 quilômetros de vida que lhe concedeu!

-- A linha de chegada não corresponde à morte de um homem, mas ao começo de uma nova vida!



Vem Deus, vem dizer que maratonistas são seres capazes de viver, numa só, diversas vidas!

Abraços!
Bira.





(...) Sei que correr é muito mais do que seguir um trajeto. Correr é dar saltos quânticos que lhe transportam, no mesmo instante, para os lugares mais belos das dimensões ignoradas pelo homem manifesto (...)

Somos feitos de elétrons, surgimos e ressurgimos ao mesmo tempo em diferentes lugares... Ilustração: Bira.

Ninguém Tira O Que É Seu!

Amigos!

Dias desses, eu compartilhava as postagens deste blog no Facebook quando alguém teclou para mim:

-- Bira, admiro muito essa sua garra e me envergonho de não conseguir (correr)...

-- Não se envergonhe - respondi -- eu fiquei sem correr dos 27 aos 48 anos...

O papo não foi adiante, mas eu fui: levantei-me da cadeira para treinar mais uma vez. Enquanto corria, no entanto, a breve conversa povoou meus pensamentos. Lembrei-me dos 21 longos anos que não corri. Pensei nos motivos que tive e em tudo que fiz...

*          *           *

Era década de 80, tempo de Guerra Fria no mundo e fim da ditadura no Brasil. Foi na "década perdida da Economia" que surgiu o Rock in Rio e ressurgiu Leonel Brizola. Foi quando os peitos da Fafá de Belém preenchiam todos os pixels das telas da TV, ou das páginas masculinas da Revista Status. O Jornal do Brasil ainda sobrevivia à morte de sua diretora e presidente, a condessa Pereira Carneiro. Eu também sobrevivia, atrás de um balcão de uma loja de ferragens ou pintando letreiros nas fachadas de lojas. Eu não tinha dinheiro, mas mesmo assim me casei, melhor dizendo: mesmo assim consegui alguém para casar comigo. Eu não tinha instrução, mas mesmo assim lia o Jornal do Brasil, melhor dizendo: mesmo assim conseguia separar uns trocados para comprar aquele "jornal de rico". No subúrbio, onde eu ainda transito, só se consumiam jornais baratos e sangrentos. Para cada 100 exemplares de O DIA, vendia-se um do Jornal do Brasil.

Eu me julgava politizado, era brizolista. Desenhava, e escrevia coisas que ninguém lia - a não ser meu amigo Aribelto, o Beto. Trabalhávamos juntos em Duque de Caxias, e ele - meu chefe - começou a me encomendar poemas que recitava para as suas namoradas no carro. Colocava como fundo uma música romântica e as moças até choravam. No dia seguinte, Beto me contava, entusiasmado, tudo aquilo que rolou, e pedia:

-- Bira, faz um outro poema que eu vou tentar musicar e coisa e tal....

Eu ficava um pouco incomodado com a situação, mas o cara era meu amigo e eu cedia. Eram poemas melosos e ridículos, que faziam de mim um Cyrano de Berjerac de Duque de Caxias - onde Beto "atuava".

Foi nessa época que eu corri minha primeira maratona (1985) e continuei treinando corrida por mais dois anos. Não sei se estes cálculos estão certos... Certo mesmo, eram os cálculos dos meus rins: Várias vezes eu rolava no chão de dor e comecei a urinar sangue toda vez que corria. Tentei resistir, mas não deu e triste parei de correr.

Ressurgi feito elétron em pleno salto quântico duas décadas depois. Apaguei de mim todo o tempo que fiquei afastado da corrida, como quem recomeça a viver com a mulher que esteve afastado. Consegui!

Agora corro em percursos suburbanos escuros ou solitários com a mesma alegria de quem corre nos lugares mais lindos da cidade. Tenho paisagem própria para percorrer, não dependo da visão externa. Não me nego a correr com os amigos, não me nego a disputar as provas, não me nego a correr em qualquer condição. Sei que correr é muito mais do que mexer as pernas. Sei que correr é muito mais do que seguir um trajeto. Correr é dar saltos quânticos que lhe transportam, no mesmo instante, para os lugares mais belos das dimensões ignoradas pelo homem manifesto.

Já teve momentos em que correndo eu pensei comigo mesmo:

-- Caramba, Bira, já imaginou o tempo que você perdeu e tudo aquilo que teria feito se não tivesse se  afastastado da corrida?

Percebi, no entanto, que esse tipo de pensamento me trazia tristeza e sensação de perda. Então mudei a forma de pensar, e me respondi:

-- O que ocorreu comigo foi um salto quântico: no mesmo momento que eu estava em 1987, ressurgi em 2008, mas nunca deixei de ser corredor!

*           *            *

Gostaria de ter dito à minha amiga que ela também é feita de elétron, então que assuma essa condição. Absorva energia e mude de órbita. Não se prenda às limitações do passado. Se for necessário, apague o passado e salte! Se você quer, você consegue!... Ninguém tira o que é seu!

Abraços!
Bira.





(...) Quando Copacabana surgiu eu já estava muito cansado. Alguém gritou meu nome da calçada e eu devolvi o carinho com um aceno, mas não consegui identificar a pessoa (...)

Um fotógrafo da SportClick captou meu esgotamento ao completar a maratona.

