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Amigos!

Meu presente de aniversário chegou três dias antes. Não era livro, camisa, sapato nem carro. Não era tangível. Não tinha cheiro, nem cor ou sabor. Difícil descrever um presente sem forma, mas que fluindo da alma se transforma em lágrimas da mais pura alegria. A emoção que senti ao entrar no corredor de chegada, após percorrer 42 km na Maratona do Rio foi o meu presente.

A PROVA


A prova mais esperada do ano teve sua largada no dia 18 de julho de 2010. Um domingo de chuva intermitente e vento contínuo. Eram 7:30h da manhã no Pontal do Recreio. Para estar ali, aqueles 4.000 corredores acordaram no meio da madrugada – alguns mais ansiosos, como eu, nem dormiram direito. Antes do galo cantar, já haviam tomado banho e café. Já haviam vestido a roupa de corrida, fixado o chip no cadarço e o número na camiseta, encaixado o boné na cabeça e o relógio no pulso. Quando penduraram no ombro seu saco de treino, os objetos ali contidos chacoalharam. Para quem tá de fora, os sacos de treino dos atletas são versões light das bolsas de mulheres. Eles podem conter papel higiênico, gel de carboidrato, alfinetes, toalha, camiseta 2, vaselina, esparadrapo ou band-aid, sachê de sal, MP3 player, desodorante, etc... Se for atleta mulher, fica difícil especular seu conteúdo. Meu saco de treino é basicão. Pu-lo nas costas e quando saí de casa o sol sequer ameaçava nascer.

Pouco antes das seis, eu já estava na Kombi cheia de atletas, que saiu do Shopping Carioca rumo ao Recreio. Logo, a luz do dia acendeu o céu, que revelou carregadas nuvens ameaçando desabar seu pranto sobre a Linha Amarela. Na Av. das Américas, no entanto, percebemos que o tempo estava se abrindo, mas minutos antes da largada, no Recreio, prevaleceu o vento frio e algum chuvisco.


Nos primeiros 26km de prova consegui acompanhar o tempo impresso em minha pulseira de ritmo, que me levaria a concluir a prova em 3h 19min. Até ali, já havia deixado para trás a Praia da Reserva, a Barra da Tijuca e chegado a São Conrado. Estava feliz, correndo em um ritmo que não me parecia forte. Foi quando surgiu uma dor aguda na altura do estômago me obrigando a reduzir o ritmo das passadas. Lamentei, mas não parei de correr. Na medida que a dor diminuía ou aumentava, eu fazia o inverso com a velocidade. Convivi com este incômodo na subida e descida da Niemayer, Leblon, Ipanema e Copacabana. O chato foi perceber que tinha pernas para acelerar, mas se o fizesse eu quebraria devido à dor. Neste trajeto, muita gente me passou e eu tive de me conformar.


Na altura do quilômetro 38 percebi que a dor se dissipara. Já estava deixando Copacabana, rumo à Botafogo, e pude acelerar. Rasguei a pulseira de ritmo, que não servia para mais nada, já que eu perdera com a desaceleração uns 14 minutos. Desta vez eram os pés que doíam, parecendo que os tênis fossem menores em um número – mas saibam que eles são um número maior, para dar mais conforto. Sem dor no abdômen, no entanto, nada iria me deter naqueles últimos quilômetros. As pernas me pediram para parar e eu disse não. Faltava pouco. Segui eufórico pela pista curva que acompanha a praia de Botafogo, estava realmente chegando! Familiarizei-me com aquela paisagem onde treinei várias vezes e participei de tantas corridas mais curtas. Lá estava o Pão de Açúcar, que rouba a cenas nas fotos dos atletas, atrás do espelho d’água, onde deslizam os veleiros da enseada.

Mais uma curva e surgiu a placa de 41 km. Um corredor de vermelho acelerou e me passou. Eu estava exaurido, mas o usei como estímulo para tentar manter boas passadas. Aproximei-me do cara e falei: “Vamos juntos até a chegada!” O final da última curva revelou o corredor de chegada. A larga pista do Aterro estava margeada pelas tendas das assessorias esportivas, academias e anunciantes de um lado. Do outro, uma arquibancada. Módulos de aço se encaixavam formando uma longa cerca de proteção, atrás da qual várias pessoas aguardavam com ansiedade a chegada dos seus corredores (filhos, maridos, esposas, amigos, etc...). No final, o pórtico de chegada era uma das imagens mais lindas que eu já vi. Comparável a um oásis incrustado na aridez.

