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Treinão do Brasil... Que História É Essa?


Amigos!

Foi em maio de 2015, a dois meses da Maratona do Rio, que eu tive a ideia de juntar corredores de todos os cantos, em um treinão nacional. Eu estava lesionado e triste, sabendo que não conseguiria correr a maratona. Eu via as pessoas treinando felizes nas imagens do Facebook, mas não podia fazer o mesmo.

Em dado momento, tive a visão de que os corredores, das fotos, faziam o mesmo treino!... Só que eles não sabiam. Eu vi que, em um sem-número de cidades, todos saíam para treinar e não davam conta do imenso grupo que formavam. Imediatamente pensei: “Que tal ‘juntar’ essa turma toda, através de interação pela internet e fazer um grande treinão simultâneo do tamanho do Brasil?”

Pensei isso e fiquei eufórico, mas tive dúvidas se eu não estaria delirando. Imediatamente, liguei para três amigos perguntando o que achavam da idéia: Nilo Resende, de Goiânia; Jorge Ultramaratonista, do Rio; e Vannucci Jr, de Uberaba. Os três são corredores e blogueiros, e poderiam avaliar aquela ideia. Pois bem, meus amigos não só gostaram, mas disseram que eu poderia contar com eles no projeto.

Escolhi o nome Treinão do Brasil para que todos tivessem noção do tamanho do evento. Escolhi um tema: “Correr Pela Paz”, para que todos tivessem o mesmo sentimento. Imaginei que corrêssemos de branco e interagíssemos pelo Facebook (o WhatsApp ainda não era tão popular).

Falei com amigos de diversas cidades sobre a ideia. A aprovação parecia ser total. Um mês depois, eu postei neste blog: “ Vem aí o Treinão do Brasil! ” e marquei o evento para 20/09/15.
Meus amigos Nilo, Jorge e Vannucci Jr. divulgaram o evento em seus blogs também. O Treinão foi ganhando adesões. Em julho, na Feira da Maratona do Rio, encontrei meus amigos e distribuímos panfletos do Treinão. Quando 20 de setembro chegou, já éramos 47 cidades com 49 locais de Treinão. Totalizamos 2,5 mil corredores, de branco, pela paz.

Na maioria dos lugares, o Treinão foi um evento simples, composto por grupos pequenos ou médios. Em algumas cidades, no entanto, o evento cresceu e foi manchete em jornais, rádio ou TV. Alguns organizadores obtiveram apoio de prefeituras locais, com aquecimento ao som de música e palanque. Mesmo com essa pompa, a ideia do Treinão Simultâneo Pela Paz não foi esquecida naqueles lugares. Antes da largada, corredores de todo Brasil em grupos de qualquer tamanho, deram-se as mãos e compartilharam o mesmo pensamento. A seguir, todos largaram, de norte a sul de um Brasil que, até hoje, precisa de paz. Essa ideia também atraiu quem não corria e construiu uma bela história, descrita a seguir:

A CIDADE QUE NÃO CORRIA
(trecho da postagem: “Treinão Mobiliza Cidade do Paraná!”)

Quinta-feira, 13 de agosto de 2015, 9 h. da manhã.

 

(...) "Justamente quando eu ia tomar banho e me arrumar, recebi uma ligação pelo WhatsApp. No display, a figura de uma mulher loura, até então desconhecida e eu pensei: "Certamente é alguém querendo informações sobre TREINÃO DO BRASIL". Era isso mesmo, e a conversa se deu mais ou menos assim:

-- Bom dia, meu nome é Gislaine e eu sou de Sertanópolis, no interior do Paraná...

-- Bom dia, Gislaine... É sobre o TREINÃO DO BRASIL?

-- Sim... Eu já havia mandado uma mensagem mas não fui respondida...

-- Você deseja marcar um treinão na sua cidade - fui objetivo, para não me atrasar na chegada ao trabalho.

-- Até quero -- respondeu Gislaine: -- Mas aqui na minha cidade eu sou a única pessoa que corre.

-- Como assim? Arguí intrigado -- Ninguém mais corre na sua cidade??

-- Sertanópolis é uma cidade pequena, 17 mil habitantes, fica a 47 km de Londrina. A população não tem esse hábito.

-- Mas você corre sozinha?

-- Corro. Às vezes me junto a amigos de cidades próximas. Fora isso, estou sozinha...

Enquanto Gislaine falava eu pensava comigo "E agora, Bira?..." Mas a resposta veio rápida, e não poderia ser melhor:

-- Gislaine, marque o treinão mesmo assim!... Não importa que esteja sozinha no dia 20 de setembro, pois você estará correndo com milhares de corredores em todo Brasil, naquele momento. Muito embora eu acredite que você não estará sozinha... Outras pessoas aparecerão para correr ou caminhar contigo!

Parecia ser justamente a resposta que a Gislaine queria ouvir, e falou:

-- Eu posso marcar e convidar corredores das cidades próximas, não é mesmo?

-- Claro!... Reforcei: -- Mas mesmo que você esteja sozinha no dia, isso será positivo. É que nós estamos pedindo para os corredores tirarem fotos e filmarem todos os treinões. No final, vamos fazer um grande filme com as imagens recebidas de todo o Brasil... Se você aparecer sozinha neste filme, em contraste com as outras cidades do Brasil, Sertanópolis pode despertar e começar a praticar esporte.

Dito isso, Gislaine mandou que eu marcasse o local de largada do Treinão. Anotei seus contatos e nos despedimos. Voltei para o computador e, mesmo apressado, compus uma imagem com a foto de Sertanópolis e a descrição: "Bem-vinda Sertanópolis ao TREINÃO DO BRASIL!...". Marquei a foto que foi para o perfil da Gislaine, no Facebook. Tomei banho e, finalmente, fui trabalhar.

Durante o dia, percebi no smartphone que a imagem que postei estava sendo muito curtida e comentada. Notei que era muito compartilhada e fiquei curioso: "Será que os amigos de Gislaine aderiram à ideia e estão apoiando?". Somente à noite veio a resposta, pelo WhatsApp:

"Boa noite, Bira... Aqui em Sertanópolis está sendo surpreendente! Jamais esperava pelo apoio que estou recebendo! Já fechei com a polícia, consegui ambulância, enfermeiros e médicos... Consegui água e para completar, 150 camisetas brancas escrito PAZ. Essas camisas serão sorteadas entre os participantes..."

Li sua mensagem e pensei: "Como assim?" Fazia menos que dez horas que Gislaine havia ligado e descrito que corria sozinha, no interior do Paraná. O que estava acontecendo era um verdadeiro milagre!... Então lembrei de frases que escrevi na postagem "
O Espírito do Treinão do Brasil": "O pensamento é o corredor mais veloz que já existiu. Milagres acontecem por causa disso: Muda-se o pensamento e tudo se transforma, automaticamente". Não demorou e o que escrevi estava acontecendo de fato! ”
*          *         *
Concluindo a história: Sertanópolis, reuniu centenas de pessoas em suas ruas para correr, pedalar e caminhar, pela primeira vez, no Treinão do Brasil 2015!

Um close na felicidade de Gislaine, correndo nas ruas de Sertanópolis PR, no Treinão do Brasil de 2015.

