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(...) O que a gente vai mostrar agora é a turma lá de trás. Aqueles que correm solitários na "rabeira", como um deles mesmo descreveu. Onde a última garrafa d'água já secou e não sobrou ninguém para observá-los (...)


Montagem com recortes das imagens da Corrida de São Sebastião.

Nossos Maravilhosos Últimos Colocados

Amigos!

Sem essa de filmar corredor de elite... De elogiar os quenianos mas depois dizer que eles corriam de leão, quando crianças. Sem essa mostrar os campeões no pódio! O que a gente vai mostrar agora é a turma lá de trás. Aqueles que correm solitários na "rabeira", como um deles mesmo descreveu. Onde a última garrafa d'água já secou e não sobrou ninguém para observá-los.

Enquanto toda imprensa entrevista e fotografa os heróis do pódio, BiraNaNet joga seu foco para onde ninguém se lembrou de olhar: Os Nossos Maravilhosos Últimos Colocados!

Veja no vídeo abaixo as amigas Felizmina e Tereza que quase perderam a chance de correr ao largarem 11 min depois. Ainda nos metros iniciais, a primeira relatou que estava ali para reforçar seu propósito de emagrecer. No km2, Fabi monstra que está grávida de quatro meses e, toda boba, revela que vai saber o sexo do neném no dia seguinte. Quando eu me aproximei de outra corredora no km3, ela rechaçou a ideia de que estaria entre as últimas: "Olha quanta gente vem aí atrás!..." Duas moças da Equipe Runners corriam tranquilas no km5, sem pressa e "curtindo o visual" e o Dagoberto, no km6, criticou os "apressadinhos" e defendeu as tartarugas que vão devagar mas sempre chegam.

Na Enseada de Botafogo, Érica tomava conta da placa dos 8km. Perguntei se tinha vontade de correr e ela respondeu: "Tenho e não tenho..." - para entender, só vendo o vídeo. Nessa hora A.C. se aproximava e não  gostou quando eu lhe disse que estava entre os últimos. Usou a estratégia de me jogar no bolo e dizer que eu também era último... Tudo bem, dei o iPhone para ele e deixei que me entrevistasse - não seja por isso!...

Próximo à linha de chegada, esperei bastante pelo legítimo último colocado. Com duas horas de corrida, surgiu um casal á frente de meia dúzia de batedores motorizados e uma ambulância. Entrevistei Patrício e Leila que caminharam nos 10km do percurso. Então as buzinas e sirenes começaram a soar. O público se aproximou para aplaudir. O incentivo fez o casal ensaiar seu primeiro trote a poucos metros do pórtico. Titubearam um pouco, mas concluíram trotando para depois trocarem um beijo!



Enquanto a imprensa se preocupava com quenianos "que correm de leões", BiraNaNet seguia gente, como o Dagoberto, amante das tartarugas e um casal amante, que transformou a Corrida de São Sebastião numa peça de teatro, ao cruzarem a linha de chegada e unirem seus lábios enquanto as cortinas se fecham.

Abraços!
Bira  


O Último Treino de Adriano


Amigos!

A foto grande foi clicada por Adriano, na largada de seu último treinão, por isso ele não aparece. A foto pequena foi tirada no alto das Torres do Mendanha, quando Adriano já estava retornando e também não figurou... Acima, o print de seu comentário na internet lamentando não ter aparecido nas fotos.


No último treino de Adriano Molinaro ele não saiu nas "fotos oficiais" e ficou triste (veja o seu comentário acima). Nem ele, nem nós poderíamos supor que o seu click registrava uma sorridente despedida... A única forma de se despedir sorrindo de quem se ama é não ter consciência do fato.

Quero enviar para Adriano o meu sorriso de braços abertos e erguidos -
como se vê na foto.
Embelezar seu novo caminho com as cores da foto
E revelar a história viva que jaz atrás do brilho de cada olhar.
Agora é Adriano que jaz-vivo em nossa história,
É ele que sem palavras ou gestos se apresentará -
Um ser intangível como o amor que nunca jaz.

Alguns corredores posam com Adriano (agachado, de azul) antes do seu último treinão: "Maravilhoso" - comentou.


Adiano, você fará muita falta entre nós que compomos seu grupo de corrida. Será sempre lembrado por todos que estarão ainda mais unidos, porque agora sabem o quanto cada um representa depois de sua partida. Sempre que um longão começar, lembraremos que você - impaciente - que sempre saía na frente... Agora você partiu, precocemente, para mais um longão - o mesmo longão que todos faremos um dia... Então nossa Equipe estará de novo completa: Um longão entre as estrelas e nos mais belos caminhos que sequer supomos percorrer!...

Ubiracy Rezende, OzeiasMuriloSandroAlessandroCarlosDiegoFelipe, Jorge Ultra, SérgioGilmara, Amigos da Montevèrgine, Amigos da sua Academia e tantos mais. Os que eu ouso citar sem pedir licença e os que eu imperdoavelmente esqueci de citar, mas que poderão fazê-lo adiante... Amigos!


Confira o post do treino Torres do Mendanha: CLICANDO AQUI


Abraço!
Bira.



Reuni nesta postagem 4 crônicas curtas escritas em outubro e novembro de 2011. Elas descrevem mulheres fictícias, ou nem tanto...

Colagem com recorte de imagens da internet e as pinceladas de Van Gogh - o gênio morreu sem conhecer o sucesso: foi sustentado pelo irmão - aqui referido na crônica III.





Quatro Mulheres Curtas


Amigos;


I - Ana Sentiu Saudade


Naquela manhã, Ana acordou, mas permaneceu uma hora deitada sob impacto do sonho confuso que tivera...

No sonho, duas espirradeiras carregadas de flores rosadas emolduravam a varanda da casa onde nasceu e viveu durante a infância. Parecia um cenário de filme romântico. Seus pais formavam um jovem casal que, na namoradeira, trocavam carícias e planejavam o futuro. Ela, uma criança que no jardim preparava comidinha para suas bonecas. Pedaços do sol vazavam entre as folhas de um cajueiro e dançavam pelo chão. O chão da terra batida, da folha seca, da dormideira e do gongolô. O chão desprovido asfalto ou cimento, onde zunia o peão e as gudes se chocavam. Onde flores suicidas se atiravam, só porque não foram presas entre os cabelos negros de sua mãe.

