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Diário de Treinos no Whatsapp - X

(Rio, quinta, 13.10.22)

CORRENDO NA OLIVEIRA BELO

Se você quer voltar a caminhar, até mesmo a correr, procure um local público parecido com a Avenida  Oliveira Belo, na Vila da Penha. Fiz isso há 15 anos, e muita coisa mudou para melhor. Foi como um efeito dominó invertido: quando o último dominó derrubado se ergue, levantando o outro que está em cima e sucessivamente todos ficam de pé!

ASSUMA SEU LUGAR NA PISTA!

Ao pisar na pista de pedrestre não fique tímido e entenda: Enquanto você se mover ela é sua. Não tenha apego pelo espaço deixado para trás e prossiga, conquistando mais. O meio metro quadrado que você deixou, há instantes, já é de outra pessoa; aceite. No entanto, o momento é só seu; usufrua!

Esqueça o fato de que ainda não conhece ninguém no local. Mesmo que você conhecesse, veria que cada um tem seu ritmo e que se desgarram. O que liga as pessoas é uma aura de energia e sonhos. De objetivos confessáveis, como: perder peso, desanuviar, ou melhorar a saúde. De objetivos não confessáveis, como: ficar mais atraente ou vencer uma depressão.

Na Belo conheci meus primeiros amigos de corrida, mesmo estando beirando uma idade em que é difícil fazer novos amigos. Não durou, no entanto, para que a Belo ficasse pequena e toda cidade me servisse de pista, expandi.

HOJE FUI PARA A BELO

Hoje, só foi possível sair para correr às 18h, quando o trânsito está intenso e chão mais traiçoeiro. Eu precisava manter meu volume de treino e fiz 10 km na Oliveira Belo, um local mais seguro.#

RESUMO

De manhã: Musculação na Academia Race.

À noite: 10 km de corrida.

Ritmo: 5,27 / km;

Tempo: 57m


Até a parte XI

Abraços!

Bira.

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Diário de Treinos no Whatsapp - IX

(Rio, quarta, 12.10.22)

Correndo na Ilha do Catalão

Acredito que você nem faz ideia de onde fica a Ilha do Catalão. Se recorrer ao Google Maps verá que o pedaço de terra não está cercado de água por todos os lados e um provável aterro o transformou em pequena península, rente ao Fundão da UFRJ. Foi para lá que meu amigo Murilo apontou quando me chamou para correr nesta manhã.

Chegamos no estacionamento do campus às 7:30h. Saímos às  8h em um pequeno grupo de cinco pois muita gente não foi. O sol também não esteve presente, muito embora todos dissessem que o jornal da TV garantiu o tempo bom... Briquei com eles que a previsão deveria ter sido feita pelo Data Folha, pois nada indicava que o céu se abriria. Pelo menos não chovia para elamear o percurso de terra batida, mato e folhas.

Quatro rodopios pela ilha valeram 12,5 km no total. Valeram também colocarmos em dia a conversa e nos atualizarmos do paradeiro de alguns amigos corredores desgarrados.

As trilhas da Reserva Ecológica do Catalão serpenteiam entre espécimes da mata atlântica. Fazem sobe e desce entre o coro desconexo dos pássaros que se camuflam entre os galhos - corredores atentos pouco conseguem tirar os olhos do chão traiçoeiro das trilhas, senão quando param - é na visão periférica, portanto, que se revela a beleza. A beleza da mata é percebida não apenas com os olhos, outros sentidos se aguçam e o corredor, sem perceber, se torna um ser mais íntegro. 

Nos arredores daquela ilha o mar atira a poluição que o carioca e o fluminense despeja nos rios. As finas faixas de areia denunciam tal crime, e as pequenas praias que um dia foram propícias, hoje jazem cobertas de lixo.