Em 2016, o Treinão do Brasil não alcançou o mesmo sucesso. A mobilização foi menor e optou-se por fazer fazer um treinão de revezamento de 12 horas – das 6 h da manhã às 18 h da noite. Cada local do treinão escolheu um intervalo de hora para treinar. Alguns locais correram na mesma hora, geralmente de manhã. Devido ao calor, os horários da tarde foram cobertos por alguns “heróis”. Mesmo assim o Treinão contou com a participação de um grupo de corredores em Roma – Itália, que deu a largada às 5h (horário de Brasília) enviando mensagens pelo Messenger.

Ano passado não houve treinão, mas um grupo de organizadores manteve contato pelo WhatsApp e pediu que o evento voltasse. A expectativa, este ano, é que o Treinão do Brasil seja maior que o de 2015... vamos ver! ##


VEJA TAMBÉM:



O propósito é superar a marca de 2015, quando o Treinão do Brasil abraçou 49 cidades num total de 2,5 mil corredores

Treinão do Brasil já está em 21 Cidades!

Amigos!

Com apenas três dias do seu lançamento, o Treinão do Brasil já foi marcado em 21 cidades brasileiras (dados colhidos até 9h do dia 19/03/18).

Em 2015, o mesmo evento alcançou 49 cidades com um total de 2.500 corredores e foi destaque nos jornais de algumas delas. Este ano, a expectativa é de suplantar aqueles números.

O QUE É TREINÃO DO BRASIL?


Trata-se de um treinão de corrida simultâneo, agregando corredores de todo país. O tema deste encontro é Correr Pela Paz, onde os corredores se vestem de branco e, dez minutos antes da largada fazem um pensamento pela em prol da paz - geralmente de mãos dadas. Esta concentração ocorre no mesmo Instante (de norte a sul do Brasil) e a largada também é feita no mesmo momento: às 7 h (horário de Brasília).

O Treinão do Brasil não tem patrocinadores e é organizado pelos próprios corredores de rua. A interação, entre eles, se dá através do WhatsApp e redes sociais.

Qualquer corredor de rua pode organizar seu grupo e se inscrever para participar do Treinão do Brasil, totalmente de graça. Não é necessário formar grandes grupos de corredores, muito embora em algumas cidades o evento atinja muitas pessoas e obtenha apoio das prefeituras locais.

No mais das vezes, o Treinão do Brasil é feito por grupos pequenos e médios de corredores, que no somatório de todo evento pode atingir milhares. Sendo assim, o Treinão do Brasil tornou-se o maior treinão de corrida do Brasil. Um evento simultâneo e precursor da paz no momento que mais precisamos dela.

Em 2015, o Treinão do Brasil foi manchete em noticiários do rádio, TV e jornais, como na matéria O Popular, de Goiânia.

CONFIRA AS CIDADES ONDE O TREINÃO DO BRASIL JÁ FOI MARCADO!


COMO FAZER PARA MARCAR UM TREINÃO NA SUA CIDADE?

Não é preciso ser um líder de grupo de corrida para organizar um treinão local. Basta um pouco de boa-vontade e esforço para juntar meia dúzia de amigos habituados a correr ou caminhar. Escolha um local seguro para a prática. Isso já é algo que os corredores fazem frequentemente, só que desta vez estarão correndo simultaneamente com outros de todo Brasil. Além do mais, no dia do Treinão simultâneo do Brasil estaremos fazendo uma grande corrente positiva em prol da paz!

ATENÇÃO: data inicial do evento foi alterada para DOMINGO, 27 de maio de 2018, às 7 horas da manhã (horário de Brasília). 

Nosso evento é de todos corredores de rua do Brasil, que já estão conectados pelas redes sociais e WhatsApp. Os grupos se somarão formando um grande treinão nacional.

Se você deseja participar ou organizar o Treinão do Brasil em seu bairro ou cidade, escreva para:

rezende3@gmail.com ou envie uma mensagem pelo WhatsApp: 21 994449650.

Acompanhe este blog com as atualizações sobre o Treinão do Brasil e nos ajude compartilhando esta postagem.

Link do Evento Treinão do Brasil no Facebook:
https://www.facebook.com/events/1661679430581535/?active_tab=discussion


 Vestidos de branco, 2.500 corredores realizaram o maior treinão simultâneo da história, pela paz - acima, uma das imagens que promoveu o evento, em 2015.

O Treinão do Brasil Está de Volta!

Amigos!

Anota aí; o maior treinão simultâneo de corrida do Brasil, deste ano, teve a data alterada:

27 de maio de 2018 
(feriado nacional de Corpus Christi), 
às 7 horas (horário de Brasília).

Isso mesmo!...

Mais uma vez, seremos milhares de corredores em dezenas de cidades, de todo o Brasil, participando do MESMO treinão!

Faremos a largada no mesmo momento e nos comunicaremos pelo whatsapp e redes sociais. Trocaremos mensagens, fotos e transmissões ao vivo. Tudo isso com um único propósito de Correr Pela Paz!

Como ocorrerá o Treinão do Brasil?

Às 7 horas da manhã (em ponto!) de domingo, 27 de maio de 2018, dezenas de grupos de corredores de rua, preferencialmente vestidos de branco, darão a largada simultânea no Treinão do Brasil.

Dez minutos antes (ou seja: às 6:50 h) Eles darão as mãos - em círculo - e farão um pensamento coletivo pela paz.

Antes da largada, em 2015, corredores se reuniram em círculo no Dique Tororó, em Salvador BA.
É importante ressaltar que o Treinão do Brasil não tem caráter religioso. Ele agrega corredores de rua de todas religiões, bem como aqueles que não têm.

Também é importante esclarecer que o Treinão do Brasil não tem caráter político. Não pretendemos transformar o evento em manifestação. Somos corredores de rua e o que faremos é um grande treino, talvez o maior de todos os tempos, em grupos pequenos e médios. Nosso propósito é simples: Correr Pela Paz!

Amigos!

Nova medição no Ranking dos Grupos de Corrida do Facebook

Foi em maio de 2016 que o nosso blog teve a ideia de aferir a popularidade dos Grupos de Corrida do Facebook e criou esse Ranking.

Naquela época, os grupos Corredores de Rua e Viciados em Corrida de Rua disputavam a dianteira, seguidos de longe pelos Amantes da Corrida. Mas não demorou e o cenário mudou com uma arrancada espetacular dos Amantes (confira o gráfico). Em janeiro deste ano, ficou evidente que o grupo da santista Luciene Casanova ameaçava a hegemonia dos Corredores, do sorocabano João Batista.


O gráfico acentua a arrancada dos Amantes de Corrida, suplantando o crescimentos dos demais.

Nos últimos dois meses, a diferença entre Corredores e Amantes caiu de 16 para 3 mil membros, algo semelhante aos empates técnicos das pesquisas eleitorais. Pode ser uma questão de tempo para os Amantes consolidarem a virada... O tempo vai dizer e BiraNaNet vai divulgar qualquer resultado.

Posição Atual (09/03/18):
1º - Corredores de Rua: 137.401;
2º - Amantes da Corrida: 134.085;
3º - Viciados em Corridas de Rua: 96.147.

Enquanto isso, os Viciados em Corridas, do carioca Flavio Loureiro, continuou crescendo de forma mais lenta e beira 100 mil integrantes em um confortável terceiro lugar.

