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Amigos!


II Corrida de Miguel a São José do Goiabal


Enquanto milhares de corredores aguardam a chegada do dia 18 para correr a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, BiraNaNet estará bem longe desta badalação. Mais precisamente em São José do Goiabal - cidade mineira com menos de 6.000 habitantes, situada a 180 km da sua capital. Mostraremos aspectos da corrida de 8 km pelos arredores da cidade. 

Quando a prova encerrar uma outra festa começa - a inauguração de uma escolinha de atletismo, construída com recursos enviados de Roma!... Bem, essa história completa eu conto depois... Aguarde e Confira!

Crianças largando na primeira edição da corrida

Treinão em Goiânia - da série: Um Longão em Cada Estado


Sábado, 24 de agosto é dia de fazer novos amigos, desta vez em Goiânia, para onde irei a convite de Nilo Resende (blog: Companheiros de Corrida), que acabou de enviar a seguinte mensagem:

"Conforme conversamos, segue um pequeno mapa com mais detalhes sobre o local que utilizaremos para correr em Goiânia. Não poderia ser melhor: O Parque Areião, um local agradável e muito utilizado pelos corredores locais. Além disso, podemos estender a nossa corrida até a Alameda Ricardo Paranhos, que fica próximo. É aí que se encontram grande parte dos atletas, grupos e assessorias de corrida. Para facilitar a criação do evento, o nosso Ponto de Encontro pode ser próximo à barraca do "Paulinho da Água de Coco", no próprio parque. Ele, além de ser muito conhecido, é atleta e pode nos dar algum tipo de apoio... Detalhes no Mapa"... Venha você também!... Confira o link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/633711553313532/?context=create .

Resumo das Postagens de Julho

Foram cinco, as postagens de julho, a começar por: (1) "Bateria Arriada na Maratona Mais Bela que Nunca", um relato da Maratona do Rio onde eu passei o maior sufoco, acometido de uma dor de barriga durante a prova...
Em homenagem aos amigos e para comemorar o Mês do Amigo, publiquei a postagem:
(2) "Amigos: Criatividade, Alegria e Prazer", fazendo uma correlação entre os termos do título e mostrando um pouco da amizade de dois corredores - Márcia e Lúcio.
(3 e 4) Publiquei duas "Colchas de Retalhos" de postagens passadas, chamando atenção para o próprio conteúdo deste blog... O requentamento de textos passados é justificado pelo recente aumento de audiência. Para inserir algo novo na falta de novidade, no entanto, criei a imagem ao lado - com retalhos de mim mesmo, provocando a sensação (acidental) do movimento de corrida. Finalizando, descrevi o susto de ver meu blog , de uma hora para outra, ser "excluído" da internet - foi esse o status apresentado pelo Google durante 24 horas, mas depois voltou ao normal. Como eu não possuía backup, pensei ter perdido seis anos de postagens, em: (5) "Que Susto!... Meu Blog Sumiu!"

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Abs!
Bira.
Amigos!

Ontem, fui acessar ao meu blog e ele não estava mais "lá"! Fucei no Blogger e veio a mensagem de blog excluído. Verifiquei todos os meios para recuperá-lo e nada funcionava. E agora??...

É extremamente difícil ler e entender os tópicos de ajuda do Google em uma situação dessa. Eu não tinha back-up dos textos, filmes e imagens, portanto, havia perdido tudo: mais de 100 postagens, algumas que gosto muito!.. Havia perdido os registros de corridas, treinos e do convívio com os amigos que a Corrida me presenteou!... Havia perdido meu conto: "Atiradores de Pérola" e minhas crônicas - que não falam de corrida e não são populares - mas são importantes para mim. "E agora??" - pensava, enquanto a mente relutava em admitir essas perdas e ao mesmo tempo entender um meio de recuperar o blog, lendo os tópicos do Google. Perdi a fome e o dia mais frio do ano diante do computador e enrolado no edredom.

Consultando os fóruns de ajuda do Google fiquei pessimista. Vi que vários blogueiros tiveram o mesmo problema e muitos não recuperaram seu site. Bateu uma revolta e eu quis ligar o foda-se! e desistir, aplicando o pensamento: "Eu não preciso de blog!"... Mas nem isso eu poderia fazer - tenho duas viagens marcadas em agosto, para produzir matérias e cumprir compromissos firmados com amigos da corrida. Concluí que teria de recomeçar do zero, criando outro blog.

Não sei conviver com os próprios lamentos, mas não tinha jeito e a cada 10 minutos voltava a pensar no assunto:

- Logo agora que aumentaram as visitas e os seguidores!... Logo agora que eu estou produzindo muito mais conteúdo!...

Hoje, meu ânimo não foi dos melhores. Parou de chover na madrugada e o sol iluminou o dia. Sem poder correr por conta de lesão, subi ao terraço e  me estiquei na espreguiçadeira. Fechei os olhos, ignorando o azul do céu, para me aquecer feito Juca - meu jabuti. Até que nova cortina de nuvens tomou conta do céu e um vento frio me fez descer para o quarto.

No quarto liguei o computador para deparar com meu blog, ali, de novo! Inteirinho, como um filho que some de um dia para o outro e desliga o celular para não ser encontrado. A gente não sabe se dá um esporro ou um abraço, mas fica checando se está tudo bem... Que susto! Fui logo fazer um back-up e essa nova postagem! Agora posso tomar um banho e fazer a barba!

O site a seguir ensina como fazer back-up da template e das suas postagens no blogger: http://www.dicasblogger.com.br/2012/05/como-fazer-backup-no-novo-blogger.html

Abraços!
Bira.
Amigos!

