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Amigos!

Imagem composta com recortes de fotos da internet, ditada com Gimp e Paint - Bira, 11/15.

Última Introdução

Vivo. É assim que me sinto diante das minhas memórias... Não importa por quanto tempo eu esteja parado nem o quanto engordei, por causa disso. Não importa que a sola do meu pé insista em arder quando piso no chão. Farei das memórias meu chão e correrei nas pistas que são formadas entre as linhas deste texto!

Agora estou vivo, porque assim decidi! Não lamentarei pela cura que espero, quando o esperar já constitui privilégio. Esperar é uma oportunidade que ganhamos para rever e projetar. Se você é daqueles que apenas lamenta toda vez que está esperando, perde a oportunidade de avaliar o passado para fazer melhor, mais à frente.

Revejo tudo que um corredor pode sentir descrito aqui, em várias postagens. Já relatei alguns trechos e agora dou fim a esta série de "Memórias...".

Capítulo XIII - Aprendendo a Descrever


Fiz esse blog, em 2008, para relatar minhas corridas. Não demorou muito e eu descobri que o relato das corridas de um corredor comum e cinquentão não despertava grande interesse.

Mas eu estava no auge de um dos meus treinamentos solitários e queria dividir essa experiência com o maior número possível de pessoas, então me fiz a pergunta:

-- De que forma um cara como eu atrairia algum acesso para o seu blog?

A resposta veio rápida, na minha cabeça:

-- Pare de falar de você e descreva apenas o que vê e o que sente... Faça assim: Quando estiver correndo, transforme seus sentimentos em uma lente. Depois coloque esta lente entre seus olhos e a paisagem... A seguir, relate o que vê e descreva o que sente!... Se fizer direitinho, seu texto será capaz de espalhar emoções!

Os corredores não diferem das pessoas na preguiça de descrever suas emoções. É muito comum ouvir a expressão "emoção indescritível", quando tudo pode ser descrito. Aprender a descrever é uma ultra maratona interminável. É o mergulho num oceano de mistérios, belezas e perigos. A criatividade (afirmo!) está ao alcance de todos que têm coragem de mergulhar nos seus oceanos.

Arrisco-me muito neste espaço, faço dele o meu mar. De tanto que arrisco às vezes acerto, como em "DNA de Corredor", uma composição feita com medalhas e camisas de corridas, da postagem "Arte com Medalhas":

DNA de Corredor: instalação composta de medalhas e camisas de corrida de rua - Bira/2013.

Capítulo XIV - Meus Projetos

Em maio de 2013 eu decidi que faria "Um Longão em Cada Estado" e dei esse título ao primeiro projeto deste blog. Comecei aqui no Rio, para ficar mais fácil, e juntei 80 corredores para a subida ao Alto do Sumaré. Três meses depois, fui a Goiânia a convite de Nilo Resende, do blog Companheiros de Corrida. Tive uma surpreendente acolhida, quando Nilo me apresentou seus amigos e sua cidade. Depois disso eu comecei a trilhar uma via-crúcis de lesões e interrompi o projeto. Voltei um ano depois, em setembro de 2014, na belíssima Gramado. A fascite plantar que me acometia se agravou e o projeto foi interrompido até hoje. A ideia de fazer "Um Longão em Cada Estado" continua de pé, esperando melhores dias.

1º Encontro de Blogueiros, Hotel Mar Palace, Copacabana, Rio, jul/15.


O Primeiro Encontro de Blogs e Grupos de Corrida (foto acima) aconteceu em julho de 2014, no Hotel Mar Palace, em Copacabana. Era véspera de Maratona do Rio, uma oportunidade para corredores blogueiros, vindo de todo Brasil, se reunirem para estreitar amizades e trocar experiências. Tive apenas dois meses para divulgar o encontro, o que inviabilizou a participação de vários blogueiros. Mesmo assim, o tempo ficou apertado para que todos pudessem falar.

Foto do Treinão do Brasil, em, Macapá - AP: 300 corredores.

Treinão do Brasil, um sucesso longe dos meus olhos... Foi essa a definição que eu encontrei para o evento, que pretendia reunir o maior número possível de corredores em várias cidades, em um treinão simultâneo. Isso mesmo: faríamos um único treinão nacional, largando todos ao mesmo tempo, vestidos de branco e tendo como tema "Correr Pela Paz!". Idealizado em junho o treinão teria quatro meses para ser promovido. Com apoio dos blogs Companheiros de Corrida, Corrida Rústica e JMaratona foram feitas divulgações. As adesões foram surgindo, até que alcançamos 50 cidades com treinões marcados. Através do Facebook e telefonemas, falei com corredores de norte a sul do Brasil para promover o evento. Angariei confiança e conquistei amizades. No dia 20 de setembro de 2015, às 8 horas, em ponto, 2.500 corredores largaram no Treinão do Brasil. A festa foi grande em várias cidades. Aqui no Rio, no entanto, eu não consegui juntar mais de 40 corredores em Copacabana e não escondo minha decepção. Durante meses eu fiquei fazendo contatos com gente de todo o país e não tive como promover devidamente o treinão de Copacabana. A despeito da minha frustração local, o Treinão do Brasil foi o maior e mais abrangente treinão feito por corredores de rua de todos os tempos. Foi destaque nas mídias de varias cidades e muitas amizades foram concebidas. O Treinão do Brasil promete voltar, maior e melh, em 2016.

Capítulo XVI - Isso Não Vai Acabar em Memórias!

Eu ainda teria muita história para relatar aqui, mas é evidente que não estou morto e resolvi parar com esse negócio. Confesso que esta série foi um pretexto para alimentar o blog, já que estou a tanto tempo sem correr. Mas foi também um gostoso desafio... Produzir postagens sobre corrida, sem sair de casa para correr, é como narrar um jogo de dentro do estúdio da TV... Bem, eu nunca narrei um jogo, mas adoro fazer comparações...

Voltarei ao presente e se viajar, de novo, será para o futuro (o que seria outro belo desafio). Longe das corridas, alimentarei esse blog com o leite que tirarei das pedras - ou das pedras farei sopa. Agora as pedras estão apenas no meu caminho e não sobre mim. Falta menos tempo para eu voltar a correr do que quando eu iniciei esta série, esta postagem, esta frase, esta palavra, este pensamento:

Vivo. É assim que me sinto ao perceber que meu retorno às corridas está cada vez mais próximo!...

- FIM -

Abraços!
Bira.


Amigos!

Imagem composta de recortes de fotos da internet, utilizando os apps Gimp e Paint - Bira, 03/11/15.

Introdução III

Morto. É assim que me sinto toda vez que levanto... A fascite plantar atirou meu humor no chão e o espalhou feito brasas. Estou pisando nas minhas próprias brasas e com elas vou virando cinza. Estou sendo cremado na fornalha desta lesão, longe dos olhos cerimoniosos dos amigos de corrida... Pobre de mim, pois ninguém recolherá meu pó!

Mas, pensando bem, é melhor que seja assim. Melhor deixar que as lufadas de vento arrastem meus ciscos em um treino derradeiro por toda a cidade. Visitarei as mesmas ruas que, em vida, reguei com gotas de sonho e suor. Agora que não suo, fluirei, pela manhã, no eco inaudível daqueles 
sonhos antigos. 

Fragmentos de mim continuarão flutuando até o cair da noite. Na madrugada, Incorporarão no vento frio. Serei o vento que silva em resposta ao uivado dos lobos. Serei a brisa gelada que, de sacanagem, invade as frestas de sua janela e lhe provocam arrepios!...

Mas enquanto esse vento não chega, relaxe!... Continue a ler minhas memórias:

Capítulo X - Meus Amigos de Corrida


Amigos!

