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Amigos!

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Vamos direto ao assunto: Sugira um tema de postagem para BiraNaNet e vamos ver no que vai dar!... Utilize os comentários...

Em sete anos de blog, foram poucas as vezes que eu recebi sugestões. Quando isso ocorreu, no entanto, o resultado foi excelente, como nos exemplos abaixo:


1- Antes de desaparecer do facebook, minha amiga Virgínia me enviou uma pergunta, respondida em forma de postagem. Até hoje não sei se ela leu sua resposta, mas sei que muita gente leu e gostou. A postagem foi intitulada "Além do Blog - Sair do Sedentarismo" é das mais elogiadas e lidas deste blog, segue um trecho:


"(...) Iniciar a correr é como começar a viver. Você é um bebê, não sabe nada, apenas chorar. Essa sua pergunta é como o choro do bebê... Então perceba: você já começou a viver na corrida com esse choro. Bem-vinda!

"Agora, Bebê Virgínia, prepare-se! Você vai continuar chorando muito, para sobreviver. Os bebês estão sujeitos à mortalidade infantil, no primeiros ano de vida. Os corredores estão sujeitos a desistir nos seus primeiros três meses. O corpo dói e precisa se acostumar. A mente precisa desapegar dos velhos padrões. A recompensa é muito pouca, quase nula... Você está disposta a encarar esses três meses? (...)" -- Além do Blog - Sair do Sedentarismo.




2- Foi outro amigo, Antonio Carlos Martins, que me pediu para eu escrever sobre hidratação. Eu tentei lhe explicar que era leigo e só poderia falar sobre o assunto de forma poética... Mas como fazer isso? - perguntei a mim mesmo... A resposta surpreendente veio no poema  "Então Vais Homem Água!", segue uma estrofe:

"(...) Estás correndo e nem imaginas a quantidade de água que evapora de ti.
Sentes o boné encharcado, gotejando incessantemente pela aba.
Teu suor secou, em segundos, ao tocar no asfalto mas tu nem vistes, porque já cruzastes a esquina.
A água que escorreu de ti e grudou tua camisa no peito.
Dentro de teu peito mais água fervilha.
Dentro de teu peito tem um caldeirão de locomotiva.
Só te falta apitar pelos trilhos imaginários desta rua...

-- Então vais, que o pórtico de chegada te espera! (...)" -- Então Vais, Homem Água!





3- Um terceiro amigo, Paulo dos Santos, quis saber qual era o segredo para se manter em forma e como fazer para aprender a gostar de corrida. Copiei o diálogo do messenger e colei aqui no blog, em "A Corrida Gosta de Você!", confira um trecho:



"(...) A Corrida não quer saber se você tem dinheiro, beleza ou prestígio, mas fica caidinha diante de alguém persistente.
Conheço um cara que "não tinha um puto no bolso", era feio e ficava abandonado num canto. Ele portava apenas persistência e vontade...

"Certo dia ele se encontrou com a veloz Corrida. Lançou-lhe o mesmo olhar tímido, que não conseguia seduzir ninguém, e ficou surpreso com a acolhida.
Encantou-se imediatamente com a Corrida e tentou seguir ao seu lado - como quem sobe num cavalo que passa selado... (...)" -- A Corrida Gosta de Você!



4- Meu quarto amigo não era leitor deste blog e nem falava Português. Depois de responder sua saudação, em Inglês, eu utilizeis o tradutor do Google para continuar a conversa. Silvano Kipkirui , acredite, era um corredor queniano em busca de um treinador, em "Meu Amigo Queniano Procura..." Eis um trecho da conversa:



"(...) -- Você tem empresário? - Insistiu meu amigo queniano.

-- Eu não sou profissional. - Retruquei, recorrendo pela primeira vez ao Google Tradutor.

-- Ok... E você pode me arrumar um empresário?...

Fiquei surpreendido pelo pedido de Kipkirui e me vi meio embaraçado. Logo eu que não falo Inglês, teria que dar um retorno ao pedido ajuda naquela língua... Voltei para o Google Tradutor e elaborei a seguinte resposta:

-- Eu não conheço empresários... Eu já li história de corredores quenianos que treinam no Brasil, mas não conheço seus empresários. - Respondi sem ter certeza se seria entendido, e aguardei.

-- Ok... Quando souber me avise...

Meu amigo de Nairobi já ia se despedindo, quando chegou a minha vez de insistir na conversa:

-- Você é maratonista? (...)" -- Meu Amigo Queniano Procura...



Estes são alguns exemplos de postagens provocadas pelos leitores... Quem sabe a gente não consegue produzir mais conteúdo?... Participe!

Abraço!
Bira.
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O ciclo dos grandes treinões que iniciou com Sérgio Pessoa (de verde) e pode ter finalizado com Erivaldo Zim (sem camisa).

Amigos!

O Começo e o Fim dos Grandes Treinões.


(...) A verdade é que eu nunca gostei de ficar estudando, tinha coisas muito mais importantes para fazer naquela idade!... Feito macaco, saltava de galho em galho nas mangueiras das casas dos vizinhos.... Pulava os muros para pegar pipa avoada... Caçava rãs no brejo com as mãos! (...)

A única foto de criança que tenho, com apenas 1 aninho, em, 1960.

Sobre Minha Infância...

Amigos!

Nesse Dia da Criança eu não quis apenas postar minha foto de infância no perfil do Facebook, quis fazer alguns comentários sobre essa fase. Depois percebi que tal material daria uma postagem e o trouxe para cá:

Sobre minha infância (1)

Fui criado com uma liberdade que seria inconcebível nos dias de hoje. Sempre lidei com pessoas mais velhas, isso só inverteu depois que eu comecei, de fato, a correr... Faltou alguém capaz de me mostrar o quanto eu era feliz com a vida que eu tinha... Não que eu estivesse abandonado, nada disso, é que os adultos a minha volta talvez nem soubessem que eram felizes também.(06/10/12).


Sobre minha infância (2)

Fui o que se chamava de filho temporão dos meus pais. Era como se eu fosse filho único, pois os meus irmãos mais velhos já eram adultos. Lembro de dois cachorros, Peri e Tupi... Nem os cachorros escapavam da mania que tinha meu pai de batizar seus filhos com nome de índio...(06/10/12).


Sobre minha infância (3)

Queria ser desenhista ou escritor, já que eu me dava bem na escola nesses dois quesitos... No fim das contas, tive que dar graças à Deus por me tornar funcionário público... Já encontrei meios de ser criativo, mesmo no serviço público (pasmem!) quando trabalhei em um almoxarifado... Já consegui compensar parte dos meus sonhos de infância, pintando alguns quadros ou escrevendo postagens no meu blog... Não tenho nenhuma tatuagem no corpo, mas cicatrizes na alma, de onde alguns sonhos foram arrancados... (07/10/12).


