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(...) Aumentei meu ritmo depois de cruzar a esquina. Na farmácia, uma moça que cheirava sabonetes interrompeu o gesto quando percebeu meu vulto do lado de fora. Apareci e sumi em frações de segundo, deixando uma imagem difusa a ser preenchida com a imaginação(...) 



Eu Faço o meu Tempo!


Amigos!

Quando acordei de manhã, eu ainda tinha 54 anos e uma dor de garganta muito chatinha, que prometia se agravar durante o dia. Apliquei spray de própolis nas amídalas e decidi sair para correr. Quando calcei o tênis, a atitude fez minha idade cair de imediato para 48, a mesma do período que eu decidi voltar a correr.

Fora de casa deparei com um céu sem manchas e uma avenida engarrafada onde as pessoas não tinham escolha, a não ser me ver passar. Não dava para correr rente ao meio-fio e eu me equilibrei pela calçada irregular. Atrás dos óculos escuros escondi o orgulho de quem corre. Embriagada de suor, minha camiseta se agarrou ao corpo. Imitando o suor, minha idade também se esvaiu: decresci em minutos para uns 38 anos(!), ganhei mais disposição e segui em frente...

Manhãs comuns têm gente chegando apressada na estação do metrô, tem apito de guarda no cruzamento, avisando que o sinal mudou de cor, e têm sombras compridas bailando no chão. Volta e meia pode até passar um corredor como eu - eles não são muito frequentes no subúrbio, mas passam... Aumentei meu ritmo depois de cruzar a esquina. Na farmácia, uma moça que cheirava sabonetes interrompeu o gesto quando percebeu meu vulto do lado de fora. Apareci e sumi em frações de segundo, deixando uma imagem difusa a ser preenchida com a imaginação. E a moça imaginou que eu tivesse uns 25 anos, mas não estava de todo errada: Era assim que eu me sentia àquela altura.

Se a cada trecho eu ficava mais jovem não era o corpo que mudava. Eu possuía os mesmos parcos cabelos grisalhos e o mesmo rosto cada vez mais demarcado. A mudança era interna, instantânea e inexplicável. A mudança também era única porque dependia do contexto momentâneo: engarrafamento, apito do guarda, moça da farmácia, etc... Peças aleatórias que podem surgir enquanto se corre numa manhã comum. Não, não é contradição mostrar elementos externos para explicar "mudanças internas" ou "inexplicáveis". O fato é que não há limites para quem se movimenta.

Continuei meu trote pelo bairro até que subi uma passarela para cruzar a Avenida Brasil. Já do outro lado, vi alunos concentrados em frente ao portão de uma escola, esperando a sirene tocar. Dois deles se aproximaram para brincar de correr ao meu lado. Aceitei a proposta e, por cerca de 50 metros, brinquei de correr com a dupla que aparentava ter uns 14 anos, cada. Assumi essa mesma idade até a próxima esquina e me despedi dos garotos com tapinhas de mãos. Segui migrando no bairro e no meu próprio tempo até o treino acabar - se é que esses treinos acabam...

Fui trabalhar sem dar conta de que a garganta havia parado de doer. Perceber que eu faço meu tempo era bem mais importante que isso!

Abraços!
Bira.


(...) Tudo parecia perfeito: você e seu Amigo Problema se divertiam feito dois irmãos adolescentes numa tarde de domingo, mas as aparências enganam, não era bem isso (...)


Vento frio e sorrisos no alto da serra, em frente às Torres do Mendanha - foto de Erivaldo Zim.


Problemas não Sobem a Serra


Amigos!

Na sua casa tem uma sala de TV que, entre outras coisas, tem um grande e confortável sofá. Foi nele que o seu Amigo Problema acabou de se sentar. Atrevido, ele se espalhou na maciez, parecendo até o dono do pedaço. Com um clique no controle remoto, acendeu a colorida tela de plasma. Abriu uma cerveja gelada e lhe convidou para sentar ao lado. Sem nada perguntar, Amigo Problema lhe deu um copo suado, espumante e irrecusável da bebida. Escolheu assistir aquele filme que você tanto queria ver, mas que nunca encontrava tempo. Antes de "dar o play", Amigo Problema pediu que viesse uma pizza e ela surgiu coberta de muçarela fumegante, cortada à francesinha.

De fato, o filme era bom e divertido, mesclando comédia e suspense. Seus olhos arregalados refletiam o brilho da tela e só se fechavam na hora do riso. Tudo parecia perfeito: você e seu Amigo Problema se divertiam feito dois irmãos adolescentes numa tarde de domingo, mas as aparências enganam, não era bem isso...

Quem observasse os detalhes da cena ficaria surpreso e chocado: Enquanto você se afrouxava em sorrisos com os olhos na tela, seu Amigo Problema também sorria, mas não era do filme: Ele estava rindo de você!... Envolvido pelas sensações de conforto e prazer, você nem percebia. A maciez do sofá, o cheiro da pizza, o sabor da cerveja, o colorido da tela e os som das caixas acústicas de sua sala de TV... Não bastasse tudo isso, ainda tinha um Amigo, comendo junto, bebendo e sorrindo!... Nem você, nem ninguém poderia imaginar que Problema se comprazia do seu sofrimento que retornaria depois do filme acabar.

Desculpe-me por desiludi-lo, mas seu Amigo Problema é um falso amigo que adora sofá. Ele está sempre ali e, nos dias de hoje, é praticamente impossível evitá-lo.

Falando assim, lembrei daquela velha piada do marido que foi traído no sofá: Para resolver o problema, não se separou da esposa, simplesmente vendeu o móvel... O exemplo veio a calhar, portanto não faça igual. Melhor usar estratégia e fazer aquilo que o Amigo Problema detesta, e ele desaparecerá.

Esta historinha de "sofá e Amigo Problema" surgiu na mente enquanto eu subia correndo a Serra do Mendanha. Éramos dezesseis corredores, na manhã deste sábado, trilhando uma estrada deserta de terra batida. Nove quilômetros de um caminho que serpenteia na mata, subindo em direção às imensas antenas plantadas a 900 metros do nível do mar: Ali não havia problemas, apenas amigos!

Fotos colhidas no treino Subida às Torres do Mendanha.


O Amigo Problema, no entanto, adora sofá. Está obeso e não consegue sequer fazer uma caminhada, que dirá subir a serra!... Perceba: Seu Amigo Problema tem dor nas costas e dificuldade para amarrar os sapatos. Sedento e sedentário, não gosta de berber sozinho. Tal qual um vampiro, esse falso amigo se alimenta da emoção alheia. Seca as almas de suas vítimas como parasitos secam as árvores, para depois apodrecerem abraçados e inebriados na ilusão de uma Matrix. Uma dica importante: Não tente se livrar do seu Amigo Problema, isto não é possível. Mas calma, não se desespere! Simplesmente caminhe, se não der para correr, caminhe!... Problema vai detestar e largar do seu pé: Sendo assim, é o seu Amigo Problema que vai fugir de você!