Imagem composta por recortes de fotos da internet, utilizando os apps Gimp e Paint - Bira, 02/11/15.


Introdução II

Morto. É assim que me sinto ao completar um ano sem correr... Mas nem tudo na morte é tão triste quanto aparenta para os vivos... Saibam que agora, que sou um corredor falecido, ouço as conversas de todos vocês!... Informo-lhes que é inútil cochichar para esconderem o que falam de mim. Informo-lhes que é inútil, até mesmo, se calarem pois leio seus pensamentos. Pior ainda: leio os pensamentos antes deles surgirem nas suas mentes!... Portanto, sei muito mais de vocês do que vocês próprios sabem de si.

Não tenham pena de corredores fantasmas como eu. Saibam que eles têm uma infinita vantagem diante dos vivos. Pra começar, não precisam gastar fortunas com suplementos e material esportivo. Ainda por cima, eles podem participar de qualquer prova, em qualquer lugar do mundo, sem pagar viagem, hotel ou inscrição! Eles não estão aprisionados na carne sensível que pulsa, que sua e se fere ao esbarrar com outra carne sensível...

Mas vamos deixar as revelações do mundo oculto de lado e mergulhar nas recordações do mundo visível. Seguem as memórias de quando me viam correndo nas ruas:

Capítulo VI - Correndo nos Anos 80

Para falar das corridas dos anos 80 é necessário ambientar o leitor àquela época. Havia pouca informação e recursos disponíveis para quem se propusesse a correr... Havia muito menos ainda para mim, nascido no subúrbio, onde só se falava de futebol. Já relatei isso em outra postagem, com o texto a seguir:

" (...) Esqueça tudo que você entende de corrida de rua hoje: Esqueça das suas camisetas e bermudas tecnológicas que não retêm suor. Esqueça dos seus tênis importados que se adaptam ao formato do pé. Esqueça do seu frequencímetro Garmin que localiza o satélite para medir o percurso. Esqueça até mesmo dos seus fones de ouvido. Esqueça, sobretudo, dessa grande quantidade de amigos corredores que treinam contigo...

Pronto, agora você está em 1985 e corre sozinho na beirada do asfalto. Seus tênis são feitos de lona azul e têm sola dura de borracha. Sua camiseta é branca e de algodão. Ela vai ficar encharcada de suor, vergonha e raiva, quando alguém lhe chamar de maluco na rua...

Isso mesmo, em 1985 e só os "loucos" corriam, enquanto as "pessoas normais" davam longas tragadas em seus cigarros, imitando os atores de Hollywood e desportistas dos um comercias de TV. (...)" - Trecho de: Além do Blog - Meu País Maratona.


Foi nesse cenário que eu saí, do nada, para correr a Maratona do Rio... Isso mesmo que eu quis dizer: inscrevi-me na longa prova sem sequer dar um treino. Veja no capítulo seguinte:

Capítulo VII - Minha Primeira Maratona

Selecionei dois trechos do relato que fiz, 29 anos depois, da minha primeira corrida: O momento em que eu quase abandonei a prova, por esgotamento, e a emoção da chegada...

1- "(...) Lembro-me de um trecho muito difícil, entre os túneis de Botafogo [ já era noite ]. Eu já devia estar "correndo" por quase quatro horas, praticamente sozinho e totalmente esgotado. Seguia em uma faixa estreita, na contra-mão da pista. Fui bombardeado pelos faróis dos carros. As rajadas de luzes queriam me abater. Pensei em desistir, sucumbir sentado no meio-fio, mas perdurei. (...)"

2- "(...) As arquibancadas do Leme abriram um vão generoso em forma de pista pintada de branco, como uma mulher promíscua que se oferece para um jovem debutante. Eu, debutante na corrida, merecia penetrar naquele paraíso. Merecia receber o afago em forma de aplauso da pouca platéia que ali permanecia!... Iluminada por refletores mais potentes que o sol, a chagada da prova, no entanto, não era uma simples mulher promíscua. Ela era a musa mais bela da Praia do Leme, prestes a ser conquistada!

"Impingi-me de uma força sobrenatural e suplantei o cansaço. Uma forte emoção injetou adrenalina nos meus músculos e eu desabalei a correr forte, rumo à chegada. Corri os últimos 500 metros como sequer havia corrido em todo percurso.


"Esfuziante de alegria, cruzei a linha de chegada e me tornei maratonista!" 
- Trechos de: Minha Primeira Maratona.

No ano seguinte voltei a correr a Maratona do Rio, que foi marcante, com largada no pedágio da Ponte Rio-Niterói. No vão central, helicópteros se aproximavam para nos filmar. Motivado, fui fazer a Maratona de São Paulo no mesmo ano. Completei aquela prova arrastando uma das pernas que ficou totalmente travada, no último quilômetro. Fui socorrido e recebi uma massagem milagrosa, que resolveu o problema.

Eu sentia um orgulho tremendo de ser maratonista e não me importava em correr sozinho pelas ruas noturnas dos bairros. Muito pelo contrário: a corrida me distinguia dos demais, mas nem tudo estava bem... Eu comecei a urinar sangue e o médico diagnosticou que eu tinha cálculos renais. Vieram as crises que me faziam rolar de dor pelo chão. Tentei continuar a correr, mesmo assim, mas foi a vez de sentir os joelhos. Depois de muitas tentativas de retorno frustradas eu não vi outra escolha senão tentar esquecer a corrida, e parei.

Capítulo VIII - Um Exilado da Corrida

Não falarei dos 23 anos em que eu não corri, mas farei uma ressalva: Houve momentos que eu tentei voltar e implementei alguns treinos, sempre sentindo os joelhos e desistindo. Nas férias, aproveitava para correr longos trajetos nas areias de qualquer praia do Brasil. Triste, absorvi a ideia de que a corrida não era para mim. Aos 48 anos voltei, muito mais informado e menos afoito. Comecei nas corridas curtas e só cheguei à maratona três anos depois. Mesmo assim, voltei a me lesionar seriamente e agora estou morto outra vez!

Capítulo IX - Morrer É Preciso!

É necessário estar morto para perceber as conexões que unem as almas. É necessário se despir dos sentidos que aprisionam o indivíduo à carne, criando ilusões. Quem lamentou que eu morri sem realizar o sonho de correr na Europa, acalme-se: Agora eu corro em qualquer lugar!... Basta conectar a minha alma liberta à de qualquer corredor! Agora corro nos lugares mais belos, onde os olhos da carne não enxergam, e se enxergassem não seriam capazes de perceber a beleza!

Continua nas próximas postagens...

Abraço!
Bira.


(...) É necessário estar morto para as memórias saírem do túmulo e despertarem alguma atenção. Eis o lado bom de ser defunto!... Adquire-se respeito - talvez porque as pessoas tenham medo que a alma penada lhes puxe o pé, no meio da noite (...)

Imagem composta por recortes de fotos da internet, utilizando os apps Gimp e Paint - Bira, 29/10/15.

Amigos!

Memórias Póstumas de Um Corredor - Parte I

Introdução (da parte I)

Morto. É assim que me sinto ao escrever esta postagem. Vai fazer um ano que não corro e nem melhoro da "minha" lesão. Coloco a palavra "minha" entre aspas para exorcizar a má sorte. Sei que as aspas não curam, mas eu me nego a dizer que essa fascite plantar é minha... Não é! Fascites plantares não pertencem a ninguém!... Elas são como um encosto que ao invés de subir nas costas do oprimido (fazendo dele um cavalo) grudam nos seus pés (feito ferraduras). Eu que já me denominava um corredor pangaré, agora me vejo ferrado em todos os sentidos.

