Quem Sabe?

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Quem Sabe?

De repente, olho para o painel do carro percebo que o tanque de combustível está completamente vazio. 

É fim de tarde e eu me encontro, solitário, em meio à estrada deserta que atravessa o longo vale.

Não tenho sinais de Internet ou de qualquer outro carro que possa passar por aqui, tão cedo. 

Só me resta descer do carro e virar à direita, seguindo por um caminho sinuoso, de terra,  até encontrar uma porteira, um socorro ou um abrigo. 

Foram muitos investimentos que me fizeram tomar aquela estrada que agora abandono. 

Havia muitos sonhos a me guiarem e um arco-íris, de fim de tarde, colado no céu à minha frente.

O arco-íris parecia estar sempre à frente de cada montanha à qual eu cruzava, dando a falsa impressão de mergulhar na relva, sempre a poucos quilômetros de mim.

Foi dessa forma que viajei naquela estrada e cruzei inúmeras montanhas sem perceber. Minha ambição punha meus olhos apenas no arco-íris que se reprojetava sempre adiante, não se importando com quantas montahas eu iria ultrapassar.

Assim, passei por vários postos de combustível sem perceber a hora de abastecer.

Agora, com o tanque seco, desço do carro e, enfim, percebo a relva no chão, sob mim.

Do lado oposto, um sol enviesado se esconde atrás de nuvens e o arco-íris se apaga.

Pergunto a mim mesmo: "Quem foi que inventou que tinha um pote de ouro, ali?"

Todas as flores silvestres do entorno me ouvem, e uma lufada de vento faz balançarem, como se sorrissem do meu monólogo. 

Sinto-me acompanhado e quando saio do caminho de terra, evito pisoteá-las.

Diante de mim, toda uma montanha verde se ergue... Agora, não tenho a estrada de asfalto, nem um carro abatecido para deixar mais uma montanha para atrás. 

Surge uma porteira com um casebre ao fundo de um pátio. Sinto que cheguei a algum lugar: se Deus quiser  vou ficar por aqui até que amanheça. 

Agora, as possibilidades são muitas: posso seguir ou quem sabe eu possa ficar? 

Mas se eu seguir, prometo não mais ignorar montanhas e flores.

Mas se eu ficar, quem sabe um dia meu corpo se desfaça dentro do solo desta montanha que não ignorei?

Ou então, quem as flores silvestres se sirvam de mim, como adubo.

Pois sendo assim, eu alimentarei o sorriso das flores e com elas sorrirei, emfim!...

Quem sabe?


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Birinha - 28.09.26

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