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"Volta e meia, a cortina de galhos e folhas se abria em um mirante, revelando um Rio de Janeiro de beleza incansável..."

Amigos!

Alegria pré largada (Rua Alice)... Alguns corredores não saíram na foto.



Bem que eu tentei contar, mas perdi a conta!... Não foi possível precisar quantos corredores deram a largada no treinão, 30/05/13, Subida do Sumaré. Só teria um jeito: pedir que todos perfilassem, mas seria um crime interromper aquele momento de alegria e espontaneidade. Gente atravessando rua, subindo e descendo calçada; indo e vindo, desordenada - com a energia de elétrons saltando entre órbitas. Entre os deslocamentos e a chegada atrasada de alguns, estimei que fôssemos 80.

Logo após a largada, animação na Rua Alice  laranjeiras.


Mas eu não fui o único a não querer macular tanta alegria. O motorista de um micro-ônibus também ficou parado, aguardando que todos posassem para a foto oficial, antes da largada. Ao invés de se irritar, o homem ficou admirando o movimento à sua frente - até porque havia muitas corredoras no grupo. Mesmo assim teve gente que ficou fora da foto - isso é inevitável.

A maioria dos corredores optaram em seguir para o Sumaré - ladeira à direita.


Os Dois Trajetos

Sabendo que nem todos conseguiriam completar o trajeto Rua Alice/Sumaré/Paineiras, preparamos um opcional: Rua Alice/Paineiras, mais fácil de cumprir. A maioria, no entanto, optou pelo mais difícil e seus 18 km. Assim, entramos na floresta de subidas e curvas infinitas. Nossos pulmões ofegavam com satisfação, experimentando oxigênio expelido pelo verde. Volta e meia, a cortina de galhos e folhas se abria em um mirante, revelando um Rio de Janeiro de beleza incansável. Éramos flores gotejantes colorindo o verde da Floresta da Tijuca. Não me refiro apenas ao colorido de nossas camisas, mas sobretudo às cores que os olhos não captam.

Quando a cortina de folhas e galhos se abriu, o horizonte revelou a fusão do céu e o mar... É possível avistar a Lagoa e Jockey Club.

Esse treino único da floresta urbana é privilégio de poucos. Para correr por todo o trajeto é preciso que o corredor esteja em dia com os treinamentos, ou vai ficar para trás. Minha preocupação foi não deixar que algumas mulheres ficassem desgarradas do grupo, em uma estrada quase deserta. Sendo assim treinei leve, mas aproveitei bons momentos de interação e bate-papo. Não se pode ter tudo: quem corre mais lento tem mais tempo de admirar a paisagem que é um banquete. Finalizamos com a ducha fria de uma água que descia forte, com solavancos. Isso serviu como hidromassagem nos ombros e nas pernas.

As antenas de TV anunciaram o final da subida: Alívio!


A dispersão do treinão não foi uniforme. A turma "da elite" chegou primeiro e prosseguiu por mais 10 km de descida, retornando à Rua Alice. Outros caminharam até o longínquo ponto de ônibus e, no meu caso, peguei uma van que transporta turistas nas Paineiras. Resgatamos quatro corredores que desciam caminhando a pé e não ficou ninguém para trás.

Ao fim do treino surgiu o Cristo Redentor

                              
À tarde, no Facebook, os participantes exaltaram o evento, como Fabio Favaris que resumiu: "Excelente iniciativa, treino duro mas gratificante!" ou Paulo Almeida: "... muito maneiro!... To morto!"

O Primeiro dos 27 da Série

Subida do Sumaré é o primeiro de 27 longões que BiraNaNet vai participar, em cada estado do Brasil. Em agosto participaremos do próximo, em local ainda não confirmado.

Na estrada curvilínea, na subida da serra, corredores acenam para quem está mais acima...


TREINÃO SUBIDA DO SUMARÉ (1/27) RIO DE JANEIRO:
DATA: 30-05-13, largada às 8h.
LOCAL: Rua Alice com Rua das Laranjeiras.
PRECURSO: 18 KM e 9 KM.
PÚBLICO: 80 corredores.

Abraço!
Bira.

"Elas são apaixonadas, cooperativas, autoconfiantes, vencedoras, sensíveis e, sobretudo, querem ser felizes!..."

Amigos!

Pesquisas realizadas pelo "Instituto BiraNaNet" revelam: Mulheres que correm sorriem muito mais! Elas são apaixonadas, cooperativas, autoconfiantes, vencedoras, sensíveis e, sobretudo, querem ser felizes! Fazem uso de suas qualidades no convívio com os amigos do esporte. O resultado é sorriso nos lábios, nos olhos e na alma. Mulheres que correm sorriem mais e espalham essa alegria pelas ruas de um Brasil, que como elas, corre cada vez mais!  

Greiciely - O Sorriso da Mulher que tem Paixão

"Meu sorriso na foto traduzia a alegria de estar acolhida entre pessoas queridas, misturada à ansiedade que antecede a mais uma corrida."  
Como tantas outras corredoras, Greiciely Lopes começou a correr, há três anos, apenas para emagrecer e gostou:


- Cada vez fui querendo mais - relata - até que completei os 20 km da Serra da Graciosa e, em seguida, a Maratona de Curitiba... Enquanto a paixão pela corrida foi crescendo, eu fiz mestrado em Fisiologia da Performance na UFPR e farei a minha tese de doutorado sobre a Corrida de Rua. Estou estudando desde as principais lesões (prevenção) ao treinamento propriamente dito.
A paranaense, autora do blog exercite-se.com completa:



- Quanto mais eu estudo, mais tenho vontade de treinar e sentir como a corrida pode mudar nosso corpo e mente

Zilma - O Sorriso da Mulher que Ajuda

A curitibana Zilma Rodrigues é ultramaratonista radicada em São Paulo. Frequentadora dos pódios nas provas de 50 e 100 km;  melhor brasileira em quatro Comrades Marathon (89 km, na África do Sul). A única sul-americana classificada para correr a Spartathon Marathon (246 km, na Grécia) descreve a foto abaixo:

"Em 2010, quando Rafael Bonatto estava fazendo o desafio 27 Maratonas em 27 Dias eu fui correr com ele e fiquei feliz em poder ajudar um amigo que adoro. Fiz os 42 km dele e mais 8 km, completando meu treino que era de 50. Terminar 50 km inteira é muito bom!"



Sônia - O Sorriso da Mulher que Supera Desafios

Há dois anos a carioca Sônia Carrasco foi participar caminhando de uma corrida. Quando viu um gordinho correndo à sua frente, pensou: "Se ele pode eu posso!". Aí Sônia correu. Completou aquela corrida e várias outras de 10 km. Este mês fez 21,4 km da Corrida da Ponte e já está projetando uma maratona para daqui a dois anos. Sobre a foto abaixo, descreve:

" Foi em janeiro deste ano, no treinão de Subida às Torres do Mendanha (18 km). Até ali eu nunca tinha corrido aquela distância"

Rosangela - O Sorriso da Campeão que Retorna

Rosangela Gavinski é mais uma curitibana nesta postagem. Treinadora,  atleta profissional há 20 anos. Eis alguns de seus resultados
"Meu sorriso na foto é pela volta à forma após uma lesão no pé. Era dia de competição e eu estava feliz por isso."
Campeã da Maratona de Santa Catarina 2011; vice-campeã na Maratona Lima 2001, 3ª colocada na Maratona de Curitiba,"várias vezes" e 3ª colocada na Maratona de Blumenau "várias vezes". "Venci muitas provas aqui no Paraná, Santa Catarina e São Paulo..."