Sobre minha infância (4)

Minha mãe era a lavadeira de Irajá. Passava a manhã esfregando roupas no tanque, para passá-las à tarde. Nosso quintal era grande e tinha um monte de frutas: banana, goiaba, jaca, cajá, graviola, manga, laranja da terra, abacate e caju. Tinha um quarador de roupas, para quem não conhece - uma espécie de tapete de pedras de granito no chão. Ali ela estendia as roupas brancas para a luz do sol clarear. Quando o sol estava forte e batia nas roupas, meus olhos quase cegavam diante do brilho... Minha infância teve muito brilho, mas meus olhos às vezes cegavam... (07/10/12).


Sobre minha infância (5)

Moleque precoce, eu ficava no meio da roda de adultos na esquina, até tarde da noite. Naquela época, praticamente não haviam drogas. Irajá tinha apenas dois maconheiros, assim carimbados, que não frequentavam aquela esquina do bem. O máximo que os caras da esquina faziam era misturar coca-cola com cachaça, vez ou outra, mas ninguém me oferecia. As ruas eram mal iluminadas e quando dava meia-noite, Lelo - um dos adultos - saía de fininho e ia em casa, sem que eu percebesse... De repente, na escuridão da madrugada, surgia um fantasma saindo da casa do Lelo!!!... Eu sabia que era ele que estava embaixo de um lençol... Mas todo mundo corria, simulando sobressaltos, e eu acabava me assustando de verdade... Por via das dúvidas, saía em disparada para casa!... Vai que fosse um fantasma, de fato?!... (08/10/12).


Sobre minha infância (6)

A escola Francisco Sertório Portinho era o melhor lugar do mundo!... Não que eu fosse aplicado, na média eu era apenas um aluno bom. Compensava as notas regulares, obtidas nas matérias chatas, com notas excelentes das matérias prediletas. A verdade é que eu nunca gostei de ficar estudando, tinha coisas muito mais importantes para fazer naquela idade!... Feito macaco, saltava de galho em galho nas mangueiras das casas dos vizinhos.... Pulava os muros para pegar pipa avoada... Caçava rãs no brejo com as mãos!... Mas voltando à escola, amava minhas professoras!... Ainda lembro do nome da minha primeira professora, Dona Jacinta, muito embora sua imagem seja apenas um vulto... Dona Jacinta, agora, deve estar no céu, local de difícil acesso... Quando eu morrer, vou pedir a Deus para deixar eu dar uma passadinha lá e reencontrar Dona Jacinta... Nem que seja apenas para eu ganhar um beijo, um abraço e refazer sua imagem na minha lembrança... (08/10/12).


Sobre minha infância (7)

Nas noites de jogo do Flamengo a calçada em frente a casa do Helinho ficava lotada... Sob o poste de luz, juntavam-se Flamenguistas e anti-Flamenguistas, ouvindo as narrações empolgantes do rádio. O Helinho, um dos meus melhores amigos de infância, era torcedor do Fluminense, mas gostava da bagunça. Para garantir a vitória do Flamengo, ele colocava um boneco do Popeye encima do muro. O Popeye tinha uniforme do Rubro Negro, esculpido e pintado no gesso. Era como um santo de gesso, que ficava impassível, sobre o muro. Um santo com postura diferente, exibindo seu muque e fumando um cachimbo sem fumaça. A entidade Popeye ouvia rezas e palavrões, enquanto o Flamengo perdia seu jogo. Para delírio dos Flamenguistas, Popeye atendia aos clamores... Era quando toda a rua estremecia ouvindo do rádio mais um grito de gol!... Aprendi a ser Flamenguista na rua, embaixo daquele poste de luz... (08/10/12).


Sobre minha infância (8)


Mas nem tudo era divertido... Eu não gostava, nem um pouco, que minha casa fosse a última da rua que ainda tinha cerca de madeira, ao invés de muro. Eu já entendia algumas piadinhas maldosas encima da minha pobreza, embora quase todos no bairro fossem pobres também. Detestava, e sentia uma vergonha terrível de conduzir trouxas de roupas que minha mãe lavava, pelas ruas... Minha mãe não sabia ler e recorria a mim para rascunhar suas pules de jogo de bicho. Ela sempre ganhava no bicho!... Um dia, com apenas seis anos, eu resolvi jogar uns trocados que tinha , pela primeira vez. Deu cabra na cabeça e eu acertei!... Comprei bola, um carretel e uma bela pipa, no armarinho. Anos depois, já adulto, tive problemas com jogo por conta dessas causas remotas, mas faz dezenas de anos que tudo já foi superado. Minha infância foi muito intensa! (08/10/12).


Sobre minha infância (9)

Um momento de trauma e de forte tensão ocorreu quando minha mãe recebeu uma carta-aviso do INPS. A nossa casa já acumulava anos de prestação atrasada. Estávamos ameaçados de despejo. Ela ficou desesperada e me abraçou, perguntando o que faríamos. Imagine o desamparo que senti, embora tivesse sendo abraçado por minha mãe!... Depois tudo se resolveu, mas em algum lugar do meu peito ficaram escondidos fragmentos de medo. Meu coração ainda acelera quando eu me lembro desse dia. (08/10/12).


Sobre minha infância (10)

Pedaços de tábua e de ripas viravam carrinho de bilha (rolimã). Bastava serrar a madeira, depois pregar e encaixar as rodas de aço... As ruas do bairro ganharam asfalto para delírio da criançada. Eu estava entre os mais corajosos, que arriscavam descer a perigosa Ladeira dos Marítimos. Não me lembro de tombos nos carrinhos, mas sempre que jogava pelada descalço, chutava o chão. Por mais que eu tomasse cuidado, acabava arrancando o tampão do dedão do pé direito, antes mesmo de cicatrizar o machucado anterior... (08/10/12).


Talvez continue em outra postagem...

Abraços!
Bira.



Às vésperas de completar 70 anos, a corredora Lindalva Figueiredo me contou sua emocionante história...


Na foto, ela é acarinhada pela filha, Claudinha, em mais um domingo de corrida no Rio - arquivo pessoal
Amigos!

Todas As Idades de Lindalva...

-- Vai fazer seis anos que eu comecei a viver! - enfatizou Lindalva, ao telefone, quando era entrevistada por mim.

Fiquei imaginando sua expressão. A interlocutora tomou fôlego e passou a descrever sua rotina atual:

-- De segunda à sexta eu acordo às cinco da manhã. Depois pego o ônibus e vou para o Leblon ou Copacabana. Treino no Projeto Rio Praia Maravilhosa que tem assessoria esportiva nas areias. Nos finais de semana que não tenho competição, corro da Tijuca até o Horto, o Alto da Boavista ou o Cristo!... Não sinto preguiça - o que tenho que fazer, faço!... Não tenho cansaço!...

