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(...) Treinos solitários são ideais para reavaliar a vida, já que o corpo em movimento injeta na alma o otimismo (...)

Composição com recortes de imagens da internet e foto pessoal - Bira, jan/14.

Solidão Amiga


Amigos!

Está difícil treinar no Rio, mesmo que seja agora, às 19 horas!... Quando o calor da tarde amolece os relógios, a luz do sol se aproveita e rompe os limites da noite. Mas não adianta reclamar do que é bom para muitos, e eu decido correr pelo menos uns 10 km. Ajusto o Garmin e projeto na cabeça um percurso. Começo a treinar, mas não dura 10 minutos e o relógio se apaga por falta de recarregamento. Mudo meus planos e passo a correr sem ritmo nem rumo. Sigo de bairro em bairro, para onde o nariz aponta. Sob meus pés passam Irajá, Largo do Bicão, Cordovil, Brás de Pina, Penha, Olaria e Ramos... Enquanto eu corro, o sol se cansa de ficar pendurado e os faróis começam a se acender. Quando o céu escurece, de fato, estrelas desiludidas se escondem atrás das luzes artificiais da cidade. Meus olhos, no entanto, não estão no céu. Eles seguem atentos aos desníveis e buracos do caminho agora turvo.

A força do hábito me faz consultar, várias vezes, o visor de um relógio apagado. Estou só e sem aparatos, mas correndo o dobro do que havia planejado. É mais um treino solitário que faço. É mais uma oportunidade para redimensionar os problemas, com a mente revigorada.

Lembro-me de outros treinos assim: Já experimentei a sensação de "me perder", num deles, ao passar em ruas desconhecidas. Já acelerei a passada e o coração para sair de áreas de risco. Já fui parte dos mais ermos lugares de onde aderi novas visões da cidade e me vi espelhado nos olhos de gentes diversas. Estranhamento e repulsa, identidade e admiração são reações naturais e opostas de variadas pessoas diante de mim. Nada demais, cada um nós pode sentir o mesmo perante si próprio... Treinos solitários são ideais para reavaliar a vida, já que o corpo em movimento injeta na alma o otimismo.

Indico a todos meus amigos corredores os treinos solitários, treinos soltos, desprovido das medições de tempo ou espaço, providos da percepção que nos conduz ao Encontro! ###

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Criei uma etiqueta reunindo várias postagens inspiradas em treinos solitários que fiz. Esta coleção pode dar a ideia do que significa correr sozinho (confira clicando no link):  

http://www.birananet.com/search/label/Solid%C3%A3o%20Amiga

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Abraços!
Bira.


(...) Para Daniele, Fátima e Márcia sobrou a companhia dos cones sinalizadores, dos copinhos descartados pelo chão e das duas ambulâncias que sempre fecham o evento (...)

Daniele, Fátima e Márcia são trilheiras que estreavam no asfalto da Corrida de São Sebastião.
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Trilheiras do Asfalto - Fechando a Corrida


Amigos!

No quilômetro 8 da corrida, Daniele resolveu aumentar o ritmo deixando Fátima e Márcia para trás. Abriu uma vantagem de 100 metros que, àquela altura, seria difícil de reverter... Até que... Pára!... Pára tudo!... Deixe eu explicar isso direito: Eu não estou falando de corredoras disputando o pódio. Eu estou falando são das últimas colocadas da Corrida de São Sebastião - que pintou de vermelho o Aterro neste final de semana. Fátima, Daniele e Márcia (pela ordem da foto) estavam apenas caminhando. Na verdade elas nunca haviam participado de uma corrida, são amigas e trilheiras. Falaram um pouco disso para mim, que apareci apontando uma lente de iPhone e fazendo perguntas intrusas "para postar no blog".
Amigos!



Tá Correndo De Quem?

Estou correndo de mim: um velho precoce
Que joga cartas no banco da praça,
Que aponta para as desgraças estampadas nas notícias de um jornal,
Mas que ignora as manchetes que figuram no seu próprio espelho.

Tá Correndo De Quê?

Estou correndo do meu ócio e do meu marasmo
Que querem se aninhar dentro de mim feito cupins detrás do armário,
Que querem comer meu corpo e beber minha alma,
Mas que mesmo assim se mostram como sedutores-venenos.

Tá Correndo Pra Onde?

Estou correndo rumo à beleza que comumente não se vê,
Que se revela nas ruas dos bairros pobres e ricos,
Que me circunda enquanto eu corro em qualquer lugar,
Mas que é acessível a todos os corredores, basta querer percebê-la.

Tá Correndo Por Quê?

Estou correndo porque preciso e precisando porque corro.
Que se o movimento aquece o corpo, ilumina a mente e faz brilhar os olhos,
Que se quando o mundo ficar de cabeça para baixo, eu poderei pensar com os pés,
Mas que no mesmo caminho onde os pés se perdem, as cabeças se encontram.

Tá Correndo De Quem, De Quê, Pra Onde e Por Quê?

Estou correndo de mim, do que está em mim, para mim e por mim...
Aparentarei egoísta ou louco se você me olhar pela janela do andar de cima,
Mas serei você quando estiver ao meu lado, na corrida de ponta-cabeça, sem cabeça nem pé.
Uma corrida imediatamente compensadora e inexplicável, mas compreensível na simples fé.