Quanto mais me aproximava da chegada, menos cansaço sentia. Milagrosamente os pés e pernas pararam de doer e eu comecei a correr mais forte. Esqueci completamente do corredor de vermelho, deixado para trás, e senti uma alegria indescritível. Sinceramente lutei para não chorar. Desabafei com brados de euforia. Enquanto corria, agora desembestado, exclamava: “Isso é muito bom, porra!”, para delírio da platéia. Fiz aviãozinho, dei saltos sem nexo e deixei mais uns três para traz nos últimos metros. Num lapso de consciência me auto-repreendi, pensando: “Que mico!... Você tá querendo aparecer?” Noutro lapso de liberdade respondi a mim mesmo: “Nada disso, eu tenho direito de desabafar!” Então desliguei o cérebro e fui conduzido pela emoção. Completei a maratona, incorporado na pele do homem mais feliz do mundo.






Abraços,
Bira.
(...) Sim! Nós maratonistas somos privilegiados pois colhemos ao longo de 42km de estrada os frutos do que plantamos no asfalto e que regamos com o próprio suor, dia a dia, treino a treino (...)



A Maratona é Como a Vida

Amigos!

A maratona é como a vida: Nos primeiros quilômetros, ainda no Recreio dos Bandeirantes, enquanto à nossa direita víamos violentas ondas se erguerem do mar, transformando aquele azul eterno na branca espuma que logo morre na areia, do outro lado da estrada, onde corríamos, havia um o mato verde, calmo e fecundo, sob o manto do orvalho, num dos trechos esportivos mais belos do mundo. Recebíamos contra o peito fortes lufadas de vento e, mesmo neste momento supremo, eu consegui me preocupar... Tentei vislumbrar além da estrada o meu destino - O Aterro do Flamengo - e pensei: "É longe demais!... Não dá pra ver ou calcular, atrás de qual montanha distante e esbranquiçada está a linha de chegada..."

Tal qual ocorre na vida, não daria para assegurar o resultado. Era preciso, simplesmente, viver cada passada. E assim perceber que aquele vento frio, matinal de inverno à beira-mar não era o bastante para nos congelar, apenas refrigerava. Nosso sangue estava quente e expelia o calor e energia, e expulsava o suor. Se por um lado perdíamos sais minerais, por outro, nos desfazíamos de toxinas. Poderíamos recuperar os sais no próximo posto de hidratação, sorvendo um isotônico, mas as toxinas, que ficassem pelo caminho - pisoteadas no asfalto como copinhos de água mineral.

Sim! Nós maratonistas somos privilegiados pois colhemos ao longo de 42km de estrada os frutos do que plantamos no asfalto e que regamos com o próprio suor, dia a dia, treino a treino. Ao fim da maratona, passadas 2h50min, ou 3h25min, ou 4h20min... não importa o tempo de cada um, cruzamos a linha de chegada para descobrir que a felicidade sempre esteve ao nosso lado, pelo caminho. Ela esteve no olhar de um amigo - feito ali mesmo naquele trajeto - ou no sentir o vento, ou no pisar no asfalto, ou no ouvir o barulho do mar, ou...


A maratona é como a vida: Longa e desgastante para quem não percebe a brevidade da onda, que se desfaz na espuma, que se chama felicidade, que morre e renasce a todo instante.#




(Publicado em 21/07/10)

Abraço!
Bira
Amigos!

Tenho muito a dizer do último treinão de sábado, 10 de julho, no Bosque da Barra. Mas faz de contas que estejamos treinando muito forte, neste momento, e de tão ofegante eu não consiga falar direito. Faz de contas que estejamos lá, no Bosque da Barra que tem 3km de terra batida em seu entorno e, de tão concentrados em nosso desempenho, sequer adentramos pelos caminhos entre lagos e flores. Então vou deixar para as imagens seguintes o papel de revelar esse treino - o último, antes da Maratona de domingo próximo:

Antes do treino: Ozéias, Murilo, Adriano, Carlos, Giumara, Sandro, Hélio, Bira e Oliveira

Depois do treino: Promotoras da Coca-Cola distribuíram isotônico para a galera.



Por fim: Mico observa a evolução da espécie.


Abraços!

Bira
Amigos;

Na hora do click guardas cruzam a frente dos corredores: Sorrisos.

