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(...) O rosto de quem voa parece absorver a luminosidade do céu. Parece que uma parte de nós ficou lá em cima ou sempre esteve ali, nos esperando, para nos completar (...)


Guilherme Heusi explora o céu da Barra da Tijuca e faz careta para  a foto.
Onde está quem falou que a ponte balança e que o vento sopra forte no vão central? Cadê a menina que tinha medo de altura?...


Correndo na Ponte

Amigos!

Onde está quem falou que a ponte balança e que o vento sopra forte no vão central? Cadê a menina que tinha medo de altura?... Antes da prova esperava-se por tudo, mas ninguém iria supor a ausência de vento enquanto corríamos entre as quenturas do asfalto e do sol...


ATRAVESSANDO A BAÍA
A barca das 6 partiu dez minutos depois lotada de corredores. Da Praça XV a Niterói são vinte minutos mas parece muito mais. Se não fosse a benevolência dos corredores, alguns pagodeiros desafinados ganhariam uma bela vaia. Era preferível prestar atenção no barulho das ondas espatifando-se no casco da embarcação ou no corredor ao lado que elevava a voz para ser entendido em meio ao burburinho. Entre flashes e poses prevalecia um clima alegre. Além do balanço desatinado do pagode e do mar surgia uma ponte gigantesca, vasta e estática - um monumento fixo que se contrapõe à nossa insegurança, fruto das dúvidas: "vou correr bem?... vou perder rendimento na subida do vão central?..."

Desembarcamos em Niterói e seguimos pelo complexo arquitetônico Caminho Niemeyer, local da largada que aconteceu às 8 em ponto, para 6 mil corredores.


CORRIDA
Minha impressão foi que a corrida começou, de fato, no km2 - a passagem do pedágio. Até aquele ponto, havíamos contornado ruas do Centro tomando cuidado para não tropeçar nos demais corredores amontoados. Na ponte havia mais espaço para acelerar e eu percebi, frustrado, que não tinha fôlego suficiente para isso - culpa do resfriado. Foram reservadas duas pistas para os corredores o que foi suficiente.

Gaivotas deslizavam facilmente no céu causando inveja àqueles que faziam tanto esforço para superar a longa subida. Do lado direito, dezenas de navios encrustrados na rarefeita nebrina permaneciam ancorados nos limites da baía. Do lado esquerdo, as longíquas praias do Flamengo, Botafogo e Urca delimitavam o vasto espelho d'água e eram delimitadas pela extensa barreira de prédios. Atrás deles, as montanhas do Rio, imponentes mas obscurecidas pela nebulosidade. Àquela altura o calor já era forte mas o céu não era límpido. O sol era um emplasto de unguento grudado nos ombros.

No km8 acabou a subida e a força da gravidade impulsionou minhas passadas. Até pensei que pudesse me recuperar mas durou pouco: a respiração deficiente não conduzia o oxigênio necessário às minha células - quebrei. Deu vontade de caminhar mas eu resisti e continuei no trote. Sofria cada vez que alguém me ultrapassava - e só estava no meio da corrida! Só faltou o Juca (minha tartaruga) passar por mim. Então cheguei na Perimetral, sorvi gel de carboidrato e bebida espotiva. Reagi no km16, na altura da Cidade do Samba, mas seria burrice foçar muito àquela altura. Completei os 21,4km em decepcionantes 1h51'. Só para ter uma idéia da minha frustração, meu pior tempo em treinos de 21km é 10 minutos melhor que isso.

RECEITA PARA CURAR RESFRIADO
A 32 dias da Maratona de Porto Alegre eu preciso me recuperar. Superar o resfriado e o trauma pelo tempo tão fraco. Quem tiver uma receita milagrosa de expectorante me manda. Tenho três semanas para treinar, uma para manutenção e a última para descanso, até lá - aceito sugestões.











Abraços!
Bira.
(...) Continuar correndo e desviando das poças, mas levar um banho da água que os pneus dos carros atiram, inclementes, sobre pedestres incautos (...)

De cima da árvore, à espreita, a bela garça aguarda o momento que o peixeiro atira os restos de pescado no poluído rio que mais parece um valão, em Irajá...

Borboletas e Flores

Amigos!

Sayão é meu amigo. Ele tem mais de setenta anos e um jeito malandro na fala. Gosta de samba e de gente – é sabido que ele já ajudou muitas pessoas. Mas o que mais me impressiona no Sayão é o fato de ele conhecer meio-mundo. Seja no Centro, Tijuca, Zona Oeste ou Zona Sul; nos meandros dos bairros; nas sombras das amendoeiras, tem sempre alguém cumprimentando o Sayão... Só vendo para acreditar!