Além dos pés, as fascites atacam todo o corpo e a alma. Imagino elas avançando lentamente, feito uma sombra, partindo das plantas dos pés e subindo pelas pernas. Elas sugam a tonicidade das pernas, que ficaram ociosas, e chegam à barriga, que ganha volume. Esse volume sufoca o orgulho de qualquer corredor. Quando o efeito sombrio encobre a face, o bom-humor do corredor desaparece.

Corredor com fascite só corre quando um sonho lhe socorre. Ele só treina com os olhos, no facebook dos amigos. Ele só está vivo enquanto sonha, se acorda, está morto... E foi assim que eu me tornei um defunto moderno, psico-digitando aqui minhas memórias... Então vai:

Capítulo I - O Retorno às Corridas

Em 2007, quando eu fiz 48 anos, proclamei solenemente, para que minha mulher e filhos ouvissem:

-- Vou voltar a correr!!

Recebi como resposta uma sonora e coletiva gargalhada. Não que eles fossem debochados - confesso que o debochado da família sou eu - mas é que eu caíra na descrença de tanto repetir aquela frase. Mesmo não tendo razão, eu me senti humilhado. Engoli minha réplica, mas reafirmei em pensamento:

-- Eu vou voltar sim!... Vocês vão ver!!

E viram. No dia seguinte eu vesti o short e os tênis - que estavam encostados - e fui correr no final da tarde. Era incrível: Depois de mais de vinte anos, eu estava correndo de novo!... Fiquei eufórico em poucos minutos e desabalei num trajeto de oito quilômetro, pelas  ruas do bairro. Lembro-me, como se fosse agora, da maravilhosa sensação de voltar a correr.

-- Como pude parar por tanto tempo?" - eu pensava e delirava: -- Eu nasci para correr... Veja como estou correndo forte depois de tanto tempo?..." - dizia para mim mesmo.

Cheguei em casa decidido a nunca mais parar, mas não seria bem assim...

Capítulo II - Benditos Joelhos!

Acordei na manhã seguinte com as pernas doloridas, coisa que eu já esperava. O que eu não esperava foram as dores nos joelhos, que quase me impediram de caminhar na escada. Imediatamente lembrei que os joelhos que me fizeram parar por tantos anos, e desanimei. Dois dias depois, no entanto, eu parecia estar bem e repeti o trajeto. Mas na manhã que seguiu, meus joelhos nem dobravam e eu parei... Parei, mas não estava entregando os pontos: fui procurar uma academia para fazer reforço muscular nas coxas e panturrilhas. Baseei-me no exemplo do meu ídolo do futebol, Zico, que aliviou a contusão dos joelhos reforçando a musculatura das pernas... E não é que deu certo?!... Em pouco tempo eu estava definitivamente de volta!

Capítulo III - Voltinhas na Oliveira Belo

Para quem não conhece, a Avenida Oliveira Belo fica na Vila da Penha. No meio dela passa um rio, margeado por uma pista, com 1.700 metros, para corrida e caminhada. Experimentei trotar ali e gostei, voltando todos os dias. Eu tinha um medo tremendo de desistir, e me ver rodeado de gente seria a estratégia. No trabalho um amigo começou a me emprestar revistas de corrida e eu fiquei de queixo caído... Era como se eu tivesse saindo de uma máquina do tempo, oriundo dos anos 80, para deparar com toda tecnologia esportiva dos tempos atuais.

"Tênis de pisada", "tecidos tecnológicos" e "frequencímetro" eram apenas algumas das expressões de um novo mundo deste esporte. O crescimento da economia fazia do Brasil um mercado promissor, bem diferente daquele Brasil dos anos 80, que assistiu a Maratona do Rio nascer e morrer por falta de patrocínio. Na internet surgiam os blogs de corrida e o orkut passava a vez pro facebook. As capitas do país ficavam cada vez mais repletas de provas e os meus olhos nem piscavam, na ânsia de beber toda informação desse mundo que borbulhava.

Capítulo IV - Corrida Leblon - Leme

(na foto: Corrida Leblon Leme, jan/08)

Li na Revista O2 que estavam abertas as inscrições para a primeira corrida de 2008. Motivado, garanti o meu retorno às provas de rua que descrevi, aqui no blog, desse jeito:

(...) Duas décadas depois, reencontrei a velha namorada - a Corrida. Era manhã de domingo no Leblon e eu já tinha 48 anos, quando larguei na Leblon-Leme. Fiquei tímido para puxar assunto... Ela, Corrida, continuava jovem e mais linda do que nunca. Minha juventude, no entanto, se resumia à atitude de estar ali. Fiquei surpreso quando me vi em seus braços. Tomei banhos de suor e auto-estima. (...)

Depois dessa prova eu me inscrevi em todas as corridas de 10 km. Coloquei na cabeça que correria abaixo de 40 minutos, apesar de quase cinquentão, e cheguei perto. Só não consegui quebrar essa marca porque não sou suficientemente disciplinado. Saí dos 10 k para as meias maratonas, em 2009. Em 2010, estava de volta ao meu país: A Maratona!... Como o descrito num trecho de outra postagem deste blog:

(...) Maratona não é uma prova e sim um lugar. Um lugar que se desloca pelo mundo e abriga pessoas felizes, mesmo que estejam em sofrimento físico. A Maratona é minha terra! Quando eu digo "sou maratonista", refiro-me à minha nacionalidade. Meu país Maratona abriga pessoas das mais diversas raças, culturas e níveis sociais. Meu país Maratona me torna igual, lado a lado os com demais corredores, trocando forças pelo difícil trajeto. Lembro-me de quando completei a Maratona de Buenos Aires 2010 e não contive um forte choro, após cruzar a linha de chegada. Um argentino que veio logo atrás me amparou com um abraço de irmão, dizendo não menos emocionado que eu:

- Campeón... Eres un campeón!...

Desabei em soluços sobre seu ombro solidário e depois nunca mais o vi. Meu irmão argentino e eu somos maratonistas, habitantes de um mesmo país que tem 42.195 metros de emoção. (...)

Capítulo V - Memórias do Defunto Corredor

É necessário estar morto para as memórias saírem do túmulo e despertarem alguma atenção. Eis o lado bom de ser defunto!... Adquire-se respeito - talvez porque as pessoas tenham medo que a alma penada lhes puxe o pé, no meio da noite. Mas fiquem tranquilos: não puxarei o pé de ninguém! Bastou-me ter, em vida, uma fascite que não quisesse largar do meu próprio pé. Agora, morto, só lhe peço atenção para a minha história...

Clique aqui para ler a Parte II...

Abraço!
Bira.



(...) Quando cruzou a linha de chegada, Invisível ganhou apenas uma medalha de conclusão. Para ele que almejava um lugar no pódio, essa medalha era um prêmio invisível (...)

Corredor Invisível - foto de instalação composta de tênis e medalhas - Bira.

O Corredor Invisível

Amigos!

Invisível sempre gostou de correr. Desde de criança que ele faz isso todos os dias. O pequeno Invisível corria a caminho da escola, durante o recreio e voltando pra casa. Depois disso, trocava de roupa suada e corria de novo pra brincar na rua. Quando na rua, corria atrás de pipa avoada. Curiosamente, sentia mais prazer em correr atrás de pipa do que em ficar parado empinando o brinquedo... Invisível é do tempo em que as crianças corriam.

Mas o Tempo também poderia ser chamar Invisível, pois feito este, nunca deixou de correr. Só que o Tempo Invisível não corria sozinho. Ele arrastava consigo até quem não corria. Ele fazia as crianças virarem adultos, os adultos virarem velhos e os velhos sumirem no tempo. E foi assim que o Tempo transformou o nosso Invisível em um adulto, longe de escola e de pipa, mas com tênis nos pés.