Na ensolarada manhã de sábado, 02/07/2010, fiz mais um treinão com a galera, desta vez na Lagoa Rodrigo de Freitas. Dei apenas duas voltas, para não forçar muito: 15km. As fotos abaixo foram tiradas antes e depois do treino:

Carlos, Sandro, Ozeias, Alê, Adriano, Bira e Oliveira - antes do treino.

Galera pousa de novo no pós treino.

O sol era benvindo naquela manhã de inverno na pista de pedrestre que circunda a Lagoa. Ele fez descer dos prédios os carrinhos de bebês, os skates das crianças, os óculos e bonés dos casais de idosos. Todos caminhavam ou corriam na Lagoa, enquanto o sol dissipava a neblina matinal, dando cor à paisagem carioca.

Aos poucos, as gotículas que sumiam doa ar, pareciam se fundir sobre a pele dos corredores. Os suores quem brotam dos poros são, também, gotas de esperança aos que têm a idade anvançada ou saúde debilitada - tomando sol como quem toma remédio.








Semana que vem, marcamos o último treinão pré-maratona para o Bosque da Barra.

Abraços!

Bira
Amigos!

No próximo dia 18, oito horas da manhã, estarei largando entre os milhares de corredores da Maratona do Rio, lá no Recreio, rumo ao Aterro do Flamengo. Muitos de vocês me acompanharam e me incentivaram, durante três anos, a continuar treinando. Recebi toda recompensa que o esporte oferece a quem perdura: saúde, alegria, auto-estima elevada, juventude e etc.

Em julho de 2007 eu não podia imaginar que ainda fosse correr uma maratona. naqueles primeiros dias de treinamento. Os joelhos doeram de tal forma que nem consegui andar direito depois que corria. Precisei fazer reforço muscular, tive de treinar um bom tempo na grama, até que a musculatura se acostumasse ao novo estilo de vida, mas valeu. Três anos depois estou pronto para encarar os 42km mais belos do mundo, na orla carioca.

Chegada do longão de 29km, na Rio Terezópolis: de Guapimirim a Magé - Sábado 26/06/2010.
Em pé: Sandro, Giumara, Carlos, Ozéias, Adriano e Bira. Agachados: Jorge e Oliveira.

MEUS TREINOS


Comecei a treinar visando a maratona em dezembro, mas isso só intensificou no final de abril, quando Paulo, professor de educação física me orientou a correr 6 vezes na semana, presenteando-me com uma planilha. Depois perdi contato com o mestre, mas adaptei sua planilha nos dias subsequentes. Resultado: de 26 de abril a 29 de junho percorri 651km e acabei com dois tênis.

NÚMEROS (de 26/06 a 29/07)

DIAS CORRIDOS: 65
TREINOS: 46
KILOMETROS PERCORRIDOS: 651
MÉDIA POR TEINO: 14km





Antes da largada do treinão, em Guapimirim: Sol da manhã, clima ameno e uma visão inspiradora da serra
.



Entre todos os treinos, são os longões me transmitem segurança para uma boa maratona. Comecei fazendo longos solitários de Irajá ao Centro (21 km) todo sábado. Num deles, estendi o percurso até Copacabana (31 km) e cheguei no bagaço, com 2h47' e pés que não cabiam dentro do tênis. Caminhei descalço na areia, fazendo uma massagem natural, enquanto as águas do mar banhavam pés e panturrilhas. Eu sabia que precisava melhorar muito, mas já conseguira fazer em dezembro um longo percurso.


Repeti outras três vezes este percurso. Na última (19/06/10) meu tempo caiu para 2h31' e eu me senti muito melhor, na chegada. Credito esta melhora às orientações do professor Paulo: correr mais kilometros e mais dias e correr na grama, foi fundamental.

Dentro do possível, fiz alguns treinos com amigos corredores (como no longão das fotos). Mas nossos horários não se encaixam sempre. Esses loucos me levaram para um longão na Cidade Universitária - Ilha e para subir o Sumaré, até perto do Cristo Redentor. Acho até que eles pensaram que eu tivesse corrido da raia, depois do treino do Sumaré, mas eu continuava treinando em outros horários e reapareci neste Guapi/Magé.

Parece que amanhã tem longão na Lagoa, se a turma confirmar pretendo dar três voltas (21km). Tá chegando a fase de polimento, na semana que vem, onde a gente evita treinos longos demais, para chegar com todo gás no dia da prova.