Abraços!
Bira.
Amigos!


"Parece que foi ontem" mas é agora!...

Cheguei agora mesmo para largar na Corrida Leblon-Leme de 2008.
Sou um dos 3 mil corredores de camisa laranja - a mesma cor do sol que ilumina esta manhã de janeiro.
Neste momento, sinto dores na tíbia mas não me detenho na Corrida de São Sebastião...
Desembarco sozinho, em São Paulo, para correr, neste meio de noite, na USP
E neste mesmo lapso estou, tanto em junho quanto em agosto, correndo de novo no Aterro...

É agora que quero participar de todas e melhorar meu tempo!...
De corrida, assino as revistas.
De corrida, coleciono coloridos amigos, camisetas e medalhas...
De corrida,  junto todos os tempos no tempo de agora!

Quando a chuva desaba na largada da Volta da Pampulha 2009 - é agora,
Quando eu "quebro" na Maratona de Porto Alegre do mesmo ano - também.
É agora que vejo seis anos de emoção condensados neste blog.
Nesse momento, revejo-e-vejo, revivo-e-vivo mais vivo com os olhos de agora!

Com as pernas de agora, corro e recorro a 2010 e 2011.
Aprendo a enxergar um mundo que muitos dizem não ver, embora o reconheçam aqui e agora...
É impossível esquecer o 2012 de agora, quando arrisco histórias, crônicas e contos.
Se lesionado não corro, faço disso o meu socorro...

2013 desabrocha agora e eu saio buscando flores improváveis em Irajá.
Encontro bem mais, na história de uma sesmaria que gerou todo subúrbio carioca.
Neste 2014 eu já fluo melhor, arrisco manobras e perco o medo de cair da bicicleta.
Dou um salto e aterrizo no agora-agora, quando este blog completa seis anos!


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Muito obrigado por você passar aqui em qualquer tempo!

Abraços!
Bira.
Amigos!

Montagem com recortes de fotos - Bira.

Se Um Dia Eu Parar de Correr...


Se um dia eu parar de correr, não vou querer sofrer por isso.
Fecharei os olhos para respirar profundamente e viajarei no tempo até deparar de novo comigo,
Nos momentos mais belos da minha existência.

Se um dia eu parar de correr, não vou querer morrer por isso.
Abrirei os olhos para além das cores e fluirei na paisagem até deparar com o que vejo hoje,
Nos momentos mais encantados da minha vida.

Se um dia eu parar de correr, não vou querer me isolar por isso.
Perceberei em cada corredor que passar o meu próprio reflexo que se eternizou nas ruas,
Sorrirei vitorioso feito agricultor na colheita.

Se um dia eu parar de correr, não quero ser egoísta sofrendo, morrendo ou isolado.
Quero preservar em na mente uma lição da corrida: a solidão é invisível e pode ser amiga.
Pode se companheira de viagem pelo belo,
Pode fluir ao seu lado por paisagens encantadas,
Pode continuar plantando contigo mudas de esperança pelo mundo.

Se um dia eu parar de correr, encontrarei meus amigos nos asfaltos e trilhas da lembrança,
e se eles também estiverem parados, se encontrarão comigo.
Treinaremos de novo, num longão que rompe barreiras de tempo e espaço,
Fluiremos em ondas que se propagam e se unificam.
Vitoriosos que somos, nos encantaremos de novo
Muito além das paisagens, da vida ou da morte,
Redescobrindo os mais antigos e revolucionários conceitos da solidão:
Ser apenas um de um todo...
Para nunca deixar de correr!

Abraços!
Bira.
Amigos!


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Pop!...

Nilo Resende apareceu no Rio e quis correr comigo. Convidei mais corredores e fomos, ida e volta, num treinão do Recreio a Grumari...

Pop!...

Foi muito rápido, mas juntamos trinta corredores. O sol, amigo, escondeu seu calor atrás das nuvens e nós largamos felizes às 8 da manhã...



Pop!...

Mal findou a calçada de pedras portuguesas, iniciou o asfalto. Grudada às encostas, a Avenida Estado da Guanabara levou os corredores pro céu. Alguns perderam o fôlego, mas não foi pelo esforço: foi pela paisagem...



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Pop!...

A encosta verde era preservada e ousada, pois disputava nossa atenção com o mar. Gaivotas tinham preguiça e apenas angulavam suas asas para plainar no mesmo vento que batia em nossa face. Perguntei ao Nilo se estava gostando, mas não era necessário.



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Pop!...

Passou a Prainha e chegamos à Grumari. Antes de voltar, posamos para um monte de fotos enquanto trocamos um monte de risos e batemos um monte de papos. Na volta, disputamos espaço com um monte de carros.



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Pop!...

O sol se livrou das nuvens, mas já estávamos de volta ao Recreio. Despedi-me do Nilo e dos outros amigos - que agora também são amigos do Nilo... E foi assim, num "pop!", que fizemos o primeiro treinão do ano!