"A corrida para mim foi superação, aprendizado e conhecimento (lugares e pessoas). Encontrei um grande treinador que descobriu meu talento e força de vontade. Dediquei-me para ser uma boa atleta. Deu certo! Até hoje vivo da corrida.

Lilian - O Sorriso da Mulher que Faz da Vida Poesia


Foi em dezembro de 2011 que a corredora mineira Lilian Moreira começou a transpirar poesia. Na primeira postagem de seu blog -  De Suor e Poesia - descreveu um tombo que levou treinando 15 km. Na época, tinha pouco mais de um ano de corrida. Daquele tombo poético até hoje continuou perdendo quilos e ganhando muitos fãs com suas crônicas.

Correu a Ponte em 2012 e 2013 - foto ao lado - e no Facebook escreveu:

UM ANO DEPOIS... Mesma corrida, mesmo trajeto, mas não a mesma mulher: são outras metas, outras companhias, outras inúmeras expectativas... Àquela que eu era ano passado, foram acrescentados muitos quilômetros, o sobe e desce da vida, algumas conquistas e derrotas, sorrisos e lágrimas... Mas a mulher de suor e poesia é o que há de imutável em mim e que faz com que eu continue me emocionando pelas pontes e quilometragens por aí...


Carolina - O Sorriso da Mulher que Corre para Ser Feliz 

Carolina Belo é daquelas que sabem de quantas provas participou: "Foram 75, em diferentes distâncias, em diferentes estados e até países. Não corro para competir ou baixar o tempo. Corro para ser feliz e interagir com as pessoas... Tirar fotos, fazer filmagens e mostrar aos amigos as paisagens lindas!..." Ano passado, a carioca decidiu correr sua primeira maratona em Foz do Iguaçu: fiz em ritmo lento para conseguir aguentar, cheguei radiante com o tempo de 4h 58mim, alcançando minha meta.

"O sorriso da foto expressa um momento de surpresa: Próximo à linha de chegada, eu já estava na fila do ônibus para ir embora quando escuto meu nome sendo chamado para a premiação. Ainda tive dúvidas que poderia ser eu, mas ignorei as dores e saí correndo: eu havia sido a 4ª  colocada na faixa etária e fiquei em estado de graça!"

Os sorrisos das mulheres que correm se multiplicam no Facebook, por onde colhi seus depoimentos e imagens. Suas emoções e sentimentos não caberiam numa postagem, livro ou biblioteca, por isso se espalham pelas ruas colorizadas pelos seus esmaltes e batons.

As mulheres que amamos sorriem mais quando correm!

Abraços!
Bira.
"Corredores... criaram seus próprios treinos. Gratuitos, alternativos e animados eles compõem A Explosão dos Treinões!..."

Amigos!

Subida às Torres do Mendanha, jan-13: 50 corredores, quase todos captados pela foto oficial

Os anos passam e o "boom" das Corridas de Rua parece não ter fim. Elas continuam ganhando novos adeptos e provas que se espalham pelo Brasil. Atraem empresas de material esportivo, turismo, eventos e outras. São Paulo e Rio têm provas toda semana, às vezes duas no mesmo dia. Muitas ultrapassam 10 mil inscritos! Porém nem tudo são flores...

Dispostos a pagar qualquer preço para ser incluído nesse mundo, os novos corredores provocam inflação no preço das inscrições de corrida. Eles não são culpados, apenas desejam completar seus primeiros 10 km em uma prova badalada como o Circuito das Estações, por exemplo. Os organizadores sabem disso e oferecem kits com belas camisetas e bonés. Há também os kits vip que incluem mochilas, toalhas e agasalhos e o preço dessa brincadeira pode chegar a R$ 205,00!

A inflação no preço das corridas assusta os corredores tradicionais. Alguns reagem correndo como "pipocas" e justificam o gesto afirmando que "a rua é pública". Outros dão um jeitinho fazendo a "sua" inscrição em nome de um idoso, para pagar meia. Quem não deseja seguir esses caminhos, vai reclamar no Facebook ou vai fazer seu próprio treinão... A boa notícia é que é dessa forma, e com essa fórmula, que está surgindo um novo "boom":

Juntando-se pitadas de indignação e frustração com algumas colheres de revolta. Colocando-as para ferver no caldeirão do Facebook, os corredores descobriram o Calendário de Eventos e criaram seus próprios treinos. Gratuitos, alternativos e animados eles compõem A Explosão dos Treinões!

Eles estão Cansados dos Mimos! 

Todo sábado, o carioca Fabio Fernandes (39) corre de 25 a 40 km. Esse ano, participou de quatro Treinões Coletivos e considerou o Subida às Torres do Mendanha - aqui postado - como o mais marcante, e revelou o motivo:

- Moro em Campo Grande e todo dia vejo as Torres de Transmissão da janela de minha casa. No dia do treino eu não percorri apenas 18, mas 40 km. Agora, quando chego na janela posso falar com orgulho: saí daqui, subi até lá e voltei!

Fabio - foto acima, tirada em um retorno chuvoso ao Mendanha - diz que muitos corredores já não querem mais tantas medalhas e camisetas, e faz comparações:

- Com o valor de quatro inscrições de corridas no Aterro é possível comprar um bom tênis!... E agora eu lhe pergunto: Precisamos gastar R$ 150,00 para ir á praia?... Para bater um papo e rever os amigos? - e continua: - Para onde vão as medalhas?... Para onde vão as histórias que ouvimos e contamos nos longões?... Eu acho que as histórias vão para lugares mais importantes!... Devido ao preço, eu me inscrevo em duas ou três corridas, mas os amigos que faço são as verdadeiras medalhas!

A Grande Imprensa Começa a Perceber

Deu essa semana no Blog Pulso de O Globo: "Explode Niterói: treinão gratuito até a Fortaleza de Santa Cruz". A matéria de Victor Costa faz menção ao evento de Flávio Loureiro, marcado para 09-07-13. O treino atraiu também o apoio dos tênis Sprint, quando um par será sorteado. A visibilidade e apoio conseguido é um marco - sinal evidente da nova onda dos treinões que se aproxima ou já chegou.



Corredores se refrescam nas Paineiras após treinão memorável, realizado em 2012.

Aproveitando a proximidade do feriado de Corpus Chisti (quinta-feira, 30) utilizei o Facebook para também marcar um longão. Da Rua Alice ao Sumaré, finalizando nas Paineiras. Serão 18 km de curvas, subidas, descidas, muito verde e a paisagem da cidade mais bela do mundo. Será também o ponto de partida para um desafio que eu me propus: Participar de um longão em cada estado e registrá-los aqui no blog. Até o momento que publiquei esta postagem já havia 54 inscritos. Participe você também da Explosão dos Treinões!

Abraços!
Bira.
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"Por alguns instantes, é possível esquecer do próprio peso do corpo e flutuar sobre a ponte feito gaivota..."

Amigos!