Na subida da serra cada um de nós, corredores, tinha seu próprio Amigo Problema (como não ter?) no entanto não parávamos de sorrir: Problemas não sobem a serra e ficaram prostrados bem longe de nós!

Abraços!
Bira.



(...) Enquanto eu corria, o céu azul estava ali. Ele abrigava passarinhos graciosos, pipas coloridas, urubus de voo sereno, nuvens robustas e um avião que vai para New York (...)

Montagem com recorte de foto pessoal e a imagem difusa do Shopping Via Brasil (Google Maps)...

Como a Corrida Dilui os Problemas?

Amigos!

Bastou que eu voltasse a correr para o mundo se mexer à minha volta. Pessoas, carro, árvore, casa, chão... O chacoalhar do movimento mistura tudo no olhar. Enquanto se corre, não dá para detalhar as imagens. Os sentidos se voltam à preservação da integridade física: A visão percebe o chão que está próximo ou a cinco, dez, vinte metros à frente. Ela atenta aos carros que surgem na esquina, à pipa voada que arrasta uma criminosa linha com cerol... A audição de um corredor, nas bordas do trânsito, está alerta ao barulho de um caminhão que se aproxima fora do campo da visão. O tato dos pés, mesmo protegidos, percebe o piso num trecho irregular, garantindo equilíbrio.

Neste estado de alerta cruzei a esquina e deparei com o Otimismo. Ele não tinha forma nem educação. Adentrou invisível pelas minhas narinas, invadiu o meu peito e, pela milésima vez, converteu minh'alma. Era mais um daqueles momentos em que todos problemas se tornam solúveis... Tentei me portar friamente e analisar o fato, pensando comigo mesmo:

- Como pode a corrida diluir os problemas mais difíceis?...

Foi quando um caminhão betoneira, mexendo concreto, quase parou ao meu lado. Na retenção do trânsito, em frente ao Shopping Via Brasil, eu sorri - achando que o fato era uma resposta velada à pergunta que eu acabara de fazer a mim mesmo:

- A corrida dilui problemas feito betoneira misturando concreto. Enquanto se corre, o olhar confunde os objetos (pessoas, carro, árvore, casa, chão e etc.) nas ilusões de ótica; o otimismo invade a quem o percebe sem entender como isso acontece... É que tudo perde a identidade individual. Tudo se mescla e integra um só elemento. É nessa hora, aparentemente confusa, que a mente descobre as soluções mais simples para os problemas da vida. É quando os problemas e as soluções se apresentam ao mesmo tempo, e se neutralizam, no universo indistinto das imagens difusas. Enquanto se corre, o mundo é uma betoneira sem limites circundada pela ilusão azul do céu...

Enquanto eu corria, o céu azul estava ali. Ele abrigava passarinhos graciosos, pipas coloridas, urubus de voo sereno, nuvens robustas e um avião que vai para New York... Cada uma dessas coisas aparentando serem objetos distintos, mas não eram, pois eu estava em movimento, vendo tudo se mesclar no meu entorno - otimista e diluído num universo indescritível...

Voltei!

Abraços!
Bira.


Amigos!

Recortes, montagens e colagens de imagens foi a forma que eu encontrei para ilustrar BiraNaNet, principalmente este ano. Obtive resultados que surpreenderam a mim mesmo. Selecionei alguns abaixo:
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DNA de Corredor - medalhas e camisas de corrida

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- da postagem Arte com Medalhas (junho), onde preparei instalações com medalhas e fotografei: http://www.birananet.com/2013/06/arte-com-medalhas.html

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Retalhos - Os recortes de fotos provocaram movimento de corrida

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- da postagem Colcha de Retalhos (julho), onde eu recortei três fotos em quatro partes cada, fiz a colagem e criei o gif animado. Achei que obteria um movimento circular, mas obtive movimento de corrida: grata surpresa!: http://www.birananet.com/2013/07/colcha-de-retalhos.html

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Cris Heberle - Montagem simples nas fotos enviadas pela própria

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- da postagem Mulheres que Correm Sorriem Mais (Parte II) (junho), não precisei usar de muito artifício além dos belos sorrisos das corredoras:
 http://www.birananet.com/2013/06/mulheres-que-correm-sorriem-mais-parte.html

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Saudade do Adriano - A foto do Adriano (recorte) foi clicada por ele próprio enquanto corria ao meu lado e deu um sorriso.

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- da postagem Arte com Amigos (junho), produzi gifs animados, homenageando três amigos corredores. Entre eles o saudoso Adriano, que partiu deixando um buraco no peito de seus companheiros: http://www.birananet.com/2013/06/arte-com-amigos.html

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Crianças de Goiabal - Colagem simples de imagens filmadas sobre fotos.

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- da postagem Desafios de Setembro (agosto):
http://www.birananet.com/2013/08/os-desafios-setembro.html

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Quatro Mulheres - Montagem com imagens colhidas na internet

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- da postagem Quatro Mulheres Curtas (janeiro), com quatro crônicas sobre mulheres. As imagens são relacionadas aos textos. Pinceladas de Van Gogh fazem a vez de cabelos da mulher :
http://www.birananet.com/2013/01/quatro-mulheres-curtas.html

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Sonho de Corredor - Montagem com imagens da largada da São Silvestre

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- da postagem Sonho de Corredor (outubro), recorte de foto sobre filmagem da largada em gif :
http://www.birananet.com/2013/09/sonho-de-corredor.html

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 Filme: Entrevistando os últimos colocados durante a Corrida de São Sebastião

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- da postagem Nossos Maravilhosos Últimos Colocados (janeiro), agora uma filmagem na corrida de São Sebastião que tem um final comovente, na chegada dos últimos corredores :
NOSSOS MARAVILHOSOS ÚLTIMOS COLOCADOS


As imagens são vitrines, são complementos de texto, são compilações, são resumo ou são a peça principal de uma postagem. "Valem mais do que mil palavras", disse Confúcio, 470 a.C, quando era impossível imaginar a invenção do Smartphone.

BiraNaNet está repleto de imagens, confira!

Abraços!
Bira.
Amigos!

A pouco eu estava dando uma geral no quarto quando encontrei esse texto que reli e dei boas risadas. Escrevi-o em 2009, para cumprir uma lição do curso de férias: "Como Falar em Público".