Diz a lenda que a seleção brasileira tri campeã do mundo comemorou o feito naquele local. Acredito que seja verdade, então sinto uma inveja anacrônica: éramos felizes sem saber!#

RESUMO:

Distância: 12,5 km;

Ritmo: 6,28 / km;

Tempo: 1h 20m


Até a parte X

Abraços!

Bira.

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DIÁRIO DE TREINOS NO WHATSAPP - VIII

(Rio, segunda, 10.20.22)

TREINO VIRA-LATA

Hoje escolhi treinar nos arredores de Irajá. Percorrer pedaços da Vila da Penha, Vista Alegre, Colégio e Coelho Neto. Sinto não ter nenhum ponto turístico ali, para eu poder tirar umas fotos, além do ridículo letreiro "EU AMO IRAJÁ" instalado no gramado da praça principal. 

Tudo bem... Eu também amo Irajá! Mas tenho que admitir que meu bairro é feio, mal tratado e medroso. Seus muros estão desbotados e ornados por concertinas de arame farpado. Cada um de seus postes sustentam emaranhados horrendos de fios, sob os quais transita o Carro do Ovo, o da Fruta, o do Camarão e tantos outros... Aqueles veículos estão aos pedaços, mas seus auto falantes têm potência para estourar qualquer cabeça. E no quesito "Fazer-o-quê" os ouvidos do suburbano só perdem para os do morador da favela que tem baile funk até o sol raiar!

MEU TREINO

Mas vamos correr e deixar para trás os problemas: No meio do trote, eu percorria uma rua secundária e sem trânsito. Um vira-lata, balançou o rabo e fez menção correr comigo. Cachorros vadios adoram corredores, ao contrário dos cães aprisionados que se não podem me morder, descontam sua raiva no portão.

Faz tempo, quando eu passei correndo pela Penha Circular e outro vira-lata começou seguir. Subi o viaduto, rumo à Bonsucesso, e o cão continuou na minha cola. Fiquei preocupado dele se perder e parei o meu treino. Perguntei nas ruas próximas se alguém conhecia o dono do animal que não largou do meu pé. Decidi voltar correndo para casa com o atleta de quatro patas ao lado, às vezes à frente!... O "cara" corria muito e imediatamente lhe batizei de "Runner". Não teve outro jeito; levei o cão corredor para casa, mas resumindo: no outro dia ele fugiu.

Meses depois, inesperadamente, eu passava correndo e vi o Runner em frente a uma borracharia, não muito longe do local onde ele me seguiu. Fiquei feliz em saber que estava bem, aproximei-me, puxei assunto, mas o cachorro (no pior sentido da palavra) fingiu que não me conhecia! - Histórias de corrida.#

RESUMO

Hoje fiz academia na manhã e 17,5 km de corrida no fim da tarde: foi apenas mais um treino vira-lata, graças à Deus!

Até a parte IX

Abraços!

Bira.

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Diário de Treinos no Whatsapp - VII

Rio, sábado, 08.10.22)

DESARQUIVANDO A MINHA BIKE!

Tenho medo de andar de bicicleta. O trânsito já me roubou alguns amigos ciclistas e eu fiquei traumatizado. Este ano, no entanto, eu cheguei a pensar que nunca mais voltaria a correr a pé. Sendo assim, andar de bike poderia ser a opção: correr o risco de me equilibrar sobre duas rodas, dispensando a doce e venenosa estabilidade dos sofás. 

CUSTO-BENEFÍCIO 

Certo dia eu entrei na Decatlon do Shopping Nova América e deparei com aquele paredão expondo bikes. Chamei um vendedor especializado e fiz a seguinte pergunta: "Se você estivesse iniciando no pedal, hoje, qual dessas bikes compraria?" Depois de 10 minutos de conversa eu estava comprando a melhor custo-benefício do momento, além dos acessórios.

Já era tarde, fiquei de pegar meu brinquedo no dia seguinte, em horário de pouco trânsito. De nada adiantou, porque houve atraso na montagem da bike e eu saí pedalando em meio à corriola de carros na Avenida Martin Luther King. A tensão enrijeceu meus ombros novatos (feliz de quem consegue ser novato em algo, aos 63 de idade!) mas eu sobrevivi, chegando em casa... Ufa!