Verificamos, nesta aferição, que quase nada mudou a partir da quarta posição (confira aqui a medição de jan/18). Quando houver novidades abrangeremos as demais posições.

Caráter Recreativo

Como já foi ressaltado, o Ranking dos Grupos de Corrida do Facebook de BiraNaNet tem caráter recreativo. Também não é uma especificidade deste blog focado em crônicas de corrida e história de corredores. Entre outros, já tivemos a oportunidade de contar a história dos fundadores destes três grupos, os quais admiramos. Confira nos links abaixo:

João Batista - Corredores de Rua:
http://www.birananet.com/2016/06/corredores-de-rua-serie-grupos-do.html

Luciane Curi - Amantes da Corrida: 
http://www.birananet.com/2016/06/amantes-da-corrida-serie-grupos-do.html

Flávio Loureiro - Viciados em Corridas de Rua:
http://www.birananet.com/2014/01/o-rei-dos-treinoes-cariocas.html


Qual é o Limite dos Grupos de Corrida?

Em uma breve pesquisa na internet, verificamos que há grupos, com outras temáticas, que beiram a marca de um milhão de membros. Quando o assunto é Corrida de Rua, apesar do grande apelo comercial, apenas esses avizinham a marca dos 100 mil integrantes. Fica a pergunta a ser respondida nas próximas medições deste Ranking: Qual é o limite dos Grupos de Corrida? ##

>> Aproveite que está aqui e confira: 5 Crônicas de Corrida escolhidas de BiraNaNet >>


Abraços!

Bira.
Recorte de imagens da internet, com efeitos do Gimp.

Prepare-se! Você Vai Precisar da Corrida 


Amigos!

Prepare-se! 2018 chegou com tudo nos bares, nas esquinas e nas redes sociais. Um ano de conflitos, que só estão esperando o carnaval passar para fazer o seu desfile. A chapa vai esquentar muito mais que o asfalto onde você corre.

Prepare-se! 2018 vai provocar discórdia entre bons amigos nos bares, nas esquinas e nas redes sociais. É que um rio de dinheiro ficou represado e aguarda os vencedores da guerra "ideológica" para definir seu novo curso. O dinheiro correrá para os bolsos deles, num ritmo muito mais rápido que o seu "pace" de corredor.

Prepare-se! Em 2018, as ventanias de janeiro prometem se estender por todo ano. Filhotes de pássaros cairão das árvores, feito mangas verdes, que nos temporais cobrem o chão. Mas os dançarinos, provocadores das chuvas, no entanto, estarão muito bem abrigados. No fim da guerra, eles trocarão apertos com as mãos lavadas nas águas da tormenta, com a mesma tranquilidade que você lava sua camiseta suada.

Prepare-se! Em 2018 você vai precisar da corrida. Com ela em dia, você poderá sorrir ou trocar de assunto sempre que a chapa esquentar. Seja no bar, na esquina ou nas redes sociais. Você poderá ignorar os que querem lhe enfileirar nos conflitos que eles mesmo provocam. Você não se perderá dos amigos nos treinões da vida. Tampouco perderá os amigos que a corrida lhe deu.

Prepare-se!

Abraços!

Bira.
Correndo na Montanha, recorte e colagem com Gimp, Bira - 27-01-18.

No Dia em que Eu Corri na Montanha...


Amigos!

No dia em que eu corri na montanha, pude ver, lá do alto, o mar espelhando o céu. Uma infinidade de azuis invadiu os meus olhos enquanto o vento desceu das nuvens para me acariciar. Vi a espuma branca das ondas imitando o movimento branco das nuvens. No entorno da trilha, onde eu trotei, o capim criou olas agitadas pela brisa. O deslocamento não me permitiu observar a beleza de uma flor semi oculta na relva. Mas percebi o coletivo das flores espalhadas ao longo do caminho, então elas passaram a correr do meu lado... Foi incrível descobrir que as flores correm, expelindo polem e borrifando perfume! Foi surpreendente perceber que as borboletas amarelas piscam, feito vaga-lume, no abrir e fechar das asas de um voo imprevisível. Fiquei surdo no zunir de um vento forte e repentino, que abafou o piado dos pássaros. Mas eu sabia que as aves estavam por perto, saboreando sementes ou devorando insetos. Volta e meia, elas plainavam naquele vento e ficava fácil entender porque vivem cantando.



No dia em que eu corri na montanha, tive a recompensa por todo esforço que fiz, durante os anos que treinei na cidade. Foi assim que ganhei condições de subir a montanha. Disputando espaço com os automóveis, reivindiquei uma faixa de asfalto para treinar. Meu cenário era limitado pelos muros e paredes pichadas. Em alguns momentos, pelo viaduto sombrio onde um casal de mendigos dormia e se escondia do céu. Mais adiante, uma vitrine exibia flores sequestradas, talvez na montanha. Outras vitrines vendiam frascos de perfume extraídos de outras flores. Passarinhos assustados procuravam árvores para pousar. Borboletas dormiam, de dia, para se travestir de mariposas, de noite, e depois morrerem tontas de tanto girar em volta de uma luminária. Se os ventos da cidade assobiavam, era prenúncio de chuva forte, com possibilidade de enchente. Se a chuva caísse, terminaria mais um treino para mim.

No dia em que eu corri na montanha, é bem possível que eu não estivesse pisando ali. É bem possível que aquela montanha fosse fruto da minha imaginação. Um lugar ideal para correr e se encantar com o mundo, onde o azul não tem limites. Um descampado sem muros, paredes, coberturas e medos. O inverso do subúrbio da cidade onde eu nasci. Uma fuga, um abrigo, um trono no topo do mundo! É que a energia que flui na montanha repercute pela vida inteira. Pouco importa se o corredor ainda nem tenha, de fato, chegado até lá. Mesmo que ele suba a montanha no seu último dia de vida. A energia da montanha regredirá para o seu passado. E todo o passado se transformará, mostrando que não existe o impossível. E toda a história da vida do corredor valerá à pena, visto que lhe conduziu até a montanha!

No dia em que eu corri na montanha, justifiquei meu passado e num passe de mágica vi tudo mudar!

Abraço!

Bira.



Gif animado feito com recortes de imagens da internet - Bira, 24-10-18.

Amigos!

Tinha Uma Tarde Correndo Comigo...


Tinha uma Tarde correndo comigo, nas ruas da cidade,
Além de um sol solitário me plagiando, lá no céu.
Tinha um display digital de relógio, no meu pulso,
Pulsando os segundos, na cadência do meu coração.

Tinha Corrida no asfalto onde meus tênis passavam,
Rompendo os limites ou costurando os bairros!
Tinha um rio de felicidade atravessando o meu corpo,
Respingando otimismo à flor do meu chão.

Tinha uma Noite afoita por invadir o meu treino.
Tinha meu treino inquieto por penetrar na Noite.
Só faltava os postes acenderem e a Tarde se despedir,
Como se despedem os corredores na passagem de bastão.

Tinha uma sequência de postes demarcando meu caminho.
Tinha uma sequência de ruas me convidando para entrar.
Os faroletes dos carros, que iam, avermelharam meus olhos,
Os faróis de milha dos carros, que vinham, ofuscaram minha visão.