Uma barca repleta de corredores cruzou a Baía de Guanabara, saindo do Rio para Niterói. Eram seis horas da manhã de domingo e o sol - um farol brotando no oceano - ofuscou a visão de quem na nave vislumbrava o seu destino. Confirmando as previsões do tempo o céu se abriu empurrando pesadas nuvens para sua periferia. A madrugada preservou o frio e fez muitos corredores vestirem mangas longas. Logo, eles se arrependeriam da escolha feita ao saírem de casa. Em 20 minutos de travessia foi possível avistar amigos, trocar beijinhos e abraços-de-como-vai?, fotografar e sorrir, enquanto um bloco de sujo improvisado percorria os corredores da embarcação, cantando sambas alegres e desafinados.

A Corrida da Ponte é uma festa!

Pouco antes da largada, corredores concentrados à frente ao belíssimo Teatro Popular.

No Caminho Niemeyer - espaço próximo à Estação das Barcas, em Niterói - os corredores se concentravam e se aqueciam, mesmo que parados, pela ação da luz do sol. O astro, que já tinha dado sua largada na corrida diária rumo ao centro do céu, transferia cada vez mais o seus primeiros tons amarelados às paredes do Teatro Popular que brilhava feito ouro. Festa para os olhos de uma cidade que soube explorar seus espaços, criando monumentos à altura de competir com a longínqua paisagem das montanhas do Rio, situadas além da baía.

A Niterói do Museu de Arte Contemporânea e do Teatro Popular é uma festa!



A onda de corredores largou e captou energia nos primeiros dois quilômetro pelas ruas da Cidade Sorriso. Aplausos e palavras de incentivo em um corredor de alegria com destino à Ponte. A Ponte que os corredores só sentem após cruzar o pedágio, quando é possível vislumbrar um mormaço que lhes aguarda no vão central. O temido vão central outra vez desprovido de vento, onde muitos perceberam que não melhorariam seu tempo. Mas o que parece má notícia - não melhorar o tempo - reverte-se em lucro quando o atleta relaxa e se vê entre o mar e o céu. Repassa um copo d'água para o corredor ao lado e o gesto provoca uma conexão que se expande aos demais. Essa troca externa reflete internamente e dissipa o cansaço. Por alguns instantes, é possível esquecer do próprio peso do corpo e flutuar sobre a ponte feito gaivota. Uma sensação que não perdura por muito tempo, alguns sequer tem noção que a vivenciam, no entanto,  ela é o eterno apelo que arrasta cada um para a próxima corrida.


Corredores no fim da Ponte, quando surge o Maciço da Tijuca.

Muito além dos últimos quilômetros da Ponte surgiu o Maciço da Tijuca e seu verde sinuoso, acariciado pelas sombras deslizantes de nuvens gigantescas, enquanto o Rio se aproximava. A Perimetral, com seus dias contados, conduziu os corredores até a pórtico de chegada no Aterro do Flamengo. Sobraram abraços e sorrisos molhados nos reencontros de corredores da corrida que é uma festa...

A Festa da Ponte!

Abraços!
Bira.
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"Se correndo pelo subúrbio é possível se sentir tão feliz, imagine percorrer todo o nosso país?..."

Amigos!



Sensações de um Longão:
Nas entranhas da cidade onde as cores não cintilam, 
Um corredor suburbano se espalha, feito onda,
para muito além do asfalto onde pisa.
Olhos atentos para se desviar de qualquer obstáculo,
Mente vaga, embebida de otimismo e gratidão 
e uma vontade de eternizar aquele momento!... 
Sensações de um Longão.

Se correndo pelo subúrbio é possível se sentir tão feliz, imagine percorrer todo o nosso país? Daí que pensei em fazer um longão em cada estado. Sinceramente, não sei quanto tempo levarei para concluir essa tarefa. Muito menos, quero ficar pensando se conseguirei ou não. Como diz o poema acima, sou uma onda e as ondas se espalham além das fronteiras.

Não fiz nenhum projeto. Sequer me preparei. Mas será tudo bem simples: Vou entrar em contato com amigos corredores do Facebook e tentar me encaixar em alguns longões Brasil à fora. Farei uma postagem mostrando aspectos e curiosidades da cidade escolhida e outra sobre o treino com seus participantes.

Bom... Eu sei que acabo de servir um prato de mingau bem quente, para mim mesmo!... Assim sendo, vou começar comendo pelas beiradas e o primeiro longão vai ser aqui no Rio.

DATA: Dia 30 de maio de 2013, quinta-feira, ás 8h, - Feriado de Corpus Christi. 
LARGADA: Rua Alice, esquina com Rua das Laranjeiras;
PERCURSO: Subida, das Paineiras;

OBS.: Faríamos também um percurso alternativo, passando pelo Sumaré, mas fiquei sabendo que o acesso às Paineiras via Sumaré foi fechado.

Todos estão convidados! O evento foi criado no Facebook, no link:  Treinão Paineiras

Pertinho da largada é possível comprar água ou gatorade em uma padaria.

Abraços!
Bira
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(...) Apelei por levar o iPhone e tirar fotos durante o percurso. Isso tornaria o treino bem mais leve e eu poderia colher imagens da minha cidade, em plena transformação (...)

Operários trabalham na construção da pista do BRT, nas proximidades do viaduto da Penha.


Outros operários aquecem a marmita no interior de um imóvel semi-demolido para a passagem do BRT.

Correndo no Canteiro de Obras

Amigos!

É tudo uma questão de foco!

Joguei fora o pessimismo e me inscrevi na Maratona do Rio. Agora vou ter de treinar - superar a insegurança que sempre fica no lugar de uma lesão. Neste sábado fui fazer 30 km solitário - de Irajá a Copacabana, sem saber se conseguiria chegar. Cinco quilos mais gordo e sem a mesma capacidade aeróbica de antes, apelei por levar o iPhone e tirar fotos durante o percurso. Isso tornaria o treino bem mais leve e eu poderia colher imagens da minha cidade, em plena transformação.

Pombos pousam no teto curvo de um prédio, em Olaria - arquitetura do subúrbio.

Galões pet, pendurados sobre a calçada, anunciam a venda de água mineral, no Largo das Cinco Bocas - Olaria.

Corri paralelo aos canteiros de obras da Transcarioca. Disputei espaço com automóveis e gente, entre os cercados e cones. Se não era possível correr forte sobre as lombadas e buracos, melhor - assim teria chance de chegar mais longe. Cheguei na Av. Brasil, na altura de Bonsucesso, onde não vi crackolândia. A obrigação de volta-e-meia tirar fotos me fez perceber os azulejos de uma construção escondida entre o verde da Fundação Oswaldo Cruz ou o céu refletido no poluído rio que beira a antiga Refinaria de Manguinhos.

Painel de azulejos modernistas da Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, visto da calçada da Av. Brasil. 

O espelho de água negra de um rio se disfarça refletindo a luz do céu, ao lado da Refinaria de Manguinhos. 

Na Avenida Rodrigues, sob a Perimetral, eu tentei imaginar como será correr ali em 2016. Um céu azul substituirá a sombria a cobertura de aço e concreto. A luz do sol iluminará um chão-mosaico de pedras portuguesas. Os inseto sorrateiros e nocivos se transformarão nas flores que voam... Mas por enquanto, o que se vê são máquinas, cones e operários - além de um vigia dormindo de boca aberta. A junção de um depreciado terminal rodoviário com um palacete abandonado, no entanto, formou o belíssimo MAR - Museu de Arte do Rio, dando uma  ideia do que está pro vir.

O elevado da Perimetral vivendo seus últimos dias, antes da demolição - no Cais do Porto.

Um fétido terminal rodoviário foi reformado e se uniu a um casarão para compor o MAR, na Praça Mauá.