Interrogação Flutuante

Amigos!

É sempre assim... Antes do início da corrida, no Recreio, eu revi amigos, contei piadas e tirei meia dúzia de fotos para as redes sociais. Disfarcei minha ansiedade com sorrisos sinceros e larguei na Maratona do Rio, sem saber se iria completá-la ou não, e pensei:

-- Eu sei que não estou treinado para correr 42 km, então vou seguir devagar, até onde der...

Na mão direita levei o iPhone e na esquerda o meu Plano B: um agasalho, quebra-vento preto, para vestir quando eu quebrasse. Nesse caso, pegaria o primeiro ônibus que cruzasse a fria manhã de domingo, rumo ao Aterro do Flamengo - local da chegada. Desprovido de ambição pessoal, eu festejaria a chegada dos amigos... A não ser que eu não quebrasse (quem sabe?) e chegasse até o final.

Céu fechado e sorrisos abertos marcaram o percurso do Recreio até a Barra. Cheguei à Praia do Pepê e atingi a metade do trajeto (21 km), sem problemas. Cruzei túneis e elevados até São Conrado, subi e desci a encosta da Avenida Niemeyer. Alcancei o Leblon sem maiores sinais de cansaço, mas sabia que o pior estaria por vir.

Diante de mim flutuava um imenso ponto de interrogação, feito balão. E eu não conseguia passar por baixo dele de jeito nenhum. Meu ponto de interrogação se portava como um arco-íris - a gente se aproxima e ele se afasta, na mesma proporção. Meu ponto de interrogação escapou da pergunta que corria comigo: Será que eu consigo completar a maratona(?)

Quando Copacabana surgiu eu já estava muito cansado. Alguém gritou meu nome da calçada e eu devolvi o carinho com um aceno, mas não consegui identificar a pessoa. Clareou um pouquinho e a pontuação flutuante sumiu, justamente no momento que eu pensei:

-- Se cheguei até aqui, vou completar a prova de qualquer jeito!

E assim foi, completei... Cheguei embaixo de chuva forte, totalmente esgotado. Tentando sugar energia do ar para produzir movimento. O orgulho que eu senti  - por completar a prova sem ter treinado - não foi suficiente para erguer os meus ombros. Tudo que eu queria era tomar um banho e me deitar. Meu tempo de prova foi altíssimo: 4:55h, e eu nem ia tocar nesse assunto aqui... Mas quando vi essa foto tenebrosa, acima, lembrei dos terríveis cinco quilômetros finais, não resisti e postei.

As lesões me roubaram as duas últimas edições da Maratona do Rio e quase me roubam a terceira. Quando eu faria minha inscrição, me lesionei. Demorei muito para me curar e as inscrições encerraram. Quando eu menos esperava, uma janela de inscrições se abriu com poucas vagas e eu nem pensei... Entrei pela janela e saí pelo pórtico de chegada!

Abraços!
Bira.





(...) Treinei vários meses para que esse momento chegasse... Acabo de vencer 42 km e entrei no corredor de chegada (...)


Montagem com recorte de imagem de vídeo do canal do Youtube JMaratona.

Vídeo-Crônica: Sou Corredor!

Amigos!

Eles filmam os corredores de rua que viram estrelas nas suas postagens!...  Eles são os Blogueiros-Corredores como Jorge - O Ultramaratonista, Nilo (Companheiros de Corrida) Resende e Vannucci Jr, de Corrida Rústica Uberaba. Os três estiveram presentes no 1º Encontro de Blogs e Grupos de Corrida de Rua, e eu quis homenageá-los com esta vídeo-crônica. A duração do vídeo é de dois minutos, mas sua poesia continuará correndo contigo...


Muito Prazer, Sou Corredor!


Muito prazer, sou corredor!

Desculpe eu não poder  falar direito, é que falta pouco para a largada, mas meu coração, ansioso, já disparou!...

Agora sim, eu vou no estouro da manada! Não sou corredor de elite, quero apenas completar. Quero filmar os amigos. Quero fazê-los estrelas, pois é isso que são! Meus amigos e eu somos as estrelas de nossos filmes. No asfalto quente desta prova, brilhamos mais que o sol!

Muito prazer, é o que sinto!

Treinei vários meses para que esse momento chegasse... Acabo de vencer 42 km e entrei no corredor de chegada... Gritos coloridos invadem meus olhos, cores gritantes, meus ouvidos e eu penso:

-- No paraíso deve ter maratona todos os dias!...

Abraços!
Bira.





Esta postagem é dedicada ao meu amigo virtual José Antônio Martins que, há pouco, pediu (via Facebook) que eu fizesse um post falando de hidratação. Eu expliquei que sou leigo e não poderia falar de hidratação, só de forma poética. Depois fiquei pensando como isso seria possível... Mas creio que consegui!

Homem-Água -- Animação montada com imagens da internet - Bira, 24/07/14.

Amigos!

Então Vais, Homem-Água!


Estás correndo e nem imaginas a quantidade de água que evapora de ti.
Sentes o boné encharcado, gotejando incessantemente pela aba.
Teu suor secou em segundos ao tocar no asfalto, mas tu nem vistes porque já cruzastes a esquina.
A água escorreu de ti e grudou tua camisa no peito.
Dentro de teu peito mais água fervilha.
Dentro de teu peito tem um caldeirão de locomotiva.
Só te falta apitar pelos trilhos imaginários desta rua...