Continuei garimpando retalhos do blog e costurei essa nova colcha. É curioso chamar algo recomposto de "novo", como essa postagem. Novidade e surpresa, no entanto, não se desprende dos bons momentos... Se você ainda não tem um blog, construa. Deixa passar alguns anos e releia o que escreveu... Surpreenda-se de novo consigo mesmo!


Retalhos do Blog - imagem montada com Gimp e Paint.





... Pronto!... A última curva foi feita e faltam apenas 500 metros para a linha de chegada! 500 metros traduzidos em intermináveis dois minutos! Não penso nada a não ser em chegar, aliás, nem penso apenas corro. Depois de sete meses no estaleiro, para sarar a coxa, eu estava ali de novo. Tentando vencer a falta de ritmo e o meu amigo Hélio Galhardo, que veio ofegante, lá de trás, e equiparou-se comigo no Elevado das Bandeiras, quando faltavam dois quilômetros para a chegada. Debilitado, eu já estava perdendo a esperança de completar a prova abaixo de 1h e 40m, minha meta, quando o Hélio surgiu como um sinal de que eu poderia reagir se tentasse me manter ao seu lado. Na saída do Túnel São Conrado, a descida impulsionou nossas passadas.  Alternamos de posição até desembocar ali, a 500 metros da chegada, na Praia de São Conrado. Meu corpo exausto ainda teria pela frente dois minutos, então corri com a emoção. Retirei os fones de ouvido e me atirei naquele curto tempo onde cabia toda a vida e completei a prova em 1h38m45

Pronto!... Estou de volta!... postado em jul/2012.





... Blogueiros narcisos só falam das vitórias. Para mascarar meu narcisismo, no entanto, eu também conto os fracassos e então até pareço humilde - Lobo em pele de cordeiro! - diriam os inimigos. Sacana, debochado, pretencioso!... diriam os demais. Eu não digo nada, apenas escrevo para descansar das corridas...

...Por volta do Km34, meus pés doeram como se estivesse pisando em brasas. Caminhei uns duzentos metros e voltei a correr no braseiro para retornar a caminhar depois. Passei a mão no ombro e senti os cristais de sal, arranhando a pele como areia. O sal também permeava entre fino tecido da bermuda, formando manchas brancas. Por sorte, ou devido à musculação, não senti dores nos ombros. Quando voltei a "correr" fui ultrapassado por uma patricinha saltitante e não me conformei apertando o passo e deixando-a para trás. Esgotado, quase voltei a ser ultrapassado de novo pela moça que saltitava. Reagi, até que me vi, patético, disputando posição com a frágil criatura num ritmo de aproximadamente 6min por km (que vergonha!), desisti e caminhei de novo para ver a menina se distanciar com seu rabinho de cavalo louro e esvoaçante. Tanta gente mais me passou!... Magros, gordos, altos, baixos, novos, velhos... Voltei a trotar nos últimos 4 km e concluí em 4h a Maratona mais Rápida do Brasil... postado em mai/2011.



... A luz amarela do sol da manhã banhava de ouro as casas de Cordovil e realçava o bronze da pele daquela moça, que caminhava na calçada. Seus cabelos fartos estavam presos e  seus olhos ainda continham o brilho das estrelas que a pouco se apagaram. A moça vestida de atleta, refletia no olhar sua paixão pela corrida, horas antes de uma competição.


O movimento é sempre pouco nas primeiras horas de um domingo suburbano. O frescor se mistura ao silêncio e é possível ouvir o canto distante de um galo. Àquela hora, poucos vira-latas ainda xingam quem passa. Poucos carros soltam rosnados, babando fumaça. O tempo não quer correr para quem espera. Então a corredora consulta o relógio e, no gesto, percebe que alguém se aproxima. Era uma mulher de salto alto, vestido justo, dourado com paetês cintilantes. "Nossa!... Que show! Deve ser uma passista" - concluiu a corredora com pensamentos e sentidos tão velozes que pareciam transformar os movimentos daquela mulher em câmera lenta... postado em jun/2012





...Quis falar do fim do mundo nesse blog, mas tem tanta gente melhor do que eu fazendo o mesmo que quase desisti. Não entendo do assunto e não vou ficar aqui cozinhando textos extraídos de outros sites... Então pensei em pegar o tablet e entrevistar pessoas pelo Centro, na hora do almoço. Escolhi o Largo da Carioca. Faltava eu chamar outro "maluco" para me acompanhar, então pensei no meu compadre Ivan Cândido. Ele foi de câmera-man e eu de repórter entrevistador. Ninguém sabia direito o que estava fazendo, mas vamos falar a verdade: a maioria dos nossos entrevistados também não aparentava entender do que falava... (a postagem contém vídeo)  postado em dez/2012.




(...) - Quando eu descobri que estava muito doente, em 2008, meu amigo Paulo César começou a me evitar estranhamente. Ele tinha medo que eu morresse. Certo dia, encontrei com ele e prometi que ficaria curado e, assim que isso ocorresse, iríamos fazer uma caminhada Maceió - São Miguel. Nessa hora Débora - uma amiga corredora - passou e firmou promessa: "Eu vou nessa também!" Uma outra corredora - Dani - surgiu e disse: "To nessa!" Olha que eu ainda ia me tratar, mas as meninas disseram: "É melhor a gente abrir para toda a galera!"

Um ano depois, Walter estava curado do câncer e no boca-a-boca foram reunidas 26 pessoas para a caminhada. Saíram de Maceió às 6h de 10 de agosto de 2010. Como havia muitos "marinheiros de primeira viagem" foi combinada uma parada em Paripueira, onde dormiriam para continuar na manhã seguinte... postado em dez/2013.