Eis que também despencou uma chuva violenta e impossível, destruindo o belo cenário e arrastando essa mãe. No repente, amendoeiras sombrias tomaram a vez do jardim e o sol amedrontado se escondeu atrás da última montanha. Ana ainda tentou recolher as bonecas e procurar um abrigo, mas elas se transformaram em pombos mortos. O susto fez Ana apunhalar o ar com um grito agudo e de eco infinito, até que seu pai a acudiu:

– Calma filha... Vamos sair daqui!

Quando Ana olhou para o pai ele já não era mais o jovem que namorava minutos atrás. Aparentava ter 50 anos. Percebeu que ela própria não era mais criança – tinha, corpo, voz e consciência de adulta. Percebeu que a tempestade sumiu e tudo mais desapareceu, restando apenas os dois numa sala sem cor, paredes ou limites. Abraçou o pai saciando uma enorme saudade, então lembrou que ele morrera há 10 anos e acordou. Seus olhos se abriram em lágrimas que a fronha solidária bebeu.

Naquela manhã, Ana acordou, mas permaneceu uma hora deitada sob impacto do sonho confuso que tivera... #

Os elementos se fundem e se transformam na obras do holandês M. C. Escher; 1898-1972 - sobre ilusões de ótica, aqui referido também na crônica III.







II - Ana Cíclica


Era sempre assim; cansada de ficar deprimida, Ana começava um novo ciclo da vida reinventando seu dia a dia. Desta vez as escolhas foram aulas de Pilates, Alemão e um curso de pós-graduação. Mudou de bairro, ganhou novos amigos, renovou o guarda-roupa e rasgou papéis, muito papéis... Desfez-se de livros e CDs, apagando vestígios. No afã de mudança encheu sacos e mais sacos de tralhas, que os catadores de lixo disputaram feito tesouro. Se tivesse mais dinheiro, trocaria de carro. Cortar os cabelos, no entanto, não foi problema:

– Então aproveita e pinta de louro! – Ordenou ao cabeleireiro.

Concluído esse processo tudo passou a ser novidade. Desde os gestos simples como pentear cabelos encurtados ou encontrar a geladeira que mudou de lugar, até decorar novos nomes de gente, de rua ou novos itinerários... Aos poucos uma nova rotina seria estabelecia: Dias agitados e noites calmas. Agora sim, Ana acreditava em seu eco quando falava de auto-estima.

Seus novos compromissos eram sagrados. Tinha medo de não cumprir algum e criar um efeito dominó, onde uma pedra derruba a outra – algo bonito de se ver, como as ressacas, desde que se esteja do lado de fora. Quando os dominós representam os pilares da vida, no entanto, a graça vira desgraça e as ondas da ressaca arrastam seu próprio corpo.

Foi quebrando compromissos que uma amiga de Ana caiu no vazio e sentou-se num bar. Experimentou Bossa Nova, bebidas e sorrisos irônicos. Gostou e lá ficou, até hoje... Mas Ana não gosta de bar ou ironia. Ela só quer cumprir esse ciclo da vida até que a depressão lhe roube a paz, dizendo que é hora recomeçar...

Ana cíclica deve ser viciada em recomeço. #


III - Pirulitos ou Cigarros


Todo santo dia, o irritante choro da pequena Ângela deixava sua mãe embaraçada diante dos vizinhos. Quando contrariada, a criança imediatamente mudava de cor. Seus olhinhos azuis avermelhavam e transbordavam um pranto que também escorria pelas narinas e fugia pelos poros. Não havia muito que fazer diante do fenômeno, então sua mãe recorria aos pirulitos coloridos, guardados dentro de um pote de emergência. O açúcar acalmava a menina, distraía sua birra e devolvia sua cor.

Todo gesto de Ângela visava recompensa ─ foi assim que aprendeu enquanto crescia. Logo, os pirulitos não mais supririam sua insatisfação. Já adolescente, passou a chorar para dentro as lágrimas que ninguém via. Não transpirava ou mudava de cor, apenas empalidecia. Como um espelho d’água de um traiçoeiro rio, sua pele clara escondia uma corrente de emoções.


*************


Todos na rua se lembram da tarde em que Ângela surgiu no portão de sua casa. Com as curvas de seu recente corpo de mulher dando formas ao vestido, lançou nos lábios um tímido sorriso e disse “boa-tarde!”. A resposta veio em coro, como se fosse ensaiada pelas vizinhas que trocavam fuxicos no portão ao lado, pelos aposentados que jogavam carta adiante e pelos meninos que, sem perceber, interromperam uma pelada improvisada no asfalto. A partir daquele momento todo bairro notou e se encantou com a beleza da mulher recente. 

Além do azul-encanto, havia mistério nos olhos daquela moça. Anos de choro escorrido pra dentro formaram oceanos em sua alma, onde habitavam sereias silenciosas: Seus olhos eram o portal de acesso ao lar das sereias que ameaçam cantar. Nos demorados banhos matinais, Ângela se assemelhava às sereias... Ah, se todas resolvessem cantar!...

Três Décadas Depois...


Na tumultuada e irregular calçada de Madureira uma mulher tropeça, perde o equilíbrio e cai. Um prestativo rapaz a socorre prontamente enquanto um senhor recolhe sua bolsa e os embrulhos de compras espalhadas no chão. Assustada, a mulher não dizia nada quando um comentário jocoso foi ouvido entre os passantes:

─ Olha só: Ela deixou cair tudo menos o cigarro que continua na mão!

Outro moço, com roupa de enfermeiro, a amparou perguntando se estava tudo bem. Estava, a mulher respondeu mais com os olhos do que com a voz. A débil mulher tinha um forte cheiro de cigarro e um pouco de descuido, mas... Aqueles olhos azuis...

─ Nossa!... ─ pensou o rapaz ─ Essa mulher deve ter sido muito linda!

─ Obrigado meu filho! Eu me chamo Ângela. ─ a mulher falou finalmente:

─ Sabe, quando eu era criança caía no choro, por muito menos que isso. Então minha mãe me dava um pirulito para compensar. Hoje fumo cigarros quando perco o equilíbrio, e como você pôde ver, isso não me impede de cair de novo...

Ângela falou por uns vinte minutos para o jovem hipnotizado pelo seu olhar de oceano. Depois agradeceu de novo e seguiu seu caminho. De repente, sentiu uma vontade incontida de cantar. Foi quando jogou fora os cigarros e entoou o canto das sereias. A emoção do canto fez seus olhos liberarem anos e anos de pranto. Contagiado, o céu não se conteve e, soluçando raios, fez descer copiosa chuva que alagou Madureira. Enquanto Ângela sumia na curva da esquina os seus últimos cigarros foram arrastados pela enxurrada e engolidos pelo ralo. #


IIII - E Aline Descobriu o que é Amar!