-- Então vais, que o pórtico de chegada te espera!

Estás correndo e nem vês que água que evapora de ti sobe para as nuvens
E que as nuvens esculpem a tua imagem no céu.
Bastaria que paraste para ver teu desenho formado nas águas que flutuam,
Da mesma forma que românticos veem São Jorge na lua.
Mas estás correndo e não podes parar...

-- Então vais, que o pórtico de chegada te espera!

Estás correndo e necessitas beber mais água no posto de hidratação.
Se fosse possível, passarias direto para não perder preciosos segundos.
Sorves para dentro de ti o líquido gelado que alivia o calor de teu peito,
Tens uma volátil ideia de parar para usufruir do alívio,
Por instantes, queres deixar que a água te irrigasse por dentro - corpo e alma,
Mas estás determinado a te superares e continuas...

-- Então vais, que o pórtico de chegada te espera!

Estás correndo e sequer percebes que és feito de água.
Corres, feito a água-vermelha dentro de tuas próprias veias.
Corres, feito a água-verde dos rios e a água-azul do oceano,
Corres, feito a água invisível do ar que se revela no céu, onde tu estás esculpido.
És água que corre e se espalha dentro e fora de ti!
És muito mais que um corredor assim reconhecido e identificado,
És Homem-Água, és Vida...

-- Então vais, muito além do pórtico de chegada!

Abraços!
Bira.







(...) Quando eu pensei: "Deve ser um desocupado ou mais um boa-vida! Se tivesse o que fazer não estaria correndo..." Fui pro bar, desanuviar de mais um dia estressante no trabalho e o corredor sumiu na esquina (...)

Montagem com foto pessoal e imagem da internet - Bira, 10-07-14.

Rua Turva, Corredor Radiante!


Amigos!

Quando o tempo fechou, a tempestade caiu e tudo escureceu... Um corredor radiante surgiu!

Quando negros eram os meus olhos e o teto do guarda-chuva, o corredor radiante refletiu sua cor no chão molhado do asfalto. Pouco se podia pensar debaixo daquela chuva. Era urgente buscar um abrigo. As ruas ficaram vazias de gente e de carro.

Quando o sol se escondeu, a rua ficou turva e tudo entristeceu... Um corredor radiante surgiu!

Quando eu pensei: "Deve ser um desocupado ou mais um boa-vida! Se tivesse o que fazer não estaria correndo..." Fui para o bar, desanuviar de mais um dia estressante no trabalho e o corredor sumiu na esquina. Um amigo alto falava alto e do alto de sua boca também chovia. Coisas de bar... Palavrões provocavam risos nas piadas, nas críticas ao governo, provocavam a ira.

Quando a mesma conversa abrangeu futebol e igreja, foi melhor tomar mais um copo de cerveja!

Quando eu pedi outra gelada não percebi que a chuva parou. O céu abriu, mas já era noite e pouca coisa ainda brilhou. Pessoas e carros voltaram a circular entre as sombras. Vira-latas voltaram a disputar as sacolas de lixo no beco escuro.

Quando o bar esvaziou, a surpresa surgiu na figura do corredor radiante que ali entrou!

Quando o corredor pediu água sem gás, ele queria repor o líquido que escapava de sua testa. Quis sorver toda a garrafa em um longo gole, mas interrompeu a ação para respirar. Era visível a energia que fluía de seu corpo. Era visível a alegria que seu olhar distribuía. Antes que o balconista lhe perguntasse, ele respondeu: "Coloquei mais 25 km no saco!". Fiquei admirado, quis saber como, puxei assunto.

Quando o corredor radiante me convidou eu fui, no dia seguinte, e me pus a treinar!

Quando o sol renasceu por detrás das montanhas distante, fui apresentado a um monte de gente radiante. Fui fisgado no mesmo segundo e mergulhei naquele mundo. Primeiro sofri, depois perdurei. E quando me desapeguei de conferir os resultados, já se passaram meses e meses e lá estava eu, correndo no solo molhado...

Quando o tempo fechou, a tempestade caiu e tudo escureceu... Um corredor radiante surgiu, e era EU!

>> Eu Precisava Correr na Chuva! - Correr na tempestade pode ser perigoso... e excitante!

>> O Corredor, A Cidade e O Lixo - Maus hábitos e desordem não podem impedir a corrida!

Abraços!
Bira.




(...) Os bebês estão sujeitos à mortalidade infantil, no primeiros ano de vida. Os corredores estão sujeitos a desistir nos seus primeiros três meses. O corpo dói e precisa se acostumar (...)

Gif animado composto com recortes de imagens da internet - Bira.


Além do Blog IX - Sair do Sedentarismo


Amigos!

Há três anos, uma amiga me perguntou no Facebook: "Como começar a correr?" Achei que eu fosse realmente capaz de orientá-la e respondi, diga-se de passagem, com uma postagem muito ruim. Dei conselhos estéreis, citei a mim mesmo... Fazer o quê? Era o que eu tinha para dar... Agora que estou reeditando postagens antigas em "Além do Blog", Faço de contas que a pergunta chegou há pouco e vou tentar me redimir, a seguir:

Como Sair do Sedentarismo?