Abraços!
Bira.
Amigos!
Um suposto usuário de drogas rouba vergalhões em obra da Estação BRT - Vicente de Carvalho: O que a foto não revela?... Qualquer resposta não corresponderá à verdade - Reflexões de Corrida.


Eu...

1 hora e 35 min de treino pelos subúrbios do Rio...
Pedaços invisíveis de mim ainda se espalham desde onde eu pisei. 
Minha expansão não termina com o treino. 
Meu coração é apenas o centro tátil e localizável de um ser ilusório...
Sou a mentira enquanto eu.
Sou a verdade enquanto corro para dentro e fora de mim.

Você...

No momento em que eu corro você não existe!... 
Você é pura ilusão diante de mim.
Seja você o taxista que me chamou de "guerreiro" quando passei correndo na Avenida Brasil.
Seja o moleque que me chamou de "viado", em frente à favela de Costa Barros.
Seja o transeunte que não chamou de nada, pois sequer me viu, e seguiu seu caminho.
Você será a verdade quando descobrir que o seu caminho tem o mesmo destino que o meu.


Nós...

Estamos espalhados nas ruas, nos bairro, cidades, país...
Estamos interpretando uns aos outros, deparamos com a mentira manifesta:
Taxista, moleque e corredor não são entidades completas...
Quando flagrei um drogado roubando e postei a foto no Facebook,
Eu expus meu próprio roubo, já que somos pedaços do todo... 
Expus o roubo da verdade que as fotos não revelam.


Eu, Você e Nós...

Minha ilusão é tátil, separatista e me converteu em corredor...
Chego a pensar que todos deveriam correr e viverem felizes.
E você?... Foi convertido em quê? 
Que religião, pensamento, atividade vai melhorar o mundo?
E nós? Quando chegaremos à esquina-destino de todos os caminhos?...
Onde o drogado será o seu próprio fotógrafo diante do espelho! 



Abraços!

Bira.

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(...) Assim que um evento termina, já tenho outro em mente (...) pretendo fazer o percurso entre a Fortaleza de Santa Cruz e o Forte São Luiz, em Niterói. Terei que mandar e-mails para os comandantes dos quarteis para ter autorização... (...)

Atraindo patrocínio, sorteando brindes e fazendo caridade, Flavio Loureiro revolucionou e se revelou o Rei dos Treinões Cariocas em 2013... Ele tem novas metas para o futuro.

O Rei dos Treinões Cariocas

Amigos!

Treinando no Bosque

(antes do treino...)

E a ninfeia do Bosque da Barra aproveitou a escuridão da madrugada para flutuar calmamente no lago... Antes que o sol nascesse, ela encontrou o lugar ideal para se exibir: ao lado da ponte, onde passam as máquinas de fotografar...

A PRINCESA DO BOSQUE

Quando as cores do bosque despertaram, 
Era o sol que nascia. 
Micos e borboletas se penduraram no ar. 
O Rio revelou sua graça inquestionável 
Naquele chão preservado
E a ninfeia do lago bebeu o brilho recente do dia.
Ela expeliu pelas pétalas um deslumbramento rosado. 
Às oito da manhã, a flor se fez Princesa Rosada do Bosque da Barra! (... e eu cliquei!)



...E a princesa do bosque encantou outras princesas - as corredoras que chegavam para mais um treinão organizado por Flávio Loureiro, naquele local.



O Treinão do Bosque da Barra (29-12-2013) e reuniu cerca de 200 corredores - uma marca excepcional, mas que já é comum nos eventos organizados por Flavio.

Corredores posam para mais uma foto oficial neste último treino de 2013.








"Me dê Motivo..."

(antes do reinado...)

Em 2010 Flavio corria "quando dava vontade e sem motivo algum" até ser convidado para uma etapa do Circuito das Estações.

- Corri 5 km em 21:39 min e daí em diante fiquei viciado em corrida... - relembra.

Aproveitou essa expressão para dar nome ao grupo de corredores que criou no Facebook - Viciados em Corrida de Rua, visando apenas tirar suas dúvidas com corredores mais experientes.

- Eu não tinha a intenção de organizar treinões através do grupo... Aos poucos, fui adicionando os amigos que fiz nas provas - relata.

Entre esses amigos estava Adriano Molinaro, corredor cujo falecimento - no início de 2013 - causou grande comoção entre os atletas. E foi durante o velório que Flávio reuniu os amigos para planejar um treinão solidário em memória de Adriano. Comprometeu-se em fazer as camisas com a foto estampada do amigo, mas acabou organizando todo o evento. Foi dessa forma inusitada que surgiu o Rei dos Treinões Cariocas, em 24 de fevereiro de 2013, quando colocou mais de 100 corredores uniformizados pela Avenida Atlântica na homenagem póstuma.

- Foi a partir daí que tive a ideia de fazer os treinões solidários e surgiram os apoios de empresas como o GPA Club Rio (hidratação) e Tênis Sprint (artigos esportivos para sorteio). O sucesso veio de cada membro - o boca-a-boca é a melhor divulgação. Hoje já somamos 5.000 membros no Facebook e eu adiciono mais de 70 novos membros por dia. Espero logo chegar a 10 mil membros, para dar mais visibidade ao grupo e atrair mais apoio para os treinões... - projeta.