No Aterro, abricós-de-macaco espalhavam frutos em forma de bola pelo chão. O morro do Pão de Açúcar surgiu para roubar a atenção e o celular descarregou antes de eu cruzar o túnel e reverenciar a estátua da Princesa Isabel, na avenida de mesmo nome, ao fim do treino. Na areia da praia bebi guaraná e não tive coragem de dar um mergulho gelado. Tomei uma ducha, troquei de camisa e voltei pra casa... De metrô, é claro!

Abricós de macaco despencam no Aterro do Flamengo, num trecho onde as sobras das árvores não deixam a grama crescer.


A enseada de Botafogo tem Cristo Redentor, Pão de Açúcar e uma pista curva e encantada.

Obs.: Todas fotos foram feitas com iPhone. 


Abraço!                                                                
Bira.

(...) Os meses passaram esvaziando os pneuzinhos da barriga e inflando o seu ego. Para melhorar o desempenho nas provas, você foi fazer musculação (...)

Montagem composta com recortes de fotos pessoais - Bira, 13-04-13.

A Falta que a Corrida Faz

Amigos!

Quando você resolveu abandonar o sedentarismo e começar a correr era uma bela tarde de sábado. Cheio de coragem, você resgatou um par de tênis empoeirados lá do fundo do armário, onde eram pisoteados pelos demais calçados. Não eram tênis de corrida, mas daria pra quebrar o galho. Enfiou-se num calção surrado e, na falta de camiseta apropriada, vestiu a de seu clube de futebol. Quem te viu cruzar a esquina, nas primeiras passadas, teve dúvidas se você estaria praticando corrida ou seguindo atrasado pra jogar uma pelada. Seu abdome um pouco avantajado chacoalhava fora de ritmo. Seu coração, no entanto, tinha ritmo, só que cada vez mais rápido. Seus pulmões bebiam o ar capturado pela boca. O ar que lhe secava as narinas e garganta. O ar que trocando de vias, internas e externas, desrespeitava as fronteiras entre você e restante do mundo. Se a corrida provocava um aumento de intensidade nessa troca, você se expandia, tornando-se um ser sem forma ou tamanho, ou do tamanho do mundo. Diante da falta de fôlego e condicionamento, no entanto, você nem podia perceber que isso tudo acontecia. Só sabia que nem tinha chegado ao verdadeiro local do treino - uma pista para de caminhada situada há dois quilômetros de sua casa - e já estava difícil continuar correndo.

Lá chegando você se animou ao ver gerações em movimento - uma mistura de cores e idades sobre o asfalto demarcado. A vontade de pertencer àquele cordão lhe fez esquecer o cansaço e dar dez voltas moderadas na pista. Após o treino, você bebeu fartos goles de água gelada, intercalada com a respiração ofegante. Sua mente sorveu endorfina e otimismo. Sua alma deu saltos invisíveis de visível alegria!

Mas foi na ressaca física da manhã seguinte que doeram os joelhos, panturrilhas e coxas. Ao invés da endorfina impulsionando a mente, havia ácido lático travando os doloridos músculos. Você chegou a pensar que nunca mais iria correr quando se abaixou, às duras penas, e pegou a mangueira que usaria para regar o jardim. Seu desânimo descoloriu as flores do canteiro sedento, até que seu cachorro latiu se atirando contra o portão. Não foi o carteiro nem o marcador de luz que provocaram os instintos caninos. Foi um corredor passando à margem da rua. Um homem com idade aproximada de setenta anos, biotipo, trajes e jeito de corredor... Você pensou: "Se ele pode eu também posso!" - e foi nesse momento que o orgulho lhe salvou! Você decidiu que assim que as dores passassem, voltaria a correr.

Não demorou muito tempo para você comprar um par de tênis absurdamente colorido e caro, dividido em 10 parcelas no cartão de crédito. Participou de sua primeira corrida de rua, largando entre 10 mil corredores no Circuíto das Estações. Já era capaz de explicar para os amigos sedentários a diferença entre pisada pronada, supinada e neutra. Seu ciclo de amigos virtuais quadruplicou no Facebook, então infestado de corredores. Sua caixa de e-mail passou a acumular convites de inscrição em corridas ou de venda de produtos esportivos.

Os meses passaram esvaziando os pneuzinhos da barriga e inflando o seu ego. Para melhorar o desempenho nas provas, você foi fazer musculação. Quis fazer todas as corridas de 10 km daquele ano. Colecionou medalhas e camisetas coloridas. Quebrou sucessivamente seus recordes pessoais. Quando pensou que já estava abafando, conheceu um grupo de corredores que o convidou para fazer longões. Aceitou o convite, achando que seria moleza - não era: O pessoal corria forte, sorrindo e falando o tempo todo, enquanto você mal respirava!... Mesmo assim passou no teste e retornou várias vezes até fazer parte do grupo. Logo você já corria forte, sorrindo e falando, igualzinho aos demais... Foi demais!

Fora da corrida, você era exemplo. Era visto com admiração e, por sua causa, vários amigos começaram a correr. Mudanças saudáveis de hábito ocorreram naturalmente, como parte de uma cultura incorporada e alimentada pelos artigos de revistas, livros e palestras esportivas. Fez a primeira maratona (42 km) e cruzou a linha de chegada chorando. Era um choro de emoção indescritível, compreensível apenas àqueles que já completaram essa longa corrida. Correu cidades, correu estados, correu o mundo e descobriu o seu próprio tamanho. Percebeu que, enquanto ser visível, você tem a dimensão de todo o espaço por onde o oxigênio se espalha.

Quando você ficou lesionado relutou em acreditar que seria por muito tempo. Uma semana, no entanto, não foi bastante para lhe devolver ao mundo da corrida. Foram necessários seis meses sofridos, doídos no físico pela inflamação do músculo e na alma pela inflamação do medo. Medo de perder o contato com o mundo da corrida repleto de amigos, cores e endorfina. Agora você sabe a falta que a corrida faz e fará tudo para ultrapassar os 70 anos, correndo igual aquele homem que passou à margem da rua, fazendo seu cachorro invejoso latir e o seu orgulho proclamar: "Vou voltar a correr!", tomando a decisão que mudou sua vida.

Abraços!
Bira.                                                      
(...) O barulho acordou a criança que lançou seu choro do outro quarto. A porta da sala bateu forte abafando o desespero de Marta dentro do recinto (...)

Colagem com recortes de imagens da internet. Bira, 22-03-13.

A Fuga

Amigos!

Duas cachaças deram a Jorge coragem suficiente. Abriu a porta com violência, e como se fosse um policial em vistoria, foi revirando gaveta por gaveta e atirando roupas no chão. Sem dizer nada, socou calças e camisas na mala com movimentos rápidos e desconexos. Respirava forte e tinha o olhar transfigurado. Foi jogando as meias, o aparelho de barbear, a colônia For Men e tudo que fosse só seu. Por pouco o zíper não fechou na mala abarrotada. Nada mais olhou. Ergueu a bagagem com a mão direita e partiria tão bruscamente quanto chegou, se a mulher atordoada não se atirasse à sua frente. Até então, ela manteve-se estática no canto do quarto. Observava atônita o marido que parecia estar louco. Quis lhe perguntar: “O que é isso? O que está havendo?” Mas o fermento da surpresa transformou suas frases num bolo de ar que os lábios espremidos não deixavam sair, nem a garganta cerrada engolia. A mulher não entendia nada e observava com olhos do medo que fazia seu corpo suar e ao mesmo tempo gelar. Por isso se atirou: se o súbito lhe bloqueava as palavras, não poderia bloquear seus gestos. Tentou agarrar-se ao marido. Paralisá-lo como uma camisa-de-força, anestesiá-lo com o olhar. Mas não conseguiu. Faltou-lhe poder nos braços e nos olhos, suficientes para conter a fúria de Jorge. Com um empurrão foi atirada na cama que afundou na queda. O barulho acordou a criança que lançou seu choro do outro quarto. A porta da sala bateu forte abafando o desespero de Marta dentro do recinto. O homem partiu.