Já no terceiro treino, arrebentei a corrente da bike na subida da ladeira. Depois deixei a magrela de lado até que hoje fui pedalar na ciclovia da Zona Sul. Do Aterro ao Leblon, ida e volta, percorri 30 km. O céu nublado não teve coragem de desabar toda chuva que continha, então as praias ficaram cheias tanto quanto o Aterro movimentado. Pela primeira vez lamentei não ter ciclovias iguais no subúrbio e acompanhado da bike fomos para casa de metrô.

Até a parte VIII...

Abraços!

Bira.

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Diário de Treinos no Whatsapp - VI

Rio, quinta, 06.10.22)

TREINO CAÇA-LADEIRAS

À primeira prova, as subidas de ladeiras podem ser amargas feito jiló, mas depois o corredor se acustuma, chegando até apreciar seu sabor.

VENCENDO A LADEIRA 

Estou correndo e vejo uma ladeira lá na frente. Ainda dá tempo fugir na próxima esquina ou subir e encarar. O pensamento relutante faz a rota de fuga passar e a ladeira se aproxima. Posso voltar pela mesma rua, mas só de pensar sinto vergonha de mim mesmo e resolvo encarar.

Incorporo otimismo e venço os primeiros metros, enquanto a subida se torna mais íngreme. Tento manter a passada em vão e tenho a sensação de correr na contramão de uma esteira, desprendendo todo esforço para avançar. 

Passantes me ignoram, mas eu tenho a impressão que me olham, então não quero parar. Já venci metade do percurso e o percurso venceu 70% de mim. Deixo de lado estes cálculos e tento conter o coração que quer saltar do peito. Este, alimenta sua fornalha inflando e desinflando velozmente. Sinto que o ar não é suficiente, mas chego ao topo antes de me esgotar!

Caminho um pouco, me recupero e toco o treino na descida. Agora vou com calma para poupar os joelhos. Quem criou a frase: "na descida todo santo ajuda" nunca foi corredor!

Prossigo caçando ladeiras e percorro 10,5 km. Não demora meu corpo vai acostumar, de novo!


Até a parte VII...

Abraços!

Bira.




DIÁRIO DE TREINOS NO WHATSAPP - V

Rio, quarta, 05.10.22)

CORRER E FALAR:

Falar de mim para o público é como pilotar um carro de Fórmula Indy, em circuito oval, a 350 km por hora. É passar, feito raio, a meio metro do guard rail de concreto. Se eu não bater, subo ao pódio e estouro a champanhe da glória. Se eu bater, no entanto, desço pela rampa dos loucos, narcisos e fracassados... Tudo bem: Para manter-me ativo, vale o risco! Falar de mim é uma estratégia para continuar correndo e não querer parar.

RECOMEÇO:

Esqueço os prejuízos de dois anos sem poder correr e retorno aos 63 de idade! 

Ressurjo em versão WhatsApp - sou adaptável

Comprimo textos para encaixarem no seu celular ou sua paciência.

E assim sobrevivo, ganhando nada além daquilo que não tem preço.

Esteja atento: vou passar correndo na sua rua, diante da sua casa. Vamos trocar acenos e sorrisos. Se puder me siga ou simplesmente viaje no sonho que eu vou lhe deixar.

MINHA CORRIDA DE HOJE

Foram apenas 14,5 km de treino leve, entre Irajá e Del Castilho, ida e volta, beirando o metrô.  Dar volume de treino e manter o percentual de peso perdido era o foco. Nuvens carregadas ameaçavam o subúrbio, mas do alto vinham apenas disparos (brincadeirinha).

À tarde fiz uma hora de musculação com muito custo, pois ainda não estou readaptado.

À noite o sangue ainda fervia. Vesti rubro-negro e fui pro Maracanã, já que ninguém é de ferro!