...O melhor de BA Maratón, no entanto, estava por vir. Quando percorremos as docas de Porto Madero, na altura dos quilômetros 30. Quando as forças dos corredores começavam a exaurir, uma música instrumental surgiu ao longe. Na medida que nos aproximamos, aumentava o som e o envolvimento da melodia. Então vimos um corredor de pessoas aplaudindo e incentivando quem passava. Elas vestiam coletes de onde despendiam hastes, por traz dos ombros, que sustentavam cartazes sobre a cabeça, com as inscrições: "Força!... Você consegue!..." e etc.Entre as música e os gestos habitavam anjos invisíveis!... Sim!... Naquele lugar havia anjos e uma força indescritível invadia a alma.  Eu não tive mais dúvidas de que completaria a prova!... postado em out/2012.




...O tempo é curto, até para os depressivos que escolhem não fazer. Então “faça duas vezes antes de pensar”, mas faça! Depois colha os cacos dos jarros partidos, retire os tapetes e encere seu chão. Aplique tintura nos cabelos e Facebook nas ausências. Aplique-se no tempo. Sou aquele centro-avante que não teve tempo de escolher o canto onde chutar ou o goleiro que precisa defender por reflexo. É tudo rápido, feito rima sem nexo.
- Onde eu cheguei e o que faço para passar essa mensagem?
- E você?
- Quando questionou o que faz?
- O que fez ou deixou de fazer ultimamente?... postado em set/2011


*                *               *                *               *

Os retalhos de colcha são diferentes dos retalhos da vida. Bastaria uma fita métrica para medir os primeiros, mas retalhos de vida não se medem com o tempo. Lembra daquela pergunta: "O que você faria hoje se soubesse que o mundo vai acabar amanhã?" A resposta correta é: "Faria uma nova vida com o tempo que me restasse... Uma vida tão intensa que coubesse em 24 horas ou apenas em dois minutos, como o título da nossa primeira postagem!"

Abraço!
Bira.
Leia também: COLCHA DE RETALHOS (parte I)

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Amigos!

Seis anos de retorno à corrida têm muitos retalhos. Têm pedacinhos das nossas histórias, já que não falei só de mim. Têm recortes de nosso país, já que não citei só minha cidade. Tem emoção espalhada em cento e tantas postagens. Têm conquistas de amigos e auto-conquistas. Têm ganhos no físico, no intelecto e na emoção. Tem emoção dividida e multiplicada em uma nova visão - de uma nova vida...

Colhi retalhos das próprias postagens para compor essa colcha. Aproveita que é inverno e se cubra com ela!

Nos retalhos de Imagens, alguns pedaços de mim nesses seis anos de corrida!


... Meu presente de aniversário chegou três dias antes. Não era livro, camisa, sapato nem carro. Não era tangível. Não tinha cheiro, nem cor ou sabor. Difícil descrever um presente sem forma, mas que fluindo da alma se transforma em lágrimas da mais pura alegria. A emoção que senti ao entrar no corredor de chegada, após percorrer 42 km na Maratona do Rio foi o meu presente... postado em jul/2010









... Encurta o tempo que resta para a largada. Encurtam as frases de quem ainda fala e o espaço entre-corpos na contagem regressiva. E a corrida começa! O primeiro desafio é tentar mover-se no meio da massa. Naturalmente, os corredores estendiam os braços escorando-se nas costas de quem estava à frente, lembrando fila de escola... postado em ago/2010


... Estava na volta de nº 13 quando uma lufada de vento fez surgir um redemoinho ao meu lado, dando vida às folhas mortas do chão, atirando-as sobre mim, junto aos ciscos e poeira. O susto fez meu coração disparar tanto quanto minhas pernas. Senti um arrepio e pensei: “É Saci Pererê!” Um redemoinho que surge do nada é artimanha do Saci. Em instantes, a nuvem de poeira ficou para trás e dissipou da mesma forma que surgira. Percebi que estava eufórico e me arrepiei de novo, me perguntando: “Será que o Saci está correndo comigo??”... postado em set/2010









... Duas décadas depois (jan/2008), reencontrei a velha namorada - a Corrida. Era manhã de domingo no Leblon e eu já tinha 48 anos, quando larguei na Leblon-Leme. Fiquei tímido para puxar assunto... Ela, Corrida, continuava jovem e mais linda do que nunca. Minha juventude, no entanto, se resumia à atitude de estar ali. Fiquei surpreso quando me vi em seus braços. Tomei banhos de suor e auto-estima... postado em set/2010


... Mas a grama não é apenas um piso macio. Ela interage com nosso corpo e nossa mente. O atrito do tênis no gramado, o cuidado que se tem para não pisar em buracos ou galhos, os estalidos das folhas secas, o grilo que salta desesperado ao ver um "gigante" se aproximando, o formigueiro ameaçador, o casal de quero-queros e seus piados de alerta, o urubu devorando um despacho e o sol, que dá cor a tudo isso, bronzeando minha pele e cozinhando meus miolos... postado em jan/2011



... O vento frontal não trazia frescor. Volta e meia surgia em lufadas de arranca-boné tornando a corrida mais difícil nos acostamentos da Rio-Petrópolis. Eram oito e meia da manhã mas o sol simulava o meio-dia. Veículos pequenos e grande faziam "vrum" quando passavam em alta-velocidade. Éramos cinco corredores que na manhã de sábado - dia de longão - escolheram cruzar o Vale da Morte... postado em mar/2011


... Continuar correndo e desviando das poças, mas levar um banho da água que os pneus dos carros atiram, inclementes, sobre pedestres incautos. Se um atleta de rua deve ter bom humor para encarar qualquer tempo, correr é uma lição de vida. Superar a passagem da chuva e do sol. Deixar para trás não só poças d´águas e lixo, mas flores e borboletas, não faz do corredor um ser solitário, fá-lo livre e integrado no todo. Este ser passageiro leva consigo o próprio mundo onde os problemas não foram suficientes para fazê-lo parar. Leva um sorriso, um aceno, um incentivo para quem parou e deseja retornar ao movimento... postado em abr/2011.