Certa manhã de domingo, o corredor Invisível estava na concentração de uma corrida no Aterro. À sua volta, cerca de 10 mil corredores, prestes a desabalar. Em meio a tanta gente, Invisível se via sozinho. Quando ali chegou, faltavam poucos minutos pra largada. Por sorte, conseguiu atendimento rápido no Porta-Volumes e teve que pular as grades para se posicionar na frente. Quando deu a partida, teve cuidado para não tropeçar e nem forçar demais o ritmo. Quis fugir do bolo de gente e ao mesmo tempo colar nos líderes. Conseguiu isso nos primeiros quilômetros, até perceber que os atletas de elite abriam e ficavam cada vez mais distantes. Por sua vez, ele também abrira uma grande distância dos corredores, digamos, normais. Foi quando Invisível ficou correndo sozinho, no limbo, entre a multidão e a elite.

Quando cruzou a linha de chegada, Invisível ganhou apenas uma medalha de conclusão. Para ele que almejava um lugar no pódio, essa medalha era um prêmio invisível. Se aguardasse mais um pouco, talvez começassem a chegar seus amigos que ainda corriam na prova, para aplacar sua solidão. Mais amuado que carente, Invisível resolveu não esperar por ninguém e se foi.

Pelo caminho retirou o número de peito e o chip descartável e jogou no lixo. Na viagem de volta pra casa, cochilou no metrô e não viu sua medalha caindo embaixo do banco. Só acordou quando o trem já estava parando na estação de destino e saiu apressado deixando a medalha. Dois dias depois, Invisível não conseguiu encontrar sequer uma foto da sua corrida, nos sites de venda. Pior ainda foi ver que seu nome não figurou na relação de quem fez a prova. Irritado, pensou consigo mesmo:

-- Ué!... Não tenho medalha, nem foto ou registro de que fiz a corrida. Não encontrei nenhum amigo no dia... Ridículo!... Chego a ficar em dúvida se de fato corri, ou se apenas sonhei!...

Precisava de alguma prova de que fez a corrida, para si mesmo. Pensou alguns instantes até lembrar das camisas que recebe nos kits das provas e que guarda no armário, pois nunca foi de correr com elas. Revirou a gaveta até encontrar a camisa da prova e espirar aliviado:

-- Ufa, não estou maluco!... A camisa está aqui!

Conformado, resolveu vestir a peça de roupa e saiu para dar um treino... O que Invisível não percebeu foi que a camisa, que pegou, era da prova do ano passado...


*                *              *


Todas as manhãs, Invisível corria levando consigo o Tempo que ele próprio não via ou tampouco sentia. Foi assim que passou de adulto para velho e um dia, de fato, Invisível no tempo sumiu. Hoje é o Tempo Invisível quem continua correndo por ele. O Corredor Invisível agora é o Tempo... Mas não se iluda: Isso sempre foi assim!

# FIM #
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Obs.: Postagem inspirada no fato de eu ter pedido sugestões de postagem para esse blog e não ter recebido nenhuma. Senti-me um Blogueiro Invisível, mas quer saber?... Fiz do fato uma nova postagem! 
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Abraços!
Bira.


Amigos!

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Vamos direto ao assunto: Sugira um tema de postagem para BiraNaNet e vamos ver no que vai dar!... Utilize os comentários...

Em sete anos de blog, foram poucas as vezes que eu recebi sugestões. Quando isso ocorreu, no entanto, o resultado foi excelente, como nos exemplos abaixo:


1- Antes de desaparecer do facebook, minha amiga Virgínia me enviou uma pergunta, respondida em forma de postagem. Até hoje não sei se ela leu sua resposta, mas sei que muita gente leu e gostou. A postagem foi intitulada "Além do Blog - Sair do Sedentarismo" é das mais elogiadas e lidas deste blog, segue um trecho:


"(...) Iniciar a correr é como começar a viver. Você é um bebê, não sabe nada, apenas chorar. Essa sua pergunta é como o choro do bebê... Então perceba: você já começou a viver na corrida com esse choro. Bem-vinda!

"Agora, Bebê Virgínia, prepare-se! Você vai continuar chorando muito, para sobreviver. Os bebês estão sujeitos à mortalidade infantil, no primeiros ano de vida. Os corredores estão sujeitos a desistir nos seus primeiros três meses. O corpo dói e precisa se acostumar. A mente precisa desapegar dos velhos padrões. A recompensa é muito pouca, quase nula... Você está disposta a encarar esses três meses? (...)" -- Além do Blog - Sair do Sedentarismo.




2- Foi outro amigo, Antonio Carlos Martins, que me pediu para eu escrever sobre hidratação. Eu tentei lhe explicar que era leigo e só poderia falar sobre o assunto de forma poética... Mas como fazer isso? - perguntei a mim mesmo... A resposta surpreendente veio no poema  "Então Vais Homem Água!", segue uma estrofe:

"(...) Estás correndo e nem imaginas a quantidade de água que evapora de ti.
Sentes o boné encharcado, gotejando incessantemente pela aba.
Teu suor secou, em segundos, ao tocar no asfalto mas tu nem vistes, porque já cruzastes a esquina.
A água que escorreu de ti e grudou tua camisa no peito.
Dentro de teu peito mais água fervilha.
Dentro de teu peito tem um caldeirão de locomotiva.
Só te falta apitar pelos trilhos imaginários desta rua...

-- Então vais, que o pórtico de chegada te espera! (...)" -- Então Vais, Homem Água!





3- Um terceiro amigo, Paulo dos Santos, quis saber qual era o segredo para se manter em forma e como fazer para aprender a gostar de corrida. Copiei o diálogo do messenger e colei aqui no blog, em "A Corrida Gosta de Você!", confira um trecho:



"(...) A Corrida não quer saber se você tem dinheiro, beleza ou prestígio, mas fica caidinha diante de alguém persistente.
Conheço um cara que "não tinha um puto no bolso", era feio e ficava abandonado num canto. Ele portava apenas persistência e vontade...

"Certo dia ele se encontrou com a veloz Corrida. Lançou-lhe o mesmo olhar tímido, que não conseguia seduzir ninguém, e ficou surpreso com a acolhida.
Encantou-se imediatamente com a Corrida e tentou seguir ao seu lado - como quem sobe num cavalo que passa selado... (...)" -- A Corrida Gosta de Você!



4- Meu quarto amigo não era leitor deste blog e nem falava Português. Depois de responder sua saudação, em Inglês, eu utilizeis o tradutor do Google para continuar a conversa. Silvano Kipkirui , acredite, era um corredor queniano em busca de um treinador, em "Meu Amigo Queniano Procura..." Eis um trecho da conversa:



"(...) -- Você tem empresário? - Insistiu meu amigo queniano.

-- Eu não sou profissional. - Retruquei, recorrendo pela primeira vez ao Google Tradutor.

-- Ok... E você pode me arrumar um empresário?...

Fiquei surpreendido pelo pedido de Kipkirui e me vi meio embaraçado. Logo eu que não falo Inglês, teria que dar um retorno ao pedido ajuda naquela língua... Voltei para o Google Tradutor e elaborei a seguinte resposta:

-- Eu não conheço empresários... Eu já li história de corredores quenianos que treinam no Brasil, mas não conheço seus empresários. - Respondi sem ter certeza se seria entendido, e aguardei.

-- Ok... Quando souber me avise...

Meu amigo de Nairobi já ia se despedindo, quando chegou a minha vez de insistir na conversa:

-- Você é maratonista? (...)" -- Meu Amigo Queniano Procura...