Produzir e ler um texto com assunto diverso era a lição do dia. Escolhi escrever sobre o próprio tema do curso. Criei uma personagem - a Palestrante - que cometeria todos os erros cujo curso aponta... Achei que ficaria engraçado... Creio que ficou!... Segue um pouquinho de humor:



Unidos da Palestrante

Até hoje não sei se o vermelho irradiado pelo rosto da palestrante foi causado pelo reflexo de seu vestido ou produto de uma exagerada exposição ao sol.  Exagerada no sol, no carmim do vestido, do batom, dos penduricalhos: pulseiras, colares e brincos... E que brincos!... A julgar pela cor, lembravam mini lantejoulas chinesas - acesas é claro!... A julgar pelo ruído, lembravam os sete sinos da felicidade. Não menos discretos, os colares balançavam inquietos, entre a pujança dos seios contidos e fartos... Estariam "fartos" os seios daquela mulher? Estariam fartos do aprisionamento que lhes fora imposto? Afogados no sutiã e sustentados pelo espartilho, clamavam por socorro. Era um grito surdo, sensual e agonizante, que escapava do decote. Era um grito que se ouvia com os olhos... Esses meus olhos!...

Não sei se ela levantou o braço para ajeitar os cabelos ou para exibir a frase "Deus é Fiel" ali impressa. Acho que era isso que estava escrito ali - não deu para ler direito, me desculpem... Deve ter sido os movimentos do braço que não me deixaram ler, ou seria o barulho das pulseiras?...

Nego-me a descrever aquelas pulseiras. Apenas sugiro às escolas de samba que adotem esse instrumento. Ou melhor, adotem essa palestrante. Façam isso pelos seus próprios bem. Acabem com a concorrência antes que ela se estabeleça. Antes que ela migre do auditório para a passarela e se denomine: Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Palestrante.

*     *     *

Escrita na hora, essa primeira parte da redação ficou curtinha. A segunda não tinha graça porque descrevia uma palestrante de comportamento correto - pessoas corretas não fazem rir... A leitura feita por um colega com voz de locutor divertiu a turma. A professora pediu cópia e sem querer me ofendeu, achando que eu teria copiado o texto de alguém e assinado, mas não deixou de pedir uma cópia que deve estar sendo usada até hoje para ilustrar seus cursos...

Quando encontrei esse texto me lembrei de um amigo que havia esquecido uma nota de cem, dentro do paletó, "achando" o dinheiro seis meses depois, quando menos esperava.

Abraços!
Bira.
Amigos!



Rolou uma promoção, rolou um passeio no parque e rolou um Desafio que fez rolar ansiedade... Assim foi setembro em BiraNaNet:

Ainda Rola o Sorteio

Pela primeira vez (espero que  a primeira de muitas) fiz uma promoção com duas inscrições para a Meia Maratona de Natal, que vai até o dia 10/10/13.

Rolaram os Gatos do Parque

Aproveitei o horário de almoço e, depois de muitos anos, entrei no Campo de Santana achando que o lugar ainda estava repleto de gatos. Descobri que a quantidade de felinos diminuiu muito ali, mas era preciso tomar cuidado com os gatunos.

Rolaram Três Posts no Desafio do Mês

Para finalizar, fui cumprir um desafio que eu mesmo me impus: escrever três postagens a partir dos títulos "Onde Estão as Flores?", "Sonho de Corredor" e "Quantos Anos Você Tem?"...

Em "Onde Estão as Flores?" eu saí com iPhone para tirar fotos e filmar as flores do bairro em que moro, às vésperas da Primavera. Lembro que quando saí de casa e pisei na rua, naquele sábado, olhei o panorama e pensei:

- Isso não vai dar certo!... Olha a M. que eu arrumei... Eu sou mesmo um maluco!...

Depois me acalmei, fui percorrendo o bairro, encontrando flores e situações. Rebusquei a história de Irajá, entrevistei o florista da feira e até criei o grupo "É Primavera" no Facebook e no final pensei de novo:

- E não é que deu certo!... Ainda bem que eu arrumo M.... Ainda bem que sou um maluco!...


Em "Sonho de Corredor" eu mantive contato com Elton Wander, corredor de Ibiporã - interior paranaense - e sua treinadora Adriana de Souza - vice-campeã da São Silvestre 2002. Por telefone, Facebook e e-mail, consegui colher os detalhes que colocaram esta postagem na quarta posição entre as mais acessadas de todo o blog.

"Quantos Anos Você Tem?" foi a mais difícil porque eu não conseguia executar as primeiras ideias que tive e quando vi, o mês já estava perto do fim e eu fiquei preocupado. Quando o Facebook me avisou do aniversário de dois grandes amigos, recorri aos seus argumentos para fazer a postagem e cumprir o desafio.

Link para Postagens de Setembro: http://www.birananet.com/2013_09_01_archive.html

O Que Fazer em Outubro?

Em outubro quem rola é o rolo de pintura: vou pintar as paredes da minha casa nos finais de semana. Mesmo assim, pretendo passar na Ultramaratona Rio24h Fuzileiros Navais, dias 5 e 6 de outubro, no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), onde alguns amigos estarão competindo. Então não tem desafio... Vai ser mesmo o que pintar na ideia ou na parede!... Vamos ver!

Abraços!
Bira.
Amigos!

DESAFIOS DE SETEMBRO: PARTE III - QUANTOS ANOS VOCÊ TEM?

Na 3ª e última parte do desafio, recorri a dois grandes amigos aniversariantes. Ocultei seus nomes atrás dos números que correspondem às suas idades, expus suas ideias e escapei do labirinto...

Montagem com imagens de internet recortadas, editadas e sobrepostas com Gimp - Bira.


Os aniversários de meus amigos vieram a calhar!...

Eu precisava fazer esta postagem até o fim do mês. Escrever a partir do título: "Quantos Anos Você Tem?", mas não conseguia imprimir qualquer ideia. Os dias estavam passando e o mês preste a acabar, fluindo como grãos de areia na ampulheta ou filete d'água na bica... Só não fluía o texto e desse jeito eu perderia o prazo!

De repente, surgiu um insight!... Percebi que eu me preocupava muito mais com tempo diminuto, do que em realizar a tarefa. "É isso - pensei - Estou pressionado feito alguém de idade avançada que tem medo da morte e por isso não vive!" Sem querer, entrei no labirinto de meu próprio cérebro. Fiquei Rodopiando perdido nos seus corredores sem encontrar a saída, ouvindo um eco incansável, constante e agonizante: "Quantos anos você tem?... "Quantos anos você tem?... "Quantos anos você tem?..."

Ainda bem que o Facebook me avisou do aniversários de dois grandes amigos... Eles iriam me salvar!... Entrei em contato com os dois. O primeiro fazia 66 e o segundo 58 anos e é assim que eles serão nomeados: "Amigo 66" e "Amigo 58" - aqueles que vão me tirar do labirinto!