Ato I - Ilusões de Ótica

O vento frio faz mover as sombras na madrugada e Aline tem impressão que há dois homens parados, a 200 metros, na penumbra da esquina. Se quiser chegar em casa, vai ter que passar por ali. Respira fundo e se benze na rua deserta:

– E se eles forem assaltantes ou almas penadas? – aflige-se.

Cautelosa, diminui o ritmo dos passos enquanto o coração acelera. O vento fica mais frio e o tempo quer congelar. Quando chega a 50 metros da esquina, no entanto, percebe que os “homens” nada mais eram que silhuetas de arbustos recém podados. Ufa!... Foi apenas um susto!

Na segurança do lar, antes de dormir, Aline pensou sobre a ilusão de ótica ocorrida. Lembrou também que na manhã anterior, próximo à estação do metrô, havia um homem caído e torto, parecendo bêbado ou drogado. Pensando melhor, o homem também poderia estar sofrendo uma convulsão, mas quem pensasse assim se veria obrigado a socorrê-lo... Então todos preferiram vê-lo como drogado para não se atrasarem na chegada ao trabalho.

Ato II - Metamorfose de Aline


Aqueles pensamentos provocaram um sorriso de amarga ironia em seu olhar que repousou na parede, mais precisamente, sobre uma reprodução de gravura de Escher – o mágico da ilusão. Naquela gravura haviam lagartos que viravam favos, que pariam abelhas, que ganhavam o céu, onde Aline vagou. Na vagância lembrou das belas paisagens panorâmicas do Grand Canyon, onde a mega-distância transforma pedra e terra seca numa vista deslumbrante. Foi quando o sono chegou e Aline dormiu, e sonhou. 

Quando acordou, Aline já não era a mesma. Ao arrumar-se, diante do espelho, fez tudo igual, mas de um jeito diferente. Pela primeira vez na vida, arrumou-se para si mesma. Nem quis saber o que iriam pensar da sua camisa vermelha!...





Na sala ao lado a TV exibiu “Love Of My Life”, com Freddie Mercury regendo 250 mil pessoas no inesquecível show do Rock in Rio’85 – um fantástico exemplo de sintonia e consagração. Ironicamente, no mesmo ambiente havia um poster dos Doze Girassóis de Vicent Van Gogh, um top10 da pintura, que em sua época não obteve a mesma consagração do ídolo do rock...

– Como isso foi possível? – argüiu-se inconformada – Um gênio da pintura só ser reconhecido 50 anos após seu suicídio!... Será que na penumbra do passado os amarelos de Vicent não saltavam das telas para as almas das pessoas? Será que a nas ruas escuras das mentes fechadas, milhares de arbustos se revelassem fantasmas – como os assaltantes da esquina – e o povo assustado nem percebesse conceitos novos de beleza?

Ato III - Entendendo o que é Amar


Aline não obteve resposta às suas perguntas. Só sabia que apesar de tudo estava feliz, uma felicidade sem aparente explicação. Então decidiu juntar os fatos, como peças de quebra-cabeça, encontrando algumas respostas:

1- Se de perto os algoses são apenas arbustos e, de longe, pedra e barro se covertem nas mais belas paisagens, bastaria situar-se na distância certa para se livrar dos sobressaltos ou perceber a beleza das coisas.

2- Quando o povo tem pressa, não importa se você está bêbado ou sofrendo uma convulsão, mas é preciso amar as pessoas do jeito que elas são.

Quando arrumou-se para si mesma, Aline libertou-se do julgamento alheio e manteve-se ereta. Era preciso ficar de pé, pois se caísse no chão, convulsiva, seria pisoteada feito bêbada por sapatos apressados. Aceitou o fato e substituiu aquele sorriso de amarga ironia pelo brilho do olhar de quem ama incondicionalmente.

Como as abelhas de Escher Aline se libertou, ainda em vida! #

Abraço!
Bira.



Primeiro do Ano

Amigos!



Quando 50 corredores se reuniram para correr os 18 km da Serra do Mendanha, era apenas o primeiro treinão do ano (!). Eles queriam chegar às torres de transmissão de TV a 1.000 metros do nível do mar. Muitos como eu, nem sabiam o que teriam pela frente: Uma estrada sinuosa de terra batida com inclinação suportável no início, mas que na altura do km 6 se erguia feito muro. Fora de ritmo, só me restou caminhar, trotar e torcer pela chegada que nunca aparecia.


Quando 50 corredores se reuniram para correr os 18 km da Serra do Mendanha, era manhã de domingo. Um sol de brilho crescente iluminava os sorrisos e realçava o colorido das camisetas. O Largo do Mendanha também sorria - um sorriso largo que ninguém via - mas que sentia - um sorriso que no ar se transmitia - feito os sinais das torres para onde se seguia.


Quando 50 corredores se embrenharam no verde foi possível ouvir grilos, cigarras e pássaros. Foi possível sentir o cheiro da jaca madura na mata e morder a manga tirada do pé. Foi possível olhar a flor amarela, o mato verde e o barro vermelho. Foi possível perceber a cor... A água gelada bebida na fonte era o ponto de hidratação. Tudo isso num treino puxado que, sem isso, seria torturante - pois se o corpo sofria, a alma vibrava de alegria!



Quando 50 corredores se reuniram para correr os 18 km da Serra do Mendanha, era apenas o primeiro treinão do ano (!)...

+ foto 1 - corredores antes da largada no Largo do Mendanha;
+ foto 2 - terra batida e mato;
+ foto 3 - corredores na foto oficial de Sergio Pessoa, organizador do evento;
+ vídeo acima - filmado com iPhone e editado por longas horas, mas consegui!

Abraço!
Bira.
Amigos;







Nas fotos: Rosemberg, Antônio, Ozéias, Carlão, Sandro e Murilo... eu estava de bike, no click.

Certa vez alguém disse que "andar de bicicleta ninguém esquece!" Depois disso, a frase foi repetida e comprovada por décadas e décadas. Só que o tempo passou e inventaram o celular. Então foi preciso andar de bicicleta e não deixar o aparelho cair do bolso... Tudo bem, era possível. Ontem no entanto, foi o último dia do ano e meu amigo Ozéias resolveu juntar corredores disponíveis para um derradeiro treinão. Como eu estou machucado segui os caras de bike, apenas para filmar. Levei o iPhone, desastrosamente subi na magrela e pensei:

- E se o autor da frase "... ninguém esquece!" me visse tentando pedalar no trânsito e filmar os corredores, ao mesmo tempo, o que diria?