Embora o admire, não tenho a pretensão de ser tão popular quanto Sayão, mas graças à corrida, nesses últimos anos, o número de acenos que recebo cresceu enormemente. Enquanto treino pelo meu bairro e adentro nas ruas e ladeiras das adjacências, vejo gente e gente me vê. Vejo uma cidade que normalmente não veria, quando experimento trajetos alternativos e melhor utilizo todo espaço que o Rio me oferece. É incrível correr pelos subúrbios deparando com o lixo e a desordem de bairros que são apenas corredores de passagem, mas ao dobrar uma esquina, surpreender-se ao descobrir uma rua ou praça limpa e bem cuidada pelos próprios moradores que criam borboletas e flores em singelos canteiros – é quando a verde esperança não cintila apenas na grama bem aparada. E pensar que eu não conheceria tais recantos não fossem os diversos treinos que realizo.

... "Minhas filhas (as garças) já são mais de trinta" - diz o "pai" orgulhoso, ao mesmo tempo que limpa uma corvina: a curiosa cena foi registrada durante um de meus treinos pelo bairro.

Outras variações que surpreendem ocorrem em dias de tempo instável. Em um longão de duas horas, pode-se experimentar um vento frio aspergindo orvalho, em Irajá, às oito e trinta da manhã e, três quartos de hora depois, passando por Benfica, sentir o sol romper as nuvens e deitar seu calor de outono carioca, feito compressa, em nossos ombros suados – momento de tirar a camisa e prendê-la no short. Meia hora depois, já tendo feito a curva em Triagem e rumando de volta a Irajá, encarar uma tempestade diante do Shopping Nova América. Continuar correndo e desviando das poças, mas levar um banho da água que os pneus dos carros atiram, inclementes, sobre pedestres incautos. Se um atleta de rua deve ter bom humor para encarar qualquer tempo, correr é uma lição de vida. Superar a passagem da chuva e do sol. Deixar para trás não só poças d´águas e lixo, mas flores e borboletas, não faz do corredor um ser solitário, fá-lo livre e integrado no todo. Este ser passageiro leva consigo o próprio mundo onde os problemas não foram suficientes para fazê-lo parar. Leva um sorriso, um aceno, um incentivo para quem parou e deseja retornar ao movimento. É nessa hora que alguns corredores de personalidade introspectiva se revelam grandes comunicadores, feito meu amigo Sayão. Descobrem que sem o uso da palavra é possível comunicar-se, com os mundos externo e interno, através da linguagem do movimento.


Abraços!
Bira
O vento frontal não trazia frescor. Volta e meia surgia em lufadas de arranca-boné tornando a corrida mais difícil nos acostamentos da Rio-Petrópolis. Eram oito e meia da manhã mas o sol simulava o meio-dia. Veículos pequenos e grande faziam "vrum" quando passavam em alta-velocidade. Éramos cinco corredores que na manhã de sábado - dia de longão - escolheram cruzar o Vale da Morte: Carlos, Sandro, Murilo, Ozéias e eu.


QUEBRANDO UM DIA ANTES
Foi justamente na semana que eu estava mais cansado que a turma escolheu a Rodovia Washington Luís para treinar, atravessando o temível Vale da Morte - trecho de reta que parece não ter fim, sem neunhuma casa ou posto de gasolina à vista. Onde os automóveis pisam fundo, como se estivessem num túnel. Onde os urubus voam serenos, como um sinal de mau-agouro, sobre qualquer criatura que respire do lado de fora de um carro...

 O primeiro posto de gasolina após o "Vale" é parada obrigatória para hidratação. Neste caso, foi o fim do treino.

Eu que já havia me ausentado nos três últimos longões não poderia faltar a este, apesar de no dia anterior ter "quebrado" treinando na grama. Não deu outra: fiquei bem para trás durante o trajeto e me vi aliviado quando a todos resolveram parar o treino na altura do Bairro Pilar, logo após a Refinaria de Duque de Caxias, com cerca de 15km de trajeto. Se seguíssemos para Xerém, percorreríamos 30km. Mesmo assim posso dizer que venci o Vale da Morte!

Abraços!

Bira
Amigos!