Recorrendo ao Amigo 66

- Chega aqui, companheiro!... Me diz uma coisa: Como é chegar aos 66 anos? Você já pensou em quanto tempo que ainda tem pela frente?  Me fala um pouco das limitações e compensações dessa idade?... - desferi-lhe o bombardeio de perguntas.

Meu Amigo 66 tomou fôlego... E para falar de limitações, lembrou-se de seu saudoso pai, que aos 70 anos utilizava a expressão "decrepitude física" para descrever as dificuldades que tinha para se cuidar. A expressão adormecida na memória ressurgiu em insonora voz paterna quatro décadas depois.

Ao contrário do pai, meu Amigo 66 pode se cuidar e trabalhar perfeitamente. Está ciente de algumas limitações, mas valoriza as compensações da sua idade:

- Evito pensar em quanto tempo terei de vida... Adquiri sabedoria ao refletir sobre tudo que aconteceu comigo e ao meu redor... O tempo traz a velhice, a sabedoria vem da reflexão... Receber o carinho de pessoas que nem te conhecem é uma das compensações, por exemplo: quando alguém cede o lugar no metrô, eu percebo que ainda existe respeito pelos cabelos brancos.

Meu Amigo 66 desprezava as redes sociais, achando que ali só havia futilidade. Quando a Revolta do Vinagre (jun/13) tomou conta do Facebook não teve jeito: Ele voltou a respirar política, desta vez no ambiente virtual. Aos 66 anos, ele resgatou um militante que hibernava. Aos 66 anos, ele descobriu que muita gente fazendo política intensamente. Aos 66 anos, ele saiu do ambiente virtual e foi rever companheiros militantes de outrora, participou de reuniões e manifestações pelos direitos humanos. Aos 66 anos, meu amigo voltou a acreditar e para me responder à pergunta: "O que mudou em você?", fez a comparação:

- Quando eu era mais novo pensava que através da atuação política o mundo mudaria para melhor em um prazo mais rápido. Hoje, ainda penso que ele mudará, mas em um prazo muito mais longo... Mas adoraria queimar a língua!

Recorrendo ao Amigo 58

Meu Amigo 58 me respondeu por e-mail. Retalhei seu texto e remontei em três blocos, mas tive o cuidado de preservar seu pensamento, veja:

SubjetivIDADE:
"Idade é coisa subjetiva traduzida nos documentos e formulários...  Não penso em envelhecimento como perda ou limitação. Hoje, aos 58, faço coisas que não fazia aos 20 - para tudo há compensação... O melhor período de minha vida foi entre os 30 e 45 anos. Muitas transformações, quereres, fazeres e o ápice da fase mais criativa. Isso foi muito bom para a base que cultivo hoje...

IntensIDADE:
"Minha geração é diferente da atual... Fui criado dentro de critérios rígidos. O respeito aos mais velhos era forte e rigoroso, me fazendo pensar que eles estavam muito distantes de mim. Hoje, faço atividades com meus sobrinhos - o que antes distanciava, agora aproxima. O respeito se associou ao bem-querer e não ao impor. São sete sobrinhos-netos criados de forma bem diferente...

PersonalIDADE:
"Quando criança pensava que não passaria dos 30 - o que me parecia uma idade bastante avançada. Não queria ser grande para continuar usufruindo as vantagens de ser criança. Sempre tive um enorme senso de auto-sobrevivência..."

Ao fechar esse e-mail, percebi que já tinha uma postagem. O labirinto se desfez e eu estava pronto para outra, na fluência de meus 54 anos de vida!... E você?... 

Quantos anos você tem?

Abraços!
Bira.
(...) "Quando entrei na Avenida Paulista, em 2000, com as motos ao meu lado e vi o povo gritando, correndo junto nas calçadas, tudo parecia um sonho! Foi meu momento de maior emoção!" - Adriana de Souza. (...)

DESAFIOS DE SETEMBRO: PARTE II - sonho de corredor

Ufa!... Eis a 2ª parte do meu desafio, trazendo um pouco da história de Elton e sua grande treinadora...
Elton sonha correr sua 1ª São Silvestre este ano. Eu sonhei com ele no pódio e fiz esta montagem...
(...) Dobrei uma esquina e (Aleluia!) fui surpreendido por  buganvílias coloridas que se atiravam sobre um muro em direção à calçada. Parei para filmar a beleza para depois seguir mais animado (...)

Girassóis, aprisionados no chão de asfalto e concreto, surpreendem quem passa na Rua Licínio Barcelos.

Onde Estão as Flores?


Amigos!

Promessa é dívida e, às vésperas da Primavera, saí para cumprir o Desafio de encontrar flores no meu bairro...

Desafios de Setembro: Parte I - Onde Estão As Flores?

"Se o sol estava forte, fazendo as cores saltarem como peixe em corredeira, deveria haver flores nos canteiros e jardins de Irajá." - era esse o pensamento que me movia:

-- Pois então, que surjam flores inusitadas! Vítimas de mim - um caçador que dispara clicks pelo Smartphone, que tem como zoom apenas a extensão de seu braço!

Eu era um pretensioso caçador de matizes a dobrar esquinas com olhar apurado, mas vi, de cara, que a tarefa não seria fácil - as flores não costumam brotar em chão de concreto:

Às margens do Metrô há terreno de sobra para cultivo de flores, 
Mas o que se vê é lixo descartado pelos próprios moradores... 

...Volta e meia alguém despeja pneus e outro alguém ateia fogo. É quando a fumaça preta se espalha, penetrando nas casas e nos pulmões, impregnando as roupas estendidas no varal.


Flores tímidas de um espinheiro ou da planta resistente à fuligem da beira da estrada - Bira, 2013.

É preciso ter olhos de lince para encontrar flores nas vias principais de Irajá. Percebê-las na singeleza de um canteiro carente, feito apenas para impedir o estacionamento de carros na calçada. Canteiros para onde os automóveis atiram garrafas pet e lama, e o vento, sacos plásticos e jornais amarelados:

Como sofrem as florezinhas empoeiradas,
De vida breve e existência ignorada!

Desisti das ruas principais e me enfurnei onde os ônibus não passam. Penetrei com olhares indecorosos nas entranhas das casas do subúrbio. Fertilizei a minha memória e retornei ao tempo do chão de terra, do quintal de mangueiras, cajazeiros, jaqueiras, goiabeiras e bananeiras. Espaço fértil onde bailavam peões e bolas-de-gudes, zunindo e triscando, para o espanto da galinha que fugiu do cercado. Mas muito tempo passou e as famílias cresceram. As casas expandiram tomando todos os terrenos. O espaço acabou:

Hoje as crianças só dispõem de 17 polegadas para brincar, na tela dos computadores...
O que dizer então de quanto dispõem as flores?...