Corredores posam antes do treinão na Lagoa Rodrigo de Freitas: foi difícil enquadrar.


O Sonho do Rei

(antes de tudo que vem por aí...)

No ano recém terminado foram quatro treinões: Niterói - Fortaleza de Santa Cruz, para 60 corredores; Lagoa Rodrigo de Freitas, para 180; Quinta da Boa Vista, para 220 e Bosque da Barra, semi-descrito acima. Grande quantidade de alimento e artigos de higiene foram recolhidos e doados para entidades assistenciais. Muitos artigos esportivos e brindes foram sorteados aos participantes.

- Minha meta é fazer um treinão a cada três ou quatro meses. - revela - Hoje não tenho quase trabalho para organizar, só basta arrumar o local, ver se atende as necessidades do treino e entrar em contato com os apoiadores. Começo a organizar tudo com um mês de antecedência. Como já sei com quem contar, combino uma data próxima ao evento e vou buscar as doações...
Alguns corredores chegam bem cedo ao treinão do Bosque da Barra, apenas para prestar apoio ao evento.





Perguntei ao Flávio quando inicia e quando termina o trabalho de produzir um treinão de sucesso e ele respondeu:

- Assim que um evento termina, já tenho outro em mente, por exemplo, em março pretendo fazer o percurso entre a Fortaleza de Santa Cruz e o Forte São Luiz, em Niterói. Terei que mandar e-mails para os comandantes dos quarteis para ter autorização... - e continua - Mas o meu sonho é realizar uma corrida dos Viciados em Corrida de Rua  com direito a medalhas e camisas, como muitos me cobram. A única coisa que não quero é transformar o Grupo em assessoria, pois não quero ficar preso, mas continuar fazendo minhas corridas e treinos...

Quando fechei essa postagem o Grupo já tinha 5.346 membros e não tive dúvida se a Corrida dos Viciados em Corrida está mesmo perto de acontecer... Você tem dúvida?

Abraços!
Bira.
Amigos!

Esta semana minha amiga Márcia Baroni mudou sua imagem no perfil do Facebook. De brincadeira, eu fiz uma alteração na imagem e lhe devolvi o arquivo. Não foi nada demais, mas ficou divertido, tanto que ela colocou no perfil... César, meu filho mais velho, falou que eu estava criando uma nova moda na rede: a de alterar as imagens do perfil de amigos e depois repostar... Achei que ele estava exagerando, mas tive a ideia de fazer esta postagem.

Fucei em vários perfis de amigos do Facebook, são muitos! Em princípio, encontrei poucas fotos propícias a uma rápida edição... Tenho quase certeza que as "vítimas" irão gostar... Eis o resultado:

MEU RIO

Imagem editada do perfil de Márcia Baroni - corredora, Rio de Janeiro (RJ):
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FLOR SABINE 

Imagem editada do perfil da Sabine Heitling - atleta, Santa Cruz do Sul (RS):
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BARBIANI  

Imagem editada do perfil da Fabiani Dutra - corredora, São Paulo (SP):
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COLAPSO 

Imagens editadas de três perfis: a) Ronicesse Felix de Lima - atleta, (São Paulo - SP);  b) olhar de Camila Farias - ciclista e  c) Sergio Cordeiro - corredor (Magé - RJ):
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É com esse "treino leve" que o ano termina em BiraNaNet. Um sorriso sereno, um abraço fraterno e a vontade de voltar melhor ainda em 2014.

Um Feliz Ano Novo a todos os amigos deste blog, representados nas fotos acima!

Abraços!
Bira.
Amigos!

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Para fechar o ano, escolhi as cinco melhores postagens deste blog - que na verdade são seis - porque eu não quis cortar mais nenhuma. Vale à pena conferir ou rever...

Em 80% dos posts eu falei de Corrida e fiz em forma de crônica, tentando interligar os dois mundos - corrida e literatura. É claro que eu não sou a pessoa mais indicada para isso - seja como atleta ou escritor - mas a minha ousadia já traz bons resultados... Foram mais de 50 postagens em 2013, quase uma por semana, então confira a seleção:

MELHORES DE 2013: http://www.birananet.com/search/label/Melhores%20de%202013

Dando uma de Repórter

Em janeiro eu tive a ideia de seguir o último colocado na corrida de São Sebastião, no Aterro. Smartphone na mão, conversei e filmei com os corredores das últimas posições. Registrei a surpreendente chegada de um casal no fechamento da corrida, ao som de sirenes e aplausos, em "Nossos Maravilhosos Últimos Colocados" - o post mais acessado de 2013:
http://www.birananet.com/2013/01/nossos-maravilhosos-ultimos-colocados.html 

Auto-ajuda

Estava lesionado e não tinha jeito, a não ser esperar. Era mais uma das várias vezes que isso ocorreu ao longo deste ano. Já que não poderia treinar, só me restava escrever a postagem "A Falta que a Faz": http://www.birananet.com/2013/04/a-falta-que-corrida-faz.html

Amigos Corredores

Mesmo sem dispor de grandes recursos gráficos, quis brincar um pouquinho com imagens e homenagear meus amigos. Usei apenas os programas Gimp e Paint e publiquei a postagem - "Arte com Amigos!": http://www.birananet.com/2013/06/arte-com-amigos.html