Minha amiga Virgínia enviou a seguinte pergunta:

Bira... Parei de fumar tem 1 ano, engordei, odeio academia, e acho que vou amar correr, mas não sei como começar, por isso quero muito uma luz sua, como devo iniciar esse processo, pois to muito perdida. Vou ficar aguardando, beijos.

Olá, Virgínia!... Gostaria muito de lhe passar uma fórmula, mas a verdade é que eu não tenho essa fórmula! Quanto mais tempo estou na corrida, menos tenho para ensinar. Desculpe a sinceridade, mas a vida é assim, recheada de incógnitas. Algumas dicas, no entanto, eu aprendi e posso repassar:

Iniciar a correr é como começar a viver. Você é um bebê, não sabe nada, apenas chorar. Essa sua pergunta é como o choro do bebê... Então perceba: você já começou a viver na corrida com esse choro. Bem-vinda!

Agora, Bebê Virgínia, prepare-se! Você vai continuar chorando muito, para sobreviver. Os bebês estão sujeitos à mortalidade infantil, no primeiros ano de vida. Os corredores estão sujeitos a desistir nos seus primeiros três meses. O corpo dói e precisa se acostumar. A mente precisa desapegar dos velhos padrões. A recompensa é muito pouca, quase nula... Você está disposta a encarar esses três meses?

Superado o período de risco, o bebê faz gracinhas. Ainda não começou a andar, mas vive sorrindo nas fotos postadas no Facebook. Por sua vez, você já tem alguns amigos corredores e vai se aventurar na primeira corrida de 5 km, no Aterro. Está meio assustada. Pretende apenas caminhar e trotar. Vai tirar fotos mostrando sua primeira medalha. Vai fazer gracinhas com os amigos e sorrir feito o bebê... Aproveita!

Quando o Facebook lhe surpreender com vários pedidos de amizade feita por corredores, você já não será mais um bebê, e sim uma criança no maternal. Seus tênis, frequencímetro e óculos esportivos corresponderão aos brinquedos. Nesse ponto, seu currículo exibirá uma série de corridas de 10 km e seu propósito será fazer a primeira meia-maratona. Seu abdome, cada vez mais sarado, vai render elogios e elevar sua auto-estima. Boa leitora dos sites e revistas especializadas, você entenderá de Corrida e até de Alimentação. Seus programas mudaram, consequentemente os amigos. Para compensar, uma velha amiga ingressou no mundo da corrida sob sua influência. Certo dia, você receberá um convite para participar de um treinão na subida da serra, com um grupo de corredores. Você irá, e esse gesto corresponderá ao de uma menina chegando para o primeiro dia no ensino fundamental.

A menina vai continuar crescendo e evoluindo tanto quanto você. Todos lhe identificarão como corredora. Você será referência na família, na vizinhança e no trabalho. Um belo dia alguém vai lhe enviar pelo Facebook a seguinte pergunta:

Virgínia... Parei de fumar tem 1 ano, engordei, odeio academia, e acho que vou amar correr, mas não sei como começar, por isso quero muito uma luz sua, como devo iniciar esse processo, pois to muito perdida. Vou ficar aguardando, beijos.

Você irá responder com a autoridade de quem sabe o que está falando, mas seus conselhos serão estéreis, como foram os meus. Ainda bem que você não vai parar de crescer, feito a menina no colégio. Ainda bem que você descobrirá, um dia, que não há respostas precisas para perguntas como essa. Descobrirá que "o processo" não tem começo nem fim, só o durante.

Quer começar a correr? Utilize o impulso desse desejo e se levante agora! Mesmo que você consiga apenas caminhar, nesse momento, faça! Contente-se, você entrou no "processo"! Você já é corredor no durante! Os resultados virão, mas o seu momento é agora!

Abraços!
Bira.





Se músicas, novelas e até enredos de escolas de samba ganham novas versões, por que não fazer o mesmo com as postagens deste blog?... Perguntei isso e respondi para mim mesmo, depois criei "Além do Blog". Neste 8º capítulo refaço o humor de "Correndo com o Saci" e esmiúço temas sérios que poderiam passar despercebidos na versão anterior... Gostei do resultado!... E você?... Comente!

Montagem animada feita com recortes de foto pessoal e imagens da internet - Bira, 28-06-14.

Além do Blog VIII - O Saci Correu Comigo!

Amigos!

Setembro de 2010. A baixa umidade já tinha atingido seu ponto mais crítico. As matas secaram e ficaram sujeitas ao incêndio espontâneo. O país ardeu em chamas nas manchetes dos jornais. A fuligem maculou o céu e os pulmões. O brasileiro impotente, assistiu a tudo na tela da TV ou na janela de um ônibus que percorre a Rodovia Presidente Dutra.

Enquanto isso eu treinava, quase diariamente, sem descuidar de uma boa hidratação. Meu foco era correr a Maratona de Buenos Aires no mês seguinte. Para aliviar os joelhos, eu fazia dois dias de treino na grama semeada no início daquela rodovia - o Trevo das Margaridas, em Irajá. Duas vezes por semana, eu cumpria 13 quilômetros em ritmo puxado, dando 20 voltas no grande canteiro da rotatória.