Mesmo assim deu para filmar e não deixar o celular cair. O percurso foi curto: Vila da Penha - Penha, ida e volta, subindo as escadarias do Santuário onde eu nunca havia pisado. Um treino leve só para motivar um abraço suado de corredor que diz:

Feliz Ano Novo!



Abraço!
Bira
Amigos!

Quis falar do fim do mundo nesse blog, mas tem tanta gente melhor do que eu fazendo o mesmo que quase desisti. Não entendo do assunto e não vou ficar aqui cozinhando textos extraídos de outros sites... Então pensei em pegar o tablet e entrevistar pessoas pelo Centro, na hora do almoço. Escolhi o Largo da Carioca. Faltava eu chamar outro "maluco" para me acompanhar, então pensei no meu compadre Ivan Cândido. Ele foi câmera man e eu de repórter entrevistador. Ninguém sabia direito o que estava fazendo, mas vamos falar a verdade: a maioria dos nossos entrevistados também não aparentava entender do que falava.

Levei um monte de fora, mas encontrei alguns cariocas boa-praça que deram entrevista. Inclusive o Manoel - que aparece no vídeo "pau-da-vida" - deu a entrevista... Tive de cortar muita coisa para a mídia não ficar muito extensa. Outra verdade: não sei editar vídeos... Fiz o que pude! Confira:


Se você assistiu o vídeo acima e gostou muito, pode ser que esteja precisando de algum tipo de ajuda... Se não gostou nem um pouco, só me resta tentar limpar a barra pedindo para você clicar ao lado, nos MAIS LIDOS DESTE MÊS. Lá tem coisa muito melhor!

Abraço!
Bira.
(...) Vestidos com roupas coloridas já que seguiriam, perigosamente, o mesmo fluxo do trânsito, os corredores alternaram entre o acostamento e o gramado da rodovia Presidente Dutra (...)

Montagem sobre foto de Fábio Namiuti do Treinão de Aparecida: Corredores às margens da Dutra.


Fiéis subindo um pequeno morro para orar, diariamente, são vistos da estação do metrô em Irajá. Este fato gerou a postagem O Novo Monte dos Milagres..., ago/12. " Ao escrevê-la, lembrei do surgimento da imagem de Cristo (1971 - foto) em uma pedreira, a quatro km dali. Lembrei da imprensa noticiando o fato que atraía milhares de pessoas. Achei que algo semelhante fosse ocorrer no atual "Monte", ao lado do metrô, mas os tempos são outros... Essa semana voltei a pensar na velha pedreira do Cristo. Afinal, o que foi feito dela?... Fui lá para conferir. Tirei fotos, colhi depoimentos e pesquisei os acervos de jornais na Biblioteca Nacional (BN) e internet... Resultado, quarenta e um anos depois, o Cristo da Pedreira está de volta!..
Montagem com foto da época, comparada com foto atual do alto relevo de Cristo.










De Volta ao Cristo Apagado


INTRODUÇÃO:

Dias desses eu fui pegar metrô na estação de Irajá e percebi fiéis subindo um morrete, ali perto, para orar. Tal fato virou rotina e eu decidi fazer uma postagem com o título: O Novo Monte dos Milagres..., ago/12. 

Lembrei de um fenômeno ocorrido em 1971, quando eu tinha apenas 12 anos: O surgimento da imagem de Cristo em uma pedreira, a quatro km dali. 

Lembrei da imprensa noticiando o fato que atraiu milhares de pessoas ao local do milagre. 

Imaginei que algo semelhante pudesse ocorrer no pequeno morro, ao lado da estação, então batizado de "Monte", mas os tempos são outros... 

Esta semana voltei a pensar na velha pedreira do Cristo. Afinal, o que foi feito dela?... Então, fui lá para conferir...

Para compor esta postagem, tirei fotos, colhi depoimentos e pesquisei nos fotogramas de jornais da Biblioteca Nacional (BN) e da internet... 

Resultado: quarenta e um anos depois o Cristo da Pedreira está de volta!... Segue a história:


I - De Volta ao Cristo Apagado


Amigos!

Depois de 41 anos, eu já nem lembrava direito em que local surgiu o Cristo. Desci do ônibus, em Vista Alegre e na calçada, tratei de procurar um suposto morador com pelo menos uns cinquenta anos para pedir informação. Acertei na primeira tentativa, quando um passante me respondeu:

- É logo ali, sobe a Rua Estremadura e você verá uma praça à esquerda.

Subi, para descobrir que a praça era o antigo acesso à velha pedreira, agora parcialmente escondida atrás das árvores de uma vila. Avistei três pessoas na praça e me aproximei de um homem solitário:

- Boa tarde, amigo!... Você sabe me dizer onde foi que surgiu a imagem de Cristo na pedreira?

- Foi logo ali, atrás daquelas casas - e o homem apontou para um lugar aparentemente inacessível.

- E a imagem ainda está lá? - perguntei - Gostaria de tirar umas fotos, mas to vendo que não dá...

- Dá sim. Vem comigo que eu te levo!

Enquanto entrávamos na vila, lembrei que aquele local foi um campo de futebol de terra batida, margeado por mato e a parede de pedra; invadido pela multidão. Gente curiosa ou sedenta por milagres já não pisava mais ali. Um cachorro preguiçoso bocejava e alguns familiares comiam frango assado, com batata frita e cerveja, à sombra de uma amendoeira. A vila terminava na parede de granito que continha o Cristo.

- Mas onde está o Cristo? - perguntei apertando os olhos.

Demorou um pouco para localizá-lo. A imagem já não é tão nítida, quatro décadas depois. "Era como se o Cristo revelado estivesse voltando para dentro da pedreira" - delirei. Tive que subir na laje de uma casa para fotografá-lo com o tablet, concluindo assim, a primeira parte desta história.

Atencioso, Aécio me aponta o local do Cristo: "Eu era criança, colhia água em vidrinhos para vender aos fiéis..."









II - As Versões de Hoje


Meu recente e prestativo amigo (foto) revelou seu nome e idade:

- Eu me chamo Aécio, tenho 49 anos e já estou aposentado. Não me lembro muito daquela época, pois tinha apenas oito anos. Mas lembro que eu enchia vidrinhos de água que escorria da rocha e vendia aos visitantes. Enchia as mãos de moedas! - complementou sorrindo.