História de Corredor

A primeira vez que Antônio Carlos me convidou para uma corrida em Minas Gerais eu não o conhecia pessoalmente, apenas no Facebook. Naquele momento eu vi não daria, deixei passar e passou... Na segunda vez que recebi o convite, foi em forma de um panfleto virtual onde várias crianças davam largada em uma corrida. Naquele momento eu estava lesionado, mas resolvi viajar e contar tudo no blog. O fato rendeu três postagens e a história de Antônio Carlos de Carvalho é minha predileta - "Correndo no Cemitério": http://www.birananet.com/2013/08/correndo-no-cemiterio-antonio-boca-e.html 

As Flores Estão na Alma

Em setembro eu me impus um desafio: escolhi três temas para fazer três postagens. Fiquei com um certo medo de não conseguir. Um dos temas foi "Onde Estão as Flores?", pois se aproximava a primavera e eu deveria sair pelo bairro onde moro (Irajá) em busca de flores. Na minha cabeça, tudo estava perfeito e eu divulguei o desafio no blog. Na manhã que eu saí de casa para tirar fotos de flores e fazer a postagem, no entanto, a ficha caiu: "Onde é que eu vou encontrar flores nesse bairro?... O que vou escrever sobre isso?..." - pensei. Tremi um pouco, mas fui á luta. Aos poucos a postagem foi saindo com imagens, prosas e versos:  http://www.birananet.com/2013/09/onde-estao-as-flores.html

Uma Grande Betoneira

Aparente não havia nada especial naquele treino. Percorri os mesmos lugares que passei por diversas vezes em mais uma tentativa de retorno. Até os momentos de prazer eram esperados durante a corrida, e eles chegaram. O que eu não esperava era a chegada de uma pergunta em minha mente: "Como a Corrida Dilui os Problemas?", muito menos uma resposta, concomitante:
 http://www.birananet.com/2013/10/como-corrida-dilui-os-problemas.html

Corredor do Brasil e Amigo Leitor;

Muito obrigado por passar por  aqui! Quero que você esbanje Saúde em 2014: Saúde física, mental, emocional, espiritual, financeira e social!... Que a sua Saúde contagie as pessoas à sua volta e isso se espalhe pelo mundo!... Eu também estarei em nossa casa para absorver e refletir essa energia!




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Abraços!
Bira.
Amigos!



Em 2014, darei continuidade à Série "Um Longão em Cada Estado". Visitarei o maior número de cidades possível, onde correrei com novos amigos. Contarei aqui as histórias de corredores e descreverei os aspectos locais.

Devido às lesões, em 2013 visitei apenas Goiânia. Se eu quiser percorrer todos os 26 estados (mais o Distrito Federal) ainda em vida, vou ter de dar uma acelerada nisso.

Se você e seu grupo de corrida, em qualquer cidade do Brasil, desejarem organizar um treinão com BiraNaNet, escreva para: contato@birananet.com.

Clique no link a seguir e veja o que já foi feito - Um Longão em Cada Estado:

http://www.birananet.com/search/label/1%20Long%C3%A3o%20em%20cada%20Estado

Abraços!
Bira.
Amigos!



No ano da limonada além da perda de um amigo, foi preciso superar lesões. Tive que aprender a escrever sobre Corrida mesmo estando distante ou parado, mesmo treinando sozinho no retorno de lesão. Tive que descobrir as belezas de qualquer lugar e tentar traduzi-las aqui, como se fossem lições de vida.

Na falta de assunto, diversifiquei o blog com contos ou crônicas. Viajei em busca de fatos, como a cobertura de uma pequena corrida em uma pequena cidade do interior de Minas - sem ter a real noção do tamanho daquele gesto que rendeu três postagens. Viajei para Goiânia, onde corri com novos amigos e decidi que vou fazer o mesmo em todo Brasil.

2013 me deu alguns limões e eu preparei esse refresco de 50 postagens... Prove! Ele está doce, gelado e foi feito para você!...

Nessa Retrospectiva 2013 eu juntei pedaços de postagens e montei os textos a seguir:

TREINANDO COM OS AMIGOS 


Quando 50 corredores se reuniram para correr os 18 km da Serra do Mendanha. A maioria nem sabia o que teria pela frente: Uma estrada sinuosa de terra batida com inclinação suportável no início, mas que na altura do km 6 se erguia feito muro. Nesse dia, o saudoso Adriano deu o click e ficou de fora da foto de seu treino derradeiro. Nosso amigo partiu dias depois, então eu pude entender a razão daquele fato: Todos na foto sorriram para ele. O seu click registrava uma sorridente despedida... 
A única forma de se despedir sorrindo de quem se ama é não ter consciência do fato.



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Quero enviar para Adriano o meu sorriso de braços abertos e erguidos - 
como se vê na foto.
Embelezar seu novo caminho com as cores da foto
E revelar a história viva que jaz atrás do brilho de cada olhar.
Agora é Adriano que jaz-vivo em nossa história,
É ele que sem palavras ou gestos se apresentará -
Um ser intangível como o amor que nunca jaz.