Quando o Saci Surgiu

Quando eu cheguei para correr na grama seca, era manhã de transito lento na Avenida Brasil, ali ao lado. Logo vi que não havia sinal de incêndio no gramado e pensei: "Ainda bem... Pelo visto, ninguém atirou bitucas de cigarros aqui!". Depois disparei o cronômetro e comecei a correr com toda atenção, embora conhecesse bem aquele piso irregular. Um sol cada vez mais forte seguia seu curso para o centro de um céu sem nuvens. Perto dali, as obras do Shopping Via Brasil seguiam a toque de caixa. Fiz o mesmo, levantando folhas secas de grama a cada passada. Tudo estava normal até a volta de número 13, quando uma lufada de vento criou um redemoinho ao meu lado. Folhas mortas ressuscitaram e se ergueram do chão numa dança infernal. Em instantes me vi envolvido no confuso balé de poeira, protegendo os olhos com as mãos. Meu coração, já meio acelerado pelo movimento, disparou de vez com o susto. Senti um arrepio e pensei:

-- É Saci Pererê!... Um redemoinho que surge do nada é artimanha do Saci!

Durou pouco para a nuvem de poeira dissipar da mesma forma que surgira. Abri de vez os olhos e percebi que estava eufórico, mas outro pensamento provocou novo arrepio:

-- Será que o Saci está correndo comigo??

Já ia me benzer para exorcizar o espírito travesso, mas refleti:

-- Deixa o neguinho!... Ele deve estar fugindo dos incêndios e das queimadas que assolam o Brasil, nesse momento. Durante a fuga ele me viu correndo e feliz nesse gramado seco, porém incólume, e se chegou... Então vamos, neguinho!... Vamos dar uma volta para você sentir como é bom ser corredor!...

Pensei isso e gargalhei feito uma Fafá de Belém sem peitos. Gargalhei sadicamente ao pensar no esforço que o perneta fazia para me acompanhar. Além do mais, de cachimbo na boca!... Vê se pode?... Não, neguinho!... Melhor parar!... Paramos. Chamei o Saci para dar uns conselhos:

-- Vem cá meu amigo Saci, deixa eu te explicar... Sinto muito mas você não pode ser corredor!... Primeiro, você teria que abandonar esse cachimbo, trocar a carapuça por um boné e instalar uma dessas próteses modernas onde não tem perna... Em suma: Acabaria o Saci!... Sim, eu sei... Sei que as matas que você habita estão em chamas... Sei que chiitas religiosos demonizam você e o nosso folclore... Sei que o Comércio pouco se lixa, quando importa o Halloween... Aguenta as pontas!... As chuvas virão restituindo as matas e a sua alto-estima! Volte a ser Saci!... Você é nossa referência de brasilidade!

Neguinho Saci me ouviu e se foi. O ar ficou sereno eu completei meu treino. Fechei os 13 quilômetros em 59 minutos, embaixo do sol forte. Tive um sentimento de missão cumprida, não pelo treino, mas por ter encontrado o Saci e não querer convertê-lo ou exorcizá-lo. Por via das dúvidas, no entanto, pensei:

-- Quer saber?... Vou continuar correndo de manhã!... Vai que correndo à noite eu depare com a Mula Sem Cabeça, que tem labareda de fogo no lugar das ventas?... Credo em Cruz!...


Uma bela animação, sobre Saci Pererê, que encontrei no YouTube.

Link da versão anterior "Correndo com o Saci": 
http://www.birananet.com/2010/09/correndo-com-o-saci.html

Abraço!
Bira.






(...) Naquele momento eu não sabia sequer se completaria a prova, muito menos o que teria pela frente. Eu não era um corredor e sim leitor do Jornal do Brasil (...)

Montagem com foto da maratona do Rio'85 - 9.000 maratonistas pouco depois da largada.


Minha Primeira Maratona

Amigos!

A noite acabara de cair sobe a Avenida Perimetral, mas não havia sequer um carro ali. Ao invés do ronco raivoso dos motores ou do silvo apressado dos pneus, no velho elevado só se ouvia o barulho de passadas e respiração ofegante de nada menos que  9.000 maratonistas.

Estávamos em plena Maratona do Rio de 1985 e, para falar a verdade, por volta das seis e meia, quase todos os corredores já haviam passado por ali. Mas não eu, que simplesmente estava entre os últimos - aqueles que caminham ou trotam por cima dos copos de plástico espalhados pelo chão, dando a sensação de fim de festa. Se eu precisei de duas horas para cumprir os primeiros 13 km, do Leme ao elevado, quantas horas mais eu precisaria para concluir os 42 km de prova?

Essa pergunta só chegou agora, para compor o texto. Naquele momento eu não sabia sequer se completaria a prova, muito menos o que teria pela frente. Eu não era um corredor e sim leitor do Jornal do Brasil. Foi nas páginas de esporte que encontrei a coluna do José Inácio Werneck (veja o vídeo), falando da Maratona do Rio. Fiquei encantado e vislumbrei a possibilidade de me tornar maratonista. Fiz a inscrição, sem antes fazer nenhum treino. Apostei nos conselhos de Werneck e alternei entre correr e trotar a cada três quilômetros.
(...) O subúrbio é como a mãe que todos amam e deixam, quando possível. Os filhos do subúrbio estão nas filas de apostas que não cabem dentro das lotéricas e invadem as calçadas (...)


Montagem feita com recorte de imagens da internet - Bira, 27-05-2014.