Estes são alguns exemplos de postagens provocadas pelos leitores... Quem sabe a gente não consegue produzir mais conteúdo?... Participe!

Abraço!
Bira.
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O ciclo dos grandes treinões que iniciou com Sérgio Pessoa (de verde) e pode ter finalizado com Erivaldo Zim (sem camisa).

Amigos!

O Começo e o Fim dos Grandes Treinões.


(...) A verdade é que eu nunca gostei de ficar estudando, tinha coisas muito mais importantes para fazer naquela idade!... Feito macaco, saltava de galho em galho nas mangueiras das casas dos vizinhos.... Pulava os muros para pegar pipa avoada... Caçava rãs no brejo com as mãos! (...)

A única foto de criança que tenho, com apenas 1 aninho, em, 1960.

Sobre Minha Infância...

Amigos!

Nesse Dia da Criança eu não quis apenas postar minha foto de infância no perfil do Facebook, quis fazer alguns comentários sobre essa fase. Depois percebi que tal material daria uma postagem e o trouxe para cá:

Sobre minha infância (1)

Fui criado com uma liberdade que seria inconcebível nos dias de hoje. Sempre lidei com pessoas mais velhas, isso só inverteu depois que eu comecei, de fato, a correr... Faltou alguém capaz de me mostrar o quanto eu era feliz com a vida que eu tinha... Não que eu estivesse abandonado, nada disso, é que os adultos a minha volta talvez nem soubessem que eram felizes também.(06/10/12).


Sobre minha infância (2)

Fui o que se chamava de filho temporão dos meus pais. Era como se eu fosse filho único, pois os meus irmãos mais velhos já eram adultos. Lembro de dois cachorros, Peri e Tupi... Nem os cachorros escapavam da mania que tinha meu pai de batizar seus filhos com nome de índio...(06/10/12).


Sobre minha infância (3)

Queria ser desenhista ou escritor, já que eu me dava bem na escola nesses dois quesitos... No fim das contas, tive que dar graças à Deus por me tornar funcionário público... Já encontrei meios de ser criativo, mesmo no serviço público (pasmem!) quando trabalhei em um almoxarifado... Já consegui compensar parte dos meus sonhos de infância, pintando alguns quadros ou escrevendo postagens no meu blog... Não tenho nenhuma tatuagem no corpo, mas cicatrizes na alma, de onde alguns sonhos foram arrancados... (07/10/12).


Sobre minha infância (4)

Minha mãe era a lavadeira de Irajá. Passava a manhã esfregando roupas no tanque, para passá-las à tarde. Nosso quintal era grande e tinha um monte de frutas: banana, goiaba, jaca, cajá, graviola, manga, laranja da terra, abacate e caju. Tinha um quarador de roupas, para quem não conhece - uma espécie de tapete de pedras de granito no chão. Ali ela estendia as roupas brancas para a luz do sol clarear. Quando o sol estava forte e batia nas roupas, meus olhos quase cegavam diante do brilho... Minha infância teve muito brilho, mas meus olhos às vezes cegavam... (07/10/12).


Sobre minha infância (5)

Moleque precoce, eu ficava no meio da roda de adultos na esquina, até tarde da noite. Naquela época, praticamente não haviam drogas. Irajá tinha apenas dois maconheiros, assim carimbados, que não frequentavam aquela esquina do bem. O máximo que os caras da esquina faziam era misturar coca-cola com cachaça, vez ou outra, mas ninguém me oferecia. As ruas eram mal iluminadas e quando dava meia-noite, Lelo - um dos adultos - saía de fininho e ia em casa, sem que eu percebesse... De repente, na escuridão da madrugada, surgia um fantasma saindo da casa do Lelo!!!... Eu sabia que era ele que estava embaixo de um lençol... Mas todo mundo corria, simulando sobressaltos, e eu acabava me assustando de verdade... Por via das dúvidas, saía em disparada para casa!... Vai que fosse um fantasma, de fato?!... (08/10/12).


Sobre minha infância (6)

A escola Francisco Sertório Portinho era o melhor lugar do mundo!... Não que eu fosse aplicado, na média eu era apenas um aluno bom. Compensava as notas regulares, obtidas nas matérias chatas, com notas excelentes das matérias prediletas. A verdade é que eu nunca gostei de ficar estudando, tinha coisas muito mais importantes para fazer naquela idade!... Feito macaco, saltava de galho em galho nas mangueiras das casas dos vizinhos.... Pulava os muros para pegar pipa avoada... Caçava rãs no brejo com as mãos!... Mas voltando à escola, amava minhas professoras!... Ainda lembro do nome da minha primeira professora, Dona Jacinta, muito embora sua imagem seja apenas um vulto... Dona Jacinta, agora, deve estar no céu, local de difícil acesso... Quando eu morrer, vou pedir a Deus para deixar eu dar uma passadinha lá e reencontrar Dona Jacinta... Nem que seja apenas para eu ganhar um beijo, um abraço e refazer sua imagem na minha lembrança... (08/10/12).


Sobre minha infância (7)

Nas noites de jogo do Flamengo a calçada em frente a casa do Helinho ficava lotada... Sob o poste de luz, juntavam-se Flamenguistas e anti-Flamenguistas, ouvindo as narrações empolgantes do rádio. O Helinho, um dos meus melhores amigos de infância, era torcedor do Fluminense, mas gostava da bagunça. Para garantir a vitória do Flamengo, ele colocava um boneco do Popeye encima do muro. O Popeye tinha uniforme do Rubro Negro, esculpido e pintado no gesso. Era como um santo de gesso, que ficava impassível, sobre o muro. Um santo com postura diferente, exibindo seu muque e fumando um cachimbo sem fumaça. A entidade Popeye ouvia rezas e palavrões, enquanto o Flamengo perdia seu jogo. Para delírio dos Flamenguistas, Popeye atendia aos clamores... Era quando toda a rua estremecia ouvindo do rádio mais um grito de gol!... Aprendi a ser Flamenguista na rua, embaixo daquele poste de luz... (08/10/12).


Sobre minha infância (8)


Mas nem tudo era divertido... Eu não gostava, nem um pouco, que minha casa fosse a última da rua que ainda tinha cerca de madeira, ao invés de muro. Eu já entendia algumas piadinhas maldosas encima da minha pobreza, embora quase todos no bairro fossem pobres também. Detestava, e sentia uma vergonha terrível de conduzir trouxas de roupas que minha mãe lavava, pelas ruas... Minha mãe não sabia ler e recorria a mim para rascunhar suas pules de jogo de bicho. Ela sempre ganhava no bicho!... Um dia, com apenas seis anos, eu resolvi jogar uns trocados que tinha , pela primeira vez. Deu cabra na cabeça e eu acertei!... Comprei bola, um carretel e uma bela pipa, no armarinho. Anos depois, já adulto, tive problemas com jogo por conta dessas causas remotas, mas faz dezenas de anos que tudo já foi superado. Minha infância foi muito intensa! (08/10/12).


Sobre minha infância (9)

Um momento de trauma e de forte tensão ocorreu quando minha mãe recebeu uma carta-aviso do INPS. A nossa casa já acumulava anos de prestação atrasada. Estávamos ameaçados de despejo. Ela ficou desesperada e me abraçou, perguntando o que faríamos. Imagine o desamparo que senti, embora tivesse sendo abraçado por minha mãe!... Depois tudo se resolveu, mas em algum lugar do meu peito ficaram escondidos fragmentos de medo. Meu coração ainda acelera quando eu me lembro desse dia. (08/10/12).