Começo esta postagem como quem sai para correr em uma manhã preguiçosa, nubrada e sem brilho. Indo apenas cumprir mais um dia no rosário de treinos que antecedem uma maratona e com a esperança de descobrir fôlego e ânimo durante o percurso - o que geralmente acaba acontecendo. Neste domingo de Carnaval o sol se escondeu e eu nem fui no Cordão do Bola Preta, ontem, naquela sopa de gente molhada de chuva pelas ruas do Centro.


Com relação aos meus treinos para a maratona de 22 de maio, estou animado. Já estou correndo entre 70 e 80 kms em 5 ou 6 dias na semana. Voltei a fazer musculação à noite.


Terminada a Corrida da Paz, a galera posa ao lado do Monumento dos Pracinhas

Confesso que perdi muito do interesse nas provas de 10k... Mês passado, fiz com os amigos a Corrida da Paz que foi patrocinada pelo Exécito, com inscrição gratuíta, no Aterro. A largada foi à 9h sob um sol abrasador. Quando cheguei ao km 8 desisti de continuar me esguelando e completei os 10k no trote, para não me machucar prejudicando os treinamentos que vão bem. O evento valeu muito mais pelo reencontro dos amigos na primeira prova do ano.



MUNDO MÁGICO
Sexta-feira de Carnaval o expediente no trabalho terminou às 14h e eu resolvi dar uma passadinha no Centro Cultural Banco do Brasil, na exposição de M. C. Escher e depois ir à academia. Eu não sabia que me perderia entre as obras do artista holandês (1898-1972) e que o tempo passaria sem que eu percebesse. Saí de lá às 20h com vontade de ficar mais um pouquinho - lá se foi academia! A exposição O Mundo Mágico de Escher termina dia 26/03/2011 e não pode ser perdida.



Visite o Site Oficial de Escher:  http://www.mcescher.com/indexuk.htm
Visite meu blog: www.bira-log.blogspot.com

Abraços!

Bira
Amigos!

De olho na Maratona de Porto Alegre voltei atreinar na grama, como fiz ano passado. O local é o mesmo: o maior canteiro do Trevo das Margaridas, com aproximados 650m de circunferência, ao lado do Shopping Via Brasil - quase pronto para inaugurar - e início da Rodovia Presidente Dutra, em Irajá.

Assim começa a temporada de treinos regulares - seriedade na brincadeira - onde o piso fofo é fundamental para  proteger joelhos e calcanhares.


Mas a grama não é apenas um piso macio. Ela interage com nosso corpo e nossa mente. O atrito do tênis no gramado, o cuidado que se tem para não pisar em buracos ou galhos, os estálidos das folhas secas, o grilo que salta desesperado ao ver um "gigante" se aproximando, o formigueiro ameaçador, o casal de quero-queros e seus piados de alerta, o urubu devorando um despacho e o sol, que dá cor a tudo isso, bronzeando minha pele e cozinhando meus miolos...


A grama absorve a luz do sol para transformá-la em verde-vida. Onde há muitas que árvores impeçam a projeção do sol, não há grama.

Essa energia que o gramado absorve, parece subir pelas pernas de quem corre ali. Então, o tempo passa como aquela minúscula borboleta amarela voando em zigue-zague, rente às folhas de grama, cruzando de repente á minha frente. Para não pisá-la, tropecei em seu rastro e nem me lembro se caí, já que cair, neste cenário, é apenas um detalhe.

Abraços!
Bira.
Amigos!

Acabo de chegar do primeiro treino, no primeiro dia de 2011. Em meio ao mormaço de meio-dia (só acordei às 11h) corri pelas ruas vazias do subúrbio. Na Av. Brás de Pina, Vila da Penha, o asfalto novo estava negro, liso, macio e por uns momentos sem carros. Eu me senti o dono da rua e fiz até aviãozinho no meio da pista, já que uma das coisas que o corredor não deve esquecer é de brincar de correr. Foi uma hora e quinze minutos de treino despretencioso, até eu chegar em casa.

 O público começa a se deslocar para subir ao palco e ver de perto os painés de Portinari

Na quinta-feira passada, à tarde, estive no Theatro Municipal para ver os painéis de Portinari, Guerra e Paz. Assisti ao breve documentário exibido antes das cortinas se abrirem, para revelar, no palco, as gigantestas telas que o Governo Brasileiro doou à ONU, a pouco mais de 50 anos, ou seja, a um pouco mais da minha idade (51). Fiquei emocionado quando os refletores se acenderam revelando os quadros. Demorou alguns instantes para que a platéia retomasse o controle das mãos e aplaudisse, naquele momento mágico. Refleti sobre o atual grande momento que a minha cidade atravessa. O Rio que não é só dos cariocas, mas do Brasil e do mundo. Essa cidade que foi sendo esvaziada, cultural e economicamente, coincidentemente desde que os painés de Portinari partiram para Nova York e o título de Capital Federal, para Brasília.