Até a parte VI...

Abraços!

Bira.


Diário de Treinos no Whatsapp - IV

(Rio, quarta, 05.10.22)

Dia Off, Sonho On!

É inevitável: com apenas um mês e meio de retorno aos treinos e eu já me pego sonhando em fazer a Maratona do Vinho, em fevereiro de 2023. A prova é das mais difíceis, são 42km em meio aos vinhedos da Serra Gaúcha. A paisagem é das mais belas, pelas trilhas ornadas por milhões de pencas da uva madura e cheirosa, em plena época de colheita. Há trechos de subida forte, onde apenas poucos conseguem correr sem se esgotar. Há trechos de descida forte, onde apenas poucos conseguem correr sem se desequilibrar.

Os habitantes dos vales atiram sorrisos aos corredores, dos parapeitos das varandas de madeira. Nas porteiras dos sítios são colocados cestos de uva fresca e doce, basta pegar. Em meio à prova, de 2020, eu não resisti e peguei um cacho, mas não consegui correr e chupar, pois a boca fechada pelo gesto impede a respiração.  Comparando: correr chupando uva é como assobiar chupando cana!

Volta e meia eu interrompia a corrida para fotografar a beleza das montanhas e vales. Por isso fiquei surpreso ao descobrir que, na minha faixa etária, eu fora o segundo colocado com direito a troféu.

A chegada da prova foi em um imenso gramado semelhante a um campo de futebol. Estirei-me longamente no verde para me recuperar. Músicas e danças do folclore gaúcho se exibiam num palco, recobrando o movimento de corredores dançarinos. Outros corredores subiam no pódio para receberem seus troféus. Barracas no entorno gratificavam frutas, lanches e um delicioso chopp de vinho numa organização sem igual. 

A Maratona do Vinho foi minha última antes da lesão, quem sabe será a primeira no meu retorno?: Dia off, Sonho on!

Até a parte V...

Abraços!

Bira.



Diário de Treinos no Whatsapp - III

(Rio, segunda, 03.10.22)

VOLTANDO A MALHAR:

Em verdade vos digo: se você não gosta de levantar peso, dispense a academia, mas esteja pronto para levantar seu próprio peso cada vez maior!

Não se irrite, é humor em negrito, apenas para dizer que hoje eu voltei à malhar. 

Nunca gostei dessa atividade. Faço apenas por reforço muscular, devido à Corrida, mal começo já conto o tempo daquilo acabar.Esqueço o nome dos aparelhos e a maneira correta de executar  movimentos. Adquiro o pacote anual, pago em 12 vezes no cartão de crédito, para não desistir no caminho.

Cheguei na Academia Race à tarde, com pouca gente no ambiente. Peguei leve para o corpo não doer depois. Foram quase duas horas quando eu pensei: "Se estivesse correndo, já teria feito prazerosos 20km...", então decidi correr pelo menos 5km depois da musculação acabar. 

Não corro em esteira, gosto de chão e fui para a rua. O chão nem sempre gosta de mim, por isso me benzo e peço a Deus para não cair. Já levei vários tombos e nunca esqueço dos locais: Aterro, Avenida Brasil, Bonsucesso, Vila da Penha, Saquarema, Jericoaquara e etc. Quebrei óculos, celular, ganhei marcas nos joelhos... Mas, vamos mudar de assunto?

Pois bem: imagino que neste momento a felicidade é tão grande, diante de mim, que eu não consigo enxergá-la direito sem ter que me afastar. Então melhor ficar perto, e perder a noção do seu tamanho, e por fim vislumbrar o meu próximo treino! Até lá!

Até a parte IV...

Abraços!

Bira.



DIÁRIO DE TREINOS NO WHATSAPP - II 

(Rio, sábado, 01.10.22)

MUSEU DO DIA DE HOJE:

São 12h e 15min na reformulada Praça Mauá, no Centro do Rio. O sol disputa terreno com as nuvens, feito atacante com zagueiros, dentro da área, antes da cobrança de escanteio. Não sei dizer se faz frio ou calor, pois acabo de encerrar meu treino. Foram pouco mais de duas horas correndo os 21,5 km que separam meu bairro daquele local.