Sobre minha infância (10)

Pedaços de tábua e de ripas viravam carrinho de bilha (rolimã). Bastava serrar a madeira, depois pregar e encaixar as rodas de aço... As ruas do bairro ganharam asfalto para delírio da criançada. Eu estava entre os mais corajosos, que arriscavam descer a perigosa Ladeira dos Marítimos. Não me lembro de tombos nos carrinhos, mas sempre que jogava pelada descalço, chutava o chão. Por mais que eu tomasse cuidado, acabava arrancando o tampão do dedão do pé direito, antes mesmo de cicatrizar o machucado anterior... (08/10/12).


Talvez continue em outra postagem...

Abraços!
Bira.



Às vésperas de completar 70 anos, a corredora Lindalva Figueiredo me contou sua emocionante história...


Na foto, ela é acarinhada pela filha, Claudinha, em mais um domingo de corrida no Rio - arquivo pessoal
Amigos!

Todas As Idades de Lindalva...

-- Vai fazer seis anos que eu comecei a viver! - enfatizou Lindalva, ao telefone, quando era entrevistada por mim.

Fiquei imaginando sua expressão. A interlocutora tomou fôlego e passou a descrever sua rotina atual:

-- De segunda à sexta eu acordo às cinco da manhã. Depois pego o ônibus e vou para o Leblon ou Copacabana. Treino no Projeto Rio Praia Maravilhosa que tem assessoria esportiva nas areias. Nos finais de semana que não tenho competição, corro da Tijuca até o Horto, o Alto da Boavista ou o Cristo!... Não sinto preguiça - o que tenho que fazer, faço!... Não tenho cansaço!...

Lindalva vai completar 70 anos de vida e eu não poderia deixar de escrever sobre isso. O vigor de sua fala, no entanto, não denuncia os anos passados. Ela fala de sonho e suor como se fossem sinônimos... São os suores de hoje que relata com euforia.

Mas, Os Suores Passados?...

Mas eu também queria saber dos seus suores passados. Daqueles suores gotejados no solo fértil de Timbaúba, município localizado no interior de Pernambuco. Sem dó, fiz Lindalva viajar no tempo. Sair de um paraíso carioca que se descortinou, de fato, aos 64 anos, quando ela começou a correr. Levá-la de volta às durezas de sua terra natal, nas décadas de 50 e 60.

Foi na Zona da Mata pernambucana que Lindalva foi criada, com nada menos que nove irmãos. Logo cedo lhe deram uma enxada - mais precisamente aos cinco anos de idade:

-- Naquele chão dava de tudo!... - relata e complementa: -- Mas em terra de fazendeiro a vida era muito infeliz e sem futuro.

Seu pai não queria que filha mulher estudasse, por outro lado os filhos homens só tinham tempo para trabalhar. Seu pai também não permitia que os rebentos deixassem aquele chão, em busca de algo melhor. Mas um dia aquele chão calou a voz impositora de seu pai... Era início do emblemático 1970 e, antes mesmo que o ano acabasse, Lindalva decidiu deixar a roça.

Cabras, galinhas, rapadura e farofa...

Quando o ônibus da Itapemirim partiu da rodoviária de Timbaúba, rumo ao Rio de Janeiro, eram 11 horas da manhã de sábado, 19 de dezembro de 1970. Dentro dele estava Lindalva, sua mãe, seus irmãos e irmãs casados, juntamente com seus pares. Todos somavam dez. Para que sentassem nas poltronas daquele ônibus venderam cabras, galinhas e juntaram dinheiro. Para trás deixavam uma vida dura e cansativa. Pela frente teriam uma viagem dura e cansativa: a dureza e o cansaço ainda lhes acompanhariam... Vinte e cinco anos de dureza viajavam com Lindalva (e quantos anos duros viajavam com todos os passageiros daquele coletivo?).

As luzes do dia e da noite se revezavam nas janelas da condução. Ali penetrava um vento quente, às vezes fresco, que servia de alento ou respiro. Rapadura e farofa estocada, servia de alimento. Até que todos chegassem no Rio na segunda-feira, 21 de dezembro de 1970.

Pendurado na banca da Rodoviária Novo Rio, o Jornal do Brasil dava destaque ao sequestro de um embaixador suíço, na Glória, com participação do guerrilheiro Carlos Lamarca. Nada daquilo, no entanto, parecia afetar a vida daquele grupo de migrantes. Eles sequer sabiam ler e seu destino final estava bem longe dos bairros da Zona Sul. Rumaram para Inhoaíba, na Zona Oeste - a 60 quilômetros dali. Morariam entulhados numa casa de apenas dois cômodos, onde até então, só morava uma tia de Lindalva. Dormiriam embolados nos lençóis que se espalhariam pelo chão... Até que tudo se ajeitasse.

Logo Lindalva foi trabalhar de doméstica em Campo Grande, mas ficou só três meses no serviço, pois o seu patrão espancava a mulher. Arrumou outro emprego em Madureira, onde permaneceu por cinco anos e conheceu seu marido. Aos 28 anos ficou grávida, mas seu casamento não deu certo. Separou-se e foi trabalhar em uma residência na Praça Mauá - Centro do Rio. Continuou tocando a vida sozinha. Mas quando sua filha completou quatro anos, foi à procura do marido para registrá-la. Voltou a conviver com ele e foram morar em Senador Camará.

Como se Fosse Um carimbo...

Dias, meses e anos viraram décadas... O Jornal do Brasil continuava pendurado na banca da Rodoviária, mas não parava de trocar suas manchetes. A vida de Lindalva, no entanto, possuía sempre o mesmo texto, como se fosse um carimbo:

-- Continuei trabalhando como doméstica ou faxineira... Não saía para lugar nenhum!... Meus dois momentos de felicidade foram a festa de 15 anos e a formatura de minha filha.

Quando, em 2010, o Jornal do Brasil deixou de ser publicado, os tempos já eram outros: Guerrilheiros haviam virado governantes, bancas de jornais viraram bombonières... Logo na época em que Lindalva estava, enfim, se alfabetizando, foi que os jornais resolveram acabar?!... Não, não é bem assim... É que as notícias se libertaram do papel, feito Lindalva que há 45 anos desenraizou-se de uma fazenda longínqua!... É que hoje, Lindalva não fere mais o chão com golpes de enxada, mas beija-o com seus tênis! Cada passo que dá, numa corrida, é um beijo de gratidão! Um acalento na terra que não calou o grito mudo de seus sonhos, como um dia calou seu velho pai.

Lindalva aposentou-se em 2005, aos 60 anos, mas continuou fazendo faxinas. Teve problemas de pressão arterial e procurou um médico, aos 64. O médico recomendou que fizesse caminhadas. E foi aí que a sua vida começou, enfim, a mudar...

Sua filha Claudinha, que já era corredora, começou a levar Lindalva para caminhar no Aterro. Enquanto a mãe caminhava, Claudinha corria. Lindalva adorou, mas queria mesmo é correr. Fazia isso escondido da filha, aproveitando dos momentos que a mesma dobrava uma curva. Para sua alegria, o médico liberou a corrida que sua filha parou de controlar.

Matriculou-se no colégio Santo Inácio, onde foi galgando cada série do ensino fundamental. Deixou de pegar ônibus pela cor e começou a se comunicar melhor com as pessoas e o mundo.

Todas as idades de Lindalva hoje correm com ela. Todos os seus tempos tolhidos vão com ela estudar. Imaginei, comigo mesmo, que no Colégio Santo Inácio ela fosse uma das alunas mais queridas. Quis conferir, conversando com uma professora. Quis perguntar à sua mestra:

-- Você conhece a história de Lindalva, tanto quanto conhece as histórias dos outros heróis dos seus livros?

Quis saber:

-- Qual é a sensação de uma professora ao instruir uma aluna que tem muito mais para lhe ensinar?