Tinha uma noite correndo comigo, nas ruas da cidade,
E uma maldosa topada pronta para me derrubar.
Tinha astros ocultos correndo, no anonimato do céu,
E um monstro de nuvem engolindo a lua na escuridão.

Tinha um sol brotando, a cada instante, nos mares do mundo,
Formando uma Manhã que corre pelo planeta sem parar.
Tinha uma possibilidade de recomeço ao nascer de cada dia,
E milhões de corredores que tomaram essa mesma decisão.


Abraço!

Bira.
Sonhos Que Correm, Imagem composta de recortes da internet, com Gimp - Bira, 15-01-18.

Meus Sonhos Também Correm!


Um belo dia, lá nos idos de 1985, eu sonhei em participar de uma corrida e fiz minha inscrição na Maratona do Rio. Até hoje não sei o que deu na telha, pois eu não era um corredor. Só vi o tamanho da encrenca ao me meter, entre seis mil atletas, na concentração.

Quando os 42 km de prova iniciaram, eu chorei de emoção. Chorei na largada o choro da chegada. Garanti logo o meu choro, pois minha chegada seria improvável... Mas falando sério, eu acho mesmo é que chorei porque me vi no meio do sonho!

Depois que as lágrimas secaram foi a vez do suor escorrer. Paguei com ele, o preço que pagam os sonhadores inconsequentes e derreti, feito picolé, no asfalto da cidade. Foram cinco horas e meia até concluir a corrida. A despeito do péssimo tempo, eu me tornei um maratonista, de cara!

O meu segundo sonho veio de imediato. Eu quis baixar o tempo de prova, meses depois, correndo em São Paulo. Só vi o tamanho da da nova encrenca, nos últimos quilômetros da maratona paulistana. Uma de minhas pernas travou. Tive que arrastá-la para completar a corrida, em pouco mais de 4 horas.

Embora eu só tivesse 25 anos, aquilo era o melhor que eu tinha para dar. Minha vida era tão dura quanto os tênis da época. Além do mais, eu treinava sozinho, sem saber direito o que fazia. Trabalhava de dia e corria de noite. Quando trotava, pelas ruas do subúrbio, eu era olhado com a desconfiança que olham para os loucos dos anos 80.

Mesmo assim eu tive um terceiro sonho, que se confundiu com a euforia, correndo sobre a Ponte Rio-Niterói. O monumento foi palco dos primeiros quilômetros da Maratona do Rio'86. No vão central, o meu espírito se uniu aos dos demais corredores: (Com gestos espontâneos, acenamos para os helicópteros da TV Manchete. Emendamos o trajeto aéreo com a extinta Perimetral. Depois cruzamos o Aterro e a ferradura da Enseada, em Botafogo. Entramos e saímos na Urca. Entramos e saímos nos túneis. Enfurnamo-nos na noite e na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Fizemos o retorno na altura do Posto 6. Quando entramos na Avenida Atlântica, rumo ao Leme, tivemos a certeza que concluiríamos a prova). Foi somente no corredor de chegada que cada corredor se desgarrou da união espiritual e assumiu sua própria identidade. Eu reassumi a minha e cruzei o pórtico com gestos de vitória. Estava pronto para sonhar de novo, mas a vida tem seus planos...

Por conta da vida eu parei e só voltei a correr 22 anos depois, acredite! O lapso de tempo só estancou em 2009, quando eu fiz 48 anos. Quando a Corrida retornou, ela ordenou que eu trocasse de roupas, de amigos, de lugares, de horários, de hábitos, de disposição, de propósitos e de direção. Só perduraram família, emprego e documentos.

Aqueles sonhos também voltaram e me levaram para correr nas montanhas, nos vales e nas praias. Meus tênis correram em muitas outras metrópoles. Quem me viu passar teve a chance de sonhar em correr também. Hoje mesmo, nas ruas das minha cidade, eu proferi convites para que todos viessem correr. Não precisei bradar uma só palavra, apenas o toc-toc dos meus tênis no chão, feito código morse, se fazia entender.

Agora, os meus sonhos correm para quebrar as barreiras entre os homens, que quando vistos parados até parecem desiguais. Imagina se todos os homens resolvessem correr e que fosse possível nunca mais parar. Rapidamente, acabariam as disputas de território, derrubando as fronteiras do mundo. É que eles correriam o mesmo caminho que se espalha em todas as direções. É que correndo, eles estariam espiritualmente unidos, acenando para Deus como quem acena para um helicóptero de TV.

Abraços!

Bira.



O Ranking dos Grupos de Corrida Voltou!




Amigos!

A primeira vez que BiraNaNet divulgou um Ranking dos Grupos de Corrida, no Facebook foi em 2016. Na época, também entrevistamos os fundadores dos três maiores: João Batista - dos Corredores de Rua, Luciene Casanova - dos Amantes da Corrida e Flávio Loureiro - dos Viciados em Corrida de Rua. Além disso, contamos suas histórias. Hoje, estes grupos continuam liderando, com sobras, mas houve mudanças de posição, entre eles.

Dezenas de outros grupos despontavam, como emergentes, a partir da quarta posição. O Ranking acompanhou o sobe e desce dos grupos e despertou curiosidade geral.

Hoje, um ano e meio depois, voltamos para conferir o que mudou... Quem subiu? Quem desceu? Quem surgiu? Confira, a seguir, os 20 mais populares:

Este levantamento inclui grupos de corrida com mais de 8.000 membros. Utilize os comentários do blog para comunicar qualquer omissão.

1- Análise dos Três Primeiros Colocados:


 CORREDORES DE RUA
1º lugar - Corredores de Rua, em junho de 2016 possuía 70 mil membros. Este mês, janeiro de 2018 = 134.540 (quase o dobro) e vem mantendo a dianteira.
Link: https://www.facebook.com/groups/670415156348578/



 AMANTES DA CORRIDA
2º lugar - Amantes da Corrida, em junho de 2016 tinha 53 mil integrantes. Este mês, janeiro de 2018 = 118.600 (mais que o dobro) e ultrapassou os Viciados.
Link: https://www.facebook.com/groups/126686910740530/



 Viciados em Corridas de Rua
3º lugar - Viciados em Corridas de Rua, em junho de 2016 agregava 68 mil corredores. Este mês, janeiro de 2018 = 94.000 (um aumento estupendo, mas não suficiente para manter a 2ª posição).
Link: https://www.facebook.com/groups/viciadosemcorridasderua/


Observe o gráfico e dos três primeiros:

De 05/2016 até 01/2018, os Amantes da Corrida deu um salto, mas os Corredores seguem firmes na dianteira. 