Uma feirinha expõe bugigangas e roupas para turistas em frente ao Museu do Amanhã. As figueiras amparam alguns bancos de concreto em suas sombras, onde eu me sento para descansar. Uma brisa seca o suor do meu corpo e eu retiro a camisa encharcada, vestindo um quebra vento em seu lugar.

Estou bem: consegui refazer um trajeto rotineiro e antigo, tanto quanto a Perimetral que não está mais ali. 

Ainda não estou preparado para esticar este treino até Copacabana ou Leblon, como antes. Rechaço esta ambição para ser feliz na reconquista de hoje.

- Até a parte III...

Abraços!

Bira.



DIÁRIO DE TREINOS NO WHATSAPP - I

(Rio, 30.09.22)

INTRODUÇÃO:

Estava com medo de dizer: "Voltei!". Sou medroso diante das coisas que não quero perder. Minha Corrida é uma delas, por isso ganha este "C" maiúsculo, que mesmo assim parece pouco.

Voltei, a correr entre julho e agosto, passados, depois de quase dois anos parado devido à lesão. Meu corpo engordava enquanto o ânimo emagrecia, então comprei uma bike e redescobri o medo. Medo de me equilibrar no trânsito e tragicamente morrer sob as rodas de um carro... Fazer o quê?: Em se tratando de morte, ficar parado também é morrer aos poucos!

Fiz apenas três pedaladas, até arrebentae as correntes da bike em uma subida. Então, no dia seguinte resolvi correr um pouquinho (a pé), outra vez. Com oito quilos acima do peso senti falta de fôlego, mas percebi poderia voltar, quem sabe, aos poucos a correr. Reconquistar o meu cantinho de asfalto, rente ao meio-fio, nas contramãos do subúrbio!...

Deus seja louvado: já estou voltando!

Agora avancei outro pouco e me rematriculei na musculação. Confesso que não gosto de malhar, mas é um mal necessário, reforça os músculos de quem corre. Com isso eu tenho a bike, a academia e a Corrida para encaixar no dia a dia: Já estou quatro quilos mais magro!

Até a parte II...

Abraços!

Bira.

Carta para o Amigo Paulo Portela (I)


Prezado Portela;

Hoje acordei assustado, com a voz de alguém me chamando lá no portão: "Biraaa!". Olhei para a janela, mas ainda não havia amanhecido. Portanto, não estava na hora dos pedreiros chegarem (tem reformas sendo feitas por aqui). A voz me chamando foi um sonho, sem imagem. 

O celular apontou 4:01 da manhã e, sem sono, falei com minha esposa, depois danei de pensar no que tinha feito:

Começou em novembro, quando resolvi reparar o muro com reboco estufado. Deu certo, mas disparou um monte de outros reparos e pinturas... 

Em dezembro e janeiro, eu já tinha pintado o interior da casa quase toda (dia a dia, cômodo a cômodo). Reformei um banheiro no terraço. Comecei a pintar a casa por fora. Fui alugar andaimes, comprei cinto de segurança. Explicando melhor, minha casa é tipo apartamento: moro nos segundo e terceiro andares. As paredes são lá no alto, quase inacessíveis, mas isso não me parecia empecilho...

Enquanto isso, eu já estava trocando a antiga mesa de jantar por nova. Lá na loja de móveis vi sofás a bom preço e troquei pelos velhos. 

Em outra loja de móveis, tinha os guardas-roupas que a minha mulher precisava. Tirei fotos do móvel e ficou para "comprar depois". Esse depois, aconteceu por acaso, em duas semanas apenas, quando uma funcionária do banco (para bater meta) me ofereceu refinanciar um consignado (baixando os juros!), mantendo o valor e quantidade de parcelas, no novo contrato, ainda me dando um belo troco (!) (coincidência ou sorte?!).