Colchas de retalhos, além de práticas, podem ser belas!

Abraços!
Bira.
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(...) O passado revivido com os amigos é belíssimo porque é rico em detalhes. Quando não somos capazes de reconstruir o panorama geral de um lugar em que estivemos com eles, nossa mente nos compensa revelando detalhes que sequer pensávamos ter percebido (...)

Marcia Terezinha e Lúcio Lampert, na foto, até parecem irmãos: Amigos dentro e fora da corrida.






Amigos: Criatividade, Alegria e Prazer


Amigos!

Ei, Amigo!... Vai fazer seis anos que eu te chamo dessa forma... Arrumo esse blog como quem arruma a própria casa em dia de visita e te convido para entrar:

- Pode ficar tranquilo, o cachorro não morde... - falo sorrindo - Senta aí, na poltrona, fica à vontade!... Aceita beber alguma coisa, um vinhozinho, cerveja... Água gelada?... Que bom que você está aqui!... Que bom ser seu amigo!

Amigo é Prazer

O tempo passa voando quando eu lhe conto minhas histórias. Geralmente não há nada demais além de um simples treino ou de uma corrida... São os detalhes do texto que farão diferença, revelando as belezas que você já viveu e as alegrias que já sentiu. É essa identidade que despertará o prazer, ao revelar o motivo oculto da sua felicidade.

Vou dar um exemplo: Na postagem "Adeus Ano Velho", de maio de 2010, minha amiga Bruna Zolini fez o seguinte comentário:

- Bira, adoro seu blog (...) Queria muito conseguir traduzir em palavras os meus sentimentos na corrida de forma tão bela, como você faz... 

Quando a corredora disse: "traduzir em palavras meus sentimentos", quis dizer: "...minha alegria". Quando disse: "...de forma tão bela", quis dizer: "com os detalhes não revelados, os motivos ocultos".

A mesma Bruna que em 2010 pensava não saber "traduzir em palavras" seus sentimentos, após completar a Corrida da Ponte, este ano, escreveu o belo relato a seguir:

" (...) Nos últimos metros, não estava mais correndo: estava flutuando, dançando nas pistas, como uma (ex) bailarina. Não ouvi música das caixas de som e ninguém falando ao microfone, pois uma valsa linda estava tocando dentro de mim. Eu era uma debutante em dia de gala (...)"


A ex-bailarina Bruna "flutuando" a poucos metros da chegada na Corrida da Ponte: Retorno de Lesão.


Amigos são Criativos

Bastou que minha amiga mergulhasse nos seus próprios sentimentos para revelar, naquele texto, uma beleza bem maior que o cenário de chegada da corrida... Eis a criatividade! Dependerá dela dar sequência ao exercício poético, daqui por diante. Descrever desta forma é como revelar um filme fotográfico, ou seja: Imaginemos a Bruna cruzando a linha de chegada... Suor e lágrimas se confundem, soluços e ofegância também. Não saberíamos dizer até que ponto ela está emocionada ou simplesmente cansada. Quando ela expõe os detalhes de seus sentimentos, no entanto, outra realidade constrói um cenário muito mais encantador... Eis a criatividade nos detalhes ocultos!... Nossos amigos são criativos porque constroem novos cenários. 


Mês do Amigo

Porque chegamos ao Mês do Amigo, propus à maratonista Marcia Baroni (foto 1) que descrevesse um amigo corredor. Ela enviou o seguinte texto:

- Eu encontrei um grande corredor e amigo há quatro anos atrás: Lúcio Lampert. Minha admiração por ele vem, principalmente, pela sua generosidade. Lúcio voa nas pistas, nas provas com maravilhosos tempos... No entanto, acorda sorridente às 5 h da manhã, várias vezes, para treinar comigo num "pace" bem mais lento que o dele!! Me deu força nos primeiros longões, correndo ao meu lado, incentivando-me a todo momento... Bem, eu não corro tão rápido assim e ele me fez ter confiança para correr na rua, sem medo... Várias vezes, em percursos com subidas, ele foi à frente e voltou para resgatar a mim e outros amigos mais lentos, sempre nos incentivando para ir em frente. Sua paixão pela corrida de rua e simplicidade encanta muita gente. Eu aprendi o quanto a disciplina é importante na corrida de rua com Lúcio. Meu amigo, fora da corrida é especial, alegre e divertido. Tem grande senso de humor e, principalmente, um coração bondoso que está sempre disponível a ajudar o próximo. 



Amigos são Divertidos

A simples presença ou mera lembrança de um amigo nos diverte. Brilham os olhos e o coração dá saltos de alegria e prazer. Quando um amigo se ausenta, nosso corpo se aquieta e a mente flui, além do tempo, resgatando os momentos simples, mas incrivelmente belos. O passado revivido com os amigos é belíssimo porque é rico em detalhes. Quando não somos capazes de reconstruir o panorama geral de um lugar em que estivemos com eles, nossa mente nos compensa revelando detalhes que sequer pensávamos ter percebido. O detalhe de um gesto, de uma expressão, uma frases ou olhar. Os detalhes em forma de cheiros, melodias, cores e abraços. Sentimos saudade das suas piadas e de seus argumentos que, antes, estávamos cansados de ouvir, porque agora "ouvimos" os detalhes!

No dia 20 de julho aproveite: É Dia do Amigo!

Abraços!
Bira. 

(...) Uma buzina soou anunciando o início da corrida e aquela gente se moveu. Abriram-se vãos para a passagem dos raios dourados, fazendo a sombra inquieta de cada corredor brincar, deslizando-se nas costas do corredor à sua frente (...)