Depois de muito pensar, a vizinha resolveu verificar o ocorrido no apartamento ao lado: aquela barulheira, a porta batendo e o choro que não parava. Abaixou o volume da televisão e encostou o ouvido na parede. “O que está acontecendo?” – murmurou, e foi à campainha desobedecendo ao conselho do marido:

– Deixa pra lá mulher. Isso é briga entre os dois, não se mete!
– Ouvi passos descendo a escada, Marta deve está só, precisando de ajuda. Não ouve o choro?

Logo a porta abriu, revelando um rosto encharcado e corado pelo pranto da mulher.
– Que foi minha filha? Perguntou a vizinha amparando-a nos braços.

Agora eram os soluços que não queriam lhe deixar de falar. Solavancos no peito interrompiam cada palavra.
– Calma filhinha, não diz nada, tá?... Olha o Marcinho chorando, tadinho!... Vou preparar um copo de água com açúcar pra vocês.

Alguns minutos tranquilizaram Marta que, enxugando a face, descreveu a cena repentina.
– Mas por quê, mulher, assim tão de repente? - Questionou a vizinha.
– Não sei Dona Célia. Será que meu marido enlouqueceu?... Meu Deus! - E voltou a chorar, recuperando os soluços.
– Calma filhinha, calma...
– Vou à casa de meus sogros! Decidiu Marta.
– É melhor você não ir hoje, já são quase dez horas... Liga pra lá...
– Eu tenho que ir, eles devem saber de alguma coisa. Não posso ficar aqui chorando com meu filho! Toma conta dele pra mim dona Célia, por favor!

E saiu atrás de notícias sobre o paradeiro marido.

*           *           *

Quando o pé direito de Jorge esmagou o acelerador contra o piso do carro, o motor do veículo urrou de dor. Em cada curva da estrada as rodas velozes gritavam de medo. O vento frio da noite se atirou sobre o automóvel, invadiu as janelas abertas e entupiu os ouvidos de Jorge. Mas ele nada sentia além da urgência de encontrar Margarida. A jovem com nome e encanto de flor - primeiramente um capricho de um quarentão orgulhoso diante de amigos nos papos de bar, depois, uma paixão obsessiva que atormentava sua alma. Sem que ele próprio percebesse, foi deixando de se gabar por ter a amante nas mãos. No decorrer de oito meses, o orgulho deu vez ao medo de perdê-la e virou pânico, quando Margarida pronunciou a frase:

– Desse jeito não dá mais, já estou cansada de ser a outra!

Foi quando Jorge se viu perdido. No dia seguinte não foi trabalhar, apenas pedir demissão. Já havia decidido. Partiria com a jovem para São Paulo. Tinha dinheiro no banco e capacidade para arrumar novo emprego. Mulher, filho e o resto da família não importavam. Margarida era mais que isso. Com o tempo, ficaria tudo bem. Pagaria uma pensão à esposa e ao filho. Começaria de novo. Passou a noite solitária num hotel e no dia seguinte foi buscar a amante.

A manhã trouxe um sol de verão que deu brilho aos cabelos e à pele de Margarida. As malas foram postas no carro que se misturou ao trânsito da avenida, rota de fuga para uma nova vida...

*           *          *

Onze e meia da noite anterior. Marta bateu à porta dos sogros:
– É você Marta? Perguntou a sogra assustada, mesmo vendo diante de si a nora – Você está chorando?... O que está havendo, meu Deus?
– Jorge partiu! Respondeu jogando-se em seus braços.

*           *           *

Quando o céu clareou finalmente, mãe e avó foram buscar a criança deixada com a vizinha. Logo saíram em busca de Jorge.
Na empresa souberam do pedido demissão e de lá partiram sem saber aonde ir, nem que direção tomar pela calçada da avenida.

*           *           *

Impaciente, na ânsia da fuga, Jorge driblava os carros no trânsito da cidade. Descontente, parou no sinal que tinha a cor da ponta de seu cigarro. Fumava com gestos intranquilos, mas quando olhou para Margarida e teve o ímpeto de beijá-la. Uma voz infantil, no entanto, vinda da calçada, interrompeu seu movimento. Virou-se e viu seu filho Marcinho puxando a mãe com uma das mãos e sacudindo a avó com a outra. Com os olhos arregalados o menino gritou:

– Olha o papai! Olha ele lá. Mãe!... Paiê, a gente tá procurando o senhor!!!

O sinal abriu e os carros detrás buzinaram. Jorge vendo que interrompia o trânsito acelerou o automóvel (“Peraí, pai!”) e se perdeu no trânsito. Sobre a calçada, aquelas três criaturas olhavam impotentes e estarrecidas, o veículo sumir na próxima esquina. ###

Abraços!
Bira.                                                                            



(...) Quando acordou, César se espreguiçou esticando os braços e estufando o peito. Parecia um imperador do deserto contemplando seu reino de barro (...)

Lágrimas são Pérolas - Montagem com recortes de imagens da internet - Bira, 2013.

Atiradores de Pérola - Parte II

Amigos!

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Parte II - O Choro Faz Germinar Pérolas Latentes...


Outra semana se passou e o barro seco avançou sobre o oásis que foi reduzido a menos da metade - uns 200 m2. A lagoa ficou com apenas 4 metros de diâmetro. Roberto e Altair não retornaram. Os 19 habitantes que ali ficaram já não tinham emoção ou demonstravam desespero. Já não sentiam nada além de inveja dos que se foram junto com a cidade - numa espécie de morte sem dor.

César, o mestre de MMA, no entanto abriu mão dos escrúpulos e resolveu liderar seu grupo de alunos para dominar o local. Primeiramente, os sete homens ordenaram que toda comida lhes fosse entregue. A partir dali, todos os demais receberiam uma parca ração diária. Ninguém teve forças ou ânimo para se opor. Nem mesmo os jovens jogadores do Acesita Esporte Clube.

Naquela noite, César reuniu seu grupo em volta da fogueira, onde assaram os últimos peixes retirados da lagoa e se apossaram das quatro garrafas de uísque que Chico, o bebum, escondia entre os trapos como tesouro. Gargalharam ao ver o sofrimento do velho alcoólatra observando seu precioso líquido ser consumido por bocas alheias, provocando a cada gole, caretas impiedosas nos componentes da recente gangue. O bando não precisou secar todas as quatro garrafas para se encorajar e promover um estupro coletivo em Aline. A mulher ainda tentou resistir, em vão, e feito as garrafas de uísque, foi brutalmente consumida pelos sete homens. Como os goles da bebida que queimando as gargantas distorciam as faces, o contato com a vulva da jovem provocava nos homens caretas de um diabólico prazer. De todos os jeitos, a mulher foi impiedosamente violada.

