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Crônica de WhatsApp - Assunto: Fora da Corrida
Tempo e Espaço (Mas Não Necessariamente Nesta Ordem)
ESPAÇO:
Certa noite subi no telhado (isso mesmo!) para vasculhar o céu. Eu tinha lido no jornal que haveria uma chuva de estrelas e não queria perder, tal fenômeno.
Era quase madrugada, em Irajá. Corri o risco de quebrar algumas telhas ou de ser confundido com um gato - não me refiro a aqueles felinos noturnos, e sim aos gatunos.
O céu negro de Irajá não tinha nuvens. Estrelas resilientes suplantavam a luminosidade ofuscante da cidade. Meus olhos nus e indecorosos tentavam captar seus lumes.
Logo, chegou na hora prevista para a tal chuva de estrelas, e nada... Nada além do meu mergulho no infinito, entre os vagalumes...
Vaguei na escuridão até que senti medo. Um arrepio e depois uma vertiz. Fiquei tonto e inseguro como alguém que está perante um precipício.
Então desci do telhado como descem os larápios. Desde de então, aquele medo habita em mim: Basta olhar o céu de estrelas, à noite.
TEMPO:
Meu medo de mergulhar no espaço talvez tenha a ver com o de me afogar no tempo. A insegurança provocada por não ter tido um chão seguro, no passado, tenta impedir o meu espírito de fluir, ainda hoje.
Posso rodopiar pela cidade (qualquer cidade) e até provar que sou livre. Mas, no fundo, eu não sou diferente dos ponteiros de um relógio, que giram, e giram, sem se desprender do mostrador.
Acima do telhado, o espaço ainda espera pelo meu mergulho!
Chuvas de estrelas ainda querem me banhar!
Quanto a subir no telhado e ficar olhando o céu: é coisa de maluco! #
24.03.26
BIRA

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