Gif de imagens dos corredores na Praia da Reserva - Bira.

Bateria Arriada Na Maratona Mais Bela Que Nunca

Amigos!

Na subida da Av. Niemeyer o iPhone que eu usava para filmar os corredores apagou. Acionei o botão liga-desliga e nada... a telinha continuou preta e eu pensei: "Será que o meu suor penetrou no equipamento e o queimou?" Parei de correr, tirei os óculos escuros e percebi que o visor apagado exibia a imagem de bateria fraca. "Não é possível!" - falei comigo mesmo, sentindo uma vontade repentina de abandonar da prova.

Até ali, KM 26 da Maratona do Rio, eu revezava entre correr e filmar os atletas para compor um clip e publicar neste blog. Fiz disso a minha motivação para correr, já que não tinha esperanças em melhorar meu record, sequer chegar perto dele. Permaneci alguns instantes imóvel. Desapontado ao ver  meu sonho se atirar do magnífico precipício que margeia a avenida e se espatifar no rochedo, lá embaixo, onde as ondas do mar também se chocam. Escorei-me no parapeito e observei, do alto, o movimento deslumbrante das águas azuis. Iluminada pelo sol, a Praia de São Conrado exibia uma beleza do tamanho de meu desapontamento por não poder registrá-la. Optei em continuar correndo, mesmo sabendo que a frustração me perseguiria até a linha de chegada. Como reinventar meus planos e refazer o ânimo, por mais 16 quilômetros, até a Aterro do Flamengo?

Antes Disso...

Comecei a treinar para esta maratona em março, ainda ressentindo de lesão que se arrastava por seis meses. Cansei de ficar parado, esperando pela cura de uma suposta fascite plantar. Cinco kg acima do peso, comecei a revezar treinos com fisioterapia. Rolava o pé sobre uma garrafa pet congelada, todas as noites. Em geral corria dia sim, dia não, até chegar aos longões de 30 km. Não foi nada fácil! Diversas vezes pensei que não conseguiria, mas insisti na rolagem sobre o gelo. Minha confiança em completar a prova oscilava de acordo com as dores do solado no pé. Meu sacrifício foi compensado pela perda de peso enquanto o tempo passou, até o dia da prova. Cheguei à largada prevendo uma corrida de quatro horas. Nada animador para mim que almejo completar uma maratona abaixo de 3:20 h. Correr e filmar, no entanto, seria o coelho da cartola.

Preocupado em colher imagens, encontrei poucos amigos na concentração. Passei pelo guarda-volumes, desisti da  emperrada fila do xixi e quando dei por mim, faltava muito pouco para a largada. Entrei no corredor por um atalho lateral e me juntei à massa. Às sete e trinta da manhã, a compressão de pessoas não deixava o brilho amarelo do sol atingir o asfalto. Uma buzina soou anunciando o início da corrida e aquela gente se moveu. Abriram-se vãos para a passagem dos raios dourados, fazendo a sombra inquieta de cada corredor brincar, deslizando-se nas costas do corredor à sua frente. No balé de sombra e luz, todos eram tela e elementos.

Mesmo despreocupado com meu desempenho, ultrapassei as placas de quilometragem a cada cinco minutos. Apesar das paradas para filmagem, estava tendo um regular desempenho (5x1). À medida que o sol se elevava os trechos de praia, à direita, apresentavam diversos brilhos e versões. Do Pontal à Barra, foi possível correr e colher as imagens. Não me dei conta do baixo nível de carga do iPhone em nenhum momento e o pior: a minha "própria bateria" também estava prestes a arriar mais à frente.


O posto de hidratação fornecia Gatorade em saquinhos plásticos - Bira.

Tudo começou à altura do km 20. Uma vontade, até então controlável de ir ao banheiro não me preocupou de início. Se necessário, eu poderia recorrer aos sanitários dos postos de salva-mar da Barra. Começava assim minha superação sobre a situação que ficou crítica no Elevado do Joá, quando uma forte cólica quase me fez parar. A necessidade de ir ao banheiro era urgente. Aparentemente eu não tinha saída, até chegar à praia de São Conrado - três quilômetros à frente. Quando a dor ficou insuportável, um inesperado canteiro das obras do elevado surgiu como surgem os oásis. Graças a Deus não era miragem!... Naquele lugar improvável havia banheiro!

Minutos depois, saí dali aparentemente refeito. Agradeci aos céus e ao vigia do canteiro, antes de voltar à corrida. Retomei o foco e as filmagens. Percorri a Praia de São Conrado e na panorâmica subida da Niemeyer, num golpe fatal, o celular apagou...

Correr Para Esquecer

Por mais belo que fosse o cenário, eu não ficaria prostrado na sinuosa avenida olhando o mar, em plena Maratona do Rio. Só me restava correr e fui em frente. Fiquei triste em não poder registrar a platéia que se concentra no Leblon para aplaudir os corredores: "Que droga!... Como eu  posso ficar chateado num dos momentos mais felizes da prova?" - pensei - "Tudo bem, vamos em frente completar a corrida!" - reagi, sem saber que em Ipanema uma nova cólica me esperava. Desta vez fui salvo pelo banheiro do posto, mas quando voltei à corrida estava apenas trotando. Em Copacabana um amigo se aproximou, justamente quando eu pensava em caminhar. Na Avenida Princesa Isabel, no entanto, eu sucumbi ao cansaço e comecei a andar. Andei pelo túnel, pela enseada e pelo começo do Aterro. Andei pelo corredor de chegada. Cruzei a linha de chegada andando e a bendita cólica voltou - como quem deseja ver a medalha que ganhei. Pela terceira vez fui ao banheiro, agora em um posto na Praia do Aterro. Senti um pouco de tontura amainada pela ducha que tomei. Refeito, bebi água de coco fui pra casa descansar.