Voltando às pinturas, o locador dos andaimes se ofereceu para pintar a casa por fora e ainda corrigir problemas. Analisei o preço que ele deu, mas não estava nos meus planos... Por fim, eu cheguei à conclusão que não conseguiria pintar sozinho e contratei.

Agora março está chegando e a casa está renovada, faltando alguns detalhes, mas... 

Por que eu estou te escrevendo esta carta virtual?

Provavelmente é porque o tempo vai passando e levando os amigos. Quanto mais tempo passa, menos amigos se têm. Amigos inteligentes quase não existem, pelo menos para mim. A maioria dos que parecem inteligentes são apenas calados, como disfarce. Deve ser por isso que eu me tornei corredor, compensando a solidão no rastro de gente ao redor. No final das contas, nesta vida, todo mundo passa como um rastro...

Mas veja a ironia: Foi preciso que eu me lesionasse (estou há sete meses sem correr) para ver os problemas da casa. Não se trata de "fazer do limão uma limonada": minha lesão já era uma limonada pronta! Não fosse isso, eu estaria correndo sem tempo para reparar o muro e consertar um monte de coisas, que é preciso estar parado para ver, ou lesionado no meu caso.

Eu tenho um defeito - que para os amigos pode ser visto como qualidade: quando me foco em algo, tudo ao redor pode virar onda e passar batido. No entanto, naquilo que foco em geral fica muito bem feito... Daí a importância de ter amigos, para me julgar pelos acertos! 


Aquele abraço!

Bira

Vídeo: Um-Corredor-Como-Você...



Um-corredor-como-você acordou de manhã, tomou banho, café e saiu para treinar. Deparou com a cidade estirando tapetes de asfalto molhado de orvalho, para ele pisar. Uma brisa suave fez carícias em seus ombros enquanto os pássaros saudavam a manhã. Aquele ar renovado penetrou no seu peito, refrescou sua alma e animou sua largada... Então, pôs-se a correr e a aquecer feito o dia!


Um-corredor-como-você dobrou dezenas de esquinas e migrou entre os bairros, enquanto o sol se elevava e a manhã se perdia. Pouco a pouco, o calor expulsou o orvalho do chão. Gradualmente, o burburinho da metrópole abafou a cantiga dos pássaros. Logo, logo, o batuque das suas passadas não alcançaria mais os seus ouvidos. Muito menos os bipes do frequencímetro ou o pulsar do coração... É que uma orquestra confusa de buzinas, freadas e autofalantes poluíram o dia. Feito um corredor, fora de forma, o dia começou a ofegar.

Um-corredor-como-você ignorou os problemas do dia e fez verter no suor os seus próprios problemas. Sentiu-se livre como o vapor que dele saía. Pegou carona no vento e, sem se importar, misturou-se à fumaça que no ambiente crescia. Fez parte do caminho por onde passou por eternos instantes. Cada passo que deu, configurou uma conquista de si mesmo ou da cidade:

-- Outra rua, outro bairro!... Novas descobertas na mesma metrópole e novos desejos no mesmo ser!... Desejou correr pelo mundo e essa utopia fez seus olhos brilharem!

Um-corredor-como-você esqueceu que enquanto corria seu corpo exauria e não queria mais parar. Correu até o cansaço da manhã. Depois, aplacou a sede na fome da tarde. Por fim, recuperou seu o corpo no sono da noite. Até que outro dia lhe acordou renovado:

-- Outra manhã, outro despertar!... Novas descobertas na mesma cidade e novos caminhos dentro e fora do ser!... Sem querer, fundiu todo o mundo na visão distorcida pelo balanço de outra corrida!

Um-corredor-como-você é condutor da esperança no olhar que une o mundo. Humano que é, ele pode até sorrir e sofrer no decurso do mesmo dia, mas sabe que tem sempre outra manhã a lhe esperar!