Mergulhar no Subúrbio

Amigos!

Mais um dia nasceu no subúrbio! 

Quando o céu clareou, todas as velas de um despacho já estavam apagadas. Mas era cedo demais para o gari passar recolhendo a sujeira. Como os vampiros que fogem da luz natural, a névoa fria mergulhou no mato. Ela refugiou-se na sombra rasteira do capim. Sobreviveu ali, nas formas de gotas, por algumas poucas horas. Depois morreu, transformando-se em vapor, e fluiu para o céu feito alma. Urubus empoleirados nas hastes dos postes de luz, aguardavam o melhor momento para disputar o tal despacho. Enquanto isso, eles abriam suas asas embebidas de orvalho, formando poses macabras.

Carros passavam apressados para fugir do rush. Seus motoristas abaixavam o quebra-sol e olhavam somente para a estrada. Às margens do asfalto o subúrbio não era visto mas estava ali, respirando o rastro de poeira dos carros. Esse subúrbio marginal tem casas com tijolos à mostra. Tem calçadas intransitáveis, canos furados, gambiarras, lava-jatos e gatos de luz. Tem barraca de cachorro-quente na esquina e um cachorro faminto implorando por um pedaço, com os olhos. Se o vira-lata magrelo ganhou apenas um chute, aqueles urubus já desceram do poste para devorar o tal despacho.

O dia passa no subúrbio que todos amam. Os anos passam no subúrbio que todos deixam. O subúrbio é como a mãe que todos amam e deixam, quando possível. Os filhos do subúrbio estão nas filas de apostas que não cabem dentro das lotéricas e invadem as calçadas. Segurando um volante com os números da sorte, eles aspiram seus sonhos no ar, juntamente com a poeira que mais um carro espalhou.

Tateei o subúrbio com os pés. Observei-o com os olhos da alma. Senti o aroma nem sempre agradável de suas ruas. Ouvi todos os seus decibéis. Provei a fruta madura que escapou sobre um muro... Fiz tudo isso correndo por todo o subúrbio. Se eu não posso fugir de ambos, optei por mergulhar dentro dele e de mim!

Abraços!
Bira.



"Além do Blog" é um desafio para descobrir novas maneiras para contar as histórias deste site. Nessa brincadeira eu posso mudar o ângulo ou a interpretação de uma cena. Refaço imagens, recrio, cresço e pavimento o blog... 

A história a seguir, no entanto, eu não ouso mudar sequer uma frase. Ela foi contada na postagem Gilmara Encontra Gilmara  que me emociona sempre que leio e o mesmo se dá com muitas pessoas. Vou repeti-la na íntegra no final deste texto, mas antes quero acrescentar alguns fatos... 


Na montagem, as alegrias de Gilmara corredora e passista.

(...) Certo dia ele se encontrou com a veloz Corrida. Lançou-lhe o mesmo olhar tímido, que não conseguia seduzir ninguém, e ficou surpreso com a acolhida (...)

Imagem simuladora da conversa ocorrida no chat do Facebook, em 06/05/2014.

A Corrida Gosta de Você!


Amigos!

Ontem eu estava no Facebook, fazendo malabarismos para divulgar minha última postagem, quando o meu amigo Paulo dos Santos abriu um chat no rodapé e me perguntou assim:


-- Bira, o que se faz para manter esse físico tão legal de atleta?

-- Atualmente to meio devagar, mas vai ficar legal de novo... -- respondi sabendo que ele se baseava em fotos do meu perfil, tiradas há pelo menos uns 15 meses. Depois disso eu me lesionei, fiquei meio parado na corrida e por isso também parei de malhar. Fiquei menos feliz e mais gordinho... Mas voltemos às perguntas do Paulo:

-- O que você faz?... Corre muito?... Faz dieta?

-- Correndo não precisa de dieta. -- teclei.

-- Tem algum problema tomar cerveja e beber refrigerante?

-- Até hoje continuo tomando refrigerante. Cerveja só de vez em quando.

-- É bom saber... Estou falando isso porque você é veterano no assunto... Estou com 4.1 de idade. -- justificou meu amigo.

-- Começa caminhando e depois passa a correr aos poucos. -- aconselhei.

-- Preciso muito disso... Me educar nesse sentido. -- confessou o Paulo.

-- Corrida só é ruim nos primeiros três meses. -- incentivei sem mentir.

-- Ah... sim!... Certo... Você quer dizer: tem que se acostumar.

-- Não é você que tem de se acostumar com a Corrida, é a Corrida que tem de se acostumar com você. -- finalizei com chave de ouro, mas fiquei, eu mesmo, tentando entender direito o que acabara de escrever.

Depois saí para trabalhar com esta frase na cabeça, feito aquelas músicas que grudam na ideia. Então comecei a escrever para tentar desvendar meu próprio mistério:

A Corrida precisa se acostumar comigo?... Parecia besteira, mas ao mesmo tempo parecia ter fundamento...

Para não me atrasar no trabalho e nem perder o insight, peguei caneta e caderno e saí, rumo ao metrô. Fui caminhando e escrevendo, tomando cuidado de não tropeçar nas saliências da calçada. Atravessei a rua com um olho nos carros e o outro no caderno. Achei que seria melhor começar o texto modificando o verbo da enigmática frase, e ficou assim:

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"Não é você que aprende a gostar da Corrida, é a Corrida que aprende a gostar de você."