Quanto à minha expectativa, vou ficar muito feliz em completar a maratona com um tempo abaixo de 3h20'... Será que vai dar?

Abraços!

Bira
Amigos!

Já faz 90 dias que não posto nada neste blog. Deve ter gente pensando que até parei de correr, muito pelo contrário, tenho treinado cada vez mais - à medida que se aproxima a Maratona do Rio, em julho. Meus tênis de 2009 não sobreviveram em 2010. Viraram poeira sobre o asfalto aquecido pelo sol. Ainda bem que recebo, por e-mail, promoções dos sapatos de corridas nas lojas virtuais, já que nos shoppings eles são bem mais caros.

Por-minha-prórpia-conta-e-risco, estava me preparando para a Maratona desde outubro. Intercalava os treinos com uma ou outra prova de 10km, só para não perder o hábito. Em março, fui convidado a participar de um evento em Porto Alegre. Aproveitei e me inscrevi na Track&Field Runseries - corrida de 10K com largada e chegada no Shopping Iguatemi POA. Completei a prova em 43'57", um tempo fraco mas que me deu a segunda colocação na faixa M50-54. Como venho treinando para 42K, meu ritmo nos 10K caiu, naturalmente. No fim de semana seguinte (28/03/2010) participei de outra 1oK no Aterro do Flamengo - Circuito Atennas - onde um sol impiedoso me dereteu. Cheguei exausto, com tempo acima dos 45" e pensei: "Melhor me concentrar de novo nos treinos da Maratona e parar com estas provas curtas..."

Decidi voltar para a academia, depois de um ano e meio afastado - "vou fazer reforço muscular", pensei. Neste período os donos da academia mudaram e eu encontrei um novo professor que me avaliou e revelou ser especialista em treinar corredores. O professor Paulo mudou meus treinamentos, eu só teria um dia de descanço semanal, para completar a maratona em 3h25' - minha meta. Sob sua orientação, voltei a fazer dois lanches à tarde (às 14 e 17h). Só não consegui fazer dois dias esteira, que ameniza o impacto evitando lesões, substituí por dois treinos na grama, ao ar livre. Neste "ínicio", faço dois treinos livres de 1h45'; um treino intervalado (6X1.800m com intervalos de 2min. trotando); um treino de velocidade (8Km no melhor tempo); além dois dois treinos de 1h em grama, já citados. Semana que vem vai ficar mais forte e eu começarei a malhar.

Para relaxar, encaixei o Treinão da Maratona (18/04) nestes treinos e pude rever amigos corredores. Assisti palestra, recebi orientação sobre alongamento e tirei fotos, algumas estão aqui.

Enquanto a Maratona não chega, devo participar apenas das 10 Milhas Mizuno (16Km), para não perder o foco. Continuarei treinando, treinando, treinando... Agora mais tranquilo, pois estou sendo orientado.

Abraços!

Bira
Amigos!



Esta semana passei no Centro Cultural da Caixa, aqui no Rio, para conferir o que havia de novidade ali. Logo no saguão, descobri a exposição de cartazes de propaganda de cigarro denominada: COMO A INDÚSTRIA DO FUMO ENGANOU AS PESSOAS.

É curioso perceber a própria indignação diante daquelas antigas propagandas que utilizavam bebês, atores, médicos e atletas mas ao mesmo tempo lembrar do slogan - dos anos 70 - "Ao Sucesso com Holliwood" ou do tricampeão Gérson "levando vantagem em tudo" ao tragar Vila Rica, o que me parecia normal.

A seguir, parte do texto exposto nos painéis:

" COMO A INDÚSTRIA DO FUMO ENGANOU AS PESSOAS

" Na primeira metade do séc. passado, quando os efeitos nocivos do cigarro começavam a ser discutidos, a indústri tomou uma séria de providências em sua comunicação para amenizar o medo dos fumantes.

"Para conter expressões como 'tosse de fumantes' e outras referências negativas ao cigarro, os profissionais da indústria americana do tabaco usaram em seus anúncios o pestígio de médicos, atletas, cantoras, estrelas de Holliwood e personagens de filmes infantis, crianças, jovens, bebês e até o Papai Noel (...)"


O material também está disponível no site: http://lane.stanford.edu/tobacco/index.html, confira.

(Publicado em 16/10/12)

Abraços!
Bira.
Amigos!