2- Os Grupos Emergentes:

4º lugar - Tubinaticos - Amigos da Vila Olímpica 
- novo no Ranking! membros: 25.509.
Link: https://www.facebook.com/groups/tubinaticos1/

5º lugar - Caçadores de Atletas
- subiu 16 posições! De 5.946 para 18.173 membros!
Link: https://www.facebook.com/groups/1021127647924946/

6º lugar - Atleta Michele Daniele
- subiu de 14.192 para 16.800. Caiu 2 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/1734487013452199/

7º lugar - Corrida Energia Vibrante
- subiu de 11.961 para 14.257. Caiu 2 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/356929897760179/

8º lugar - Corredores
- subiu de 11.916 para 13.885. Caiu 2 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/145394755509406/

9º lugar - Prazer em Correr
- subiu 14 posições! De 5.654 para 12.961.
Link: https://www.facebook.com/groups/prazeremcorrer/

10º lugar - Corredores Capixabas
- subiu 1 posição! De 10.504 para 12.078.
Link: https://www.facebook.com/groups/302757236407794/

11º lugar - Nike+ Run Club-RIO
- subiu de 10.811 para 11.484, descendo 1 posição.
Link: https://www.facebook.com/groups/264760153712668/

12º lugar - Correr Entre Amigos
- caiu de 11.673 para 11.417, descendo 5 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/correrentreamigos/

13º lugar - Guepardos Endorfinados
- manteve a 13º posição, subindo de 10.072 para 10.577.
Link: https://www.facebook.com/groups/503169739843799/

14º lugar - Sou Atleta
- caiu de 11.058 para 10.468, descendo 6 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/souatleta/

15º lugar - Loucos Por Corrida L.P.C
- caiu de 11.031 para 10.466, descendo 6 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/253975891293987/

16º lugar - #EuQueroCorrer
- caiu de 10.342 para 10.303, descendo 4 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/353636094809596/

17º lugar - Corredores de Brasília
- subiu de 8.236 para 9.743, descendo 2 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/corredoresderuaBSB/

18º lugar - Corredores do Rio de Janeiro
- subiu de 7.894 para 8.231, descendo 2 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/172311202806915/

19º lugar - Tarja Preta Runners
- subiu 3 posições! De 5.936 para 8.113 membros.
Link: https://www.facebook.com/groups/988516331191439/

20º lugar - Corredores Cariocas
- subiu de 7.358 para 8.036, descendo 3 posições.
Link: https://www.facebook.com/groups/corredorescariocas/

- obs. O Grupo Geração Saúde, que detinha o 14º lugar, com 9.097 membros, não foi localizado.

Avaliando os Grupos do 4º ao 20º lugar:

Boa parte deles manteve-se estagnada, aumentando muito pouco seu contingente e perderam posições por isso. Os grupos que mais ganharam adesões foram: Caçadores de Atletas (multiplicado por três!) e Prazer em Correr (que ficou duas vezes e meia maior!). Surpreendentemente, esta edição apresenta o Tubináticos, que já chega ocupando o topo com nada menos que 25 mil componentes.

Futuramente faremos novas apurações, extensivas a grupos de até 5 mil membros. Qualquer omissão pode ser citada nos comentários de rodapé, que corrigiremos mais tarde.

Lembrando ainda que este Ranking tem caráter recreativo, até mesmo orientador, para aqueles que utilizam os grupos para promoções ou troca de informação.

Para finalizar, preparei no link abaixo, uma seleção de Crônicas de Corrida que é especialidade de BiraNaNet... Clique na Imagem e confira!

Degustação BiraNaNet - clique!

 Clique e conheça um pouco do blog!









Abraço!

Bira.
Foto de Erivaldo Zim - fonte Facebook.

Um Corredor Passou por Aqui


- Pela memória de Zim, que propiciou tantos momentos inesquecíveis aos seus amigos de corrida.

Um corredor passou por aqui
Deixando respingos no chão
E um rastro de sorriso no caminho.

Ele foi naquela direção,
Pela estrada que termina
Onde começa a trilha da montanha.

Mas o corredor não estava sozinho.
Dezenas lhe seguiam
Correndo e sorrindo igual.

Todo o bairro, mesmo parado,
Seguia-lhe com os olhos.
E aí, todo bairro sorriu também.

Um corredor conduziu seus amigos
Pelas trilhas dos vales,
No meio da mata.

Fez que todos ficassem tranquilos,
E desvendassem as belezas
Da subida da montanha.

Fez que a própria montanha
Se sentisse amada e regada
Do suor que vem do encanto.

Mas todo encanto da mata
Não existiria se não houvesse
Corredores a observar.

É que o corredor consciente sabia
Que o encanto não existe sem olhos que o vejam.
Que o amor não germina fora dos corações.

Então, o corredor consciente chamou outros corredores,
Agregou outros olhos e outros corações
E revelou todo encanto, e promoveu todo amor!

Um corredor passou por aqui
Deixando respingos no chão
E um rastro de sorriso no caminho.

Ele foi naquela direção,
Pela estrada que termina
Onde começa a trilha da montanha.

Agora, o corredor vai sozinho,
Mas um dia seguiremos seu rastro
E nos sentiremos seguros, de novo, ao seu lado.

Obrigado Zim, por nos ter guiado em tantas trilhas e tantos treinões!



Abraços!

Bira.



Tênis de Chuva e Flores - Montagem com recortes de imagens de internet - Bira, 06-01-18.

Meus Tênis de Chuva

Amigos!

Meus tênis de chuva estão desgastados nas solas, têm marcas de atrito na entressola e puídos no cabedal. Eles também precisam de uma boa lavada que eu não tive tempo de dar. É que depois da última vez que corremos, só eu tomei banho. Já eles, ficaram embaixo de uma goteira para se livrar dos respingos de lama. Depois disso, secaram aos poucos e ganharam um cheiro de cachorro molhado. Feito um cão molhado, meus tênis de chuva nem entram mais em casa. Arrumei um canto para eles, do lado de fora, onde repousam dos treinos sem sequer latir.

Mas nem sempre foi assim...

Ainda lembro do primeiro dia com eles, novinhos, em minhas mãos. Suas cores brilhavam, dentro dos meus olhos, e seu leve cheiro de borracha sintética, feito perfume, invadiam meu peito. Acalentei-os, antes de experimentar sua maciez nos pés. A sensação foi tão boa que eu tive pena de estreiá-los na poeira do asfalto. Fiquei um bom tempo levando-os para trabalhar no escritório, comigo, ou passear-mos no shopping, feito namorados. Aleguei, pra mim mesmo, que eles precisavam amaciar antes de correr pelas ruas.

Dissipada a paixão, encaramos os treinos e nos tornamos bons companheiros. Na primeira corrida que fizemos, meus tênis se viram acuados, no corredor de largada. Viram, no seu entorno, um emaranhado de pernas ansiosas pela partida e uma multidão de tênis inquietos de todas as cores e todas as marcas. Enquanto isso, eu tentava enxergar o display da contagem regressiva, no alto do pórtico, ignorando as imagens ao nível do solo. Quando a sirene tocou, veio o frisson da largada e a energia dos corpos em movimento repentino. Naquele momento, meus tênis descobriram para que vieram ao mundo e desabrocharam, feito flor.

Meses velozes passaram feito corredores de pista... 

Sem que eu desse conta, meus tênis se desgastaram no solado sob o calcanhar. Percebi que eles também já não tinham o mesmo amortecimento que antes, mas prossegui. Certo dia, entrei na loja de artigos esportivos e deparei com outro par, em promoção. Eles tinham brilho, cheiro e maciez de calçado novo. Não resisti e comprei. Então tudo se repetiu: tive pena de colocá-los para correr na rua. Amaciei-os, primeiro, no escritório ou no shopping. Enquanto isso, o outro par continuava se desgastando nos treinos de asfalto.

Quando pensei em jogar fora meus velhos tênis, janeiro chegou... 