Só consegui sentir uma parca sensação de vitória à noite, quando acordei e me lembrei de todo o sacrifício aqui descrito. Mas outras maratonas virão!...

A despeito das minha aflições, a Maratona do Rio estava mais bela que nunca!

Abraços!
Bira.




Amigos!

Concluí esta postagem a 09 dias, 12 horas, 35 minutos e 32 segundos da Maratona do Rio. Foi o contador regressivo do blog que precisou a informação. Observe que nele, os centésimos inquietos fazem os segundos gotejarem até sua exaustão prevista para a hora da largada. Será na manhã de 7 de julho. Na explosão dos corredores, a ansiedade acumulada nestes últimos dias se dissipará de vez. Quando o cronômetro regressivo zerar, será a vez de 7.000 atletas gotejarem e exaurirem pelos 42 km de orla carioca.


Câmera ao vivo na Barra da Tijuca, trecho da Maratona do Rio

Na quarta-feira, 26/06, fiz meu último longão de 30 km e cruzei o Aterro, onde as primeiras barracas eram montadas próximo à linha de chegada. Tentei imaginar em que estado e com que tempo eu chegarei ali no dia da corrida. Mas não tenho como prever: meu treinamento foi prejudicado pelas dores ao longo de quatro meses. Apliquei muito gelo e esforço para não ficar mais um ano de fora da grande corrida.


No Aterro, barracas começam a serem montadas a 11 dias do evento.

Eles também não Querem perder...

Fabio, Jorge, Gabriel, Luciano e Bruna têm diferentes idades e perfis de maratonista. Em comum, apenas o desejo de não perder a prova. Abaixo, eles falam um pouco da preparação e expectativa para a prova:


Fábio Favaris, Rio de Janeiro - RJ:

- Retornei ao Brasil após cumprir um período de base, no Haiti. Para matar a saudade da família, perdi um pouco o foco dos treinamentos. Fiz três longos de 28 e 32 km e me sinto ótimo! Vou com tudo para minha primeira prova na distância mais desejada pelos corredores. Agora é 30% pernas e 70% cabeça!





Luciano Vitório, Itatiba - SP:

- Eu me preparei com planilha elaborada por um educador físico. Comecei meus treinos em janeiro e estou confiante. Vai ser minha primeira maratona. Não quero me preocupar com o tempo, mas sim em completá-la.







Jorge Ultramaratonista, Rio - RJ:

- Ultimamente tenho corrido ultra maratonas e deixei de lado os treinos de velocidade - nas ultras, o que manda é a resistência... Vou correr só para completar.  
(vale ressaltar que o Jorge competiu nos 85 km de Macaé, em junho, e foi campeão das 24 Horas de Santa Maria - RS, em maio).



Gabriel Mantovani, Tarumã - SP:

- Estou treinando muito apesar de ter 20 anos de idade e só ter feito meia maratona. Agora, vai ser muito desgastante pela minha idade, mas vai dar tudo certo! Que essa semana passe voando!








Bruna Zolini, Rio - RJ:

Estou retornando de lesão. Fiquei quase seis meses machucada, fiz muita fisioterapia, mas não adiantou tanto. O que melhora comigo é muita natação e alongamento. Ainda estou me recuperando. Fiz a Corrida da Ponte e fiquei muito feliz por completá-la. Então voltei a treinar gradativamente, até fazer dois longões de 34 e 33 km. Estou confiante. Meu objetivo é completar a corrida, pois não quero ficar de fora. Essa corrida representa muito para mim!






Fabio, Jorge, Gabriel, Luciano e Bruna têm diferentes idades e perfis de maratonista. Em comum, aquela ansiedade gostosa de quem espera o momento da largada, expressa no olhar de quem ama a corrida.

Abraços!
Bira.
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Corrida faz coisas boas virar rotina, como os movimentos repetidos de quem corre.

Amigos!

Não façam perguntas óbvias!... Perguntas do tipo: "O que a corrida lhe deu?" A resposta será sempre a mesma: "Me deu mais disposição, mais saúde, melhor auto-estima, novos amigos" e vai por aí...

Corrida faz coisas boas virar rotina, como os movimentos repetidos de quem corre. Ontem, um amigo que não corre falou em tons pejorativos que "a corrida é um vício!"... Eu concordei e fui treinar - não vou ficar me explicando na hora do treino!

O fato é que vou fazer seis anos de retorno à corrida e para comemorar, escolhi retratar três amigos, representando a todos os demais. Para fazer as imagens em movimento, fiquei parado o dia inteiro diante do computador. Copiei fotos, recortei, colei, escalonei, girei, inverti e etc. Utilizei os programas GIMP e Paint, em mais uma bricadeira: Foi minha forma de dizer obrigado!


Jorge Ultramaratonista: O corredor mais apaixonado que eu conheço!




Jorge Ultramaratonista foi um dos corredores que mais me impressionou nesses 6 anos... Não fosse pelas suas  maratonas de 24 h, mas por todas as vezes que ele foi correndo para casa (do Aterro à Sulacap) ao final de mais uma corrida. Enquanto todos já não viam a hora de descansar, nosso amigo dava adeus para encarar mais 30 km!


A Metamorfose de Ozéias!









Foi Ozéias Carlos Lira que me convidou para treinar com a turma. Quando eu fiquei sabendo que ele já foi obeso, levei um susto e publiquei sua história (veja  na postagem: "Diga-me com Quem Corres?"). Nas imagens acima o Ozéias obeso se transforma em corredor - e futuro Educador Físico.


Adriano Molinaro: O amigo se foi e no peito ficou a saudade.