Mas eu não consegui falar com a mestra. Consegui apenas uma mensagem no celular, dizendo:

-- Olá! Estou em Sala... Será um grande prazer testemunhar sobre uma pessoa tão iluminada como D. Lindalva... Abraços, Fabiane.

Pensando bem, foi melhor assim... Melhor não ficar esmiuçando mais detalhes ou essa postagem não tem fim!...


Lindalva atrai olhares ao completar a Golden Four Asics 21 km, na Praia de São Conrado, no Rio.

A Represa Lindalva!

Conheci Lindalva Figueiredo em 2014. Foi num treinão muito puxado e concorrido, de subida às Torres da Serra do Mendanha - recanto desconhecido para a maioria dos corredores cariocas. Duvidei, em pensamento, que aquela senhora pudesse vencer o duro percurso inclinado. Eu estava totalmente enganado... Só agora sei que a juventude de Lindalva ficou, durante décadas, represada no corpo e na alma. Agora vislumbro sua emoção quando me disse:

-- Faria por tudo de novo para ter a vida que tenho hoje!

Considero essa frase fantástica, quando vinda de alguém que beira 70 anos de idade. Considero que Lindalva resgata, hoje, todas as suas idades, a tempo de ser feliz. Pelo asfalto, seus sonhos se misturam aos sonhos dos jovens atletas que lhe rodeiam. Pelas trilhas, ela goteja o mesmo suor de companheiros que poderiam ser seus netos. Sua voz se mistura às vozes dos corredores de idade mediana, enquanto seus pés se afundam nas areias que bordam o mar.



Lindalva e seus amigos, pouco depois de completar a Subida do Cristo


Por telefone, pedi que Lindalva encerrasse essa postagem transmitindo a todos uma mensagem, e ela falou:

-- A vida é boa e maravilhosa quando a gente dá valor a ela... Quando a gente faz o que gosta é melhor ainda!


Atualização da postagem  (em 12-02-18):

Depois desta postagem, D. Lindalva foi se tornando cada vez mais conhecida dentro e fora da corrida. Completou a Maratona do Rio, nos anos seguintes, onde tem o privilégio de fazer o aquecimento junto com os atletas de elite. Várias matérias foram publicadas sobre ela, em jornais e TV, nenhuma com tantos detalhes quanto essa.


( Esta postagem foi reproduzida integralmente pelo blog PULSO, do Jornal O Globo, confira clicando no link: http://blogs.oglobo.globo.com/pulso/post/todas-idades-de-lindalva.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar )

Abraços!
Bira.

Amigos!

O site Corredores Anónimos, de Portugal, pediu que eu enviasse um relato do Treinão do Brasil. A postagem saiu ontem, 23/09/15, porém o texto adaptado para Portugal também sofreu alterações. Sendo assim, resolvi postar aqui a versão original, a seguir. Trata-se de um resumo de nosso evento, o primeiro treinão simultâneo do Brasil e do mundo.


Gislaine Gobbo era a única corredora de uma cidade com 16 mil habitantes, até que decidiu aderir ao Treinão e mobilizar Sertanópolis. A ex-jogadora e treinadora de basquete agora tem projetos esportivos voltados às crianças do interior paranaense: Felicidade! ( foto de Tiago, Sertanópolis).



COMO SURGIU O TREINÃO DO BRASIL

A ideia de fazer o Treinão do Brasil surgiu no momento mais obscuro da minha, digamos, “carreira de corredor amador”. Em junho deste ano, eu estava totalmente afastado das corridas por conta de uma fascite plantar. Comecei a ganhar alguns “quilinhos” e, aos 55 anos de idade, já não podia mais me gabar de ter “corpo de 25 anos”. Meu blog (birananet.com) de crônicas sobre corrida ficou praticamente parado, já que eu estava sem correr e pouco escrevia. Para piorar as coisa eu adoeci. Tive zoster, uma doença que afeta pessoas com mais de 50 anos, que tiveram catapora na infância. É que o vírus da catapora fica “quietinho” no organismo e se aproveita para “contra-atacar” em um momento de baixa imunidade.  Minha baixa imunidade foi causada pelo stress, resultante de problemas com obras na minha residência. Como não estava mais correndo, acumulei stress e fiquei doente.

Já livre do zoster, certo dia eu estava na internet observando meus amigos corredores extremamente felizes nas fotos que postavam no Facebook. Naquela hora pensei que eles poderiam fazer um grande treinão simultâneo em todo país. Acreditei que o Facebook poderia difundir a ideia e consultei alguns amigos corredores para ver o que pensavam. De cara, tive um retorno totalmente positivo, e me animei. Fiz algumas postagens no blog e começaram a surgir adesões de todo país. Alcançamos 48 cidades brasileiras, incluindo as principais capitais do Brasil.

Nosso treinão, que teve caráter informal – pois foi feito pelos próprios corredores, teve como tema “Correr Pela Paz”. Somamos mais de 2.500 corredores vestidos de branco em todo país. Em algumas cidades chamou atenção da mídia, sendo divulgado nas rádios, jornais e TV. Foi a primeira vez, provavelmente no mundo, que se fez um treinão com largada no mesmo momento. Uma corrente de pensamento pela paz, foi feita a cinco minutos da largada.





Corredores posam na Praça da Bike, em Ribeirão Preto - SP, mais um local de Treinão.


Em algumas cidades o evento ganhou aspecto parecido com as corridas oficiais. Teve barracas, hidratação ao longo do percurso e distribuição de frutas. Em outras teve aquecimento ao som de zumba, ou orientado por professoras de fitness. Na grande maioria dos locais, no entanto, o treinão foi mais simples e usual. Todos os participantes e organizadores, no entanto, desejam repetir a dose em 2016. Eles terão mais tempo para avaliar o que pode ser feito para melhorar o evento.

Resumindo, a primeira edição do Treinão do Brasil foi algo marcante! Foi a primeira vez que corredores de rua de um país com dimensões continentais fizeram um movimento pacífico, sem caráter político ou religioso, apenas esportivo. A real dimensão deste fato só poderá ser medida no futuro. As imagens, fotos e vídeos, estão sendo colhidas e serão divulgadas brevemente. Os organizadores dos treinões de cada cidade (muitos deles que antes só se comunicavam pelo WhatsApp e Facebook) já planejam se encontrarem e reforçarem seus laços de amizade. Entre esses organizadores há corredores do mais variado perfil, desde atletas renomados até uma dona de casa. O Treinão do Brasil também promoveu esse contato inusitado, ao juntar corredores diversificados.

Tudo isso aconteceu em pouco mais de dois meses!

Abraço!
Bira.

Amigos!


Macapá Reuniu cerca de 400 corredores com largada no Marco Zero da Linha do Equador (foto).

Treinão Reúne 2.500 Corredores no País!


Marcado em quarenta e oito cidades, o Treinão do Brasil reuniu 2.500 corredores de norte a sul do país. A largada simultânea foi dada às 8 horas de Brasília, precedida de alguns instantes onde os corredores deram as mãos e fizeram um pensamento pela paz. O evento inédito teve caráter informal, feito pelos os próprios corredores e grupos de corrida de cada local.

A ideia de colocar corredores e caminhantes num treinão nacional e simultâneo caiu como luva em algumas cidades, como Macapá, Diamantina, Recife, Maceió, Sertanópolis, Aracaju, Rondonópolis, Arapongas e Goiânia. Estas cidades reuniram os maiores públicos. Algumas delas contaram com divulgação da imprensa gerando maior impacto. Outras se calçaram na força mobilizadora de seus organizadores, como foi o caso do Treinão de Recife - promovido pela ACORJA - Associação de Corredores da Jaqueira. Aquecimento ao som de zumba, ou sob o comando de professores de fitness foram destaques em Diamantina, Sertanópolis e Maceió. Camisas personalizadas, hidratação e frutas foram atrações em algumas cidades, como Aracaju.