A Corrida não quer saber se você tem dinheiro, beleza ou prestígio, mas fica caidinha diante de alguém persistente.
Conheço um cara que "não tinha um puto no bolso", era feio e ficava abandonado num canto. Ele portava apenas persistência e vontade...

Certo dia ele se encontrou com a veloz Corrida. Lançou-lhe o mesmo olhar tímido, que não conseguia seduzir ninguém, e ficou surpreso com a acolhida.
Encantou-se imediatamente com a Corrida e tentou seguir ao seu lado - como quem sobe num cavalo que passa selado...

Primeiramente correu leve, num trote, mas depois teve que acelerar para não ficar para trás. 
Despreparado, sentiu que seu coração quis sair pela boca, mas nem isso tinha condição: Sua boca era um túnel de vento sugando e expulsando o ar, cada vez mais rápido...

Seus poros eram fontes que jorravam suor. 
Ele até quis dizer algo para a Corrida, que se deslocava veloz, sorridente e tranquila ao seu lado, mas isso não foi possível...

Ela, no entanto, parecia ler seus pensamentos e percebeu nos seus olhos ardidos de sal, um encanto. Seu encanto era maior que o desespero de quem se esforça para não ficar para trás...

A Corrida notou que ele fazia um esforço supremo. Que mesmo sem preparo, ele não queria desistir: 
O moço tinha Persistência e Vontade!...

Diante disso a Corrida também se encantou por ele. 
Cuidou dele e mudou sua vida...

Deu-lhe tudo aquilo que faltava: Dinheiro, Beleza e Prestígio.
Mostrou-lhe que esses créditos eram apenas consequências do Encanto e do Amor...

O encanto e o amor pela Corrida tirou o homem do canto - colocou-o no centro da vida!
Mas antes,  foi preciso que a Corrida se encantasse pela persistência do moço, também...

É que a Corrida sabe que Persistência é uma caixa fechada, repleta de surpresas e qualidades.
É que a Corrida gosta de abri-la...

É que a Corrida gosta de você!... Persista!
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Agora sim, eu posso responder direito às perguntas do amigo Paulo dos Santos. Vou mandar essa postagem para ele.

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Abraços!
Bira.


Amigos!

Esta semana minha amiga Márcia Baroni mudou sua imagem no perfil do Facebook. De brincadeira, eu fiz uma alteração na imagem e lhe devolvi o arquivo. Não foi nada demais, mas ficou divertido, tanto que ela colocou no perfil... César, meu filho mais velho, falou que eu estava criando uma nova moda na rede: a de alterar as imagens do perfil de amigos e depois repostar... Achei que ele estava exagerando, mas tive a ideia de fazer esta postagem.

Fucei em vários perfis de amigos do Facebook, são muitos! Em princípio, encontrei poucas fotos propícias a uma rápida edição... Tenho quase certeza que as "vítimas" irão gostar... Eis o resultado:

MEU RIO

Imagem editada do perfil de Márcia Baroni - corredora, Rio de Janeiro (RJ):
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FLOR SABINE 

Imagem editada do perfil da Sabine Heitling - atleta, Santa Cruz do Sul (RS):
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BARBIANI  

Imagem editada do perfil da Fabiani Dutra - corredora, São Paulo (SP):
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COLAPSO 

Imagens editadas de três perfis: a) Ronicesse Felix de Lima - atleta, (São Paulo - SP);  b) olhar de Camila Farias - ciclista e  c) Sergio Cordeiro - corredor (Magé - RJ):
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É com esse "treino leve" que o ano termina em BiraNaNet. Um sorriso sereno, um abraço fraterno e a vontade de voltar melhor ainda em 2014.

Um Feliz Ano Novo a todos os amigos deste blog, representados nas fotos acima!

Abraços!
Bira.
Amigos!

Gif animado com recorte de foto pessoal - Bira, 10-12-13.

Correndo no Paraíso de um Momento X


Só sabia que ali tinha ar porque estava respirando: nenhuma gota de vento e rajadas de suor... Quarenta toneladas de sol faziam os poucos que passavam se afugentarem nas sombras. Apenas os ponteiros dos relógios trotavam como eu, eles nos arredores das onze da manhã e eu nas proximidades de Costa Barros. Fazia muito calor nos intestinos da cidade - desculpe falar assim, não me leve a mal - mas eu estava correndo nas fronteiras da cidade, a cerca 40 km de Copacabana, onde os carros e trens passavam rápido e um rio assoreado exalava chorume. Mais um pouco e chegaria à Baixada Fluminense. Antes, precisava encontrar um posto de gasolina com Gatorade e água gelada para beber, me banhar, abastecer, sobreviver e continuar.

Ao meu lado surgiu o muro alto e cinzento da estrada de ferro. Ele não produzia sombra, mas regurgitava sobre mim todo calor que bebeu, além disso, cobria grande parte da paisagem. Só soube que o trem passou, do outro lado,  pelo seu barulho e vibração. Imagino que ele estivesse vazio e fosse passar em Nilópolis. Sorri e falei para ninguém ouvir: "Me espera lá que eu tô chegando!". Logo, surgiu um longo barranco com cerca de 20 metros de altura, na outra margem da estrada, e me fez lembrar as falésias das Praias de Pipa...