Vieram as tardes chuvosas e os rastros de lama nas ruas. Meus velhos tênis não foram para o lixo, mas viraram meus tênis de chuva. Na primeira tempestade, pingos grossos despencaram do céu, trazendo uma alegria que só quem corre na chuva consegue ter. Para colher esse contentamento, tem que ter coragem e se livrar do guarda-chuva. É preciso perder o medo da trovoada ou de olhos alheios. Desmanchar, numa pisada, seu próprio reflexo na poça d'água do chão.

A poeira da estrada virou lama que cubriu os cabedais dos meus tênis e respingou minhas panturrilhas. Meu olhar, atento ao trânsito, ignorava tais detalhes. Eu não poderia deixar que o prazer que sentia terminasse num trágico escorregão. Meus tênis de chuva chafurdavam com a alegria dos porcos, e outra vez desabrocharam como lírio no lodo!

Meus tênis de chuva estão desgastados nas solas, têm marcas de atrito na entressola e puídos no cabedal. Há algum tempo perderam o status de tênis principal para outro novinho e quase foram para o lixo. Ainda bem que existem as fortes chuvas, das quais os fracos se abrigam e os bravos até conseguem ser felizes. Meus tênis de chuva me ensinam a ser forte e feliz, encontrando alegria nas condições onde muitos só veriam o sofrimento.

Abraços!

Bira.


Fritando tênis no asfalto - recorte de imagens da internet... com Gimp.

Um Pedaço de Asfalto para Fazer meu Longão... 

Amigos!

Tudo que eu preciso é de um pedaço de asfalto, rente ao meio fio, para fazer meu longão...

Não faço questão de correr rente ao mar, entre o sopro da brisa e o barulho das ondas. Pode ser aqui mesmo, na Vila da Penha, rente ao valão da Oliveira Belo e a estridência do carro do ovo. "São 30 ovos por 10 reais", 30 minutos por meia dúzia de quilômetros... Nada excepcional, ninguém famoso passando tanto quanto o meu passar. Às vezes os carros teimam em não me ceder espaço que eles próprios disputam entre si. Às vezes, tenho que correr nas calçadas, repletas de crianças, idosos, camelôs, sacos de lixo e lixo fora do saco. Diminuo a velocidade, quase paro. Passo em frente ao sacolão, que instalou uma barraca no meio do caminho, vendendo ovos: "São 30 por 10 reais"... E eu completo mais 30 minutos de treino em 10 quilômetros de percurso.

Tudo que eu preciso é de um pedaço de asfalto, rente ao meio fio, para fazer esse longão... 

Não faço questão de correr em clima ameno, entre as seis da manhã e o gorjear dos pássaros. Tem vez que eu só posso correr por volta das 11, hora que é possível "fritar ovos no asfalto". Aqui, onde eu corro, 2017 foi o Ano do Carro do Ovo: Tenho 30 ovos na cartela e estou a 30 quilômetros do mar. Corro onde brisa marinha sente medo de soprar. Ao longe, vejo os morros que deveriam verdejar, mas têm a cor dos tijolos das paredes sem reboco. Corro acuado pelo tráfego, dependendo de onde passar, pelo tráfico. O movimento o meu corpo não se compara ao "movimento" ilegal das drogas. É que os efeitos das endorfinas, no meu cérebro, não destroem minh'alma. Sou adicto do bem. Não me ocupo em saber do preço das drogas no morro, saber o preço da cartela de ovo é suficiente. No mais, a beta endorfina é de graça!

Tudo que eu preciso é de um pedaço de asfalto, rente ao meio fio, para fazer esse longão...  

Descobri que a chave da cidade foi talhada no solado dos tênis. Descobri que quando amarro, ali, meus pés, estou ganhando livre acesso para todos os lugares. Sinto a liberdade fluir de baixo para cima, subindo pelas pernas, cruzando o peito, para contagiar minha cabeça no contra-fluxo do suor.
Percebo que a corrida também faz de mim uma cidade. Minhas veias são minhas vias, ruas, capilares condutores de energia. Acesso a mim mesmo. Sinto prazer, abro um novo sorriso e meu olhar cintila pedaços da alma... Estou renovado e nem dou conta que estou correndo, até que passa outro carro estridente do ovo. Desligo o piloto automático, ouço o aplicativo dizer que já completei 20 quilômetros do trajeto.

Tudo que eu preciso é de um pedaço de asfalto, rente ao meio fio, para fazer esse longão... 

Descobri que a chave do céu não tem forma, tão pouco se situa. Descobri que quando sonho, e corro, o céu projeta meus desejos. Passo a correr entre um rebanho de nuvens-ovelhas, na imensidão do azul. Já não estou no próprio corpo encharcado de suor, pois escapei no seu vapor. A corrida faz com que eu vire nuvens-ovelhas... Hei de chover no fim da tarde, ou amanhã, ou quando meus sonhos se tornarem realidade. Fluindo no céu, vejo aviões cruzarem por todos os lados. Um deles descerá no Aeroporto do Galeão, a poucos quilômetros de onde meu corpo ainda corre. Descerei junto com ele e re-encorporarei em mim mesmo para terminar o meu longão.

Tudo que eu preciso é de um pedaço de asfalto, rente ao meio fio, para fazer esse longão... 

Completo os 30 quilômetros de treino, um para cada ovo da cartela do carro. Enquanto isso, o Ano do Carro do Ovo está chegando ao fim... 2017 foi um dificílimo longão para tanta gente, neste país. Tenho a sorte de ser corredor e poder suplantar os problemas no próximo treino. Entro em uma padaria, abro a geladeira para pegar um isotônico. Saco do bolso uma nota de 10 reais e dou ao caixa. Neste momento, passa o Carro do Ovo anunciando seu produto e eu tenho noção do valor daquela nota.

Abraços (de feliz ano novo)!

Bira.
Na altura do KM 25, em São Conrado, eu ainda corria no ritmo de 5x1 - na foto de Gleice Medeiros (editada).

Um Km de Cada Vez na Maratona do Rio

Amigos!

De repente, a minha coxa enrijeceu e recebeu uma fisgada. Comecei a mancar e proferir palavrões, em pleno quilômetro 30 da Maratona do Rio. Nem quis saber da plateia que animava os corredores e também me aplaudia. Não tive a mesma elegância que tem o Leblon, bairro onde eu pisava. Espumei de raiva, feito as ondas do mar do Posto 12. Desferi socos de revolta no ar:

-- Isso não vai acabar assim!!... - dramatizei.

Fiquei atônito, interrompi a corrida e caminhei por poucos metros. Tentei colocar os pensamentos em ordem, quando deparei com um ponto de hidratação. Automaticamente, peguei um punhado de gelo e esfreguei na dor. Logo, percebi que aquele gesto era inócuo e, num impulso, voltei a correr. Porém corri devagar, torcendo para a coxa se estabilizar e não falir de vez (quem sabe?)... Naquele momento eu dava um passo de cada vez, e assim fui conseguindo. Depois tentei me desligar do problema. Ainda faltavam 12 quilômetros para a chegada, no Aterro, mas eu nem queria pensar nisso também...

Cinco Horas Antes...