Buganvílias atiram suas flores nas calçadas de uma casa na Rua Coronel Leitão - Bira, 2013.

Dobrei uma esquina e (Aleluia!) fui surpreendido por  buganvílias coloridas que se atiravam sobre um muro em direção à calçada. Parei para filmar a beleza para depois seguir mais animado. Na Rua Licínio Barcelos havia dois girassóis sorrindo para quem passasse. Captei suas imagens e continuei cruzando grande parte do bairro sem maiores surpresas. Tive a ideia de tirar fotos da Igreja de Irajá ornamentada para um casamento, mas sua porta secular insiste em permanecer fechada: Desisti:

Se não vou na igreja não irei, ao lado, no cemitério,
Os dois locais de ofertórios das flores por casamento, morte ou batistério...

Continuei pelas ruas onde é parca a cultura de flores. Cruzei com pessoas que têm parca cultura de flores ou sequer tiveram escolha entre ornar suas casas ou seus estômagos. Atravessei a Avenida Brasil e perambulei em vão pelo antigo conjunto de casas, que finda em um matagal com acesso à Rodovia Presidente Dutra. Ali, flores azuis tentavam emprestar beleza e cheiro ao local, mas a visão e os olfatos humanos só percebiam o negrume e mau-cheiro de um rio poluído:

...Aprisionaram ou protegeram as flores atrás da cerca na estrada?
Do outro lado os porcalhões expelem mijo e palavras escarradas...


A estátua de São Cristóvão próxima ao Trevo das Margaridas, Avenida Pres. Dutra, ornamentada por flores - Bira, 2013.

São Cristóvão está em Irajá, sustentando o menino Jesus em seus ombros de bronze. Ornado por palmas coloridas no início da Dutra, limite atual do bairro que já foi a Sesmaria Ira-ia-já (o mel que brota) nome dado pelos índios. Há 400 anos, as terras de Ira-ia-já se estendiam de Benfica a Campo Grande. Foi daí que o subúrbio carioca floresceu. Agora o bairro tem 100 mil habitantes e segue ilhado entre seus próprios fragmentos: Vista Alegre, Coelho Neto, Vaz Lobo e outros mais:

...Deparei, há quatro séculos, com mel e flor que brota em Irajá,
Mas foi Gilberto Gil que propôs na sedução de um Reggae:
"Vamos Fugir" pra lá? 




Mesmo que você não as veja, as flores estão sempre ali. Na sua lapela ou nos seus cabelos; em sua casa ou no seu bairro elas têm lugar. Essas flores invisíveis aguardam pacientes, um desabrochar que ocorrerá primeiro em sua mente, depois em seu entorno. Pois um coração florescido se espalha feito Ira-ia-já, que deu à luz tantos bairros cariocas:

... Aproveita que é Primavera e desvenda a flor que te espera!

Abraços!
Bira.



Amigos!


As Estações se revezaram no tempo, fazendo com que a velhinha alimente gatos e ignore gente.

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Com o pensamento de que seria boa ideia retratar os gatos do Campo de Santana, passei lá na hora do almoço. Fazia anos que eu não ia ao local onde pensava estar repleto dos felinos. Na hora do almoço, o sol castigava quem não se abrigasse sob as árvores. Em princípio, vi pouquíssimos gatos e pensei: "... Mas o parque é imenso... Eles devem estar escondidos ou espalhados". Escondi e espalhei minha decepção tirando fotos, a começar pelas Quatro Estações - estátuas de mármore que circundam o monumento central.

Avistei  uma velhinha magra se curvando para alimentar três gatos, ao lado da casa da Fundação Parques e Jardins. Aproximei-me dizendo "boa tarde" e ela sequer reagiu. Pensei que fosse surda e repeti a saudação, aumentando a voz, umas três vezes. Cheguei a me curvar para entrar no seu campo visual, e nada: Ela sequer me olhou... Demorou um pouco para eu perceber que ela sabia que eu estava ali, mas não queria me dar atenção. Afastei-me logo que a percebi fugindo apressada e sendo seguida pelos bichanos, aprofundando, assim, minha decepção.

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   Patos selvagens e garças se expõem, enquanto gatos e gatunos se ocultam no histórico parque.

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Antes que o meu horário de almoço estourasse, abordei um vigilante e perguntei se ainda havia muitos gatos ali . Ele disse que sim, mas não tinha ideia de quantos:

- Melhor passar de manhã, quando os voluntários vêm alimentá-los - esclareceu - é quando os bichos aparecem. Mas a maioria deles já foi levada para o gatil da Praça Onze... - e continuou: - Os que sobraram estão espalhados pelo parque... Mas tome cuidado, não vá procurar gatos pelos cantos do parque ou vai ser assaltado.

- Então quer dizer que existe outro tipo de gato por aqui? - Fiz graça.

- Com certeza!... Se der bobeira eles assaltam em grupo... Aí, a vítima me procura pensando que eu sou guarda municipal. Eu explico que minha função é tomar conta do patrimônio e oriento procurar uma delegacia... Aqui tem roubo a semana toda!

Enquanto ouvia o vigilante, forcei os olhos e percebi alguns vultos camuflados pela distância... Estava explicado. Fiquei de voltar na manhã do dia seguinte, mas quando acessei à internet vi no Google que o assunto "Gatos do Campo de Santana" já estava muito batido e eu, muito desinformado.

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Mesmo assim voltei na manhã seguinte, quando meia dúzia de militares e bombeiros corriam pelas ruelas do local. Às 8:30 h já parecia ser tarde para encontrar os alimentadores de gatos, a não ser um senhor que ao invés de ração, colocava restos de comida para três filhotes raquíticos. Pensei conversar com ele, mas desisti - prejulgando que ele não teria muito a acrescentar.

Sobre o lago verde o céu se abriu esparramando raios de sol. Patos selvagem devolviam a forte luz, na brancura das penas que o lodo não conseguia macular. Surpreendentes e incontáveis garças desabrochavam como flores imensas nas copa das árvores... Tudo isso no Centro do Rio - um pedaço de verde em meio ao concreto. Local onde os gatos se escondem e os gatunos também.

Ainda pensei voltar, no dia seguinte, para ouvir um pouco da história de Seu Adilson, que tem setenta anos e há dez, alimenta os gatos abandonados... mas o assunto está batido (se lembra?) então vou ficar por aqui.

Abraços!
Bira.
Amigos!

ATENÇÃO: PROMOÇÃO ENCERRADA! 
SORTEIO 12/10/13! 