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Se o treino foi bom, a gente lembra do Adriano. Se a corrida foi boa, também. "Certamente ele estaria aqui, divertindo-se conosco..." - alguém comenta, sem perceber que ele, ali, ainda está.

Em nosso peito de corredor pulsante Adriano corre muito mais do que corria na paisagem.

Abraços!
Bira.
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"Uma arte experimental com medalhas, camisas de corrida, tênis e fotos de celular ..."

Amigos!

Por mais que a corrida me gratifique e esse blog me recompense, ficar quatro anos sem pintar incomoda um pouco... Às vezes incomoda muito! Mas eu só conseguiria trabalhar, pintar e correr se o dia tivesse 30 horas. Então vou esperar a aposentadoria.

Se não tenho tempo para pintar, vou fazer outro tipo de arte. Uma arte experimental, utilizando as medalhas de corrida, camisetas, tênis e fotos de celular... Uma brincadeira sem compromisso para que a véia veia não seque:

Nº 01 - Corrida na Cabeça!: medalhas e camisetas de corrida (08/06/2013).


Nº 02 - DNA de Corredor: medalhas e camisetas de corrida (10/06/2013).

 

Nº 03 - Corredor Invisível (I): Tênis, medalhas e camisetas de corrida (11/06/2013).



Nº 04 - Corredor Invisível (II): Tênis, medalhas e camisetas de corrida (11/06/2013).


"Somente um homem de bronze conseguiria ignorar o astral e a beleza das corredoras à sua volta!..."

Amigos!



Foi quando a luz tímida penetrou entre os prédios cidade, que Niterói acordou. Naquela hora, ainda não havia calor suficiente para secar as gotas de orvalho ou aquecer Araribóia. Em frente à estação das barcas, a imponente estátua do índio de bronze mantinha expressão de carranca e braços cruzados. Somente um homem de bronze conseguiria ignorar o astral e a beleza das corredoras à sua volta! Elas estavam concentradas, porém inquietas, antes de mais um longão.



Faltavam poucos minutos para a largada. Seriam 14 km de orla até a Fortaleza de Santa Cruz. Dos 60 corredores que Flávio Loureiro reuniu a metade eram mulheres. O pace foi leveno mínimo 5,5m/km, permitindo que todos experimentassem a calma e o encanto de um domingo à beira mar. Um "bom-dia" ou uma troca de acenos com os corredores locais, que cruzavam, criava um clima acolhedor. Enquanto isso, a paisagem surpreendia quem como eu não conhecia todo o percurso.




O Museu de Arte Contemporânea - MAC

Foi quando uma nave pousou no Mirante Boa Viagem que nasceu o esplendoroso MAC. A nave veio de um planeta existente na mente de Oscar Niemeyer - para onde o gênio partiu, ano passado. Se o seu corpo pereceu, sua mente ainda perdura na obra que encanta.

As praias de Niterói têm calçadas de pedras portuguesas e a visão das montanhas do Rio. Além da paisagem, o sorriso carioca também se espelha naquele povo. Entre sorrisos e montanhas passamos por Icaraí, Charitas e a pequena Praia de Adão e Eva, onde um corredor ao meu lado contou: "Já tentaram implantar o nudismo aqui, mas não deu certo..." Será?



A Fortaleza de Santa Cruz apareceu antes do cansaço. Custei um pouco a acreditar que o treino estava acabando... "Já?". Uma imensa pedra surgiu, feito Pão de Açúcar, desafiando o mar. Uma estrada estreita agarrava-se ao granito gigante feito marisco e nos conduziu até o forte. Quando todos haviam chegado ainda faltou o Bryan Publi. Fui buscá-lo para filmar sua chegada em meio aos aplausos!

Enquanto no Rio de Janeiro o Treinão da Light preparava os atletas para a Maratona do Rio, não se pode dizer que o treinão do Flávio também serviu como preparo. O ritmo lento e o percurso curto não se encaixariam em uma planilha, a um mês da maratona... Mas quer saber de uma coisa?... Nossas amigas corredoras mulheres tomaram conta do evento, ditando o ritmo e o alto astral! Diante de tanta beleza, danem-se as planilhas e vivam as mulheres!... É melhor correr com elas!


 


Galeria: clique na foto:



Abraço!
Bira
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"Procuro e sempre acho o meu tempo... que vale ouro... se me restar a madrugada, é nela que eu vou!..."

Amigos!

Se você adora correr e possui tempo para praticar seu esporte, faça o que diz Fafá na música de Chico: "... erga as mãos para os céus e agradeça!..." Agora, eu vou mostrar a rotina de alguns corredores que justificarão a sua prece:

No vídeo, a beleza e a fartura - não apenas do sorriso - de Fafá de Belém... Apenas para ilustrar a referência feita acima

Claudio Vieira, 27, educador físico do Rio de Janeiro - RJ.

Como alguém que sai de casa às 6h, para trabalhar e estudar, retornando às 22:30h, consegue praticar dois diferentes esportes? Quem responde a pergunta é Claudio Vieira, apaixonado por corrida de rua e rugby, não sem antes exibir o seu currículo:





- Sou técnico do time feminino Rio Rugby Football Club e já corri 80 km direto, mas agora me falta tempo... Meu segredo é aproveitar todos os segundos disponíveis! De segunda a quinta, pedalo 10 km, indo e vindo ao trabalho. Às sextas, faço isso correndo. No intervalo de almoço faço musculação (de 12 às 12:45h) e aeróbico (natação, corrida ou bike) de 12:45 às 13:30h. Aproveito todos os segundos, após o treino: tomo meu banho, almoço e volto a trabalhar!