Lindalva vai completar 70 anos de vida e eu não poderia deixar de escrever sobre isso. O vigor de sua fala, no entanto, não denuncia os anos passados. Ela fala de sonho e suor como se fossem sinônimos... São os suores de hoje que relata com euforia.

Mas, Os Suores Passados?...

Mas eu também queria saber dos seus suores passados. Daqueles suores gotejados no solo fértil de Timbaúba, município localizado no interior de Pernambuco. Sem dó, fiz Lindalva viajar no tempo. Sair de um paraíso carioca que se descortinou, de fato, aos 64 anos, quando ela começou a correr. Levá-la de volta às durezas de sua terra natal, nas décadas de 50 e 60.

Foi na Zona da Mata pernambucana que Lindalva foi criada, com nada menos que nove irmãos. Logo cedo lhe deram uma enxada - mais precisamente aos cinco anos de idade:

-- Naquele chão dava de tudo!... - relata e complementa: -- Mas em terra de fazendeiro a vida era muito infeliz e sem futuro.

Seu pai não queria que filha mulher estudasse, por outro lado os filhos homens só tinham tempo para trabalhar. Seu pai também não permitia que os rebentos deixassem aquele chão, em busca de algo melhor. Mas um dia aquele chão calou a voz impositora de seu pai... Era início do emblemático 1970 e, antes mesmo que o ano acabasse, Lindalva decidiu deixar a roça.

Cabras, galinhas, rapadura e farofa...

Quando o ônibus da Itapemirim partiu da rodoviária de Timbaúba, rumo ao Rio de Janeiro, eram 11 horas da manhã de sábado, 19 de dezembro de 1970. Dentro dele estava Lindalva, sua mãe, seus irmãos e irmãs casados, juntamente com seus pares. Todos somavam dez. Para que sentassem nas poltronas daquele ônibus venderam cabras, galinhas e juntaram dinheiro. Para trás deixavam uma vida dura e cansativa. Pela frente teriam uma viagem dura e cansativa: a dureza e o cansaço ainda lhes acompanhariam... Vinte e cinco anos de dureza viajavam com Lindalva (e quantos anos duros viajavam com todos os passageiros daquele coletivo?).

As luzes do dia e da noite se revezavam nas janelas da condução. Ali penetrava um vento quente, às vezes fresco, que servia de alento ou respiro. Rapadura e farofa estocada, servia de alimento. Até que todos chegassem no Rio na segunda-feira, 21 de dezembro de 1970.

Pendurado na banca da Rodoviária Novo Rio, o Jornal do Brasil dava destaque ao sequestro de um embaixador suíço, na Glória, com participação do guerrilheiro Carlos Lamarca. Nada daquilo, no entanto, parecia afetar a vida daquele grupo de migrantes. Eles sequer sabiam ler e seu destino final estava bem longe dos bairros da Zona Sul. Rumaram para Inhoaíba, na Zona Oeste - a 60 quilômetros dali. Morariam entulhados numa casa de apenas dois cômodos, onde até então, só morava uma tia de Lindalva. Dormiriam embolados nos lençóis que se espalhariam pelo chão... Até que tudo se ajeitasse.

Logo Lindalva foi trabalhar de doméstica em Campo Grande, mas ficou só três meses no serviço, pois o seu patrão espancava a mulher. Arrumou outro emprego em Madureira, onde permaneceu por cinco anos e conheceu seu marido. Aos 28 anos ficou grávida, mas seu casamento não deu certo. Separou-se e foi trabalhar em uma residência na Praça Mauá - Centro do Rio. Continuou tocando a vida sozinha. Mas quando sua filha completou quatro anos, foi à procura do marido para registrá-la. Voltou a conviver com ele e foram morar em Senador Camará.

Como se Fosse Um carimbo...

Dias, meses e anos viraram décadas... O Jornal do Brasil continuava pendurado na banca da Rodoviária, mas não parava de trocar suas manchetes. A vida de Lindalva, no entanto, possuía sempre o mesmo texto, como se fosse um carimbo:

-- Continuei trabalhando como doméstica ou faxineira... Não saía para lugar nenhum!... Meus dois momentos de felicidade foram a festa de 15 anos e a formatura de minha filha.

Quando, em 2010, o Jornal do Brasil deixou de ser publicado, os tempos já eram outros: Guerrilheiros haviam virado governantes, bancas de jornais viraram bombonières... Logo na época em que Lindalva estava, enfim, se alfabetizando, foi que os jornais resolveram acabar?!... Não, não é bem assim... É que as notícias se libertaram do papel, feito Lindalva que há 45 anos desenraizou-se de uma fazenda longínqua!... É que hoje, Lindalva não fere mais o chão com golpes de enxada, mas beija-o com seus tênis! Cada passo que dá, numa corrida, é um beijo de gratidão! Um acalento na terra que não calou o grito mudo de seus sonhos, como um dia calou seu velho pai.

Lindalva aposentou-se em 2005, aos 60 anos, mas continuou fazendo faxinas. Teve problemas de pressão arterial e procurou um médico, aos 64. O médico recomendou que fizesse caminhadas. E foi aí que a sua vida começou, enfim, a mudar...

Sua filha Claudinha, que já era corredora, começou a levar Lindalva para caminhar no Aterro. Enquanto a mãe caminhava, Claudinha corria. Lindalva adorou, mas queria mesmo é correr. Fazia isso escondido da filha, aproveitando dos momentos que a mesma dobrava uma curva. Para sua alegria, o médico liberou a corrida que sua filha parou de controlar.

Matriculou-se no colégio Santo Inácio, onde foi galgando cada série do ensino fundamental. Deixou de pegar ônibus pela cor e começou a se comunicar melhor com as pessoas e o mundo.

Todas as idades de Lindalva hoje correm com ela. Todos os seus tempos tolhidos vão com ela estudar. Imaginei, comigo mesmo, que no Colégio Santo Inácio ela fosse uma das alunas mais queridas. Quis conferir, conversando com uma professora. Quis perguntar à sua mestra:

-- Você conhece a história de Lindalva, tanto quanto conhece as histórias dos outros heróis dos seus livros?

Quis saber:

-- Qual é a sensação de uma professora ao instruir uma aluna que tem muito mais para lhe ensinar?

Mas eu não consegui falar com a mestra. Consegui apenas uma mensagem no celular, dizendo:

-- Olá! Estou em Sala... Será um grande prazer testemunhar sobre uma pessoa tão iluminada como D. Lindalva... Abraços, Fabiane.

Pensando bem, foi melhor assim... Melhor não ficar esmiuçando mais detalhes ou essa postagem não tem fim!...


Lindalva atrai olhares ao completar a Golden Four Asics 21 km, na Praia de São Conrado, no Rio.

A Represa Lindalva!