Foi há apenas três dias. Naquele mesmo horário e com aquele mesmo sol eu corri em Pipa descalço, vestindo apenas short e protetor solar. Nas areias paradisíacas, fui levado pelo silvo dos ventos. Quilômetros e horas passaram despercebidos enquanto meu olhar curioso empurrava o cansaço para a próxima praia do litoral potiguar. Se o calor aumentasse eu dissipava num mergulho. Eu não queria parar...

Logo voltei para o Rio e não quis correr nos seus belos lugares. Escolhi percorrer um roteiro desvalido em um dia escaldante. Com a memória ainda bem recente, eu quis comparar as sensações de correr em ambientes tão opostos e tirar disso uma lição. Independente das condições desfavoráveis eu sabia que chegaria o Momento X daquele treino e ele surgiu ali mesmo, em Costa Barros, enquanto eu filmava minha corrida. Ficou gravado; com as seguintes palavras tentei descrever o que ocorria:

- Eu estou num momento de extrema felicidade que "você" não consegue explicar...  Vai ter gente dizendo que é a beta-endorfina... eu sei lá!... Eu só sei que é um momento de alegria, de prazer; independente da paisagem... A gente corre se sentindo feliz, se sentindo mais forte, se sentindo mais vivo!... Então não precisa nem explicar, né?... Simplesmente correr, saborear o momento que transforma a gente nesse ser corredor, nessa população que corre e que aumenta cada vez mais, graças a Deus!...

Agora que revejo a filmagem, percebo melhor que essa euforia não correspondia à ausência de beleza do local.  Posso entender que naqueles segundos me despi do ego. Abandonei a ilusão do meu separatismo com relação ao local e deixei de ser crítico. Por instantes, o calor deixou de ser escaldante já que ele irradiava de mim. Desvali-me juntamente com o bairro e amparei-me num espaço sem limites. Fluí além dali e para dentro do todo. Percebi que Costa Barros e as praias de Pipa fazem parte de um mesmo paraíso que está dentro de mim e de tudo, que está na eternidade do Momento X.

Abraços!
Bira.

(...) Aumentei meu ritmo depois de cruzar a esquina. Na farmácia, uma moça que cheirava sabonetes interrompeu o gesto quando percebeu meu vulto do lado de fora. Apareci e sumi em frações de segundo, deixando uma imagem difusa a ser preenchida com a imaginação(...) 



Eu Faço o meu Tempo!


Amigos!

Quando acordei de manhã, eu ainda tinha 54 anos e uma dor de garganta muito chatinha, que prometia se agravar durante o dia. Apliquei spray de própolis nas amídalas e decidi sair para correr. Quando calcei o tênis, a atitude fez minha idade cair de imediato para 48, a mesma do período que eu decidi voltar a correr.

Fora de casa deparei com um céu sem manchas e uma avenida engarrafada onde as pessoas não tinham escolha, a não ser me ver passar. Não dava para correr rente ao meio-fio e eu me equilibrei pela calçada irregular. Atrás dos óculos escuros escondi o orgulho de quem corre. Embriagada de suor, minha camiseta se agarrou ao corpo. Imitando o suor, minha idade também se esvaiu: decresci em minutos para uns 38 anos(!), ganhei mais disposição e segui em frente...

Manhãs comuns têm gente chegando apressada na estação do metrô, tem apito de guarda no cruzamento, avisando que o sinal mudou de cor, e têm sombras compridas bailando no chão. Volta e meia pode até passar um corredor como eu - eles não são muito frequentes no subúrbio, mas passam... Aumentei meu ritmo depois de cruzar a esquina. Na farmácia, uma moça que cheirava sabonetes interrompeu o gesto quando percebeu meu vulto do lado de fora. Apareci e sumi em frações de segundo, deixando uma imagem difusa a ser preenchida com a imaginação. E a moça imaginou que eu tivesse uns 25 anos, mas não estava de todo errada: Era assim que eu me sentia àquela altura.

Se a cada trecho eu ficava mais jovem não era o corpo que mudava. Eu possuía os mesmos parcos cabelos grisalhos e o mesmo rosto cada vez mais demarcado. A mudança era interna, instantânea e inexplicável. A mudança também era única porque dependia do contexto momentâneo: engarrafamento, apito do guarda, moça da farmácia, etc... Peças aleatórias que podem surgir enquanto se corre numa manhã comum. Não, não é contradição mostrar elementos externos para explicar "mudanças internas" ou "inexplicáveis". O fato é que não há limites para quem se movimenta.

Continuei meu trote pelo bairro até que subi uma passarela para cruzar a Avenida Brasil. Já do outro lado, vi alunos concentrados em frente ao portão de uma escola, esperando a sirene tocar. Dois deles se aproximaram para brincar de correr ao meu lado. Aceitei a proposta e, por cerca de 50 metros, brinquei de correr com a dupla que aparentava ter uns 14 anos, cada. Assumi essa mesma idade até a próxima esquina e me despedi dos garotos com tapinhas de mãos. Segui migrando no bairro e no meu próprio tempo até o treino acabar - se é que esses treinos acabam...

Fui trabalhar sem dar conta de que a garganta havia parado de doer. Perceber que eu faço meu tempo era bem mais importante que isso!

Abraços!
Bira.