Foi o próprio Aécio que se propôs a me levar ao conjunto que fica acima da pedreira para entrevistar sua tia. No caminho contou que pelo menos três pessoas já despencaram da pedreira, mas que ali ninguém morria. Sua tia, de idade avançada, estava dormindo e nada pode somar.

Voltando à vila, entre os familiares que faziam refeição, falei com a advogada Sandra, 55, na época com 14 anos. Sandra relata que a imagem surgiu no local onde um raio caiu e uma lasca de pedra se desprendeu.

- Como eu  fui criada em família evangélica, observei de longe os fatos. Mas não tinha como ignorar as romarias. Pessoas obtinham graças e pagavam promessas levando réplicas de órgãos humanos moldados em cera. Isso durou cinco anos ou mais. Abaixo da imagem foi fincada uma cruz. Quando as visitas cessaram, uma família retirou a cruz para construir uma bela casa. Não durou muito para uma enorme pedra se desprender do rochedo e destruir totalmente a casa, justamente na hora que mãe e filha estavam saindo ao portão. Ninguém se feriu, mas não sobrou nada!

III - As Versões dos Jornais da Época


Muito além de uma cobertura, o jornal O Dia fez um autêntico sensacionalismo sobre ocorrido na noite de sábado, 16 de outubro de 1971. Se naquela época essas matérias arregimentassem grande público ao local, seus textos, quando lidos hoje nos arquivos da BN, causam risos:

ROSTO DO CRISTO NA PEDREIRA OPERA MILAGRES, 19/10/71:
 
"Figura surgiu com grande nitidez precedida de estrondo, foco luminoso e sons melódicos suaves, parecendo cânticos sacros - Duas crianças caíram de grande altura e foram salvas - Romaria de fiéis á Estrada da Água Grande... Mais de 10 mil pessoas precedentes de Caxias, Nova Iguaçu, Petrópolis e outras cidades... Cerca de 12 mil pessoas residentes no conjunto assistiram á milagrosa aparição e ainda permanecem deslumbradas com o fenômeno... A romaria é impressionante. Pessoas enfermas em busca de cura, em dificuldades financeiras, jovens mal sucedidos no amor. Os moradores recordam com grande emoção e respeito, vários casos ali sucedidos... Teresa Mirtes Caldas, 17 anos, atribuiu ser um verdadeiro milagre, ter passado nos exames vestibulares para medicina e foi rezar ao pé da rocha... Romarias, pétalas e peças de cera de várias cidades do Interior Fluminense... Vigário declara: não vem acrescentar nada à Revelação de Deus... Apesar do calor ontem, cresceu o número de fiéis... Água da pedreira é usada para aliviar doenças... Carrocinhas de doces e refrescos apreendidas... Milhares de pessoas recolhem água da fonte... Padre da Igreja Ortodoxa celebra missa... Fincada cruz de dois metros no alto da pedreira... Pároco de Vista Alegre compareceu ao local para observar." (trechos extraídos de matérias entre 19 e 28/10/71)

Ao que parece, o Jornal do Brasil - JB, ignorou o fato o quanto pôde. Quando o reportou, foi para desmenti-lo.

PEDREIRA QUE ATRAI MUITOS DE MILAGRE SÓ TEM BOATOS, 21/10/71:

"Tudo começou quando um funcionário da Light que vigiava os transformadores ouviu um estrondo causado pela paralisação das máquinas da fábrica de Cimento Irajá. Assustado, ele iluminou a pedreira com sua lanterna, pensando que o ruído partira de lá. Estava sozinho no terreno baldio onde os transformadores ocupam uma pequena área... Descobriu a cavidade na pedra e passou a falar em milagres. Depois desapareceu, mas o boato já tinha se espalhado. Vieram os primeiros romeiros e acharam os restos de cabrito sob a pedra. Para a maioria dos que começaram a visitar o terreno não havia mais dúvidas: O local era sem dúvida sagrado..."

Foto (cique para ampliar) com linha do tempo das manchetes pesquisadas em arquivos da Biblioteca Nacional - Bira.




A Folha de São Paulo exibiu pequenas matérias desmistificando os fatos.22 e 26/10/71.


ROCHA É NOVA EXPLORAÇÃO DE CRENDICE,
"Apesar da visita diária atingir a uma média de 5 mil pessoas, nem todos acreditam nos "milagres"... A crença dos moradores levou à descoberta, no último fim de semana, de novas "imagens" ao lado do "Cristo da pedra dos milagres"... Em 14/11/71 relatou: Apareceu um autor para o Cristo que, segundo os fiés teria sido esculpido por meios sobrenaturais. O contador Sidelio Pires afirma que esculpiu a imagem em 1948, quando morava nas proximidades... Sou um artista amador... conta que há 23 anos decidiu competir com mais amigos quem era o melhor escultor... esculpiram vária imagens além do Cristo...


A Revista Veja dedicou apenas alguns centímetros de parte de um editorial, em 27/10/71: "Nenhum milagre foi documentado no local, mas a afluência de muitos crentes fez nascer um rendoso comércio de pedras (...)".

O extinto Correio da Manhã, publicou foto (acima) na capa e uma pequena matéria:  

MULTIDÃO ESPERA MILAGRE, em 30/10/71:

A notícia andou rápido. Em torno da pedreira dezenas de pessoas com martelo, talhadeira e marreta tentavam extrair pequenas pedras da rocha.

IV - Concluindo


De 71 para cá, muito tempo passou e milhares de velas acesas na pedreira se apagaram. Partes dos fotogramas do jornal O Dia, na Biblioteca Nacional, também se apagou. O Cristo talhado também está se apagando, assim como as pessoas que nem são de granito. 

Coisas mudam com o tempo. Se Vista Alegre virou bairro e se separou de Irajá, a Guanabara foi absorvida pela fusão com o Estado do Rio de Janeiro. O regime militar acabou e a imprensa não potencializa mais fatos como esse para vender jornal.

Quanto aos milagres: eles realmente ocorreram e continuam a existir!
 
Se não foi no Cristo de Pedra de ontem ou no Monte paralelo à estação do metrô, de hoje; o milagre se apresenta nesse conjunto de tempo, pessoas e fatos que talharam essa história na pedreira deste blog.#

Imagens do post:   
1- foto atual do local em comparação com imagem da época.
2- de uma escadaria, Aécio aponta para o local de aparição.
3- montagem feita com paint.
4- recorte do jornal Correio da Manhã.  