Conheci Lindalva Figueiredo em 2014. Foi num treinão muito puxado e concorrido, de subida às Torres da Serra do Mendanha - recanto desconhecido para a maioria dos corredores cariocas. Duvidei, em pensamento, que aquela senhora pudesse vencer o duro percurso inclinado. Eu estava totalmente enganado... Só agora sei que a juventude de Lindalva ficou, durante décadas, represada no corpo e na alma. Agora vislumbro sua emoção quando me disse:

-- Faria por tudo de novo para ter a vida que tenho hoje!

Considero essa frase fantástica, quando vinda de alguém que beira 70 anos de idade. Considero que Lindalva resgata, hoje, todas as suas idades, a tempo de ser feliz. Pelo asfalto, seus sonhos se misturam aos sonhos dos jovens atletas que lhe rodeiam. Pelas trilhas, ela goteja o mesmo suor de companheiros que poderiam ser seus netos. Sua voz se mistura às vozes dos corredores de idade mediana, enquanto seus pés se afundam nas areias que bordam o mar.



Lindalva e seus amigos, pouco depois de completar a Subida do Cristo


Por telefone, pedi que Lindalva encerrasse essa postagem transmitindo a todos uma mensagem, e ela falou:

-- A vida é boa e maravilhosa quando a gente dá valor a ela... Quando a gente faz o que gosta é melhor ainda!


Atualização da postagem  (em 12-02-18):

Depois desta postagem, D. Lindalva foi se tornando cada vez mais conhecida dentro e fora da corrida. Completou a Maratona do Rio, nos anos seguintes, onde tem o privilégio de fazer o aquecimento junto com os atletas de elite. Várias matérias foram publicadas sobre ela, em jornais e TV, nenhuma com tantos detalhes quanto essa.


( Esta postagem foi reproduzida integralmente pelo blog PULSO, do Jornal O Globo, confira clicando no link: http://blogs.oglobo.globo.com/pulso/post/todas-idades-de-lindalva.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar )

Abraços!
Bira.

Amigos!

O site Corredores Anónimos, de Portugal, pediu que eu enviasse um relato do Treinão do Brasil. A postagem saiu ontem, 23/09/15, porém o texto adaptado para Portugal também sofreu alterações. Sendo assim, resolvi postar aqui a versão original, a seguir. Trata-se de um resumo de nosso evento, o primeiro treinão simultâneo do Brasil e do mundo.


Gislaine Gobbo era a única corredora de uma cidade com 16 mil habitantes, até que decidiu aderir ao Treinão e mobilizar Sertanópolis. A ex-jogadora e treinadora de basquete agora tem projetos esportivos voltados às crianças do interior paranaense: Felicidade! ( foto de Tiago, Sertanópolis).



COMO SURGIU O TREINÃO DO BRASIL

A ideia de fazer o Treinão do Brasil surgiu no momento mais obscuro da minha, digamos, “carreira de corredor amador”. Em junho deste ano, eu estava totalmente afastado das corridas por conta de uma fascite plantar. Comecei a ganhar alguns “quilinhos” e, aos 55 anos de idade, já não podia mais me gabar de ter “corpo de 25 anos”. Meu blog (birananet.com) de crônicas sobre corrida ficou praticamente parado, já que eu estava sem correr e pouco escrevia. Para piorar as coisa eu adoeci. Tive zoster, uma doença que afeta pessoas com mais de 50 anos, que tiveram catapora na infância. É que o vírus da catapora fica “quietinho” no organismo e se aproveita para “contra-atacar” em um momento de baixa imunidade.  Minha baixa imunidade foi causada pelo stress, resultante de problemas com obras na minha residência. Como não estava mais correndo, acumulei stress e fiquei doente.

Já livre do zoster, certo dia eu estava na internet observando meus amigos corredores extremamente felizes nas fotos que postavam no Facebook. Naquela hora pensei que eles poderiam fazer um grande treinão simultâneo em todo país. Acreditei que o Facebook poderia difundir a ideia e consultei alguns amigos corredores para ver o que pensavam. De cara, tive um retorno totalmente positivo, e me animei. Fiz algumas postagens no blog e começaram a surgir adesões de todo país. Alcançamos 48 cidades brasileiras, incluindo as principais capitais do Brasil.

Nosso treinão, que teve caráter informal – pois foi feito pelos próprios corredores, teve como tema “Correr Pela Paz”. Somamos mais de 2.500 corredores vestidos de branco em todo país. Em algumas cidades chamou atenção da mídia, sendo divulgado nas rádios, jornais e TV. Foi a primeira vez, provavelmente no mundo, que se fez um treinão com largada no mesmo momento. Uma corrente de pensamento pela paz, foi feita a cinco minutos da largada.





Corredores posam na Praça da Bike, em Ribeirão Preto - SP, mais um local de Treinão.


Em algumas cidades o evento ganhou aspecto parecido com as corridas oficiais. Teve barracas, hidratação ao longo do percurso e distribuição de frutas. Em outras teve aquecimento ao som de zumba, ou orientado por professoras de fitness. Na grande maioria dos locais, no entanto, o treinão foi mais simples e usual. Todos os participantes e organizadores, no entanto, desejam repetir a dose em 2016. Eles terão mais tempo para avaliar o que pode ser feito para melhorar o evento.

Resumindo, a primeira edição do Treinão do Brasil foi algo marcante! Foi a primeira vez que corredores de rua de um país com dimensões continentais fizeram um movimento pacífico, sem caráter político ou religioso, apenas esportivo. A real dimensão deste fato só poderá ser medida no futuro. As imagens, fotos e vídeos, estão sendo colhidas e serão divulgadas brevemente. Os organizadores dos treinões de cada cidade (muitos deles que antes só se comunicavam pelo WhatsApp e Facebook) já planejam se encontrarem e reforçarem seus laços de amizade. Entre esses organizadores há corredores do mais variado perfil, desde atletas renomados até uma dona de casa. O Treinão do Brasil também promoveu esse contato inusitado, ao juntar corredores diversificados.

Tudo isso aconteceu em pouco mais de dois meses!

Abraço!
Bira.

Amigos!


Macapá Reuniu cerca de 400 corredores com largada no Marco Zero da Linha do Equador (foto).

Treinão Reúne 2.500 Corredores no País!


Marcado em quarenta e oito cidades, o Treinão do Brasil reuniu 2.500 corredores de norte a sul do país. A largada simultânea foi dada às 8 horas de Brasília, precedida de alguns instantes onde os corredores deram as mãos e fizeram um pensamento pela paz. O evento inédito teve caráter informal, feito pelos os próprios corredores e grupos de corrida de cada local.