Nas sextas-feiras Claudio encaixa três treinos de corrida de 10 km - de manhã, no almoço e após o trabalho e completa:

- Após voltar da faculdade eu ainda sento um pouco para estudar (de 23:30 até 00:30h) e depois vou direto para o berço, pois as 5:45h o galo me acorda e volto para minha rotina!...

- Essa é minha sequência de treinos para a Maratona do Rio em 7 de julho (...) estou num esforço máximo para fazer bonito!... Acordar cedo não é mole. Horas de treino solitário, também não! Então o que mais me motiva a continuar é ver o tempo passar saudavelmente. Durante a corrida a cabeça relaxa, esqueço os problemas e não há estresse!... É assim que penso e é assim que funciona comigo!


Aroldo Favaro, 38, micro-empresário de Jacarezinho - PR.

Para ganhar o pão, Aroldo programa computadores, mas para queimar os carboidratos desse pão, ele precisa saber programar o seu próprio dia a dia. Concilia musculação com corrida, ciclismo com visita aos familiares. Leva a esposa ao trabalho, trabalha e depois vai buscá-la. Tudo quase que cronometrado, então vejamos:


05:40 h - musculação ou corrida + 50 min. de bicicleta; 07:20 h - leva a esposa ao trabalho; 11:00 h - natação ou corrida e depois o almoço; 17:00 h - busca esposa no trabalho, depois faz natação ou corrida; 19:00 h - leva a esposa na faculdade, depois faz natação ou corrida...

- No dia seguinte faço tudo de novo, a não ser que precise viajar a trabalho. Corri várias provas de 10 km, a Meia-maratona de Londrina, três duatlons e três montain bikes. Faço parte de um grupo que todo ano roda 600 km de Jacarezinho à Aparecida. Meu sonho é completar um Iron Man.

Seus treinos longos de pedal ocorrem aos sábados, finalizados com natação. Aos domingo, visita aos parentes de bike, mais 60 a 100 km!... Finaliza seu relato com a frase que inspirou o título desta postagem:

- Normalmente vivo das lacunas ou brecha no tempo!

Maivan Fernández, 39, gerente de TI, fotógrafo, organizador de eventos e policial... Maceió - AL.

Como entrevistar alguém que exerce tantas funções e faz questão de concluir seu repertório dizendo que é pai? Maivan Fernández nunca tinha tempo para responder minhas perguntas e eu quase desisti. Às 00:30h de uma quinta-feira, no entanto, ele estava online e eu iniciei o seguinte papo no chat do Facebook:

- Parceiro, me escreve um breve texto descrevendo o seu dia a dia e como faz para arrumar tempo para correr...

- Me diz o prazo que eu tenho, pois estou sem tempo agora - respondeu - sou Gerente de TI, Fotógrafo, Organizador de Eventos, Pai e etc...

- Você já está descrevendo o que eu preciso... É só continuar escrevendo mais um pouco sobre seus afazeres, sem se preocupar com o texto - apelei - Escreve um pouco agora e eu farei novas perguntas depois... Aos poucos a gente vai compondo o texto.

-Vou tentar escrever algo agora, me dá 20 minutos...

Passados os 20 minutos, Maivan colou o seguinte texto no chat e enviou a foto que ilustra esta postagem. Resolvi não fazer mais perguntas nem editar seu seguinte relato - isso seria injusto:


"Falar de paixão é fácil, difícil é treinar quando a paixão é correr! Digo isso sem medo de ser feliz, pois tenho diversas atividades extras ao esporte, antes mesmo dos afazeres do dia-a-dia quando sou pai. 

"Atualmente entre um dia e outro tenho que me imprensar para poder literalmente dar meu pulos e poder treinar. De uns tempos para cá, uma grata solução, não total, mas feliz, foi a de começar a frequentar uma academia de ginástica, pois sei que posso contar com ela a qualquer hora do dia, ou mesmo ao meio dia.

"Bem, trabalho com tecnologia da informação, sou policial, tento fotografar literalmente o espírito do esporte, por isso virei de fotografo amador e um solicitado retratista de emoções - como dizem os amigos corredores. Sou organizador de provas de corrida de aventura. O que era uma brincadeira, hoje virou uma brincadeira e meia, com direito a seriedade, dedicação, comprometimento e orgulho do que faço.

"Bem além disso tudo sou ultra-maratonista, ou seja, correr faz parte do meu cotidiano. Procuro e sempre acho o meu tempo perdido, tempo esse que vale ouro, em meios às idas e vindas do dia, se o que me restar for à madrugada, é nela que eu vou! Se antes do almoço de domingo tenho um tempo; oxente, logo estou na praia correndo! 

"Comigo não existe tempo ruim quando o assunto é correr! Corro por amor, corro por diversão, corro até para induzir os outros a correrem... Ai, como queria que todos que dizem que não têm tempo para o esporte fossem como eu sou!... Como é ser eu?... É ser assim: mesmo sem tempo, descobrir na folga do tempo, tempo para mim... Ô, como seria bom que todos se amassem antes de amar a qualquer outra coisa na vida! O amor é tudo e o amor-próprio é o maior dos amores! Ame-se e corra! Pois correr é viver.... e viver sem amor é vegetar sem saber.
 
"Corro para viver e vivo para correr... - e finaliza o chat - Sim, vou acabando por aqui, pois como não tive tempo de escrever algo hoje. Vou dormir já é quase 1h e às 4h tem treino, a maratona já esta me esperando... Viva a vida, viva aos pés e Soca Bota!"

*           *           *

Bem, Agora sim eu posso fechar esta postagem... Já são 3:40 da madrugada, mas valeu ganhar algumas horas sem dormir para aprender com nossos queridos amigos! São os amigos que a corrida nos deu de presente. Amigos que conseguem se encaixar nas brechas de tempo mas que preenchem nossos corações! 


Abraço!
Bira
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