O alarme irritante do celular anunciou que eram quatro da manhã. Despertei, e o meu frisson não deu vez à rotineira preguiça matinal. De imediato, pensei nos milhares de corredores que também acordavam, naquele momento, sentindo o mesmo frisson pré-maratona. Só que tinha um problema: eu estava em Irajá, muito longe da largada e sem nenhuma carona prevista. Tratei de me arrumar, enquanto toda família dormia na segurança do lar. Do lado de fora perdurava o medo das ruas escuras, desertas e frias, enquanto o sol não nascesse. Esperei dar cinco horas para encarar esses fantasmas até a estação do BRT.

Largada da Prova sem Ver Meus Amigos...

Cheguei no Pontal às 7:10 h e não tive tempo de encontrar meus amigos. Pouco depois, entrei no corredor de largada sem estar seguro de que eu sequer concluiria a prova. É que tive problemas e, nas últimas semanas, treinei muito pouco. Perdi confiança e condicionamento. Foi culpa da fascite plantar que me contra atacou, acompanhada de outra dor misteriosa nos pés, ainda presente. Até então, eu pensava fazer a prova em 3:30 h e treinava para isso. Depois fiquei sem planos, mas iria correr o quanto desse, do jeito que desse.

Um Km de Cada Vez...

Na largada, milhares de cabeças projetavam milhares de estratégias... Para me animar, eu recorri a um velho bordão de auto-ajuda que adaptei:

-- Vai ser um quilômetro de cada vez... - pensei.

O aglomerado de gente levou três quilômetros para começar a se dispersar. A partir dali, acelerei naturalmente, sem forçar. O aplicativo de corrida, do celular, começou a anunciar paces abaixo de 5 x 1 (cinco minutos por quilômetro). Foi assim que cheguei à metade da prova, na Praia do Pepê, com 1h 44 min. Até ali, apenas meus fones de ouvido sem fio perderam a carga, eu não. Para trás ficaram o Recreio, a Reserva e toda Barra.

Mas eu sabia que não seria tão fácil. As primeiras caretas de cansaço estamparam minha face na Praia de São Conrado. Um pedaço de rapadura que ganhei, no começo da Avenida Niemeyer, devolveu minha energia. A Perda de ritmo, naquela subida, era natural. Mas quando eu comecei a descer, segurei o ritmo para me poupar. Os quilômetros trinta se aproximavam feito um garçom trazendo a conta depois de um banquete e eu delirei:

-- Vou ter que passar o cartão de crédito... Não tenho cash para bancar essa conta!

Eu estava mais ofegante quando cheguei ao Leblon, mas ia bem. Reprogramei o ritmo, do restante da corrida, para 5:20 minutos por km. Se obtivesse sucesso eu poderia completar a prova em 3:40 h... Foi naquele momento que eu senti a fisgada.

Faltando apenas um quilômetro para a chegada, no Aterro - arquivo pessoal editado.

Corrida Bipolar...

A lembrança de um amigo corredor dizendo que "a maratona só começa depois do km 30" me fez pensar:

-- Se é assim, eu já estou começando esta prova lesionado... Será que completo??

Iniciei uma corrida bipolar: Quando a mente fraquejava eu sentia dores nos pés, quando o otimismo perdurava, eu percebia a melhora da coxa e que daria para completar. Em Ipanema, recorri ao primeiro sachê de carboidrato com cafeína. Sorvi outro sachê em Copacabana, quando tive a certeza de concluir a prova. Mantive um trote de a 6x1 para evitar surpresas desagradáveis. Cruzei os túneis e avistei o Pão de Açúcar. Imaginei o pórtico de chegada me esperando, bem como a cama do meu quarto:

-- O ideal seria que ao cruzar o pórtico eu ressurgisse na cama, de onde me levantei às quatro. Algo assim como o transporter de Jornada nas Estrelas!... - pensei isso, com a careca afeta pelo sol.

Mas quando eu cheguei no retão de chegada, esqueci do cansaço. Acelerei em meio à plateia e comecei a vibrar. Esqueci de todas as dores, de todas as dúvidas e das expectativas frustradas. Levantei os braços vibrantes e nem conferi meu tempo de prova. Fiz aviãozinho, mostrei os bíceps e ergui o punho direito. Alguém gritou meu nome e eu sorri atirando beijinhos de pop star.

Ao me aproximar do pórtico, meus olhos não definiam as formas, apenas as cores. Por fim, eles esqueceram de chorar... Desta vez, não derramei nenhuma lágrima além do suor... Cruzei a linha de chegada e, por fim, quebrei! Quebrei na hora certa!

Abraços!

Bira.
Amigos!

Medalha da Corrida da Ponte sobre imagem de internet. Bira, 22-05-17.

Fechei os olhosmeti a mão na caixa de medalhas e sorteei a medalha da Corrida da Ponte 2011... "Que bom!... Vou começar esta série descrevendo uma corrida que deixou saudades!" - pensei... Então, Vamos conferir essa história?

Histórias de Medalhas - Corrida da Ponte'11

Confesso que eu trato mal minhas medalhas de corrida. Elas não ficam expostas em portas-medalhas, mas jazem nas gavetas, feito defuntos no cemitério. Isso até pode ser descuido, mas não é desfeita: volta e meia eu as visito, como o familiar que põe flores na sepultura de um ente. É que eu sei o quanto valeu cada corrida, nem tanto pelas provas, mas pelos [treinos, amigos, viagens...] que fiz. Fiz viagens marcantes, em algumas sequer peguei ônibus ou avião: Bastou-me calçar os tênis e correr pelo bairro.

Atrás de cada medalha, uma história; atrás de todas, uma vida...

BARCA

Em maio de 2011 fui fazer uma das provas mais cobiçadas da época: a Corrida na Ponte. Cruzar a baía correndo era, no mínimo, excitante para oito mil atletas. A maioria saiu do Rio e pegou a barca, na Praça XV, tão logo o sol tinha nascido. Repleta de corredores, a embarcação ficou em festa. Muita gente se reencontrou naqueles 20 minutos de travessia. O burburinho causado competia com o chacoalhar das ondas. As águas do mar faziam tudo se mover, menos ela: A Ponte! Aquele monumento era um gigante adormecido sobre a baía, assustando uma corredora iniciante, que ficou imaginando coisas e fez a pergunta:

-- Será que venta muito e a Ponte fica balançando no vão central?

Desembarquei, em Niterói, sem saber exatamente que direção tomar, mas isso não foi necessário. Bastou seguir o fluxo dos corredores, sem perguntar, que em poucos minutos cheguei ao Caminho Niemeyer - local da largada. Fiquei surpreso com a beleza do Teatro Popular, encontrei mais amigos e tirei fotos. Conversei um pouco, antes de entrar no grid e depois largar.

PONTE

O público festejava os corredores nos primeiros dois quilômetros, percorridos nas ruas de Niterói. O calor da plateia não deixou que eu notasse o calor do ambiente. Foi quando cheguei à Ponte e atravessei o pedágio que o sol bateu forte nos meus ombros. O vento, no entanto, não estava ali para soprar. Nem no temido vão central ele soprou, para alívio da corredora que estava com medo na barca. Vi gaivotas plainando e pensei: "Como conseguem sem vento??" Vi navios ancorados, submersos na névoa que se espalhou sobre as águas.