A ideia de colocar corredores e caminhantes num treinão nacional e simultâneo caiu como luva em algumas cidades, como Macapá, Diamantina, Recife, Maceió, Sertanópolis, Aracaju, Rondonópolis, Arapongas e Goiânia. Estas cidades reuniram os maiores públicos. Algumas delas contaram com divulgação da imprensa gerando maior impacto. Outras se calçaram na força mobilizadora de seus organizadores, como foi o caso do Treinão de Recife - promovido pela ACORJA - Associação de Corredores da Jaqueira. Aquecimento ao som de zumba, ou sob o comando de professores de fitness foram destaques em Diamantina, Sertanópolis e Maceió. Camisas personalizadas, hidratação e frutas foram atrações em algumas cidades, como Aracaju.

Nas capitais mais populosas do país: São Paulo, Belo Horizonte e Rio, o evento não atraiu grande público. O pouco tempo para divulgação pode ter sido uma das causas, além da concorrência com as corridas oficiais.

É bem provável, também, que a opção por não apresentar o evento à grande mídia tenha sido um erro. Essa opção veio do medo de provocar transtornos na cidade, além de uma ameaça que recebemos de um presidente de Federação de Atletismo de um estado do norte. Na ameaça o presidente citava que não tínhamos autorização para fazer o Treinão, como se nosso evento fosse corrida e não um treino informal. Em princípio eu não dei muita bola para o ameaçador, mas isso me fez recuar da pretensão de continuar fazendo contatos para colocar o Treinão no restante dos estados e apresentá-lo á imprensa carioca. Quando esta decisão foi tomada, o dia do evento já estava muito próximo.

Nas demais cidades o Treinão cumpriu seu propósito, alcançando bom público. Mesmo em algumas que entraram no rol do Treinão na semana do acontecimento..

O Meu Treinão Local

Inicialmente marcado para o Leme, o Treinão da Zona Sul carioca foi transferido para o Posto 2, em Copacabana. De novo o medo de causar transtornos no trânsito foi responsável pela mudança.

Quando a manhã despertou no domingo do evento, fazia um pouquinho de frio e o céu estava nublado. Nada que assustasse os corredores e impedissem de sair para treinar, muito pelo contrário. Cheguei a Copacabana às 7 h da manhã. Só descobri, de fato, que estava nervoso quando constatei que não havia levado meu kg de alimento para entregar ao Projeto Fome Zero. Então corri para procurar um mercado, que por ventura estivesse aberto. Quando retornei ao local de largada, faltavam vinte para as oito, mas pouquíssimas pessoas já haviam chegado. Fiquei preocupado e parei de raciocinar ou ouvir direito o que as pessoas falavam. Contei cada minuto do relógio no display do celular. Às cinco para as oito demos as mãos para fazer o pensamento coletivo pela paz. Talvez fossemos pouco mais de 30 corredores naquele momento. Quando a largada foi dada e durante o percurso, talvez tenhamos atingido uns 40 corredores. Não tinha como eu não ficar frustrado naquele momento... Onde estavam toda a gente que iria ao Treinão?... O jeito foi procurar valorizar quem estava ali e ser-lhes grato. Corremos rumo ao Leblon, mas eu estava totalmente sem ritmo de corrida, devido à minha lesão. Cumpri apenas um total de 10 km (ida e volta). Na chegada, sorteamos os dois pares de tênis prometidos, tiramos fotos e trocamos ideias. Quando entrei no metrô, de volta para casa, descobri que estava morrendo de sede... mas não devia ser sede apenas de água - pra dizer a verdade eu estava mesmo é frustrado.

Bendito WhatsApp!

Ainda no caminho de casa foram chegando as fotos dos outros treinões, via WhatsApp. Bendito WhatsApp que começou a me consolar!... O Treinão fora sucesso em quase todos os lugares! Quase todos organizadores estavam eufóricos e já postavam trechos de vídeos... Isso me aliviou bastante, mas eu ainda estava um tanto chateado e sem medo de demonstrar fraqueza desabafei um pouco no grupo de celular:

-- Aqui no Rio eu fiquei um pouquinho frustrado. Eu acho que a gente tem um potencial muito grande, mas muitos amigos não apareceram... Eu sei que não tenho que pensar nos que não foram, mas não tem como não pensar... Teve muita gente que disse que ia, mas não compareceu (...) mas aí, eu fui confortado quando cheguei em casa e vi todas essas fotos, todas essas festas, e eu me senti um pouco presente em cada um desses lugares... - E continuei: -- Isso serviu de conforto, pois se eu não consegui enfeitar bem a minha casa, de certa forma, eu ajudei a enfeitar diversas casas aí pelo Brasil... Não que isso fosse algo que me engrandecesse, mas serviu de consolo para mim que fiz uma expectativa muito grande aqui no Rio (...) mas eu já remarquei o evento do Treinão no facebook para 2016, com uma data fictícia, porque quem vai marcar esse Treinão são vocês, organizadores (...)

Para digerir melhor a frustração eu fui tirar um cochilo. Quando acordei, meu bendito WhatsApp continha uma resposta que eu deveria deixar gravada para ouvir toda vez que ficasse chateado, com qualquer coisa, enviada pelo famoso atleta Delmir dos Santos, que foi organizador do Treinão de São Luiz:

-- P(...), Bira!... Eu acho o seguinte, cumpadre: Tu não tem que ficar triste p(...) nenhuma!... Vou falar num Português bem explícito... Muitos de nós nem te conhecemos pessoalmente, você simplesmente nos convocou, nos deu essa incumbência de organizarmos o Treinão e de convidar pessoas que também nós nem conhecíamos - apenas pessoas que tem o mesmo amor pela corrida, e assim a coisa foi evoluindo... Aqui em São Luiz, por exemplo, eu angariei pouco mais de 10 pessoas porque tinha uma corrida e a cultura de esportes, ainda está engatinhando (...) Mas foi gostoso!... O pessoal que foi ficou comemorando depois até quase 11 horas da manhã. Ano que vem vai ser bem melhor, vamos manter esse grupo (de organizadores) e vamos nos encontrar para nos conhecer!...

Para quem não sabe, Delmir dos Santos é duas vezes terceiro colocado nas São Silvestre de 90 e 91.

*          *          *

Então fica combinado assim: O Treinão do Brasil volta muito melhor e maior em 2016, já que ano que vem não partiremos praticamente do zero: Já temos um time fantástico de organizadores, espalhados por todo o Brasil e afoitos para se conhecerem pessoalmente.

Queiram ou não, fizemos o maior Treinão de Todos os tempos, o Treinão do Brasil!