A segunda maior corrida do Nordeste já tem data e hora para acontecer: Será no sábado, dia 09 de novembro de 2013, às 16 horas, quando 6.000 atletas largarão na Meia Maratona de Natal. O evento tem percurso 100 % litorâneo, pelas vias turísticas da belíssima capital potiguar. Quem preferir  não encarar os 21 km poderá optar pelos percursos menores de 10 ou 5 km.

Conversei com Karley Pondofe da Unika Eventos, promotora da prova, que além de destacar a beleza local explicou que haverá Pontos de Torcida: "Em frente aos hotéis, familiares de corredores e turistas estarão incentivando os participantes..."

Karley ofereceu duas inscrições para sorteio aqui em BiraNaNet. Veja o regulamento abaixo da imagem:


Participe enviando e-mail para contato@birananet.com, com  nome completo, e-mail válido e telefone/celular para contato. Diga também qual o percurso que pretende correr: 5km, 10 km ou 21km?

Os dois contemplados deverão retirar seus kits no local a ser divulgado pelo site do evento.

O sorteio será realizado no sábado, 12/10/13, com as dezenas (últimos dois números dos prêmios) da Loteria Federal. Dessa forma, fica garantida a lisura. Os nomes e as dezenas dos participantes serão publicadas até a manhã do dia do sorteio e encaminhada pelos e-mails informados.

O link onde será publicado os nomes e números dos concorrentes é:
http://www.birananet.com/p/blog-page_3.html

Além disso, os sorteados serão comunicados por telefone ou e-mail e deverão encaminhar seus dados complementares para efetivar a inscrição até 16/10/13. Caso os sorteados não enviem seus dados serão substituídos na ordem do sorteio. Os seguidores do blog BiraNaNet concorrerão com o dois números no sorteio, bastando informar no e-mail que é seguidor do blog (para seguir, clique em PARTICIPAR DESTE SITE no fim de cada postagem).

Não custa ressaltar que este sorteio não inclui passagens ou hospedagem. Trata-se da inscrição acompanhada do kit da corrida.

Boa Sorte!
Bira.
Amigos!


No mês da Primavera vamos falar das flores, dos sonhos e do tempo.

Está decidido: a partir deste mês as coisas mudam por aqui! Já estou cansado de imaginar matérias para este blog e depois desistir de fazê-las! A falta de tempo, as limitações ou os poucos recursos são apenas desculpas... Então vou impor a mim mesmo alguns temas e depois dar o meu jeito de executar a postagem, criando desafios. Para começar, três temas:

1- Onde Estão as Flores?

Setembro pertence a elas e eu vou percorrer meu bairro para desvendá-las. O que são as flores para quem molha um jardim ou enfeita um vaso? As flores que curam, consolam e encantam. As flores que revelam outras flores de emoção. No jardim do coração a primavera se aproxima e invade BiraNaNet... Aguarde!

2- Quantos Anos Você Tem?

Desculpe a falta de educação, mas eu vou lhe fazer uma pergunta: Quantos anos você tem? Não é a idade cronológica que eu me refiro, o conceito é emocional... Pensei em fazer esse post em julho, quando completei 54 anos, mas agora ele vai ter de sair!... Vamos ver no que vai dar...

3- Sonho de Corredor.

Correr em Nova York, subir no pódio, bater seu próprio recorde, completar a meia ou a maratona inteira... O que move essa gente que corre?... Vou falar de sonhos, desde dos mais simples aos mais fantasiosos. Eles estão ali: grudados ou camuflados entre neurônios e endorfinas, nessa sopa que nos faz correr!..  Se você é corredor, vou precisar de sua ajuda: entre em contato comigo para falar dos seus sonhos. Escreva para o e-mail do blog ou o meu próprio: rezende3@gmail.com. Se preferir pelo Facebook, basta ver o meu perfil ao lado. Participe. Faça essa comigo, que vai ficar bacana!

São três temas, três desafios... E agora eu estou ferrado: as postagens vão ter de sair!...

Resumo das Postagens de Agosto:

BiraNaNet foi buscar no interior de Minas Gerais a comovente história do atleta Antônio Carlos de Carvalho, que se radicou em Roma, mas não esqueceu de sua gente. "Antônio, Boca e Coração" foi postado em três partes. Se você não leu, CLIQUE AQUI para a Parte I: "Correndo no Cemitério".

Dando sequência à séria "Um Longão em Cada Estado", BiraNaNet esteve em Goiânia e se juntou aos 20 atletas que correram pelo Parque Areião e Setor Marista, em uma mahã de sol e clima seco.

"Melhores Blogs de Corrida" - BiraNaNet lançou o blog que pretende ter os links para todos os blogs de corrida do Brasil e Portugal. De pouco em pouco, os links estão sendo exibidos e quem quiser dispor de uma grande variedade de blogs já tem seu local de consulta. Clique para o Resumo de Agosto.

Abraços!
Bira.
Amigos!


Corredores posam antes da largada: sol, calor e a baixa umidade do final de agosto goianiense.

Correr em Goiânia, nesse finzinho de agosto, não é tão fácil. O clima está seco e o inverno só figura nos calendários. As nuvens, que cruzam o azul do céu, desejam apenas exibir sua brancura. Orgulhosas e belas, elas não querem chorar sobre os os gramados dos parques goianienses. Então, a grama fica seca na cidade dos parques e modelo ambiental.

Amanheceu e o sol que despontou no planalto prometia aquecer bastante aquele sábado. O treinão estava marcado para começar às oito da manhã, melhor seria se começasse às sete, devido ao clima, mas quando pensamos nisso, já era tarde para trocar o horário. No Parque Areião foi montada uma barraca com apoio da Lince - Assessoria Esportiva, com água gelada, bolo e frutas, suficientes para os 20 corredores presentes e quem mais chegasse. Os macacos que habitam o parque, no entanto, não eram bem-vindos mas ficavam de ronda nas grades, esperando uma chance para roubar as frutas.



Nilo Rezende, corredor e blogueiro goianiense, me apresentou aos corredores locais, enquanto sua esposa Fernanda tirava fotos. Falei rapidamente sobre a importância dos treinos e longões, onde o contato entre os corredores é mais estreito do que nas grandes corridas. Disse que pretendo percorrer os estados, fazendo amigos e mostrando um pouco dos aspectos locais. Ganhei uma camisa do Grupo de Corrida Giramundo, entregue solenemente... O papo estava bom, mas a gente estava ali para correr!... Então foi dada a largada.