A simples presença ou mera lembrança de um amigo nos diverte. Brilham os olhos e o coração dá saltos de alegria e prazer. Quando um amigo se ausenta, nosso corpo se aquieta e a mente flui, além do tempo, resgatando os momentos simples, mas incrivelmente belos. O passado revivido com os amigos é belíssimo porque é rico em detalhes. Quando não somos capazes de reconstruir o panorama geral de um lugar em que estivemos com eles, nossa mente nos compensa revelando detalhes que sequer pensávamos ter percebido. O detalhe de um gesto, de uma expressão, uma frase ou olhar. Os detalhes em forma de cheiros, melodias, cores e abraços. Sentimos saudade das suas piadas e de seus argumentos que, antes, estávamos cansados de ouvir, porque agora "ouvimos" os detalhes!

TREINOS SOLITÁRIOS

Trechos de: "Eu Faço Meu Tempo" "Um Longão em Cada Estado" "Como a Corrida Dilui Problemas?"

Manhãs comuns têm gente chegando apressada na estação do metrô, tem apito de guarda no cruzamento, avisando que o sinal mudou de cor, e têm sombras compridas bailando no chão. Volta e meia pode até passar um corredor como eu - eles não são muito frequentes no subúrbio, mas passam... Aumentei meu ritmo depois de cruzar a esquina. Na farmácia, uma moça que cheirava sabonetes interrompeu o gesto quando percebeu meu vulto do lado de fora. Apareci e sumi em frações de segundo, deixando uma imagem difusa a ser preenchida com a imaginação. E a moça imaginou que eu tivesse uns 25 anos, mas não estava de todo errada: Era assim que eu me sentia àquela altura.


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Nas entranhas da cidade onde as cores não cintilam, 
Um corredor suburbano se espalha, feito onda,
para muito além do asfalto onde pisa.
Olhos atentos para se desviar de qualquer obstáculo,
Mente vaga, embebida de otimismo e gratidão 
e uma vontade de eternizar aquele momento!... 


Neste estado de alerta cruzei a esquina e deparei com o Otimismo. Ele não tinha forma nem educação. Adentrou invisível pelas minhas narinas, invadiu o meu peito e, pela milésima vez, converteu minh'alma. Era mais um daqueles momentos em que todos problemas se tornam solúveis... Tentei me portar friamente e analisar o fato, pensando comigo mesmo:

- Como pode a corrida diluir os problemas mais difíceis?...



CONTOS E CRÔNICAS

Trechos de: "Onde Estão as Flores?" "Quatro Mulheres Curtas" "A Fuga"

É preciso ter olhos de lince para encontrar flores nas vias principais de Irajá(...) Desisti das ruas principais e me enfurnei onde os ônibus não passam. Penetrei com olhares indecorosos nas entranhas das casas do subúrbio. Fertilizei a minha memória e retornei ao tempo do chão de terra, do quintal de mangueiras, cajazeiros, jaqueiras, goiabeiras e bananeiras. Espaço fértil onde bailavam peões e bolas-de-gudes, zunindo e triscando, para o espanto da galinha que fugiu do cercado. Mas muito tempo passou e as famílias cresceram. As casas expandiram tomando todos os terrenos. O espaço acabou...
...Hoje as crianças só dispõem de 17 polegadas para brincar, na tela dos computadores... 
O que dizer então de quanto dispõem as flores?...





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Além do azul-encanto, havia mistério nos olhos daquela moça. Anos de choro escorrido pra dentro formaram oceanos em sua alma, onde habitavam sereias silenciosas: Seus olhos eram o portal de acesso ao lar das sereias que ameaçam cantar. Nos demorados banhos matinais, Ângela se assemelhava às sereias... Ah, se todas resolvessem cantar!...

Quando o pé direito de Jorge esmagou o acelerador contra o piso do carro, o motor do veículo urrou de dor. Em cada curva da estrada as rodas velozes gritavam de medo. O vento frio da noite se atirou sobre o automóvel, invadiu as janelas abertas e entupiu os ouvidos de Jorge. Mas ele nada sentia além da urgência de encontrar Margarida.


Imagens do Blog

Trabalhei com imagens, produzi ilustrações com recortes e movimento. Fotografei pequenas instalações, como o "DNA de Corredor" (camisetas de corrida e medalhas) e "Retalhos de Mim" (imagem digital), abaixo:


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Você que compartilhou, comentou ou simplesmente leu esse blog foi o açúcar dessa limonada.

Que 2014 continue nos dando muitas alegrias e a capacidade de superar momentos difíceis! Muito obrigado!

Abraços!
Bira.
Amigos!

Gif animado com recorte de foto pessoal - Bira, 10-12-13.

Correndo no Paraíso de um Momento X


Só sabia que ali tinha ar porque estava respirando: nenhuma gota de vento e rajadas de suor... Quarenta toneladas de sol faziam os poucos que passavam se afugentarem nas sombras. Apenas os ponteiros dos relógios trotavam como eu, eles nos arredores das onze da manhã e eu nas proximidades de Costa Barros. Fazia muito calor nos intestinos da cidade - desculpe falar assim, não me leve a mal - mas eu estava correndo nas fronteiras da cidade, a cerca 40 km de Copacabana, onde os carros e trens passavam rápido e um rio assoreado exalava chorume. Mais um pouco e chegaria à Baixada Fluminense. Antes, precisava encontrar um posto de gasolina com Gatorade e água gelada para beber, me banhar, abastecer, sobreviver e continuar.