Nas capitais mais populosas do país: São Paulo, Belo Horizonte e Rio, o evento não atraiu grande público. O pouco tempo para divulgação pode ter sido uma das causas, além da concorrência com as corridas oficiais.

É bem provável, também, que a opção por não apresentar o evento à grande mídia tenha sido um erro. Essa opção veio do medo de provocar transtornos na cidade, além de uma ameaça que recebemos de um presidente de Federação de Atletismo de um estado do norte. Na ameaça o presidente citava que não tínhamos autorização para fazer o Treinão, como se nosso evento fosse corrida e não um treino informal. Em princípio eu não dei muita bola para o ameaçador, mas isso me fez recuar da pretensão de continuar fazendo contatos para colocar o Treinão no restante dos estados e apresentá-lo á imprensa carioca. Quando esta decisão foi tomada, o dia do evento já estava muito próximo.

Nas demais cidades o Treinão cumpriu seu propósito, alcançando bom público. Mesmo em algumas que entraram no rol do Treinão na semana do acontecimento..

O Meu Treinão Local

Inicialmente marcado para o Leme, o Treinão da Zona Sul carioca foi transferido para o Posto 2, em Copacabana. De novo o medo de causar transtornos no trânsito foi responsável pela mudança.

Quando a manhã despertou no domingo do evento, fazia um pouquinho de frio e o céu estava nublado. Nada que assustasse os corredores e impedissem de sair para treinar, muito pelo contrário. Cheguei a Copacabana às 7 h da manhã. Só descobri, de fato, que estava nervoso quando constatei que não havia levado meu kg de alimento para entregar ao Projeto Fome Zero. Então corri para procurar um mercado, que por ventura estivesse aberto. Quando retornei ao local de largada, faltavam vinte para as oito, mas pouquíssimas pessoas já haviam chegado. Fiquei preocupado e parei de raciocinar ou ouvir direito o que as pessoas falavam. Contei cada minuto do relógio no display do celular. Às cinco para as oito demos as mãos para fazer o pensamento coletivo pela paz. Talvez fossemos pouco mais de 30 corredores naquele momento. Quando a largada foi dada e durante o percurso, talvez tenhamos atingido uns 40 corredores. Não tinha como eu não ficar frustrado naquele momento... Onde estavam toda a gente que iria ao Treinão?... O jeito foi procurar valorizar quem estava ali e ser-lhes grato. Corremos rumo ao Leblon, mas eu estava totalmente sem ritmo de corrida, devido à minha lesão. Cumpri apenas um total de 10 km (ida e volta). Na chegada, sorteamos os dois pares de tênis prometidos, tiramos fotos e trocamos ideias. Quando entrei no metrô, de volta para casa, descobri que estava morrendo de sede... mas não devia ser sede apenas de água - pra dizer a verdade eu estava mesmo é frustrado.

Bendito WhatsApp!

Ainda no caminho de casa foram chegando as fotos dos outros treinões, via WhatsApp. Bendito WhatsApp que começou a me consolar!... O Treinão fora sucesso em quase todos os lugares! Quase todos organizadores estavam eufóricos e já postavam trechos de vídeos... Isso me aliviou bastante, mas eu ainda estava um tanto chateado e sem medo de demonstrar fraqueza desabafei um pouco no grupo de celular:

-- Aqui no Rio eu fiquei um pouquinho frustrado. Eu acho que a gente tem um potencial muito grande, mas muitos amigos não apareceram... Eu sei que não tenho que pensar nos que não foram, mas não tem como não pensar... Teve muita gente que disse que ia, mas não compareceu (...) mas aí, eu fui confortado quando cheguei em casa e vi todas essas fotos, todas essas festas, e eu me senti um pouco presente em cada um desses lugares... - E continuei: -- Isso serviu de conforto, pois se eu não consegui enfeitar bem a minha casa, de certa forma, eu ajudei a enfeitar diversas casas aí pelo Brasil... Não que isso fosse algo que me engrandecesse, mas serviu de consolo para mim que fiz uma expectativa muito grande aqui no Rio (...) mas eu já remarquei o evento do Treinão no facebook para 2016, com uma data fictícia, porque quem vai marcar esse Treinão são vocês, organizadores (...)

Para digerir melhor a frustração eu fui tirar um cochilo. Quando acordei, meu bendito WhatsApp continha uma resposta que eu deveria deixar gravada para ouvir toda vez que ficasse chateado, com qualquer coisa, enviada pelo famoso atleta Delmir dos Santos, que foi organizador do Treinão de São Luiz:

-- P(...), Bira!... Eu acho o seguinte, cumpadre: Tu não tem que ficar triste p(...) nenhuma!... Vou falar num Português bem explícito... Muitos de nós nem te conhecemos pessoalmente, você simplesmente nos convocou, nos deu essa incumbência de organizarmos o Treinão e de convidar pessoas que também nós nem conhecíamos - apenas pessoas que tem o mesmo amor pela corrida, e assim a coisa foi evoluindo... Aqui em São Luiz, por exemplo, eu angariei pouco mais de 10 pessoas porque tinha uma corrida e a cultura de esportes, ainda está engatinhando (...) Mas foi gostoso!... O pessoal que foi ficou comemorando depois até quase 11 horas da manhã. Ano que vem vai ser bem melhor, vamos manter esse grupo (de organizadores) e vamos nos encontrar para nos conhecer!...

Para quem não sabe, Delmir dos Santos é duas vezes terceiro colocado nas São Silvestre de 90 e 91.

*          *          *

Então fica combinado assim: O Treinão do Brasil volta muito melhor e maior em 2016, já que ano que vem não partiremos praticamente do zero: Já temos um time fantástico de organizadores, espalhados por todo o Brasil e afoitos para se conhecerem pessoalmente.

Queiram ou não, fizemos o maior Treinão de Todos os tempos, o Treinão do Brasil!



Os Locais do Treinão:

Rio Branco, AC. 
Maceió, AL
Macapá, AP. 
Manaus, AM. 
Salvador, BA. 
Uruçuca, BA
Fortaleza, CE. 
Brasília, DF
Goiânia, GO.
Rio Verde, GO.
Aruanã, GO.
São Luiz, MA.
Cuiabá, MT.
Rondonópolis, MT.
Belo Horizonte, MG.
Unaí - MG.
Diamantina - MG.
Uberaba, MG.
Uberlândia, MG.
Itajubá - MG.
João Pessoa, PB. 
Sertanópolis, PR.
Arapongas-PR.
Pernambuco
Recife, PE.
Cedro, PE
Rio de Janeiro - RJ.
Nilópolis - RJ.
Três Rios - RJ.
Petrópolis, RJ.
Nova Friburgo - RJ.
Porto Alegre, RS.
Canoas, RS.
Bagé, RS.
Boa Vista - RR.
São Paulo, SP.
Jundiaí, SP.
Campinas, SP 
Americana, SP 
Bauru, SP
Botucatu, SP
Taboão da Serra, SP.
Ribeirão Preto, SP.
Limeira, SP.
Santa Cruz do Rio Pardo, SP.
Praia Grande, SP.
Aracaju - SE.
Nice, França.
Île de la Reunion, FR.









Na montagem: Algumas poucas imagens colhidas no Facebook dos treinões locais.

Link para o Evevnto no Facebook:  https://www.facebook.com/events/1661846440713830/


Abraços!
Bira.



Amigos!


Treinão do Brasil: Um Evento Único!