Os Locais do Treinão:

Rio Branco, AC. 
Maceió, AL. 
Macapá, AP. 
Manaus, AM. 
Salvador, BA. 
Uruçuca, BA. 
Fortaleza, CE. 
Brasília, DF
Goiânia, GO.
Rio Verde, GO.
Aruanã, GO.
São Luiz, MA.
Cuiabá, MT.
Rondonópolis, MT.
Belo Horizonte, MG.
Unaí - MG.
Diamantina - MG.
Uberaba, MG.
Uberlândia, MG.
Itajubá - MG.
João Pessoa, PB. 
Sertanópolis, PR.
Arapongas-PR.
Pernambuco
Recife, PE.
Cedro, PE
Rio de Janeiro - RJ.
Nilópolis - RJ.
Três Rios - RJ.
Petrópolis, RJ.
Nova Friburgo - RJ.
Porto Alegre, RS.
Canoas, RS.
Bagé, RS.
Boa Vista - RR.
São Paulo, SP.
Jundiaí, SP.
Campinas, SP 
Americana, SP 
Bauru, SP
Botucatu, SP
Taboão da Serra, SP.
Ribeirão Preto, SP.
Limeira, SP.
Santa Cruz do Rio Pardo, SP.
Praia Grande, SP.
Aracaju - SE.
Nice, França.
Île de la Reunion, FR.









Na montagem: Algumas poucas imagens colhidas no Facebook dos treinões locais.

Link para o Evevnto no Facebook:  https://www.facebook.com/events/1661846440713830/


Abraços!
Bira.



Amigos!


Treinão do Brasil: Um Evento Único!


Amigos!


Treinão do Brasil: Um Evento Único!


Amigos!


O Treinão pra Quem Chegou Agora


(...) Nunca tive dúvidas da força embutida no TREINÃO DO BRASIL, mas fiquei de queixo caído perante a história que conto a seguir: (...)

Enquanto a notícia do treinão se espalha, Gislaine (ao centro) reúne amigos para demarcar o trajeto.

Treinão Mobiliza Cidade do Paraná

Amigos!

Nunca tive dúvidas da força embutida no TREINÃO DO BRASIL, mas fiquei de queixo caído perante a história que conto a seguir:

Quinta-feira, 13 de agosto de 2015, 9 h. da manhã.

Justamente quando eu ia tomar banho e me arrumar, recebi uma ligação pelo WhatsApp. No diplay, a figura de uma mulher loura, até então desconhecida e eu pensei: "Certamente é alguém querendo informações sobre TREINÃO DO BRASIL". Era isso mesmo, e a conversa se deu mais ou menos assim:

-- Bom dia, meu nome é Gislaine e eu sou de Sertanópolis, no interior do Paraná...

-- Bom dia, Gislaine... É sobre o TREINÃO DO BRASIL?

-- Sim... Eu já havia mandado uma mensagem mas não fui respondida...

-- Você deseja marcar um treinão na sua cidade - fui objetivo, para não me atrasar na chegada ao trabalho.

-- Até quero -- respondeu Gislaine: -- Mas aqui na minha cidade eu sou a única pessoa que corre.

-- Como assim? Arguí intrigado -- Ninguém mais corre na sua cidade??

-- Sertanópolis é uma cidade pequena, 17 mil habitantes, fica a 47 km de Londrina. A população não tem esse hábito.

-- Mas você corre sozinha?

-- Corro. Às vezes me junto a amigos de cidades próximas. Fora isso, estou sozinha...

Enquanto Gislaine falava eu pensava comigo "E agora, Bira?..." Mas a resposta veio rápida, e não poderia ser melhor:

-- Gislaine, marque o treinão mesmo assim!... Não importa que esteja sozinha no dia 20 de setembro, pois você estará correndo com milhares de corredores em todo Brasil, naquele momento. Muito embora eu acredite que você não estará sozinha... Outras pessoas aparecerão para correr ou caminhar contigo!

Parecia ser justamente a resposta que a Gislaine queria ouvir, e falou:

-- Eu posso marcar e convidar corredores das cidades próximas, não é mesmo?

-- Claro!... Reforcei: -- Mas mesmo que você esteja sozinha no dia, isso será positivo. É que nós estamos pedindo para os corredores tirarem fotos e filmarem todos os treinões. No final, vamos fazer um grande filme com as imagens recebidas de todo o Brasil... Se você aparecer sozinha neste filme, em contraste com as outras cidades do Brasil, Sertanópolis pode despertar e começar a praticar esporte.

Dito isso, Gislaine mandou que eu marcasse o local de largada do Treinão. Anotei seus contatos e nos despedimos. Voltei para o computador e, mesmo apressado, compus uma imagem com a foto de Sertanópolis e a descrição: "Bem-vinda Sertanópolis ao TREINÃO DO BRASIL!...". Marquei a foto que foi para o perfil da Gislaine, no Facebook. Tomei banho e, finalmente, fui trabalhar.

Durante o dia, percebi no smartphone que a imagem que postei estava sendo muito curtida e comentada. Notei que era muito compartilhada e fiquei curioso: "Será que os amigos de Gislaine aderiram à ideia e estão apoiando?". Somente à noite veio a resposta, pelo WhatsApp:

"Boa noite, Bira... Aqui em Sertanópolis está sendo surpreendente! Jamais esperava pelo apoio que estou recebendo! Já fechei com a polícia, consegui ambulância, enfermeiros e médicos... Consegui água e para completar, 150 camisetas brancas escrito PAZ. Essas camisas serão sorteadas entre os participantes..."

Li sua mensagem e pensei: "Como assim?" Fazia menos que dez horas que Gislaine havia ligado e descrito que corria sozinha, no interior do Paraná. O que estava acontecendo era um verdadeiro milagre!... Então lembrei de frases que escrevi na postagem "O Espírito do Treinão do Brasil": "O pensamento é o corredor mais veloz que já existiu. Milagres acontecem por causa disso: Muda-se o pensamento e tudo se transforma, automaticamente". Não demorou e o que escrevi estava acontecendo de fato!

A Maluca que Corre

Não existe sequer um corredor, com mais de quarenta anos, que não tenha sido chamado de maluco no passado. Hoje, no entanto, a corrida virou moda. Corredor virou sinônimo de pessoa saudável e bonita. Multidões dão largada, todo final de semana, nas centenas de provas espalhadas pelo Brasil.

Em Sertanópolis, no entanto, a corrida tem apenas um nome: Gislaine Terezinha Evangelista Gobbo. É um nome comprido, que faz lembrar a maratona. É um nome de uma guerreira solitária, com 47 anos, que pega um ônibus e se afasta 18 km de sua cidade, para voltar correndo sozinha pela Rodovia. Para alguns, nossa guerreira solitária é a "Maluca da Corrida". Mas o fato é que Gislaine reside na Capital da Amizade, e muita gente lhe ajuda:

-- Quando quero viajar para correr em outros estados, faço salgados que todos compram para me ajudar com as despesas - conta.

Com essa ajuda, correu a São Silvestre três vezes. Foi finalista do Circuito de Corridas SESI 10 k e, na edição Jacarezinho, obteve a 1ª colocação de sua categoria, entre tantas outras corridas que fez. Gislaine só não conseguiu convencer os políticos a promoverem uma corrida na sua cidade.