Meu último ato esportivo de 2009 foi garantir a inscrição para a Maratona do Rio. Ainda faltam sete meses para a prova, no entanto, isso reafirma meu compromisso de treinar, além de garantir um bom desconto.



Como venho relatando, saí aos poucos das provas de 10k, passei pelas 10 milhas (16k) e cheguei à meia maratona (21k). Se tudo correr bem, acredito que poderei chegar entre os vinte primeiros de minha faixa etária (50/54), com um tempo inferior a 3h e 20m, no dia 18 de julho de 2010. Por isso, decidi em outubro fazer longões de sábado mais ousados "Saindo do Cercado". Logo me acostumei.



Clique na imagem para ampliá-la

Entre um longão e outro, mantive os três treinos semanais, geralmente de 10 e 12k. Em breve, estarei percorrendo cerca de 65km por semana. Esta semana, no entanto, tive problemas renais e nem treinei. Recuperado, fiz neste sábado, o longão até o Centro, mas meu tempo despencou e agora minhas pernas clamam por descanso. Semana que vem estarei melhor!

Encerro agradecendo as mensagens de incentivo que recebo após cada postagem. Se boa parte da minha alegria consistiu em correr nesses últimos anos, vocês, meus amigos, deram o impulso que eu precisava. Que o Ser Supremo lhes devolva e multiplique toda essa energia, para iluminar o caminho de quem ama. Feliz Ano Novo!

Abraços!

Bira
Rajadas de vento agitaram as águas do Rio Guaíba. Era sábado, véspera de corrida, e nem parecia dezembro durante a passagem do ciclone extra tropical na capital gaúcha. A temperatura baixou, não conferi o quanto, mas fez frio. A manhã de domingo trouxe um sol amarelo que lutava bravamente para dissipar seu frescor. Enquanto os jornais matinais repercutiam a “ressaca” do rio, este já era calmo e grandioso, transferindo sua força para a oculta correnteza. Poeticamente acredito que o Guaíba se acalmou para assistir em mais uma prova do Circuito das Estações, toda a beleza daquela gente que corre: O colorido das camisas que colam no corpo suado das moças e rapazes; o brilho no olhar dos atletas de todas as idades, exalando adrenalina e alegria de viver. O mesmo Guaíba que injeta encantamento na alma humana, ao exibir continuamente o sol se pondo, tornara-se espectador dos homens.

Foto 1: Concentração antes da largada

Era vinte p’ra’s nove quando me posicionei na pista. Se quisesse aquecer ou alongar, perderia a chance de largar na frente, então não aqueci. Às nove, a largada foi dada para mais de 4 mil corredores. Apenas uma semana após a Corrida da Pampulha, em Belo Horizonte, eu já estava na Corrida Adidas em Porto Alegre – era um belo fechamento de ano!


Foto 2: Paulo e eu, antes da corrida

BOM TER AMIGOS

Cheguei em Porto Alegre na sexta (11-12), peguei meu kit da corrida e fiquei no shopping aguardando minha amiga Isabel. Revi seu filho Brunno, que cresceu e está com a cara do Guga. Conheci o Paulo, seu namorado. Nessa noite, papo rolou até duas da manhã na casa da Isabel. Disfarcei a emoção quando a Isabel orou, antes da refeição, e agradeceu a Deus, entre outras coisas, pela minha presença: eu estava em casa.

Saí para dar uma corridinha na estrada e me perdi na volta. Com isso atrasei o almoço, mas poderia ter sido pior.

Na manhã de domingo eles me levaram para o local de corrida, tiraram fotos, vibraram e eu nem sei se merecia tudo isso.

Foto 3 - Aviãozinho na chegada

A CORRIDA

Sabia que não daria para melhorar meu tempo naquela prova de 10K. Com 43’03”, fiquei na quarta colocação por faixa etária (50/54). Forcei o que pude, mas sem deixar de curtir o percurso, o visual e o carinho dos amigos me incentivando na passagem dos 5 km. Aqueles 43 minutos passaram muito rápido.