Vistos do palco, os painéis não cabem no foco da máquina.

Carioca, eu vivi meio século vendo o Rio pagar o preço pela ousadia de sempre se opor ao Regime Militar, elegendo políticos do antigo MDB - a aposição consentida. Depois da anistia, tivemos o atrevimento de eleger Leonel Brizola recém chegado do exílio. Aprofundaram-se crise e esvaziamento. A Direita precisava enfraquecer o Rio, foco do pensamento e da resistência. Perdemos empresas para o interior paulista e o centro da cultura foi cooptado pelo dinheiro de São Paulo. Sobrou-nos os arrastões nas praias e nas linhas vermelhas...

Pastilha por pastilha, os restauradores ainda removem áreas do piso...

Quando o Rio venceu, a pouco, a disputa para sediar as Olimpíadas, nós cariocas vibramos como nunca. Aos poucos, a expectativa vai se confirmando e a cidade ressurgindo. Parece mentira que estamos saindo da estagnação e eu, que corro nas ruas do Rio - fazendo disso minha reforma particular - sinto muito mais identidade com esta cidade que se estende para muito além do calçadão.

...do magnífico restaurante do Theatro Municipal.

Este ano volto a malhar para reforçar a musculatura e atingir melhores marcas. Se tiver bem e conseguir treinar devidamente, talvez faça uma maratona de aventura em agosto, lá em Santa Catarina. Também penso fazer uns mosaicos em paredes da minha casa - painéis com pedaços de azulejos. Se o Rio está ficando ainda mais belo, por que não a minha casa?...

Desejos a todos um Feliz 2011!

Abraços!

Bira
Amigos;

Virose, lombalgia, dor de cabeça, limpeza da caixa-d`água e reformas na casa me afastaram dos treinos neste fim-de-ano. Não tive condições de correr a Panamericana (10k, no Aterro), mas no início de dezembro fiz a Volta da Pampulha, mesmo estando 20 dias sem correr. A gente até esquece que está longe de casa, quando se depara com tantos amigos do Rio correndo em volta da lagoa, cartão postal de BH. Mas a carreira não findou ao cruzar a linha de chegada: ainda com roupa de corrida, me enfiei num taxi, rumo ao aeroporto, para não perder o vôo de volta. O taxi ficou mais caro que o avião, mas o "banho" saiu de graça: Antes de trocar de roupa no banheiro do aeroporto, esfreguei sabonete da cintura para cima e enxaguei o corpo no lavatório. Deu para entrar no avião penteado, cheiroso e limpinho... Ainda bem.
  


 

Domingo passado participei da Corrida Light - Rio Antigo, no Centro da Cidade. Achei que não teria gás para fazer os 10k em menos de 45', mas fiz em 42' 05" - o quarto na faixa etária. Faltou pouco para subir no pódio.
 
 Voo de trike a Barra: o vento forte exigia destreza do piloto.

Se naquela manhã de domingo eu não subi ao pódio, não foi porque eu não havia treinado. Havia muito mais altitude reservada para mim, no céu da Barra, nas asas do trike do meu amigo Guilherme. No Club de Aeronáutica, próximo ao Bosque da Barra, decolei no ultra leve para observar o mundo com os olhos das águias. As cores, o vento, o frescor... Tirei fotos aéreas para uma matéria na Revista Ast-Rio e nem vou descrever o passeio aqui, sem fazê-lo primeiro na revista. Só posso dizer que se todo o ano de 2010 começasse no momento em que subi no trike e terminasse, minutos depois, quando pousamos, já teria sido um dos melhores anos de minha vida!...
  
Os amigos Guilherme e Roberto, antes da primeira decolagem. 

O sorriso fica tatuado na alma de quem voa.

Cores do Rio...


 Depois do vôo, como se não bastasse, ainda ouvir palavras de carinho do Guilherme.

 Em 2010 eu estive nas nuvens, tanto na terra quanto no céu. Ainda restaram paredes, aqui em casa, para pintar e muito sonhos pro ano que vem. Desejo a todos um Feliz Natal!

Abraços!

Bira
(...) Eu precisava pensar em como ía erguer a minha vida (...) Então comecei a caminhar 1h e 30min por dia, mesmo que chovesse canivete!(...)