Abraços!

Bira.


Vídeo - Correr, Tropeçar, Chorar e Sorrir...




Se o dependente químico soubesse do poder da endorfina,

Deixaria de lado as drogas ilegais.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Cheiraria de novo o frescor esquecido da manhã!

Se o alcoolista soubesse do prazer de um gole d'água, após a corrida,
Deixaria de lado a outra bebida.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Brindaria de novo o sabor esquecido do dia!

Se o depressivo soubesse do alívio que traz um abraço de corredor,
Deixaria de lado os remédios.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Choraria pelos poros o suor esquecido dentro de si!

Se o compulsivo soubesse da força que arrasta os corredores na largada,
Deixaria se levar por ela.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Repetiria os passos esquecidos nas corridas da infância!

Se o Workaholic soubesse da lucratividade dos treinos com amigos,
Deixaria de lado a caneta e o terno.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Suaria no escritório esquecido que tem vento, chuva e sol!

Se o corredor soubesse por que não é um alcoolista ou depressivo,
Teria medo de parar de correr.
Mas o melhor é não ter medo,
Que está na origem dessas doenças.

Se o corredor dissesse que a corrida lhe trouxe saúde,
Outro rebateria, que a corrida lhe conduziu à saúde,
Mas tudo terminaria num pique,
Como nos Tempos das Descobertas de infância!

Se você estiver pensando que não há nada mais para descobrir na vida.
Se você estiver desiludido, recorrendo às drogas ou ao excesso de álcool...

Se você tiver tristeza demais,
Se estiver comendo demais,
Trabalhando demais,
Demasiadamente demais...

Lembre que quando criança
Você corria e sorria,
E tropeçava, e chorava,
E levantava, e corria de novo!
E descobria o mundo...
E tudo era demais!

Se você pensa que não há mais nada para descobrir no mundo,
Experimente olhar para ele, enquanto corre!
Resgate os olhos brilhantes de criança:
Correr, tropeçar, chorar e sorrir...

E se redescobrir,
E revelar o mundo!

Abraço!
Bira.


Corredores se Encantam na Ilha (com vídeo)



Domingo, 11 de outubro de 2020, 7 h e 30 mim:


Quarenta corredores posam animados na largada do quinto Treinão BR. Eles estão no gramado da pista de atletismo do Campus da UFRJ - Fundão, a 500 metros do parque natural da Ilha do Catalão.


A maioria está ansiosa para conhecer o lugar. Por sorte, o sol surgiu de manhã, há poucas horas do treino. Nos últimos dias, toda cidade foi encoberta por nuvens e banhada de chuva que afugentou pelo menos a metade público. Quem não se assustou com o mau tempo se deu bem e agora estampa um sorriso que não sai da face, nem mesmo durante o trote.


Se o seu celular não está exibindo o vídeo, acima, clique no link para oYouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=r-IJEu9VA-A


Dentro do parque é dada a segunda largada. Todos estão perfilados na trilha e agora redescobrem as praias ocultas da ilha. Apesar da poluição, trazida pelas águas até a areia, o lugar insiste em ser belo e a surpreender. Dentro da mata, ramos de árvores se entrelaçam aos cipós e formam túneis, onde os corredores confundem realidade com sonho. Fachos de luz escapam por entre as árvores e dançam entre as folhas que fertilizam o chão. O barulho das ondas e o canto dos pássaros se confundem com o batuque dos tênis no solo e o burburinho dos corredores na mata. Alguns escolhem dar duas voltas no parque, cerca de 6 km, outros irão rodopiar um pouco mais para aproveitar e tirar fotos. Os mais "fominhas" estenderão seu treino com voltas no gramado rente á pista de atletismo, perto da concentração.


Embaixo de uma árvore, está montada uma mesa com lanches que os corredores levaram. Uma potente caixa de som toca músicas de todos os gêneros, animando quem chega. Quem tem compromissos se despede e vai embora, alguns dançam e outros não param de falar... O clima é muito bom!