Foto 4: Morto de cansaço e feliz da vida, com Bel

VOLTANDO AOS LONGÕES

Recebi hoje um e-mail avisando que a inscrição para a Maratona do Rio (18/07/2010) já está aberta. Faltam sete meses para a prova, mas eu já estou me preparando a quase dois. Já fiz quatro longões Irajá/Centro (22km) e, neste último sábado, resolvi estender as pernas de Irajá a Copacabana, chegando aos 31 km. Vou tentar repetir esse percurso, nos próximos sábados, até ficar totalmente adaptado e diminuir o tempo obtido (2h 47min). Se continuar treinando com regularidade, nos meses que virão, estarei apto para encarar, em ritmo contínuo, os 42Km da Maratona mais bela do Mundo.

Abraços!

Bira
Amigos!

Muito chão percorri desd'a última postagem até hoje. Além dos treinos regulares, reservei os sábados para o meu "longão" - Irajá/Centro - de 22km. Foi o começo dos meus treinos para encarar a Maratona, ano que vem. Foi também meu preparatório para a Volta da Pampulha, domingo passado, em Belo Horizonte.

Cheguei em BH na manhã chuvosa de sábado (05/12). Hospedei-me no Centro da Cidade, onde era fácil identificar outros corredores espalhados pelas ruas, shoppings e hotéis. Desde dos corredores mais simples aos mais sofisticados. Desde corredores mais jovens aos mais veteranos. Das moças às senhoras. Alguém que perguntava com sotaque paulista e era respondido em baianês. Uma festa regada a... chuva mesmo.

Achei um "Spoletto" na praça de alimentação do shopping do Centro. Almocei raviolli e jantei fetutini, já que massa é o ideal antes das corridas. Andei pelas ruas do Centro.

No dia da corrida acordei às 6h. Um pequeno pedaço de melancia, meia banana e uma fatia de pão com queijo branco formaram o café da manhã. Na rua, a chuva era fraca mas persistente e ônibus não chegava. Chegou a tempo para alívio de pelo menos trinta corredores e lotou. Na corrida, consegui me posicionar próximo a linha de largada. Deparei com personagens já conhecidos nas corridas do Aterro: O Homem-Árvore, o Índio e Chico Águia. Senti-me mais em casa. Permaneci embalado por uma capa de chuva enquanto a hora da largada não chegava. Quando a hora chegou (9:15) desabou a chover forte, enquanto todos disparavam. Rasguei a capa da chuva e tentei disparar meu cronômetro, sem enxergá-lo direito. O que vi foi uma corredora caindo feio à frente e levando consigo o corredor detrás. Desviei e passei, não pude conferir se outros também caíram. Passei pelo tapete da largada e, puxado pelos demais corredores, segui a 15km/h.

A bela paisagem da Pampulha viu me ritmo cair para uma média de 13km/h durante o trajeto de 18k. Fiquei impressionado com a qualidade dos corredores - tinha muita gente correndo forte, o que não se vê nas corridas de 10k do Rio. Em alguns momentos da corrida achei que poderia me esforçar um pouco mais e aumentar o ritmo, mas optei pela diversão. Não quis chegar arrasado. Completei com o tempo de 01:23:38.

Cheguei no Aeroporto de Confins às 15:20h, cinco horas antes do meu vôo para o Rio. Preferi chegar cedo ali para tentar encontrar uma TV passando a final do Brasileirão. Depois de muito procurar em vão, dez minutos antes da partida, vi uma agromeração em frente a um restaurante... Sim, era o jogo do Flamengo!

ÚLTIMA DO ANO
Domingo (13/12/2009) estarei em Porto Alegre na Corrida Adidas de 10k. Vai ser, sobretudo, uma oportunidade para rever os amigos do Sul.

Abraços!

Bira
Amigos!

Este ano desisti de baixar meu tempo nas provas de 10K para participar de provas mais longas. Sendo assim, corri as 10 milhas da Mizuno (16k), a Meia Maratona do Rio (21,097K) e a Meia Internacional. Isso resultou em treinamentos mais demorados e de menor ritmo, seguindo pela contra-mão das ruas de asfalto irregular do subúrbio do Rio. Não dá para correr por duas horas e meia em um mesmo lugar, tem de sair por aí.


Em meu último treino, saí de casa e segui paralelo ao Metrô. Partindo de Irajá, cruzei as estações de Vicente de Carvalho, Thomaz Coelho, Engenho da Rainha e Inhaúma. Após passar sobre a Linha Amarela e chegar ao Shopping Nova América, consultei o cronometro que marcava algo em torno de 30 minutos. Era hora de passar o dedo na testa, como um limpador de pára-brisa, protegendo os olhos do suór.