Caminhão em que Ozéias trabalhava antes de começar a correr - foto de arquivo pessoal.


Diga-me com quem Corres: Ozéias

Amigos!

O que você faria?... 
Se você fosse um caminhoneiro que vendeu seu único caminhão para pagar dívidas?

O que você faria?... 
Se depois de quatro anos de trabalho duro, na estrada, só lhe restasse R$ 5.000,00 e mais nada? 
O que você faria eu não sei... Só sei que em 2004, Ozéias – o herói desta história – simplesmente, foi caminhar...

Saindo do Fundo do Poço

Pesando 126kg para 1,77m de altura, aos 31 anos, Ozéias Carlos B. Lira já era um obeso grau III ou obeso mórbido. No "fundo do poço financeiro", segundo suas próprias palavras, decidiu recuperar não apenas patrimônio, mas silhueta do tempo de militar e a auto-estima abalada, toda vez que lhe chamavam de Geléia, Leitão ou Baleia.

- Eu precisava pensar em como ía erguer a minha vida (...) Então comecei a caminhar 1h e 30min por dia, mesmo que chovesse canivete!... - relembra.

Ozéias no tempo de militar da Brigada PQD...
... Depois chegou a pesar 126 km - "vida de caminhoneiro", diz.

Saía para caminhar motivado pelas palavras de sua mãe e seu irmão, mas na rua ouvia piadinhas, como: "Pra você emagrecer vai ter de dar a volta ao mundo!" ou " ...Só tomando chumbinho que 'seca rápido'!"

Com determinação e a disciplina aprendida no quartel, começou a perder 1kg a cada duas semanas. Motivado, aumentou a intensidade das passadas e perdeu 22kg. naquele mesmo ano (2004). A partir de então, os gozadores saíram de cena para dar vez aos curiosos, que perguntavam: "Qual remédio você está tomando?" ou "Qual é o seu médico?"

Quando chegou aos 100kg, em 2005, o ex-Faustão começou a trotar, de segunda à sábado, na pista de pedrestres da movimentada Rua Oliveira Belo, Vila da Penha. Foi quando participou de sua primeira prova: a Corrida de São Sebastião - 10km, no Aterro do Flamengo. Logo, um amigo lhe convidou para ingressar na equipe de corredores Acoruja, mas de princípio ele rechaçou achando que "lá só tinha pessoas magras e que corriam muito".


O Caminhoneiro


Em 1999, o sucesso obtido como motorista de kombi levou Ozéias a comprar seu caminhão baú 1113 Mercedes Bens, trabalhando em sociedade com o irmão até 2003. Foi necessário dormir na boléia, virar noites, se alimentar mal e ganhar muito peso. Entre muitas histórias deste período, ele conta que certa vez foi coletar uma carga em uma empresa localizada em um dos acessos ao Complexo do Alemão. Foi parado na barreira do tráfico e teve de responder a várias perguntas, abrir o baú para uma revista e seguir com o baú aberto até o portão da empresa. Para piorar, não pode entrar de imediato no depósito e, durante uma hora, os traficantes se alojaram no baú do caminhão, portando fuzis e anunciando droga. Hoje, nosso corredor trabalha em uma empresa na Penha e, de segunda a sexta, é possível correr à noite.


Cinco Maratonas




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Quando se increveu para a primeira maratona (42k), logo em 2005, o fez escondido da família. Durante a prova perguntava a si mesmo: "O que é que eu tô fazendo aqui nessa porra!" - mas completou a corrida. Depois da prova não conseguia subir um degrau sequer, seus pés perderam seis unhas e levou uma semana para se recuperar. A emoção da chegada, no entanto, falou mais alto do que qualquer sofrimento e o fez retornar nas maratonas de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, destas vezes, já habituado e sem o mesmo sofrimento.

Agregador, Ozéias manda e-mails ou telefona, convidando toda turma sempre que tem longão. Daqueles 126kg, que carregava, só sobraram 72 (!) e até hoje tem pessoas que lhe param na Rua Oliveira Belo para perguntar se ele é aquele gordinho que dava duas voltas na pista (3.400m) e depois caía morto.
 
Para compor esta postagem eu fiz várias perguntas ao Ozéias, só esqueci de perguntar ao meu ídolo se "valeu a pena ter ido à falência, para depois romper a própria casca e se libertar da própria prisão?"... Pensando bem, é uma pergunta totalmente dispensável: todo mundo já sabe a resposta.

Abraço!
Bira.
Amigos!