O esporte sempre esteve na vida de Gislaine. Nos anos 80 jogou basquete no time da AREL - Associação Recreativa e Esportiva Londrinense, onde foi convocada para a seleção de Londrina. Quando foi morar na cidade de Ventania - PR, o basquete se limitou aos finais de semana. Em Ventania montou uma equipe feminina de basquete, de 11 a 15 anos, até que voltou para Sertanópolis em 2008.

Foi somente em 2011 que fez sua primeira corrida de rua, em Londrina. Chegou em sexto lugar na sua categoria, para nunca mais parar.

-- Sempre amei o esporte e viciei na corrida. Não consigo deixar... E justifica: -- Gosto de desafio, e correndo consigo provar a mim mesma que sou capaz... Não pretendo ser mais rápida nem colecionar troféus, apenas começar e terminar uma corrida... Quando corro, parece que estou flutuando. Desligo-me do mundo e dos problemas. Por incrível que pareça, quando volto para casa levo as soluções que encontro enquanto corro.

Nas imagens: A Gislaine treinadora (2006/8), a jogadora de basquete (anos 80) e os salgados que vende para viajar e participar das corridas.


A Mobilização dos Amigos

Depois que marcou o local de largada do TREINÃO em Sertanópolis, Gislaine ligou para Daiane, sua amiga. e disse:

-- Estou muito feliz!

-- O que aconteceu? - perguntou a amiga, que ouviu atenta sua explicação.

-- E então, você vai me ajudar?? - concluiu Gislaine, feito uma súplica.

-- Não precisa nem pedir!... Vou ajudar em tudo!

Enquanto a imagem postada no Facebook percorria o universo virtual de Sertanópolis, Daiane e Gislaine já traçavam duas rotas para TREINÃO da cidade. Uma para caminhantes e outra para corredores. Planejaram convidar os corredores de cidades próximas. Mas, ali mesmo já tinha gente dizendo que tentaria correr um pouco em homenagem à atleta.

A polícia ofereceu-se para interditar o percurso. Médicos, para socorro a quem não se sinta bem. Uma ambulância acompanhará as pessoas. Uma motocicleta adaptada conduzirá um fotógrafo... Todos serão voluntários.

A companhia de abastecimento ofereceu copos d'água. O Moinho Globo, indústria local, doará 150 camisas brancas com a inscrição "PAZ". Um distribuidor de frutas fornecerá grande quantidade de laranjas para os "novíssimos atletas" de Sertanópolis.

Suas companheiras de trabalho - um grupo de trinta agentes de saúde - ajudarão no evento. Bexigas brancas serão doadas pelo comércio. No momento da sensibilização, pela paz, elas serão soltas no lago, em frente ao local da largada. Até aqui é o que sabemos...

O Resgate de um Título: A Capital da Amizade

Para entender um pouquinho de Sertanópolis consultei informações na Wikipédia. Lá diz que a cidade perdeu o título de Capital da Amizade, em 2008, o mesmo ano que nossa heroína retornou à sua cidade natal.

Pelo telefone, hoje á noite, sua amiga Daiane, falou com entusiasmo:

-- Esse evento vai despertar a cidade para o esporte! Sempre quisemos fazer algo pelas crianças e temos, agora, uma oportunidade! Nossa estimativa é juntar 2.000 pessoas!

A essa altura eu já nem tinha mais o que perguntar...

Se tudo se confirmar, Sertanópolis estará resgatando um título que nunca saiu do coração de seu povo. A terra roxa mais fértil do nosso país esperava apenas que sua filha, atleta e guerreira, atirasse essa semente chamada TREINÃO DO BRASIL.

"... Troca-se o pensamento e tudo se transforma, automaticamente!"

Abraços!
Bira.

Amigos!





Na imagem acima, mais uma das peça utilizada na promoção do TREINÃO no Facebook


Por Que O Treinão Encanta Você?

Foi assim desde de o começo. Sempre que consegui a atenção de alguém para falar do projeto TREINÃO DO BRASIL, vi seus olhos brilharem. A possibilidade de fazer um imenso treinão coletivo e simultâneo em todo o país, devolve ao corredor seu verdadeiro tamanho. Explico:

Corredores e gente são muito maiores do que se enxergam no espelho do quarto. Para montar a verdadeira imagem de um ser humano, precisaríamos de todos esses espelhos encaixados, lado a lado. Formaríamos um grande mosaico, composto com as imagens de cada um.

Sozinhos, somos apenas fragmentos desse ser maior, mais completo e plenamente feliz.

Quando você se vê dentro desse treinão nacional, sente-se mais completo. Sente que pode abrir mão de querer ter razão, para ter a paz!... Nessa hora, no entanto, seu telefone toca e interrompe o pensamento. Quando a ligação termina, é vez da televisão mostrar más notícias. Seu filho pequeno começa a chorar pois a fralda está molhada. Logo, lhe bate o sono e você vai dormir...


(...) Meu pai nesse mundo foi um Ogum sem cavalo e sem lança. Trabalhava muito e ganhava pouco. Quando ia entrar para o serviço público, ficou doente e perdeu a chance (...)

Meu pai, Jacy, agachado à direita e na carteira profissional: Saudade!

Sentado no Colo de meu Pai

Amigos!

Meu pai me chamava de Birinha porque Bira era Ubiratan, seu filho mais velho. Eu adorava ouvir essa palavra de seus lábios. A sonoridade de Birinha me acariciava, feito uma melodia. Volta e meia, ele cantava "Amélia - a mulher de verdade". Volta e meia, ele homenageava São Jorge com seu canto, onde o Santo Guerreiro era chamado de Ogum. Acho que Ogum também adorava ouvir a sonoridade de seu nome, nos lábios morenos de meu pai. Por isso ficava ali, no seu anel de prata, deixando marcas no dedo e na alma. Morrerei sem esquecer sua devoção expressada nos pontos de umbanda que ele cantava:

"Ogum, olha sua bandeira,
É branca, verde e encarnada,
Ogum, nos campos de batalha,
Ele venceu a guerra sem perder soldados!"

Meu pai nesse mundo foi um Ogum sem cavalo e sem lança. Trabalhava muito e ganhava pouco. Quando ia entrar para o serviço público, ficou doente e perdeu a chance. Conseguiu uma casa simples com um belo quintal, em Irajá, onde fui criado. Era época do Governo de Getúlio Vargas e Irajá, um bairro pouco habitado.

Quando meu pais se separaram eu tinha seis anos. Os tempos eram outros e Getúlio, o Pai dos Pobres, já tinha entrado para história há muito tempo. Eu e minha mãe ficamos morando na casa de Irajá. Ele, sem cavalo e sem lança, foi morar de aluguel aqui e ali - melhor dizendo lá e acolá. E a vida ficou mais difícil ainda para meu velho pai. Mesmo assim, casou-se de novo. Teve outro filho, meu irmão Jacy. Eles moravam numa casa de pau a pique, ao lado de um córrego, batizado por ele de "Rio de Las Mierdas".