O forte calor encurtou o percurso para pouco mais de 5 km por volta, percorridos o entorno do do Parque Areião e passando pela movimentada pista de corrida da Avenida Ricardo Paranhos - onde as assessorias esportivas montam suas barracas e os corredores eram brindados com degustação de uma nova marca de picolé. Sendo assim, os atletas podiam passar várias vezes pela barraca de apoio e se hidratarem. Eu dei apenas duas voltas, já que estava lesionado, os demais deram três ou quatro voltas. Percebi espigões com quase quarenta andares brotando no entorno do parque e bloqueando, aos poucos, a visão do céu - na minha opinião: um crime ambiental... Mas apenas fotografei e segui em frente, enquanto o sol ainda consegue atingir a testa de quem rodeia o parque.


 Prédios imensos bloqueiam o azul do céu e se duplicam no espelho d'água do Parque Areião.

Lascas de melancia tão doce quanto o mel era o maná predileto de quem acabou de correr. Histórias de corrida eram trocadas feito figurinha, algumas carimbadas, como a de Silvio Caetano, 42, que em cinco anos de corrida perdeu 20 kg de peso excessivo e completou este ano a Meia Maratona do Rio com 1:26:32 h. Enquanto isso, a temperatura subia afastando os praticantes de esporte daquela área. De pouco em pouco, todos se despediram com a promessa de se encontrarem em Brasília, quando "Um Longão em Cada Estado" ali chegar.


Conhecendo o Memorial do Cerrado

Com apenas 80 anos de fundação, Goiânia mergulha fundo em sua história no Campus da PUC Goiás. O Museu de História Natural exibe fósseis de até 600 milhões de anos. Árvores petrificadas e a evolução da vida e do homem. A flora e a fauna do Cerrado estão ali. Fora da parte coberta, a viagem continua no Memorial do Cerrado - um museu cenográfico e vivo. Caminhei pela vila cenográfica do Brasil Colonial, adentrei na aldeia indígena e observei no quilombo, um escravo, mantendo vigília na guarita coberta de palha. Dois bois imensos movimentam a moenda, produzindo garapa que virava rapadura nas bocas das crianças. Vestidas de estudante, elas visitam diariamente o memorial, absorvem cultura e passeiam pela Trilha Ecológica da Semente Peregrina.


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Naquela tarde de sábado ocorria a Jornada da Cidadania, que oferecia cultura, folclore e serviços gratuitos à comunidade. Índios do Xingu eram as estrelas da festa e faziam pinturas nos visitantes... Não foi a toa que o Memorial do Cerrado já foi eleito o local mais bonito de Goiânia.

Longões Pelos Estados

Este ano ainda pretendo realizar, pelo menos, mais uma etapa da série de 27 longões. Quem não tem patrocínio não pode ter pressa e é esse meu caso. Agradeço pelo covite do amigo Nilo Resende e sua esposa Fernanda (blog: Companheiros de Corrida) para correr em Goiânia. Agradeço à Lince - Assessoria Esportiva, ao Grupo de Corrida Giramundo e os todos os corredores do treinão.#






Abraços!
Bira.
Amigos!

Crianças goiabalenses lançam olhares de desejo sobre os troféus da corrida... Que impacto pode ter esse dia em seus futuros?


Foram três horas de ônibus no trajeto de Belo Horizonte a São José do Goiabal. O barulho abafado do motor e da fricção dos pneus no asfalto, era canção de ninar. Dormi, enquanto era fim de tarde e o sol se recolhia, acordei à noite e deparei com a escuridão da mata. Liguei a luzinha de leitura, do teto do ônibus e peguei papel e caneta para descrever a cena:

"O céu da noite mineira era um papel de parede onde as nuvens pareciam ser milhares de ovelhas. Em meio a este rebanho, uma metade de lua procurava brechas para aspergir seu brilho. Mas a fraca luz do pedaço de lua não conseguiu revelar toda a brancura das nuvens-ovelhas. Seu brilho humilde projetava nelas uma tonalidade opaca, cor-de-fantasma-flutuante... 
"Enquanto as nuvens-ovelhas-fantasma dormiam, o pedaço de lua se exibia para os olhos de Minas Gerais.
"Na janela do ônibus que risca uma estrada de subidas e curvas, o olhar humano se adapta, enxergando no quase escuro. Uma casinha distante parece perdida na mata escura, onde alguns pontos de luz são semelhantes às poucas estrelas visíveis no céu..."

Mas foram as fortes luzes do ônibus se acederam pondo fim ao meu devaneio poético... Às oito e meia da noite, eu chegava na pequena Goiabal, onde Antônio Carlos, seus familiares e o italiano Giuseppe Giampaoli me esperavam. Apesar da corrida programada para o dia seguinte, conversamos até meia-noite na praça principal.


A Corrida

Antônio ordena a largada na corrida das crianças de São José do Goiabal


Gostaria de ter os olhos e mentes daquelas crianças para falar da grandeza oculta na pequena Corrida de Goiabal. Queria saber que impacto o evento exerce sobre elas, já que não tenho o talento de um semeador como Antônio Carlos de Carvalho. Este sim, parecia entender o que aquilo representava de fato. Capitaneou os 40 menores em uma volta de 100 metros no quarteirão. Alguns correram descalços, provavelmente não tinham tênis de marca, apenas marcas nos pés. Enfiei-me no meio, tentando captar os movimentos e a emoção da criançada, mas foi tudo muito rápido - o que é bom dura pouco. No final, vi Giuseppe emocionado conversando com as crianças e filmei a cena.





A seguir, foi feita a largada dos adultos. Acompanhei a prova sobre a carroceria de uma camionete que partiu na frente, feito batedores. Havia poucos corredores vindos de João Molenvade e nenhum atleta adulto de Goiabal - o que me fez perceber o tamanho do desafio de Antônio em implantar o esporte na cidade. O grupo de corredores despertava atenção pelas ruas e ladeiras da pacata cidade. Por duas vezes, a caminhonete ficou ligeiramente emperrada, devido a um carro mal estacionado ou uma carroça que cruzava, atrapalhando os corredores da frente. "Se é no Rio, o pessoal iria espinafrar a organização..." - pensei comigo. Mas ali, ninguém era tão exigente, queriam apenas correr ou competir sem stress. A corrida terminou e eu não anotei o nome dos vencedores porque todos venceram: Antônio, Giuseppe, seus amigos da ACORP-Molenvade, as crianças de Goiabal e toda cidade que ainda ignora o evento. O prêmio não tinha apenas formato de medalha ou troféu, mas a arquitetura da Casa de Miguel Sanches* - sede da ACORP-Goiabal, em construção, onde os corredores fizeram um lanche e receberam seus prêmios.


A Corrida dos adultos seguiu seu trajeto pelas ruas da pequena Goiabal e depois avançou sobre trechos de terra batida...