Apenas algumas fotos e poucas palavras...


 Pra começar, nosso garoto Antônio... Experiência e Vitalidade!




 No começo da corrida tudo é festa... Sorrisos! Depois é que o bicho pega!


Dizem que o Ozéias já foi gordo, mas eu nunca acreditei!

 Esse aí nem tocava no solo... Se tocou eu nem percebi!






Adriano cheio de estilo. Parece até capa da Runner's!

Nosso "cinegrafista" em destaque!... Voou na pista e depois pegou a bike para filmar os amigos!


A equipe Body Shape Academia (ordem das fotos): Antônio, Bira, Ozéias, Sandro, Adriano e Alessandro!

Mais Abraços!

Bira
(confira os vídeos na postagem anterior!)
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Amigos!



Nossa equipe (Academia Body Shape) fez bonito na Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, domingo, 07-11-2010, no Aterro: Em pé: Adriano, Sandro, eu, Ozéias e Antônio. Agachado, o Alessandro que além de correr seu trecho, pegou a bicicleta para registrar as imagens abaixo. Ficamos em sexto com 2h46min e uns quebrados... Valeu!

Bira - Km 1




















Bira - KM 4 e 5






















Adriano - Km



Sandro - Km



Ozéias - Km



Antônio - Km



Abraços!

Bira
Amigos!


Finalmente eu e Edna passamos alguns dias (mais precisamente 5) fora do Rio e da rotina. Individualmente eu não posso dizer que estivesse carente de fazer um passeio, faz pouco tempo que estive correndo em Belo Horizonte, Porto Alegre, Buenos Aires e etc, mas sempre fui sozinho. Além do mais, mesmo que estivesse com a Edna nestas corridas, não seria a mesma coisa para o casal. Uma coisa é um casal viajar em função de um evento, outra é viajar por eles mesmos. E assim nós fomos para Recife e Porto de Galinhas.


Chegamos na tarde de sexta-feira, 22/10/10, na capital pernambucana. O cansaço de dois vôos atrasados atirou nossos corpos de chumbo na cama do excelente hotel. Foi preciso coragem para se livrar da maciez da espuma, tomar um banho e trocar de roupa. Mas se a noite não espera para chegar, tínhamos que aproveitar as últimas horas de luz natural para visitar Olinda.


O céu cinzento logo ficaria negro e sem brilho de estrelas. Não daria tempo de ver muita coisa, além das fachadas de igrejas fechadas, violeiros, toalhas de rendas e alguns ateliês, numa espécie de degustação - fast-tuor, fast-food - tapioca de coco com coca-cola e corra que lá vem a chuva!... Os planos de petiscar à noite no Recife Antigo foram por água abaixo. Terminamos comendo pizza no grandioso Shopping Recife, a oito quadras do hotel.

Na manhã seguinte a chuva só piorou. Corri uma hora e meia no calçadão da Praia de Boa Viagem, desviando de poças e atento à água que os pneus atiram na calçada. Minha mulher nem se animou para dar uma olhada na praia, debaixo de chuva. Por R$100,00, um taxi nos levou à pousada em Porto de Galinhas. Como não parou de chover, passeamos na cidade olhando lojas e voltamos cedo para a pousada, torcendo pela vitória do sol em sua batalha contra as nuvens.
 
Quando acordei na manhã de domingo, ainda nem haviam servido café no restaurante da pousada. Comi algum biscoito e saí pra correr pela estrada. Percebi melhor que a cidade - Ipojuca - está se preparando como nunca para este verão. A estrada que conduz a Porto de Galinhas está ganhando iluminação sem fios aparentes, asfalto liso e belas calçadas com ciclovia e pista para caminhada. Fiquei feliz em ver que o nordeste está progredindo. Este povo lindo, acolhedor e humano merece ter sustento em sua própria terra. Durante a viagem de taxi, já tinha observado as obras da refinaria Abreu e Lima e obras de abastecimento. Tubulações que conduzirão água da Bacia do São Francisco às cidades nordestinas. Enquanto corria, lembrava do relato orgulhoso e vibrante do taxista ao descrever o progresso de seu Pernambuco. Mesmo sendo de manhã, durou pouco para que eu retirasse a camiseta no calor do nordeste. Corri uns oito quilômetros de asfalto até desembocar na Praia de Macaraípe, reduto dos surfistas. Ali perto as obras já estavam quase concluídas e eu já me sentia feliz imaginando tudo pronto, quando avistei ao lado da pista vária demarcações no terreno. Barracos eram erguidos, maculando o paisagismo antes mesmo de sua conclusão. Automaticamente fiquei indignado, ainda correndo, me perguntando: "De que vale investir tanto nesta bela obra, se já está surgindo uma favela ao longo do caminho?" Enquanto isso, um "invasor" remexia em um canteiro, plantando ou colhendo verduras. Uma mulher abriu a porta de seu barraco e me viu passando na estrada. Sem perceber meu olhar crítico, oculto pelas lentes espelhadas dos óculos de sol, ela abriu um belo sorriso de falou com uma voz que vinha do coração: "Bom-dia!..." Quase tropecei em suas palavras, mas respondi prontamente: "Bom-dia!..." Se minhas pernas não pararam, minha mente deu um nó. Eu ali, na condição de turista, julgando saber o que é melhor para a cidade. Deparando com barracos e esquecendo que dentro deles tem gente que também merece um teto. Foi preciso ouvir aquele "bom-dia" para pensar nisso. Senti-me um pouco culpado.