Abraços!
Bira.
Amigos!

http://www.birananet.com/2012/11/fantasmas-de-um-corredor.html


Colega corredor tenha calma!... Não precisa fugir desta postagem como gato da água! É bem melhor encarar esse fato sem desespero. Desculpe o rodeio... Até parece que vou dar notícia de falecimento, mas é melhor você estar preparado. Eu vou falar é daquele momento desesperador, quando um amigo corredor liga convidando para um treino e você nem encontra as palavras corretas para dizer:

- Não vai dar, parceiro, eu estou machucado.

Então segue uma pausa de silêncio na ligação, como se o tempo despencasse num precipício. Quem ficou sem palavras, desta vez, foi seu amigo. Num esforço solidário, ele diz algo para ajudar e sincero se despede. Quando o telefone volta a tocar você suspira: ter de repetir a mesma frase para outro colega vai ser um suplício!...

           Superando o Mau Momento


Tendinite, entorse, estiramento e metartalgia
Osteíte, torção, fratura e Lombalgia
Canelite, condromácia, joanete e... Nostalgia.

Não, não estou querendo plagiar Arnaldo Antunes em “O Pulso Ainda Pulsa”, música dos Titãs que fazia rimas com as doenças. Só quero brincar um pouco com nossos fantasmas de corredor. Então, se você continua lendo até aqui, parabéns! Você venceu seus medos!... Agora podemos conhecer os relatos de dois corredores e o que eles fizeram para superar o mau momento da contusão.




             A Falta da Corrida:

- Senti muita falta sim, meu corpo ta muito acostumado, chegar em casa no final do dia e não poder sair para correr foi algo que me deprimiu muito... – Laina.
- Embora eu nunca tenha tomado antidepressivo, o sentimento que eu tinha é de ter esquecido de tomar, faltava aquela dose de alegria que uma corridinha nos proporciona - Luciano.

          ... E Quando os Colegas Chamavam para Correr?

- Tive que aprender a ter muita paciência. Apreciar e vibrar com as conquistas dos amigos. Estive presente nas 24h dos Fuzileiros Navais - RJ e nas 24h na Esteira - POA, admirando e incentivando os amigosrun. - Laina.
- Em nosso grupinho de corrida, os "Pangarés de Araraquara" o longão dominical é quase sagrado... como minha esposa também corre, ela ia com o pessoal e eu ficava em casa, como quem não foi convidado para a festa... O jeito era ocupar a cabeça, com um conserto de alguma coisa quebrada, pensar no almoço (sou metido a cozinheiro) e entreter-me com os filhos. - Luciano.

             O Estado Emocional:

- A ansiedade tomou conta de mim. Tive perda de massa muscular, e isso me irritou muito. As minhas dúvidas sobre o melhor tratamento me incomodaram muito mais. Como qualquer pessoa que fica lesionada, eu queria para ontem a resposta de que “amanhã” (inicio do tratamento) vou voltar a correr (…) Não queria ser uma paciente chata, mas muitas vezes olhei nos olhos dos médicos, foram quatro traumatologistas, e nos olhos dos fisioterapeutas e perguntei: “Quando vou voltar a correr?” “Posso fazer uns trotes na areia doutor?” (…) Tentava obter as respostas; a Luz que só agora está surgindo. - Laina.
- Fiquei desanimado sim, algumas vezes pensei que não voltaria mais e teria que procurar outro esporte (eu também pedalo, mas depois que um conhecido morreu atropelado na Rodovia Washington Luiz fiquei muito assustado, então minhas pedaladas viraram raridade). - Luciano.

Para ambos, o pior já passou. Depois de dois meses, Luciano já não tem mais de trabalhar caminhando na ponta dos pés. Sessões de massagem combinadas com alongamento e aplicação de gelo espantaram o fantasma. "Ontem mesmo, fiz um treino de 20 km em estrada de terra e não senti incômodo algum." - relata. Laina ainda faz fisioterapia, mas já foi liberada para musculação. Inscreveu-se com o marido para a Travessia das Torres de Tramandaí, em janeiro, quando espera já estar totalmente recuperada e diz: "Ter este objetivo está me ajudando muito a não desanimar e seguir rigorosamente o tratamento/fisioterapia."


A gaúcha que na adolescência trocou a corrida pela natação, voltou ao asfalto há sete anos. Orgulha-se de não usar qualquer tecnologia, nem mesmo relógio para marcar o tempo. Mesmo assim não deixou o noivo esperando no casamento inusitado, feito ao cruzarem juntos a linha de chegada da Maratona de Porto Alegre 2012 (veja o vídeo). O mesmo lugar onde o paulista Luciano, após três anos de corrida, vai fazer sua primeira maratona.

*     *     *

A maioria das contusões passa com gelo, o que não passa é o tempo para quem está contundido. Ficar parado, ganhando peso e sem nenhuma carga de beta endorfina, pode ser terrível. Nessa hora não adianta desespero. Pode ser o momento de fazer algo para preencher o vácuo.

Eu tive a ideia de fazer esta postagem porque estou machucado e não posso correr. Aproveitei o tempo para reformular e divulgar esse blog... E funcionou! Os acessos dispararam, depois de cinco anos!... Assim como Laina, que escreveu a postagem Paciência Paciente (link abaixo) para seu blog e Luciano, que foi cozinhar e brincar com os filhos. Coisas simples, mas valorosas podem ser feitas. E no fim das contas a gente pode até agradecer a Deus por ter se machucado.#


Imagens 1: colagem com gimp animada em arquivo .gif.
Imagem 2: fotos do perfil de Luciano e Laina no Facebook.
Imagem 3: vídeo do Youtube "Casamento de Laina na Maratona de Porto Alegre"
Blog da Laina: http://www.confrariaesportiva.com.br/esporte/220-paciencia-paciente.html

Abraços!

Bira
Amigos! 

"Quando tomei aquela atitude, entrei num caminho sem volta: dois anos fora do mercado de trabalho seria cruel! Vários amigos e familiares disseram: Tem certeza disso?... E se você não conseguir passar, como é que vai ser?... Não dei ouvido e segui em frente. Eu já não aguentava mais a iniciativa privada por dois motivos: trabalho em exagero e salário minguado."

Foi dessa forma que Roberto Chapiro descreveu sua atitude mais corajosa, tomada em 2005, aos 28 anos: Sair de um emprego de Assistente Financeiro, sacar 13 anos de FGTS para passar os próximos dois, apenas estudando para concursos públicos.