Na manhã seguinte, o bando sentia-se poderoso e saciado. Desapareceu das suas almas o desejo de morrer. Morrer para quê, se o pouco que sobrou do mundo lhes pertencia? Quando acordou, César se espreguiçou esticando os braços e estufando o peito. Parecia um imperador do deserto contemplando seu reino de barro. Sem dizer palavra sentiu que tudo aquilo era seu e com olhar brilhante de orgulho se desintegrou no ar, seguido de todo o seu bando. Quinze dias depois do grande desastre, sete pessoas voltavam a sumir em Timóteo.

Aliviados e famintos, os habitantes do oásis se atiraram sobre os mantimentos que o bando havia apreendido. Cada um apressado por saciar sua própria fome enchia a boca feito animal. Mas, por encanto, o alimento sumia antes de ser mastigado. Aline, sem forças e ferida, manteve-se afastada, aguardando pacientemente pela vez. Observou preocupada que daquele jeito nada sobraria e todos continuariam com fome. Viu porém, que o velho bebum conseguiu se alimentar com um pedaço de linguiça que Alaor lhe repassou. Lembrou-se do discurso do padre na última Páscoa e gritou:

Parem todos!... Desse jeito não vai sobrar nada e ninguém vai se alimentar. Vocês precisam repassar a comida. Só se alimentem da comida que lhes foi passada, como fez o velho Chico... Ou o alimento continuará sumindo na própria boca!

"Dito e feito!... Afinal de contas, de que adiantaria se livrar de César e sua gangue para depois continuar cada um por si?" - pensou Aline.

Sem que ninguém se aproximasse dela, a moça ouviu um sussurro do lado esquerdo:

É preciso dar o que não tem ou não se acredita ter...


*                   *                    *

Se as 12 pessoas restantes no oásis aprenderam forçosamente a dividir para sobreviver, faltava-lhes transformar esta prática em sentimento fraterno. Mas ali, poucos ainda possuíam algum sentimento. Eles acreditavam que a supressão das emoções seria fundamental para sobreviverem, o máximo possível, naquele ambiente desolador. Falava mais alto o instinto de sobrevivência em cada ser.

Mais uma vez, Aline percebeu algo: A desintegração de seus sete agressores ocorreu justamente quando eles não quiseram mais morrer. Justamente quando se sentiram felizes e poderosos donos do deserto, desejando dar um jeito de viver e reinar naquele inferno. Mais uma vez, sem que ninguém se aproximasse, um novo sussurro se fez ouvir por Aline:

Para que morte lhe liberte desse mundo, primeiro é preciso acreditar que o tem nas mãos...

Quem é você que me sussurra? O que quer que eu faça? - perguntou Aline em pensamento.

Palavras sussurradas são como pérolas sorrateiras - respondeu o sussurrante - Se essa gente faminta optou por agir como porcos, que valor dariam às pérolas?

*                    *                    *

Oito meses passaram reduzindo o tamanho do oásis a 100 m2. A lagoa resistia, mas ficou com apenas de 3 metros de diâmetro. A fome, no entanto, aumentou, obrigando os 11 homens a cavalgarem cada vez para mais longe. Iam às buscas de algum alimento, mesmo que vencido. A água da lagoa perdera a qualidade e só era bebida em último caso. Durante meses, a alimentação precária não deixou que fosse notada a gravidez de Aline, nem por ela mesma. Perto de parir, no entanto, sua barriga ficou indisfarçável. A mulher que engravidou no estupro iria parir na desolação. Aflita, nunca mais ouviu sussurros e juntamente com os "porcos", só conhecia uma regra de sobrevivência: repassar as parcas migalhas ou ver a comida sumir. Num repentino acesso de raiva, jogou uma pedra no espelho da lagoa e percebeu que as ondas circulares provocadas pelo choque, estranhamente tomaram a direção contrária. Elas seguiram das bordas para o centro da lagoa. Estranhou o fato, mas banalizou o susto pensando: "Deve ser é mais um desses fenômenos mágicos que vêm ocorrendo..." Logo, a gestante assustou-se de verdade ao perceber que pedra parecia ter aberto um furo no fundo da lagoa. Lentamente, toda a água começou a escorrer para ali, feito o ralo destampado de uma pia.

Quando amanheceu no sexto dia do oitavo mês, restavam apenas capim e árvores secas no oásis moribundo. A lagoa secou e se transformou em um poço, cavado com muito sacrifício pelos homens magros e sem vigor. Dali saía a água para os animais que também emagreceram. Naquele dia, pouquíssimo alimento foi encontrado e dividido no fim da tarde. Todos comeram sem nada dizer. Mas uma vez eles negavam seus sentimentos para não chorar e resistir naquele contexto.

Na manhã seguinte, ninguém teve força para procurar comida. Permaneceram escorados nas árvores secas, totalmente cansados. Eles queriam secar feito as árvores, mas essa mágica não lhes foi concedida. Foi então que os seus olhares secos perceberam no céu uma faixa de azul surgindo por detrás da última montanha. Saídos de trás de um morro próximo, surgiram oito cavalheiros imponentes que atiravam algo sobre o solo. Alaor e Aline gritaram por socorro com a pouca voz que possuíam. Viram, aliviados, que dois dos cavaleiros vieram em sua direção. Mas os homens não pararam para socorrê-los. Eles apenas atiraram pérolas que ao tocar no solo se multiplicavam e se espalhavam em todo entorno. Pelo chão seco do vale se espalhavam as pérolas e ninguém do extinto oásis entendeu o que ocorria.

Água!... Comida!... - gritavam, enquanto os cavaleiros apressados se afastavam.

Malditos nos trazem pérolas, quando estamos com fome e mortos de sede! - espraguejou o velho bebum.

Aline percebeu o reflexo das pérolas sobre o solo seco. A cintilância se estendia até onde sua vista alcançava. Justamente naquele momento, Aline sentiu as contrações do parto. Pediu ajuda. Um desastrado Alaor esqueceu de suas próprias debilidades e foi ampará-la. Enquanto o neném nascia, Aline não saberia dizer o que doía mais: o corpo no parto ou a alma de quem pari na desolação. O choro forte fez com que todos esquecessem de seus flagelos e se aproximassem para ver o bebê.

É uma menina! - Alaor falou, enfim sorrindo, depois de muito tempo. Como vai se chamar?

Pérola! - disse o velho Chico, abaixando para colher uma e entregando à Aline que em silencio aprovou.

Com cuidado, Alaor acomodou Pérola sobre o peito de sua mãe. Acalentada pelo calor de Aline, Pérola parou de chorar. Então foi a vez de Aline libertar todas as lágrimas aprisionadas nos últimos oito meses. Ao seu redor todos choraram: Alaor, Chico e os jogadores do Acesita. Alguns que àquela altura pensavam nem ter forças para respirar direito, choraram feito crianças. Eles estavam redescobrindo a emoção e resolveram vivê-la pelo resto de tempo que tivessem de vida. Foi quando o choro daquela gente se espalhou incrivelmente pelo chão, multiplicando-se e formando ondas rasteiras que se banharam todo vale. Feito água de chuva, o choro envolveu as pérolas espalhadas e delas brotaram e cresceram, em segundos, belíssimas árvores reflorestando Timóteo. Outras pérolas deram à luz animais, recompondo o paraíso natural do interior mineiro. A pequena faixa de azul no céu se ampliava em direção ao seu centro onde surgiaram chumaços de nuvens.