Afinal de contas, a quem pertence a terra? Ao turista que não quer ver barraco fincado à beira da estrada? Ao comerciante que quer ver mais turista? Ao desprovido que levanta seu teto onde é possível?...



Não deu para responder tanta pergunta do mesmo jeito que pude responder ao inesperado "bom-dia". Distraí a mente retornando à pousada, desta vez, correndo pelas praias. A chuva se foi e prevaleceu o mormaço na manhã e tarde de domingo. A praia ficou cheia

 .

Na segunda o céu sorria exibindo um sol branco-colgate. O vento soprava forte nas velas das jangadas. As piscinas naturais, mais uma vez, estavam repletas de peixes coloridos. Bares sobre rodas se deslocavam nas areias vendendo coqueteis e tocando música. A doce pina-colada custava R$10,00 e era preparada com vodca e frutas dentro de um abacaxi sem poupa. O peixe frito com macaxeira e salada, servido na praia, estava uma delícia. Só saímos dali no fim da tarde.

 
Na terça fizemos o passeio de ponta-a-ponta, conduzido pelo buggy que estaciona em quatro praias entre Maracaípe e Muro Alto. Nesta última eu não resisti à tentação de correr sobre uma areia batida e de cor branco-pérola, até bem próximo do Porto de Suape - ida e vota, uns 5 km em ritmo forte - uma beleza! Em Maracaípe a extensão de areia parecia não ter fim, até que se chegasse ao mar... Só que já era hora de voltar. Às nove da noite, já estávamos em casa - o melhor lugar do mundo!




DESCANSO DAS PLANILHAS
Passada a Maratona de Buenos Aires, resolvi esquecer as planilhas de treinamento. Não deixei de treinar, mas é preciso dar um descanso para voltar forte em 2011. Domingo participei com os amigos da Maratona Pão de Açúcar de Revezamento, mas isso é assunto para a próxima postagem.

Abraços!

Bira

Divulguem o Blog encaminhando esta postagem!
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Amigos!

A emoção encobriu o meu cansaço feito os troncos de árvore que encobriam a pista do parque, a poucos metros da chegada.

O voo atrasou e o avião pousou às três da tarde no Aeroporto de Ezeiza. O céu aberto apresentava uma luz estupenda, parecia meio-dia. Apesar disso, o termômetro oscilava entre 18 e 20 graus, pensei: "Se fosse no Rio, eu estaria cantando o "Ala-laô..." No caminho entre o saguão do terminal e o ponto de ônibus, escolhi caminhar pelo sol.

É larga e bem cuidada a estrada que se estende até o Centro. Tem gramados bem aparados, pinheiros e outras espécies de árvores que não vemos no Rio. Bastou 25 minutos de estrada, no entanto, para ver o concreto espantar o verde, tornando aquela metrópole tão impermeável quanto as demais. Procurei na estrada uma placa de "Benvindo", mas àquela altura eu já devia ter passado por ela.

Quando o ônibus deixou a larga via e se embrenhou na lentidão do trânsito, percebi que a luz do sol já era enviezada e menos intensa. No Centro da Cidade, o mesmo concreto que antes enterrou o verde, agora se elevava tentando encobrir o azul do céu. As sobras dos prédios se uniam num simulacro da noite. Cheguei ao hotel.

*             *           *



E não é que os americanos tinham razão?!... Buenos Aires, finalmente, é a capital do Brasil. O real forte inverteu a mão e os argentinos, que tristemente opataram pela adesão ao ALCA, foram abatidos pela crise. Na Rua Florida só se fala Português.