Ao meu lado surgiu o muro alto e cinzento da estrada de ferro. Ele não produzia sombra, mas regurgitava sobre mim todo calor que bebeu, além disso, cobria grande parte da paisagem. Só soube que o trem passou, do outro lado,  pelo seu barulho e vibração. Imagino que ele estivesse vazio e fosse passar em Nilópolis. Sorri e falei para ninguém ouvir: "Me espera lá que eu tô chegando!". Logo, surgiu um longo barranco com cerca de 20 metros de altura, na outra margem da estrada, e me fez lembrar as falésias das Praias de Pipa...

Foi há apenas três dias. Naquele mesmo horário e com aquele mesmo sol eu corri em Pipa descalço, vestindo apenas short e protetor solar. Nas areias paradisíacas, fui levado pelo silvo dos ventos. Quilômetros e horas passaram despercebidos enquanto meu olhar curioso empurrava o cansaço para a próxima praia do litoral potiguar. Se o calor aumentasse eu dissipava num mergulho. Eu não queria parar...

Logo voltei para o Rio e não quis correr nos seus belos lugares. Escolhi percorrer um roteiro desvalido em um dia escaldante. Com a memória ainda bem recente, eu quis comparar as sensações de correr em ambientes tão opostos e tirar disso uma lição. Independente das condições desfavoráveis eu sabia que chegaria o Momento X daquele treino e ele surgiu ali mesmo, em Costa Barros, enquanto eu filmava minha corrida. Ficou gravado; com as seguintes palavras tentei descrever o que ocorria:

- Eu estou num momento de extrema felicidade que "você" não consegue explicar...  Vai ter gente dizendo que é a beta-endorfina... eu sei lá!... Eu só sei que é um momento de alegria, de prazer; independente da paisagem... A gente corre se sentindo feliz, se sentindo mais forte, se sentindo mais vivo!... Então não precisa nem explicar, né?... Simplesmente correr, saborear o momento que transforma a gente nesse ser corredor, nessa população que corre e que aumenta cada vez mais, graças a Deus!...

Agora que revejo a filmagem, percebo melhor que essa euforia não correspondia à ausência de beleza do local.  Posso entender que naqueles segundos me despi do ego. Abandonei a ilusão do meu separatismo com relação ao local e deixei de ser crítico. Por instantes, o calor deixou de ser escaldante já que ele irradiava de mim. Desvali-me juntamente com o bairro e amparei-me num espaço sem limites. Fluí além dali e para dentro do todo. Percebi que Costa Barros e as praias de Pipa fazem parte de um mesmo paraíso que está dentro de mim e de tudo, que está na eternidade do Momento X.

Abraços!
Bira.

(...) Aumentei meu ritmo depois de cruzar a esquina. Na farmácia, uma moça que cheirava sabonetes interrompeu o gesto quando percebeu meu vulto do lado de fora. Apareci e sumi em frações de segundo, deixando uma imagem difusa a ser preenchida com a imaginação(...) 



Eu Faço o meu Tempo!


Amigos!

Quando acordei de manhã, eu ainda tinha 54 anos e uma dor de garganta muito chatinha, que prometia se agravar durante o dia. Apliquei spray de própolis nas amídalas e decidi sair para correr. Quando calcei o tênis, a atitude fez minha idade cair de imediato para 48, a mesma do período que eu decidi voltar a correr.

Fora de casa deparei com um céu sem manchas e uma avenida engarrafada onde as pessoas não tinham escolha, a não ser me ver passar. Não dava para correr rente ao meio-fio e eu me equilibrei pela calçada irregular. Atrás dos óculos escuros escondi o orgulho de quem corre. Embriagada de suor, minha camiseta se agarrou ao corpo. Imitando o suor, minha idade também se esvaiu: decresci em minutos para uns 38 anos(!), ganhei mais disposição e segui em frente...

Manhãs comuns têm gente chegando apressada na estação do metrô, tem apito de guarda no cruzamento, avisando que o sinal mudou de cor, e têm sombras compridas bailando no chão. Volta e meia pode até passar um corredor como eu - eles não são muito frequentes no subúrbio, mas passam... Aumentei meu ritmo depois de cruzar a esquina. Na farmácia, uma moça que cheirava sabonetes interrompeu o gesto quando percebeu meu vulto do lado de fora. Apareci e sumi em frações de segundo, deixando uma imagem difusa a ser preenchida com a imaginação. E a moça imaginou que eu tivesse uns 25 anos, mas não estava de todo errada: Era assim que eu me sentia àquela altura.