Os 11 homens estupefatos, ainda estavam debilitados pela fome e sofrimento. Mais uma vez eles tentavam entender o que presenciavam. Dessa vez, no entanto, não era tragédia o que viam. Onde a lagoa secou, voltou a correr o rio e, para amainar a fome, surgiram ameixeiras carregadas de frutos. Imediatamente os homens famintos colheram as ameixas e, como já sabiam, trataram de compartilhá-las primeiro. Desta feita, no entanto, não fizeram isso apenas pelo medo do alimento sumir. Fizeram com o sentimento resgatado no choro. Ofereceram os primeiros frutos para a Aline e depois se sentaram para uma refeição coletiva.

Algo surpreendente ainda estava por ocorrer: ao provarem as belas ameixas doces e robustas, os homens também ficaram robustos, restabelecendo-se milagrosamente. O próprio Chico voltou a se sentir como no tempo de jovem que não bebia, tocando em si mesmo para acreditar. Perceberam, surpresos, que dentro das ameixas não havia caroços e sim, pérolas. As mesmas que quando atiradas se multiplicavam e se espalhavam pelo chão. Lembraram-se dos cavaleiros atiradores de pérolas.

Revigorada, Aline amamentava a sua Pérola. Pensou que ouviria novos sussurros, mas não era mais preciso: Aqueles homens já não eram mais porcos famintos e entendiam o que deviam fazer. Bastou que um olhasse para o outro e que todos olhassem para o céu. Foi quando Mário, o capitão do time de futebol do Acesita enfim mostrou sua liderança, antes adormecida:

Alaor e Chico, nós só temos seis cavalos então vocês não precisam ir... Fiquem aqui com Aline e Pérola que vão precisar de vocês. Eu escolherei mais cinco dos meus e nós vamos fazer o que fizeram conosco: semearemos estas pérolas onde houver destruição.

Mário apontou na direção onde o céu permanecia alaranjado e ordenou a seus homens que recolhessem todas as pérolas e alimentasse com ameixa os cavalos que logo ficaram robustos. Os novos cavaleiros atiradores de pérola atravessariam o vale, agora verde, em direção ao próximo deserto de barro. Semeariam pérolas nos solos que secaram, parodiando a face dos homens que viraram porcos famintos. Pérolas, lágrimas suprimidas por quem se isenta do sentimento.

No próximo deserto estariam outros homens que por conter o choro se tornaram porcos pisoteando pérolas e sentindo fome.

Pérolas-sementes que, pacientes, aguardariam no chão pela rega de um novo choro.
Choro que cedo ou tarde virá, derretendo a máscara de suíno do homem.
Homem que tem medo de admitir o medo, mas que diante do fim irá chorar e reconstruir o mundo.

*                   *                    *

Quando acordou na manhã seguinte Aline não tinha mais casa, celular, pai ou noivo. Ao seu lado, na cabana improvisada estava Pérola, a primeira nativa de uma terra renascida.

Abraços!                                                                                             Página Principal: clique Aqui
Bira.




(...) Não demorou muito tempo para o primeiro e grande susto: Todos os automóveis estacionados na Rua Miguel Maura desapareceram, do nada, em plena luz do dia. O pânico apossou-se das pessoas naquele local (...)
Colagem de imagens sobre um recorte da vista parcial de Timóteo, do alto do Pico de Ana Moura - Bira, 2013.

Atiradores de Pérola - Parte I

Amigos!

Parte I - A Destruição de Timóteo, do Vale do Aço e Talvez do Mundo.


Aline tinha certeza que pôs o celular para carregar ao lado da cama, antes de dormir. Agora, que a luz da manhã invadia as frestas da janela de seu quarto o aparelho simplesmente não estava mais ali. A jovem de 22 anos morava com seu viúvo pai, aposentado aos 64 anos, em uma pequena casa da Avenida Ana Moura, em Timóteo. Ele também acabara de acordar e, no quarto ao lado, coincidentemente procurava por algo: seus óculos. Revirou tudo, não obteve sucesso e se aproximou da porta fechada do quarto de Aline para perguntar:

Filha, por acaso você viu meus óculos?

Não vi não, pai... - respondeu a moça e por acaso o senhor pegou meu celular?...

Embora contrariados riram da situação, cada um de um lado da porta. Então, Aline ficaria sem encher o saco do noivo com suas ligações frequentes e Horácio, seu pai, não conseguiria ler um jornal sanguinário que chegava de Belo Horizonte.

Quando não tinha mais onde procurar o aparelho, Aline arrumou-se e foi para o Centro Comercial comprar um novo. Próximo dali, na Praça 1º de Maio, seu pai encontrou amigos que estranhamente também haviam perdido objetos. A coincidência foi grande: Nicolau, João e Galeno também perderam seus óculos e o solitário Alaor - um solteirão de 58 anos - relatava assustado o sumiço de todas as suas cuecas. Diante da desconfiança dos amigos, Alaor afirmava:

É sério, meus amigos!... Sumiu até a cueca que eu havia vestido!...

E ameaçou abaixar as calças para comprovar a fala. Recebeu um sonoro "Nããããoo!" em coro.

Eu sei que você está nervoso, mas não precisa mostrar esse trem... A gente acredita sem ver! - Disse Horácio com uma ponta de humor, apesar do espanto.

A poucos metros da praça, Aline não conseguiria comprar o celular, pois a loja ainda estava fechada. Estranhou o fato e logo percebeu que curiosos observavam através da vitrine o movimento no interior da TimoCel. Juntou-se a eles para ver dois policiais examinando as prateleiras e mostruários vazios, enquanto um terceiro colhia o depoimento do gerente da loja. Um vigia noturno do Centro Comercial repetia pálido:

Ninguém entrou na loja de madrugada!... Eu teria visto!

De fato, não havia sinais de arrombamento, mas todos os celulares desapareceram da vitrine ou do estoque. A notícia só não se espalhou mais rápido, porque naquela manhã todos os moradores da cidade situada no Vale do Rio Doce procuravam por algo perdido e nem se davam conta de que este sim era o grande fato: Objetos e coisas haviam sumido em Timóteo.

Não demorou muito tempo para o primeiro e grande susto: Todos os automóveis estacionados na Rua Miguel Maura desapareceram, do nada, em plena luz do dia. O pânico apossou-se das pessoas naquele local. Algumas corriam e gritavam sem direção ou sapatos, que também acabaram de sumir. Outros, que ficaram sem camisas ou vestidos apenas com peças íntimas, trancaram-se nas lojas ou salas, de onde já não havia mais mobília. Todos tentavam se proteger de alguma forma, sem saber ou entender o que ocorria.

Um cão assustado latiu atrás das grades de um portão. Seu latido incessante, no entanto, deixou de emitir som. O animal esforçou-se para latir mais alto e foi em vão. Até que o próprio cão sumiu, pouco antes do portão que o aprisionava.

Uma rajada de vento, em instantes, arrastou para o nada todas as árvores dos canteiros centrais da Alameda 31 de Outubro. Com elas sumiram automóveis, motos e bicicletas, estacionados ou em movimento. Gente que ali transitava se desfez sem sequer ter percebido o que ocorria. As lojas, os prédios, o ginásio poliesportivo e a Fundação Arcelor foram apagados. Pelo caminho ficaram apenas escombros do hipermercado. José, que vendia panelas e tachos de alumínio em frente ao mercado encolheu-se de medo, perdeu os sentidos e caiu, para desaparecer junto ao concreto e asfalto que escondiam o chão de terra, agora revelado.