Mas o tempo também é corredor e quando olhei para o relógio já passava de meio-dia. Só dava tempo de tomar um banho e almoçar, antes do retorno ao Rio. Só então lembrei que lá na minha cidade, 20 mil corredores teriam acabado de participar da Meia Maratona Internacional, mas não sentia nenhum remorso por ter dispensado o mega evento para prestigiar Antônio e a Corrida de São José do Goiabal.#

*nota: Miguel Sanchez foi um maratonista argentino, vítima da ditadura, homenageado por Antônio, veja o vídeo:


- Link para conferir as três postagens desta série Antônio, Boca e Coração!: 
http://www.birananet.com/search/label/Antonio%20-%20Boca%20e%20Cora%C3%A7%C3%A3o







Abraços!
Bira. 
Amigos!

E Antônio Carlos retornou ao cemitério para correr todas as madrugadas. Quando lhe restavam apenas 15 dias de aluguel pago, desesperado e ainda sem trabalho, foi caminhar pelo Centro de Roma. Parou próximo à Embaixada do Brasil e entrou num bar, reduto de brasileiros que residiam na capital italiana. Ali conheceu Brandão, mineiro de Governador Valadares, para quem expôs sua sorte. O pedreiro Brandão anotou seu telefone e disse:

- Estou para pegar um serviço entre hoje e amanhã. Assim que confirmar eu te ligo, pois vou precisar de ajudante.

Antônio encheu-se de esperança e, naquela noite, nem precisou resgatar o sono correndo pelo campo das almas. Seu coração verdejava depois de muito tempo e quando acordou, na manhã, foi realçar esse verde caminhando sobre a grama e entre as árvores de Villa Pamphilj. No imenso Parque, viu uma grande concentração de atletas preparando-se para uma competição. Seus olhos brilharam e suas pernas foram atraídas para o local. Sua boca ousada pronunciou, em péssimo italiano um pedido de participação na corrida, que foi aceito. Sem nenhum preparo específico além dos recentes treinos na madrugada, o brasileiro correu e chegou na terceira colocação.

Diz a frase que "Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar"... Sendo assim, o mesmo raio que em 1982 transformou Antônio em corredor da Santista, voltou a cair onze anos depois, em Roma: Impressionado pelo seu bom desempenho, Claudio Santini - vice-presidente da Roma Sprint - o convidou para integrar aquela equipe de corrida.

As coisas clarearam de vez dois dias depois, quando o pedreiro Brandão lhe ligou e, além de trabalho, conseguiu uma outra casa, onde Antônio dividiria o aluguel com moradores que não usavam drogas ou se embriagavam. Permaneceu trabalhando com Brandão até que Stephano Amadei, presidente da Roma Sprint e empresário da construção, o empregou.

- Foi aí que juntei o útil ao agradável - relatou Antônio - Voltei a ser atleta de ponta e transformei todas as premiações que ganhava em material esportivo, que enviava para a ACORP - aquela equipe que eu havia fundado em João Monlevade, pouco antes de ir para a Itália - explicou.


Corridas foram organizadas pela ACORP-Roma, na Itália, em prol das crianças de São José do Goiabal.



BOCA E CORAÇÃO

"Quem tem boca vai a Roma" e quem tem coração volta a Minas!... Assim que pôde, em 1995, o atleta voltou ao Brasil. Primeiramente para uma passar um mês e logo retornar - ainda não dava para ser diferente. Trouxe dentro de si o marido, o pai, o filho e o irmão - todos mortos de saudade, mas repletos de esperança. Trouxe também o amigo e patrono dos jovens corredores de João Monlevade. Com ele, veio o espírito de um mineiro aventureiro, que sai do interior em busca de oportunidade, mas que sonha um dia envelhecer na tranquilidade incrustada nos vales de sua terra. O mineiro que sonha jazer seu corpo, depois de velho e exaurido, no repouso infinito de um monte santo onde Padre Ermelindo faz minar, em seu túmulo, a água que cura, em São José do Goiabal.

A 192 km de Belo Horizonte, São José do Goiabal possui menos de 6 mil habitantes. Antes de chegar ali, pela BR 262, passa-se em João Molenvade com população doze vezes maior.


Dois anos depois, em 1997, retornou ao Brasil para levar esposa e filho pra Itália.

- Infelizmente, eu perdi quatro anos da infância de meu filho - lamenta, embora saiba que não teria outro jeito.

Assistido à distância, o grupo de corredores de João Monlevade continuou crescendo, até agregar 80 jovens e crianças, em 2003. Apesar de seu sucesso na Itália, ficou difícil mantê-lo sozinho. Bem relacionado, o brasileiro agregou italianos para fundar a ACORP-Roma - que recolhia material esportivo para enviar ao Brasil.

Visitando o Brasil, em 2004, Antônio Carlos fundou a terceira ACORP, em São José do Goiabal, cidade em que nasceu. Com menos de 6.000 habitantes, Goiabal não tinha nenhuma cultura esportiva, mas muitas crianças carentes. Comprou um terreno para a sede e tem planos bem maiores que as aspirações daquela humilde cidade: oferecer atividades complementares à sala de aula... Esporte, ambulatório pediátrico, refeitório e etc.

Em 2005, transformou a ACORP-Roma em ONG para possibilitar a adoção à distância, onde seus amigos italianos enviam 30  mensais para cada criança adotada, em Goiabal.

Em 2007, trouxe o amigo Giuseppe Giampadi e mais dois italianos ao Brasil para conhecer as crianças adotadas, o terreno e o projeto ACORP-Goiabal.

Em 2009, a irmã de Giuseppe se casou, em Roma, e não quis presentes. Aos invés disso pediu aos convidados da cerimônia que fizessem doações para iniciar a construção da sede da ACORP-Goiabal. Foram recolhidos 2.400  e a construção da sede começou no ano seguinte.

Em 2011, trouxe 10 italianos para conhecer o Brasil, ver de perto a construção da sede e participar com as crianças da Corrida de São José do Goiabal. 

Esse ano, não me lembro exatamente como, Antônio me convidou via Facebook para conhecer o seu trabalho, e participar da terceira edição da corrida. Abri mão da Meia Maratona do Rio, mas valeu à pena!... Aos 50 anos, Antônio Carlos de Carvalho não é apenas um dos atletas mais fortes na sua categoria, correndo 10 km em 36:08 min. Ele é um visionário e seus sonhos hão de se erguer bem acima dos montes que margeiam São José do Goiabal!

Continua na Parte III (final) - Reportando a corrida deste ano, em Goiabal...

- Link para conferir as três postagens desta série Antônio, Boca e Coração!: 
http://www.birananet.com/search/label/Antonio%20-%20Boca%20e%20Cora%C3%A7%C3%A3o









Abraços!
Bira.