Se a cada trecho eu ficava mais jovem não era o corpo que mudava. Eu possuía os mesmos parcos cabelos grisalhos e o mesmo rosto cada vez mais demarcado. A mudança era interna, instantânea e inexplicável. A mudança também era única porque dependia do contexto momentâneo: engarrafamento, apito do guarda, moça da farmácia, etc... Peças aleatórias que podem surgir enquanto se corre numa manhã comum. Não, não é contradição mostrar elementos externos para explicar "mudanças internas" ou "inexplicáveis". O fato é que não há limites para quem se movimenta.

Continuei meu trote pelo bairro até que subi uma passarela para cruzar a Avenida Brasil. Já do outro lado, vi alunos concentrados em frente ao portão de uma escola, esperando a sirene tocar. Dois deles se aproximaram para brincar de correr ao meu lado. Aceitei a proposta e, por cerca de 50 metros, brinquei de correr com a dupla que aparentava ter uns 14 anos, cada. Assumi essa mesma idade até a próxima esquina e me despedi dos garotos com tapinhas de mãos. Segui migrando no bairro e no meu próprio tempo até o treino acabar - se é que esses treinos acabam...

Fui trabalhar sem dar conta de que a garganta havia parado de doer. Perceber que eu faço meu tempo era bem mais importante que isso!

Abraços!
Bira.


(...) Tudo parecia perfeito: você e seu Amigo Problema se divertiam feito dois irmãos adolescentes numa tarde de domingo, mas as aparências enganam, não era bem isso (...)


Vento frio e sorrisos no alto da serra, em frente às Torres do Mendanha - foto de Erivaldo Zim.


Problemas não Sobem a Serra


Amigos!

Na sua casa tem uma sala de TV que, entre outras coisas, tem um grande e confortável sofá. Foi nele que o seu Amigo Problema acabou de se sentar. Atrevido, ele se espalhou na maciez, parecendo até o dono do pedaço. Com um clique no controle remoto, acendeu a colorida tela de plasma. Abriu uma cerveja gelada e lhe convidou para sentar ao lado. Sem nada perguntar, Amigo Problema lhe deu um copo suado, espumante e irrecusável da bebida. Escolheu assistir aquele filme que você tanto queria ver, mas que nunca encontrava tempo. Antes de "dar o play", Amigo Problema pediu que viesse uma pizza e ela surgiu coberta de muçarela fumegante, cortada à francesinha.

De fato, o filme era bom e divertido, mesclando comédia e suspense. Seus olhos arregalados refletiam o brilho da tela e só se fechavam na hora do riso. Tudo parecia perfeito: você e seu Amigo Problema se divertiam feito dois irmãos adolescentes numa tarde de domingo, mas as aparências enganam, não era bem isso...

Quem observasse os detalhes da cena ficaria surpreso e chocado: Enquanto você se afrouxava em sorrisos com os olhos na tela, seu Amigo Problema também sorria, mas não era do filme: Ele estava rindo de você!... Envolvido pelas sensações de conforto e prazer, você nem percebia. A maciez do sofá, o cheiro da pizza, o sabor da cerveja, o colorido da tela e os som das caixas acústicas de sua sala de TV... Não bastasse tudo isso, ainda tinha um Amigo, comendo junto, bebendo e sorrindo!... Nem você, nem ninguém poderia imaginar que Problema se comprazia do seu sofrimento que retornaria depois do filme acabar.

Desculpe-me por desiludi-lo, mas seu Amigo Problema é um falso amigo que adora sofá. Ele está sempre ali e, nos dias de hoje, é praticamente impossível evitá-lo.

Falando assim, lembrei daquela velha piada do marido que foi traído no sofá: Para resolver o problema, não se separou da esposa, simplesmente vendeu o móvel... O exemplo veio a calhar, portanto não faça igual. Melhor usar estratégia e fazer aquilo que o Amigo Problema detesta, e ele desaparecerá.

Esta historinha de "sofá e Amigo Problema" surgiu na mente enquanto eu subia correndo a Serra do Mendanha. Éramos dezesseis corredores, na manhã deste sábado, trilhando uma estrada deserta de terra batida. Nove quilômetros de um caminho que serpenteia na mata, subindo em direção às imensas antenas plantadas a 900 metros do nível do mar: Ali não havia problemas, apenas amigos!

Fotos colhidas no treino Subida às Torres do Mendanha.


O Amigo Problema, no entanto, adora sofá. Está obeso e não consegue sequer fazer uma caminhada, que dirá subir a serra!... Perceba: Seu Amigo Problema tem dor nas costas e dificuldade para amarrar os sapatos. Sedento e sedentário, não gosta de berber sozinho. Tal qual um vampiro, esse falso amigo se alimenta da emoção alheia. Seca as almas de suas vítimas como parasitos secam as árvores, para depois apodrecerem abraçados e inebriados na ilusão de uma Matrix. Uma dica importante: Não tente se livrar do seu Amigo Problema, isto não é possível. Mas calma, não se desespere! Simplesmente caminhe, se não der para correr, caminhe!... Problema vai detestar e largar do seu pé: Sendo assim, é o seu Amigo Problema que vai fugir de você!

Na subida da serra cada um de nós, corredores, tinha seu próprio Amigo Problema (como não ter?) no entanto não parávamos de sorrir: Problemas não sobem a serra e ficaram prostrados bem longe de nós!

Abraços!
Bira.