Na Paróquia de São José, no entanto, a missa prosseguia normalmente. Concentrados no ritual, os fiéis não perceberam o que ocorria do lado de fora. Mas a paz não durou muito tempo: quando o padre, no altar, ergueu um cálice de vinho, o crucifixo simplesmente sumiu da parede atrás do pároco. Surpreendido pelos olhares arregalados da plateia e pelo coro de bocas que se abriam em espanto, o sacerdote virou-se para traz e testemunhou momentos terrivelmente mágicos: Não foi apenas o Cristo crucificado que sobre o altar sumia. O belo painel de São José se decompôs e, no instante seguinte, a parede detrás do altar. Desfizeram-se o teto e toda a igreja com seus fiéis. Lojas e prédios do entorno também desapareceram e foi surgindo um imenso descampado em direção aos montes que margeiam a cidade. Incólume no altar, o padre testemunhou em segundos, um deserto de barro ocupando lugar das construções. Ele nem teve tempo de sentir medo e também sumiu - antes mesmo de se benzer.

Na Praça de Jogos, em frente à paróquia, restou apenas um conjunto de mesa e quatro bancos para onde Alaor - o solteirão sem cuecas - foi jogar cartas com velhos amigos, até que tudo sumisse perante seus olhos. Num gesto de desespero, Alaor agarrou-se à mesa de concreto, enquanto teve a impressão de que um imenso furacão sugava sua cidade para um buraco aberto no céu. O homem apavorado fechou os olhos para não ver nada e assim permaneceu, debruçado feito carta sobre a mesa em que jogava. Sobreviveu a tudo, mas não tinha coragem de olhar o que sobrou.

Minutos antes, a oito quilômetros do Centro, dois homens faziam manutenção rotineira nas antenas de telefonia do Pico da Ana Moura. Daquele monte de pedra a 800 metros de altura era possível avistar Timóteo e grande parte do Vale do Aço com seus montes verdejantes. Concentrados no trabalho, eles demoraram um pouco a perceber as mudanças no céu. Primeiramente, todas as nuvens desapareceram. Por trás das longínquas montanhas foi surgindo um tom de céu alaranjado feito a faixa de luz que anuncia o nascer do sol. Assustaram-se ao perceber que os montes também mudavam de cor. Em princípio, a grande distância não lhes permitiu definir o que ocorria. Mas do alto pareciam ver uma onda de plasma que vinha em sua direção, avançando rapidamente feito sombra sobre o vale. Logo, foi possível perceber a onda diluindo as construções de Timóteo e o verde dos seus montes. Paralisados, deram-se conta que em poucos segundos o Pico do Ana Moura também seria atingido. Desesperados começaram a rezar... A reza não pode ser concluída.

Em poucos minutos, onde havia casas, prédios, indústrias, igrejas, ginásios, restou apenas terra e barro seco. Os morros de Timóteo pareciam dunas vermelhas. Hectares de flora abundante foram substituídos por nuvens de poeira que desprendiam do solo. Seria impossível sobreviver ali por muito tempo, a não ser retirando alimentos e água dos poucos escombros que restaram. A esperança, no entanto, foi residir em uma área do tamanho de uma praça, cerca de 500 m2, em Cachoeira do Vale, a quatro quilômetros do Centro Comercial. Ali passava o Rio Piracicaba que secou, mas deu vez a uma pequena lagoa envolta de vegetação. Naturalmente, os sobreviventes da hecatombe subiriam o morro da pedreira para avistar do Rio Piracicaba. Eles se assustariam ao encontrá-lo seco, mas descobririam o oásis que ali restou. E foi assim que ocorreu.

Uma semana depois, a população do oásis era composta por 14 pessoas, oito cavalos e três cachorros. Os animais foram levados por Altair, único sobrevivente do Clube do Cavalo de Timóteo. O homem cavalgou cerca de 15 quilômetros pela cidade destruída, encontrando apenas os três vira-latas que fuçavam alguns escombros. Seguiu até achar o oásis onde ficou e anunciou aos habitantes:

A impressão que eu tive é de que não restou nada no mundo além dessa lagoa. Pelo menos, por dezenas de quilômetros daqui, não deve haver mais nada além dos morros de barro e esse céu laranja e sem nuvens.

A próspera cidade de 81 mil habitantes foi reduzida às seguintes pessoas no entorno da lagoa: O cavaleiro Altair e o enfermeiro Antônio, ambos com 35 anos e que se apresentavam mais lúcidos; Alaor, o solteirão sem cuecas, que no auge do desastre não teve coragem de abrir os olhos e agora não conseguia fechá-los para dormir; Chico, um velho bebum cuja catástrofe, enfim, justificava sua embriaguez, abastecida pelas garrafas que encontrava; nove dos jogadores de futebol que estavam treinando no Acesita Esporte Clube e agora, deprimidos, nem tinham forças para ficarem de pé; por último, Aline - a única mulher do grupo. A filha do viúvo Horácio que antes não vivia sem o celular e agora teria de viver sem o mundo. Foi sobre o mundo, Aline pensou:

Deve estar tudo acabado... A essa altura, Belo Horizonte também já foi destruída - desesperou-se ao lembrar do noivo Roberto não deve ter sobrevivido na capital!...

Seu casamento estava marcado para o mês que vem, no mesmo dia em que ela faria 23 anos. De repente ficou sem noivo, pai, familiares, amigos, igreja, cidade e esperança. Por fim, já nem tinha lágrimas nos olhos que secaram feito o Rio Piracicaba e vagavam perdidos no vale do nada.

Mais dispostos, Altair e Antônio se incumbiram  de encontrar alimentos e roupas no que restou da cidade. Para isso, utilizavam os cavalos e até o faro dos cães. No nono dia pós-tragédia, quando iam sair em busca de alimentos perceberam sete homens se aproximando do oásis, com passadas curtas e ombros caídos pelo cansaço.  Apressaram-se em socorrê-los. Quando Altair se aproximou, de cara, reconheceu César, o professor de MMA e lhe servindo água falou:

César, eu sou Altair lá do Clube do Cavalo, perto da sua academia... Antes de chegar aqui, procurei sobreviventes lá no Centro Sul e não encontrei ninguém, nem mesmo vocês.

O professor e seus alunos não tinham condições de falar até que recobrassem as forças perdidas descansando no oásis, que amanheceu com 21 habitantes.

Na manhã seguinte, Roberto que alertou a todos que o nível da lagoa estaria baixando. Foi César, o recém chegado, que mais se assustou com o fato e perguntou:

E se a lagoa secar? Como vai ser?...

Bem, eu e Altair já conversamos sobre isso e não pretendemos ficar aqui esperando que isso ocorra. Daqui a pouco vamos sair a galope, em direção à Ipatinga e ver o que encontramos... Nossa esperança é retornar aqui para resgatar a todos.

Mas Roberto, ta dando para perceber que não restou nada no mundo. Olha esse céu alaranjado sem urubu ou avião! - Contrapôs-se Alaôr.

Ficar aqui vendo esse lugar secar e os mantimentos acabarem é morrer aos poucos. Vamos tentar alguma coisa. - Completou Altair.

A seguir escolheram os dois melhores cavalos e se despediram dizendo "Voltaremos!". Nem eles próprios acreditavam nisso, mas mesmo assim sumiram mergulhando atrás do próximo morro.

FIM da Parte I - clique AQUI para ler a Parte II

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