Passado o Shopping, virei à esquerda abandonando a margem do Metrô e sigui para Maria da Graça, onde o Metrô ressurge sobre um elevado. Hora de ficar atento, pois a área é perigosa. Na saída da Favela do Jacarezinho, a Cracolândia, um grupo de amigos corredores já foi alvo de pedras atiradas pelos viciados. Escapei incólume da "Faixa de Gaza", pelo viadulto que me conduziu a Benfica e me adentrei por uma rua paralela ao Corpo de Bombeiros. Antes de cruzar outro viadulto que me conduziria ao Maracanã, consultei o cronômetro que marcava 1 hora treino. "É melhor voltar." - pensei, ao mesmo tempo que li o letreiro "São Francisco Xavier", na estação da Supervia.

Voltei seguindo a linha de trem até o Engenho Novo. Antes de chegar ao Méier, abandonei este trajeto, optando pelas placas que indicavam "Del Castilho", nas ruas internas do bairro. Passei por ruas que não conhecia e, quando me dei conta, estava em inhaúma, de novo, ao lado do Metrô. Daí foi só retornar e completar todo trajeto em 2h e 30mim. O Google Maps confirmou que meu trajeto foi de 26 a 27Km - o treino mais longo desde que voltei a correr. Elegi-o como o meu primeiro treino para a Maratona (42K) do ano que vem.

ENQUANTO A MARATONA NÃO CHEGA

Esse mês, participei da Corrida de Primavera do Circuito Adidas, de 10K (veja as fotos). Mais uma vez não atingi os tão sonhados 40 minutos, ainda assim, com 42'17" fui o quarto na minha categoria. Para fechar o ano, já me inscrevi na Volta da Pampulha - dia 06 de dezembro de 2009, com transmissão da TV Globo.

Talvez corra outra prova de 10K, ainda em 2009. Depois disso, sei que vou gastar muito tênis em treinos cada vez mais longos para as Maratonas de 2010 (provavelmente duas). Para encarar os 42 km, vou precisar de muita saúde e disposição.

Abraços!

Bira
Amigos!

A essa altura, deve ter gente pensando que eu parei de correr - já que não postei nada ultimamente. De fato, eu dei uma diminuída na intensidade dos treinos, mas bem longe de parar - apenas recuperação.

De julho pra cá, fiz um curso de férias na Estácio: "Como Falar em Público" e entrei num curso de Inglês. A sala de aula faz eu me sentir muito mais jovem - serão dois anos de juventude aprendendo Inglês.

Quanto às corridas, participei da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro (06 de setembro, último) em meio a 17.000 corredores. Tinha espectativa de melhorar meu tempo de 1h36min, para os 21,097 km, mas não deu. Logo na largada (Praia de São Conrado) houve grande engarrafamento que se estendeu por toda subida da Av. Nienmayer, roubando preciosos minutos. Fiquei tenso, tentando ultapassar as pessoas em vão. O fato é que um grande número de corredores lentos insistem em largar na frente e atrapalham outros que desejam diminuir seus tempos - é o "efeito televisão".



A densidade de gente só diminuiu na descida da avenida, quando eu tentei recuperar os minutos perdidos, correndo acima do meu ritmo. Passei pelo Leblon, Ipanema, Arpoador e Copacabana, mas quando cheguei em Botafogo já estava cansado acima do normal. Diminuí o ritmo em frente ao Canecão e no aterro do Flamengo percebi que iria "quebrar". Fiquei mais lento e a sensação é de que estava quase parando, sempre que alguém me ultrapassava.

No Km 17 senti dores nos ombros. Respirei e tentei reagir. Aumentei as passadas, mas antes do Km 19, já estava "quebrado". Até meu cronômetro parou de funcionar e eu resolvi apenas completar a prova, em um semi-trote sofrido. Resultado: 1h42min.

Agora vislumbro a Volta da Pampulha (17,8km), em Belo Horizonte, dia 06 de dezembro. já estou incrito e comprei as passagens. Enquanto isso, vou participar da Corrida de Primavera Adidas (10k), neste domingo (11/10/09). O ano está acabando e meus objetivos estão sendo alcançados, sobretudo o mais humilde objetivo: Continuar correndo. A partir daí é que eu posso sonhar em aumentar a kilometragem das corridas, correr em outras cidades e mais tarde em outros países. O tempo vai passar e eu vou continuar cada vez mais jovem!

Abraço!

Bira.