Naquele fim de período, ele já havia concluído o curso Básico Fiscal, onde estudou matérias comuns para vários concursos. Em nove meses de curso, dividiu seu tempo com o trabalho, o chopinho, o futebol e o churrasquinho com amigos... Tudo bem que não faltasse às aulas. Mas se quisesse se classificar em um concurso, teria de fazer muito mais, e isso, ele sabia.

O aluno mediano, no colegial ou na faculdade, que estudava apenas o suficiente para passar, acreditava na ideia: "concurso público não é coisa para mim!" Foi seu amigo Luiz Gustavo que exorcizou esse conceito e o incentivou a estudar para concursos. Só que, além do trabalho exagerado, havia outras atividades que ocupavam seu tempo. Então Chapiro tomou a decisão de concentrar-se apenas no estudo.

Atrás do Biombo e Diante da Janela

Quem quisesse encontrar Chapiro em 2006, teria de procurá-lo atrás de um livro. Matriculou-se na turma de simulados que realizava provas inéditas, com alto grau de dificuldade, aos sábados. Durante a semana estudava onde quer que estivesse. Deu adeus aos happy hour de sexta! Às peladas de sábado! Aos churrasquinhos e amigos!... O mesmo livro que aberto, diante de si, era uma janela para o futuro, ironicamente, também era um biombo que o separava do presente.

- 2006 foi um ano de simulado e dedicação exclusiva aos estudos - relata.

Enquanto os ataques do PCC paralisaram São Paulo e os de Zidane, o Brasil, Chapiro parado estudava. Enquanto uma deputada gorducha criava a Dança da Pizza em Brasília, Chapiro não dançava no baile e estudava. E quando Zidane perdeu a cabeça ao lança-la no peito de Materazzi, Chapiro manteve a sua e estudava.

Uma notícia, no entanto, não passou despercebida por Roberto Chapiro: a colisão de dois aviões exibida no Plantão da TV. Foi quando seus olhos descarrilharam das linhas do livro de Contabilidade e se chocaram com as imagens da tela. Sua mente parou de processar a leitura para repelir o medo. Afinal de contas, ele já tinha comprado passagens para o réveillon em Fortaleza - mais que um passeio, uma recompensa para um ano tão puxado. Era setembro e faltavam poucos dias para o concurso da AGU - Advocacia Geral da União. Ele queria fazer uma ótima prova e depois voar tranquilo para o Nordeste.

Se o choque entre as aeronaves Legacy e Boeing deflagrou uma série de crises no setor aéreo, não impediu Chapiro de curtir o réveillon na capital cearense. Já sabia que estava classificado na AGU e viu seu futuro cintilar entre os fogos.

Em 2007 continuou na rotina dos simulados e prestando novos concursos. Foi aprovado como Gestor Tributário da SEFAZ MG - Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais. Enquanto não era chamado para a AGU ou SEFAZ, continuou estudando. Em 2008 classificou-se como Contador da Prefeitura de Niterói e foi logo chamado. Trabalhou ali até agosto, quando saiu a nomeação para a SEFAZ MG. Quando estava de malas prontas para Minas Gerais, em setembro, foi nomeado na AGU e optou por ficar no Rio, perto da família. Trabalhou na AGU por quase quase três anos.

Quando, em outubro de 2010, saiu o edital para o sonhado concurso no Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro TCMRJ, Chapiro não estudava há três anos - tempo que ficou na AGU.

- Era um edital pesado, pois tinha muita coisa para estudar. Tive de "me virar nos trinta" já que trabalhava na AGU e ministrava aulas de Contabilidade em cursos preparatórios. 

A prova seria em fevereiro de 2011 e ele teria apenas quatro meses. Então, adeus Natal! Adeus Ano Novo! Adeus tempo livre! Chapiro mergulhou de novo nos livros, mesmo que estivesse no metrô, no ônibus ou numa sala de espera. Mesmo que fosse visitar sua irmã no hospital. Mas tudo isso valeu: Esta semana, a poucos dias de se casar com Helô, Roberto Chapiro me contou sua história nos intervalos de seu trabalho como Técnico de Controle Externo do TCMRJ. #


Concurso Público: É para Qualquer Um!

por Roberto Chapiro. 

Concurso público é a forma mais democrática de se alcançar um emprego digno. Só depende do seu esforço. É pra qualquer um. Não precisa ser inteligente, precisa, sim, ter disciplina para estudar. 

Ao longo da minha vida fui um aluno mediano. Inclusive, estudei em escolas que não me exigiam tanto e ainda assim passava ali “raspando”. Nunca tive o hábito de estudar, pois este só consegui criar quando comecei a enxergar a possibilidade de passar num concurso e dar uma “guinada” na minha vida. Enfrentei muitas dificuldades nessa trajetória, pois minha base era fraca. Mas, corri atrás do meu prejuízo. 

Algumas pessoas perguntam: Quantas horas deve-se estudar por dia? Quantos anos são necessários estudar pra passar em concurso público? Tenho que me trancar em casa estudando? Amigo, não tem uma regra exata. O que posso dizer é: Dê um passo de cada vez. Matricule-se em um curso preparatório. Se, já no início você conseguir estudar dez horas por dia, ótimo! Caso contrário, comece estudando meia hora e vai aumentando aos poucos, ganhando ritmo. 

Nunca pensei que conseguiria estudar 12 horas por dia e acabei fazendo isso por algumas vezes. É claro que não é todo dia que alguém acorda disposto a enfiar a cara nos livros por 12 horas, mas se você está focado num objetivo, acabará fazendo esta façanha sem perceber. Na verdade, não é a quantidade de horas que se estuda que vai determinar a sua aprovação ou não, mas sim a qualidade que se imprime nos estudos. 

O que acontece, na realidade, é que por ser muita matéria terá que gastar suas horas com os livros. Isso é inevitável! Não é preciso abandonar sua vida social, mas tenha em mente que não se pode ter tudo. Se você gosta de sair, escolha um dia da semana pra sair e pronto. A semana tem sete dias, nos outros seis, você estuda. Isso não será pra sempre, é temporário, até a sua aprovação. 