Um resfriado mal-curado resolveu me atacar, bem no meio da Ponte. Senti meu peito congestionado e não tive energia para acelerar. Comecei a sofrer, ainda no meio da prova, mas prossegui. Foi duro ver corredores me ultrapassando, com paces inferiores aos meus ritmos de treino. Quase parei para caminhar um pouco (acho até que caminhei, não me lembro bem). Mesmo assim venci os 14 km de Ponte. Sem descer do viaduto, migrei para a falecida Perimetral - elevado que ligava a Ponte ao Aterro. Meu ritmo lento recuperou as forças e eu até pensei em acelerar, mas não valia à pena - eu já tinha perdido muito tempo. Sem pressa, desembarquei da Perimetral nas proximidades do Aterro - local de chegada - e completei os 21,4 km da prova.

ATERRO

Depois da corrida, ouvi muita gente reclamar do clima abafado. Enquanto isso, o sol assumiu seu lugar no meio do céu. Seu brilho afugentou a névoa e restaurou o azul. As gramas do Aterro verdejaram, como sempre, embaixo dos tênis coloridos e cansados. Ao lado do pódio, um locutor animado anunciou os resultados e ainda saudou um ou outro corredor que chegasse. Os chuveiros da dispersão eram doces, e os corredores eram crianças, na disputa.

Mais gente se encontrou, e se abraçou, e falou da prova, e mostrou marca do tênis, e falou de tudo que os corredores falam na Ponte da Vida.

Abraços!

Bira.

Minha Última Maratona

gif com imagens de internet - Bira

Amigos!

Ainda falta um mês para a Maratona do Rio, mas eu resolvi consultar a minha bola de cristal, viajar no tempo e antecipar o relato da prova futura: MINHA ÚLTIMA MARATONA (vai ser assim): 

Pontal do Recreio - Domingo, 18 de junho de 2017 - Maratona do Rio:

FRISSON

O dia ainda está clareando e engolindo as estrelas do céu do Pontal. Há um movimento incomum de carros de passeio, vans e ônibus no entorno da Avenida Lúcio Costa. Eles querem despejar maratonistas afoitos para a grande prova. Pouco a pouco, o asfalto interditado está sendo encoberto pelos tênis que vão e vêm, em todas as direções. Falta mais de uma hora para a largada, mas já tem corredores se aquecendo na ciclovia às margens da praia. Eles parecem antecipar o exercício para fugir do frisson indisfarçável em seus olhares. Em repentes, a quantidade de atletas aumenta... Até parece que eles estão brotando no asfalto, que coisa!...

VENTO

Clareia mais um pouquinho e os coqueiros fincados na praia resolvem chiar e dançar com o vento. Este dançarino invisível, há pouco, ainda brigava com as ondas do mar. O incansável vento, dançarino e brigão, atravessou  a noite tentando cobrir de areia o calçadão. Ele soprava rasteiro, formando um imenso tapete de grãos migrantes, que alisavam a superfície sorrateira da praia e apagavam as pegadas do dia. Agora, o vento tecelão se faz amante e acaricia as pernas dos corredores, na pré-largada. Sinto seu frio eriçando minha pele. Penso:

-- Esses beijos gelados do vento seriam muito mais úteis no meio da prova, quando o sol tomasse pino...

GRID

Paro de pensar e observar o cenário. Coloco meus pertences no saco de treino e deixo no guarda-volume. Prendo a respiração, fazendo careta, para urinar no banheiro químico. Tiro as últimas selfies com os amigos e troco votos de boa prova. Confiro que faltam vinte minutos para a largada e me posiciono, com os demais corredores, entre as grades.

DRONE

Clareou de vez, mas o sol ainda boceja um brilho amarelo e oblíquo sobre o Recreio. A luz solar, no entanto, mal consegue tocar no chão dos maratonistas espremidos, aos milhares. Caixas acústicas espalham música eletrônica no ar, espantam os pássaros e abrem caminho para o voo tranquilo de um drone. Neste momento o locutor anuncia: "A festa vai começar!".

LARGADA

Soa a sirene, disparam de vez os corações! Quem está na frente arranca. Quem está no meio, feito eu, mal pode caminhar ainda. Apoio as mãos no corredor da frente, enquanto o detrás se apoia em mim. Ergo o pescoço, fico nas pontas dos dedos, quero avistar o pórtico, 50 metros à frente... Não dá. Logo, é possível andar mais rápido, depois trotar e por fim: correr!... Liberto-me, transpasso a linha da largada!

PRAIA DA RESERVA

Tudo são sorrisos no começo da prova, feito um novo namoro, um novo emprego ou uma nova vida. O frescor da manhã ainda perdura às margens da Praia da Reserva. Ali, uma passarela de asfalto ousou separar a areia, da mata. Belezas distintas se exibem à esquerda ou à direita de quem corre. O silêncio da mata se opõe às pancadas das ondas do mar. O ambiente se faz lúdico, mágico e energético. Os corredores se fazem incansáveis!

APLICATIVO

O chão da Barra passa depressa embaixo das solas dos meus tênis. Já estou na Praia do Pepê, onde, mais cedo, foi dada a largada da meia-maratona - prova paralela. Ninguém que tivesse treinado como eu, sentiria cansaço na metade da prova. A voz do aplicativo de celular anuncia: "vinte-e-um-quilômetros-em-uma-hora-quarenta-e-cinco-minutos...". Simplificando, basta manter o ritmo e completar a prova em 3:30 h, mas eu sei que não é bem assim...

BEBÊ

Saio o Pepê e subo um elevado. Entro nos túneis do Joá, onde canhões de luz e som animam os corredores, rompendo o silêncio e a escuridão. Saio do túnel e o azul do céu de São Conrado inunda meus olhos. Desço o elevado, curvo, para transitar às margens de outra praia. meus companheiros de jornada já estão mais dispersos. Quando passam, provocam sorrisos de um bebê em seu carrinho. Bebo um isotônico, repondo as forças, para subir a Avenida Niemeyer. O perigo, no entanto, está na descida daquela pista: é preciso conter a vontade de soltar o freio e gastar energia. Já cometi esse erro, duas vezes, e vi meu ritmo despencar no Leblon. Agora, tenho calma, e o Leblon me recebe com os aplausos da plateia.

COPACABANA

Chega a hora da verdade: Copacabana. Cada posto de salva-mar faz uma contagem regressiva para a chegada: No Posto 6, faltam seis quilômetros, no Posto 5, idem e idem... Até que dobro a Avenida Princesa Isabel, faltando 2. A chegada, no entanto, nunca esteve tão longe pra mim. Luto para manter o ritmo, em vão. Reviro meu cinto de utilidades em busca de uma bisnaga de gel de carboidrato. Minhas passadas encurtaram e a sola do tênis, às vezes, arrasta no chão.

-- Bira, você devia ter treinado mais! - repreendo a mim mesmo.

-- Paciência, não deu! - respondo-me, agressivo.


CHICOTADAS

Paro de brigar, no pensamento, e chego à enseada de Botafogo. Essa curva me parece ser a mais extensa do mundo! A um quilômetro da chegada e eu não tenho condições de admirar o Pão de Açúcar, tampouco os veleiros brancos que flutuam na marola da baía, refletindo a luz do sol. Esse sol orgulhoso que exibe a cidade enquanto dá chicotadas em mim. Ele ainda tenta me abater, mas nessa altura já sabe que perdeu:

São onze e vinte e eu concluo a maratona com 3 h e 44 min... Não é grande coisa, mas é!... É a Minha Última Maratona!

Abraços!

Bira.