Enquanto isso, os arredores do fundão não estão desertos. Uma equipe de corrida realiza outro treino no asfalto, times disputam partidas nos campos de futebol, caminhantes se espalham nas calçadas e vez em quando passam ciclistas na estrada. O sol ainda resiste o quanto pode, mas vai sucumbir. O benevolente astro faz de tudo para estender as festas. Quando as nuvens retornam, todos já estão fartos de tanta diversão, se despedem e vão embora...


O Treinão da Ilha do Catalão foi muito mais festa do que treinão, mas era disso que a gente precisava!


Abraço!

Bira.


Sol-Medalha-Lua: gif composto com imagens da internet - Bira.

Vídeo - Correndo às Cinco da Tarde

Amigos!

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e o sol ainda pendia entre as pipas no céu. Dava para perceber a noite se aproximando, pelo avanço das sombras nas calçadas. Dava para ver o aumento do fluxo dos automóveis e do movimento de pessoas na estação do metrô. Ele deveria ter evitado passar no centro do bairro, mas se distraiu e tomou aquele rumo. Só deu conta do fato, quando foi obrigado a caminhar para evitar esbarrões.


Se o seu celular não visualizar o vídeo, clique no link a seguir: https://youtu.be/vnIdCU3DG8E

Quando o Bira se livrou do engarrafamento de carros e de gente, tomou um rumo mais seguro para correr pelos bairros - se é que se pode chamar de "seguro", nos dias de hoje, qualquer trajeto escolhido. No subúrbio, onde ele mora, os perigos estão por todos os lados. Acho, até, que o Bira corre para fugir dos perigos e fica nos iludindo ao dizer que é atleta!... Acho, também, que o Bira deve ter percebido que pode ser muito mais perigoso viver escondido dentro de casa.

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e o outono amarelava as ruas, no brilho do sol. Aos 56 anos, o Bira era como um sol, do fim de tarde, que reluta para manter-se pendente no céu. Às vezes ele se pergunta por quanto tempo ainda correrá. Nos últimos anos, algumas lesões enturveceram o seu céu, mas ele não desistiu e encarou as tempestades. Correndo bem menos, ele perdeu a condição de fazer maratonas - sua prova predileta. Ele também perdeu o seu Garmin, mas isso é o de menos, pior foi perder a vontade de comprar outro Garmim. O lado bom é que hoje ele corre sem se preocupar com a medição de tempo ou distância. E foi por isso que anoiteceu, enquanto ele trilhava as ruas de Olaria.

Quando o Bira se esquivou de um carro que encostou no meio-fio, ele pulou para a calçada e deparou com outro carro!... No subúrbio onde ele mora, os carros se esparramam e as pessoas só reclamam quando estão do lado de fora. Bira conformou-se e continuou a correr sob os postes de luz amarela. As luzes brancas dos faróis ofuscaram o seu olhar de contra-mão. Para não ser atropelado, ele aguçou os ouvidos. Para não tropeçar, ele ativou os sensores dos pés. Acho, até, que o Bira corre para sentir melhor o mundo e fica nos iludindo ao dizer que é atleta!... Acho, também, que o Bira deve ter percebido que pode ser muito mais arriscado não correr riscos.

Quando o Bira foi correr, já era cinco da tarde e a noite chegaria antes do final de seu treino. Uma noite de sombras e luzes; de buracos, lombadas e riscos; de cachorros raivosos que latem detrás do portão; de passantes que lhe olham um olhar enigmático; de fim de treino, após percorrer 17 quilômetros; de orgulho e de gratidão...

Quando Bira olhou para o céu, no fim do treino, já não eram cinco horas há muito tempo. Ele queria encontrar a lua, cheia e brilhante feito uma medalha! Queria colher a lua com as mãos e colocá-la no peito, mas a lua não estava lá... Apenas na sua imaginação!

Abraços!
Bira.