Invista em materiais voltados pra concurso, em cursos preparatórios. Hoje em dia temos sites especializados em concursos públicos onde você pode assistir às aulas em casa. Entre de cabeça nesse projeto, pois é recompensador! Estabilidade profissional não tem preço.#



As Imagens: 
1- Chapiro ministrando aula de Contabilidade na Academia do Concurso; 10-11-12.
2- Montagem de fotos recortadas com Gimp e sobrepostas em arquivo .gif.
3- Sala de aula de ponta-cabeça, clicado em 10-11-12.

Para seguir esse blog, clique em "participar deste site" na lateral superior à direita. São apenas três cliques e você receberá as atualizações, assim que publicadas! 

Abraços!

Bira
Amigos;

Precisar não precisa: era início dos anos 80 e o Zeca jogava cartas comigo na Praça. Ele chegava no fim da tarde no velho fusca repleto de adesivos do PDT. Discutia política e jogadas sem perder - o humor, é claro!

Certo dia ele não apareceu e ninguém podia imaginar que estava morto. A notícia chegou com uma semana de atraso. Eu não fui ao enterro nem na missa, mas em sua homenagem escrevi um poema que não li para ninguém: Quem joga na praça não lê poemas, tão pouco poemas concretos. De concreto ali, só os bancos da praça...

Era início dos anos 80, não tinha blog ou internet, e a  primeira versão do poema ficou assim:

(...) Vocês não têm ideia do que é cuidar de 200 cachorros!... Nem mesmo assistindo ao vídeo abaixo, feito quando visitei a casa de Renata Brito, em Anchieta, terão ideia exata (...)

Para perseguir o sonho de socorrer cães famintos e doentes, Renata saiu da Barra (A) para a Baixada (B) e hoje mora em Anchieta com 200 animais.




O Sonho de Renata

Amigos!

Vocês não têm ideia do que é cuidar de 200 cachorros!... Nem mesmo assistindo ao vídeo abaixo, feito quando visitei a casa de Renata Brito, em Anchieta, terão ideia exata. Eu também não sabia o que encontraria e cheguei ali de tênis, calça esportiva e camisa dry, novinha em folha. Depois de conversar com seu companheiro Adilson Taipan, na calçada, falei que queria subir para filmar os cachorros antes que anoitecesse. Ele me olhou de cima a baixo e disse: "É melhor você trocar de roupa." Ofereceu-me chinelos, camisa e bermuda surrada. Enquanto eu me trocava, antevi que não seria fácil encarar a cachorrada.

(...) Entre as música e os gestos habitavam anjos invisíveis!... Sim!... Naquele lugar havia anjos e uma força indescritível invadia a alma.  Eu não tive mais dúvidas de que completaria a prova! (...)

Os primeiros quilômetros da prova...

Um Corredor de Anjos

Amigos!

Na manhã de domingo passado, havia um lugar na Argentina onde a crise econômica não entrou. Um lugar sem paredes, sujeito à chuva e ao frio. Mais precisamente, um caminho de asfalto, onde 8.000 pessoas corriam em trajes de cores flúor. Um caminho entre as árvores do parque, os prédios do Centro e os antigos guindastes de Porto Madero.


Concentração da largada...

Ah!... Se todos 41 milhões de argentinos pudessem correr a Maratona de Buenos Aires!... Se as incertezas que vivem pudessem dissipar, durante a prova, como dissipou minha incerteza de completá-la! Quando larguei sentindo dores ao pisar com o pé direito e pensei: "Vou continuar até onde der, ou, se a dor parar, vou prosseguir..." O corpo aqueceu e a dor foi cedendo. Em alguns momentos, cheguei a esquecer da contusão e comecei a me divertir na corrida. Ouvia música e tirava fotos com o iphone, mas não consegui clicar um cachorro maratonista que surgiu no KM 10 e reapareceu no 16. Com meio palmo de língua para fora, o cão provocava risos entre os corredores e nem deu para eu conferir se ele acompanhava seu suposto dono.

Os corredores são muito bem tratados na Maratona de Buenos Aires. Há vários pontos de hidratação com Gatorade e água mineral que, fora dali, no comércio onde a crise perdura, pode custar até 15 pesos - uns R$ 7,00(!). Em três pontos da prova são distribuídas bananas, laranja e frutas secas - justamente na hora que o corpo pede. Detalhes que colocam a BA Maratón no topo das corridas que já participei.


Na metade do percurso surge La Bombonera, estádio do Boca Junior...

Depois de largar nas imediações do Estádio do River Plate e passar, incólume, frente à Bombonera (foto ao lado), do rival Boca Júnior, cruzei o portal da meia-maratona com 1:43h. Sentia-me bem e até vislumbrei em fechar os 42k com 3:25h, mas logo caí na real: "Nas atuais circunstâncias, bastaria completar com qualquer tempo".

Em Puerto Madero surgem os primeiros sinais cansaço e as providências de um staff que faz diferença...

O melhor de BA Maratón, no entanto, estava por vir. Quando percorremos as docas de Porto Madero, na altura dos quilômetros 30, quando as forças dos corredores começavam a exaurir, uma música instrumental surgiu ao longe. Na medida que nos aproximamos, aumentava o som e o envolvimento da melodia. Então vimos um corredor de pessoas aplaudindo e incentivando quem passava. Elas vestiam coletes de onde pendiam hastes, por traz dos ombros, que sustentavam cartazes sobre a cabeça, com as inscrições: "Força!... Você consegue!..." e etc.

Entre as música e os gestos habitavam anjos invisíveis!... Sim!... Naquele lugar havia anjos e uma força indescritível invadia a alma.  Eu não tive mais dúvidas de que completaria a prova!

Ah!... Se os 41 milhões de argentinos pudessem passar pelo corredor de anjos de Porto Madero!... Se todos os povos e pessoas em crise pudessem sentir o que sentimos naquele lugar!... O choro da chegada foi derramado ali mesmo e tudo mais que viesse até a chegada, ou mesmo a própria chegada, seria menos relevante.

Capa de plástico para proteger do frio e da chuva...






Depois disso é claro que completei (3:34), festejei com o Sandro Rodrigo (3:06) que estava radiante por ter conseguido seu melhor tempo em maratonas - ele é corredor de Meia.


Meu amigo Sandro Rodrigo completa a prova feliz da vida!

Inesquecível, no entanto, foi correr entre os anjos de Porto Madero.

Abraços!
Bira. 
(...) Hoje, a poucos dias de disputar a finalíssima do Prêmio Multi Show de Humor, assisti suas apresentações nas eliminatórias do concurso (vídeo abaixo) e, orgulhoso, retornei para entrevistá-lo (...)

Capa da Revista Ast-Rio com foto do Léo.