Dentro de mim ficou a frustração de eu nunca ter podido ajudar ao meu pai. Eu era muito novo e quando as coisas melhoraram ele já não estava mais aqui. Dentro de mim ficaram também momentos simples, inesquecíveis, de quando ele vinha em casa me buscar para irmos na casa da minha tia. Ninguém faz ideia da minha felicidade andando de ônibus com meu pai! Nem eu faço mais ideia de quanto eu pude ser tão feliz andando no 905 - Irajá/Bonsucesso... Jogar baralho, então... Eu, meu pai e o verdadeiro Bira, meu irmão!... Verdadeiro Bira, sim!... Porque hoje eu sou Birinha e estou sentado no colo de meu pai.

Abraço!
Birinha.



Amigos!

O Espírito do Treinão do Brasil


Minha principal tarefa, ultimamente, tem sido promover o TREINÃO DO BRASIL. Fico na internet o tanto quanto posso. Faço postagens e respondo perguntas. Volta e meia, um corredor internauta me argui, pelo chat:

-- Quanto custa para participar do Treinão do Brasil?... As inscrições estão abertas?...

Respondo que "não, um treinão não custa nada!..." - Enquanto tento imaginar a expressão da pessoa, de imediato, explico:

-- Vamos fazer o que já estamos acostumados: Juntar pessoas para treinar... A diferença é que isso ocorrerá no mesmo momento, em todo país. Faremos o maior treinão de todos os tempos, pois estaremos vestidos de branco - a cor da paz que é almejada por todos e será nosso lema.

Na hora que escrevo isso, eu não preciso mais imaginar a expressão do corredor diante do chat. Sei que seus olhos estão brilhando, como das pessoas com quem falei sobre o projeto. Não é pra menos, corredores são apaixonados pelo que fazem. Adoram juntar o maior número possível de amigos para correr. Imagina juntar gente de todo o Brasil, por uma causa justa e agregadora?!...

Explico ainda mais... Digo que o treinão não é manifestação política, muito menos religiosa. Que o branco de nossas camisas é a fusão de todas as cores, num só objetivo: Alcançar a Paz. Que a paz começa no momento em que estamos reunidos para correr. Que nós, corredores, acostumamos a lidar com ela nos treinos... Só não tínhamos pensado que, um dia, nossa paz pudesse ter o tamanho do Brasil.

*                      *                       *


Amigos!

Montagem com recortes de imagens da internet - Bira


Correr, Tropeçar, Chorar e Sorrir...


Se o dependente químico soubesse do poder da endorfina,
Deixaria de lado as drogas ilegais.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Cheiraria de novo o frescor esquecido da manhã!

Se o alcoolista soubesse do prazer de um gole d'água, após a corrida,
Deixaria de lado a outra bebida.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Brindaria de novo o sabor esquecido do dia!

Se o depressivo soubesse do alívio que traz um abraço de corredor,
Deixaria de lado os remédios.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Choraria pelos poros o suor esquecido dentro de si!

Se o compulsivo soubesse da força que arrasta os corredores na largada,
Deixaria se levar por ela.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Repetiria os passos esquecidos nas corridas da infância!

Se o Workaholic soubesse da lucratividade dos treinos com amigos,
Deixaria de lado a caneta e o terno.
Vestiria tênis, bermuda e camiseta para recomeçar a vida...
Suaria no escritório esquecido que tem vento, chuva e sol!

Se o corredor soubesse por que não é um alcoolista ou depressivo,
Teria medo de parar de correr.
Mas o melhor é não ter medo,
Que está na origem dessas doenças.

Se o corredor dissesse que a corrida lhe trouxe saúde,
Outro rebateria, que a corrida lhe conduziu à saúde,
Mas tudo terminaria num pique,
Como nos Tempos das Descobertas de infância!

Se você estiver pensando que não há nada mais para descobrir na vida.
Se você estiver desiludido, recorrendo às drogas ou ao excesso de álcool...

Se você tiver tristeza demais,
Se estiver comendo demais,
Trabalhando demais,
Demasiadamente demais...

Lembre que quando criança
Você corria e sorria,
E tropeçava, e chorava,
E levantava, e corria de novo!
E descobria o mundo...
E tudo era demais!

Se você pensa que não há mais nada para descobrir no mundo,
Experimente olhar para ele, enquanto corre!
Resgate os olhos brilhantes de criança:
Correr, tropeçar, chorar e sorrir...

E se redescobrir,
E revelar o mundo!


Abraço!
Bira.



Amigos!


A ideia de fazer um imenso treinão simultâneo, vem conquistando os corredores do Brasil. Neste último sábado (01/08/15) nada menos que seis cidades ganharam seus treinões - do extremo norte, ao extremo sul - são elas:

Macapá AP - cujo de local da largada é o Marco Zero da Linha do Equador;

Bagé RS - a Rainha da Fronteira, cujo local de largada é a Praça da Estação;

Canoas RS - a largada é no Parque Municipal Getúlio Vargas (Capão do Corvo);

Praia Grande SP - largada na Praça dos Canhões, em frente ao Forte de Itaipu;

Fortaleza CE - Avenida Duque de Caxias, largada no calçadão da Crasa C. Rolim;

Petrópolis RJ - corredores da Cidade Imperial largarão nas Proximidades do Palácio de Cristal.

O Mapa já começa a ser preenchido pelos balõezinhos indicadores do Google, prevendo que o sonho de todos vai se realizar: No dia 20 de setembro de 2015, exatamente às 8 h da manhã. Nessa hora, milhares de corredores, em diversos pontos do brasil, largarão de branco, pela Paz!

Tome Você a Decisão!

Se você é corredor e foi tocado pela ideia, mas ainda não tem treinão previsto na sua cidade, não tenha medo: Tome a frente e organize! Falo isso porque já temos um bom conjunto de ferramentas para atrair mais corredores locais. Contamos com blogs, Evento aberto no Facebook, aplicativo TREINÃO DO BRASIL e nossos apoiadores que oferecem blindes para sorteios.

O treino é comum, basta estar de camisa ou camiseta branca (que pode ser qualquer camisa de corrida dessa cor). O diferencial é a simultaneidade, em todo Brasil. Quando, a cinco minutos da largada, os corredores de Copacabana (por exemplo) elevarem seu pensamento pela Paz, o mesmo estará sendo feito em São Paulo, Bagé, Uruçuca ou Boa Vista. Não importa se o grupo é pequeno ou gigantesco, seremos grandes no coletivo e no propósito!

Muitas vezes o corredor fica tentando vender a ideia para que um amigo mais influente organize o treinão local, e então pode ficar tudo emperrado. Experimente inverter, marcando o treinão local primeiro. Sendo assim, seu amigo influente pode não aderir imediatamente e retornar depois para dar volume, quando certamente outros corredores já se juntaram a você.

Evento aberto no Facebook e Sorteios