Depois de hospedado, minha primeira preocupação foi retirar o kit de corrida. Mapa na mão, deu para ir a pé do hotel até a Faculdade de Direito. Depois, bati-perna, jantei e voltei para o quarto. Acordei às 8:30h de sábado, refeito de não ter dormido na noite anterior. Não quis fazer cith tour e fui tomar café num shopping distante, aproveitando para caminhar pela Av. Corrientes. Observei nos cartazes dos inúmeros teatros e casas de espetáculos daquela avenida que brasileiros também estão em cartaz. Maria Bethania, Elza Soares e outros...



Às oito da noite resolvi deixar tudo arrumado, tanto para a corrida quanto para o retorno no dia seguinte. Às nove deitei, mas durante toda a noite eu só dormi por uma hora. Levantei às cinco bem disposto e fui, de taxi, para o local da largada.

O frio não era forte nas redondezas do estádio do River Plate. Árvores grandes e de copa pouco densa filtravam a luz da manhã. Não havia tumulto. Os atletas respeitavam sua área de largada definida de acordo com seu ritmo de prova. Descobri que além dos brasileiros, estava cheio de chilenos ali. Faltando oito minutos para a largada, a "música de academia" parou para que um vistoso (e inadequado) cantor de terno bege e voz grave, interpretasse o interminável hino argentino. Mas logo deu sete e trinta e a arquibancada delirou quando seis mil e quatrocentos atletas dispararam na largada.



A Maratona de Buenos Aires não é tão bela quanto a do Rio, mas deu um show de organização. Para se ter uma idéia, se Gatorade tivesse álcool eu terminaria bêbado. A bebida foi distribuída em oito pontos, além de muita água em garrafas pet, chuveiros ou nas esponjas embebidas. Voluntários entregavam bananas e laranjas cortadas de modo a facilitar a degustação. Uvas passas e ameixas secas sem caroço repunham a energia dos corredores. Mas se nada disso servisse para dar mais gás aos maratonistas, o incentivo de jovens uniformizados ao longo do percurso certamente o faria, e fez! Os quilômetros passavam brincando sob as solas dos tênis. Aproveitei o clima e brinquei muito com a garotada, estendendo a palma da mão para ser tocado, fazendo aviãozinho, e eles respondiam com o coro de "Brasil, Brasil!..." Uma festa!


Cantores, músicos e dançarinos foram posicionados em vários pontos do trajeto. Se no kilômetro 5 um casal dançasse tango, no 10, um conjunto mandava um rock. Mais à frente, outros cantavam boleros, ritmos regionais e até o nosso samba. Na altura do kilometro, 15 duas loiras - crones de Xuxa - balançavam cabelos e coxas para delírio das crianças e dos marmanjos, por diferentes motivos.

Fiz tanta festa e acabei chamando à atenção de outro carioca, residente em Brasília, que emparelhou ao meu lado. Corremos por vários kilometros conversando e essa foi a melhor ajuda que obtive. Não fosse isso, eu acabaria seduzido a aumentar o ritmo muito antes da hora. Mas foi este mesmo cara que no kilometro 28 comentou: "Tem muita gente nos passando, agora..."  Fiquei com medo, acelerei e não vi mais o cara. Àquela altura meu ritmo projetava a chegada
8para 3h26'. Passei bem pelo fatídico km32 onde percebi que o tempo de chegada caíra para 3h22'. Animado, não pensei que sentiria a queda de rendimento ocorrida no km37, acompanhada duma ardência nos ombros e ameaça de dor no abdome. Vi que não daria para reagir e me contive até o retão do km39. Pasaram as dores, dando vez a um esgotamento que não me deixava acelerar. Foi quando eu disse para mim mesmo: "É tudo emocional!... Se já me sento melhor, posso acelerar!" Deu certo e eu sentei-o-pé o mais que pude até o fim da corrida.





Cheguei com o meu cronômetro marcando 3h26'42". Dez minutos melhor que na

Maratona do Rio. Chorei copiosamente. Chorei o que não quis chorar na maratona carioca. Chorei por tudo que me fez voltar a correr e por toda vida que me levou aquele momento. Um corredor argentino amparou-me com um abraço, chamando-me de "campeón", mas ele próprio acabou chorando junto... Parecia tango!...

Ainda sinto vontade de chorar o choro da vida, que me trouxe ao mundo a meio século e que me faz renascer em momentos como esse.

Quando fui conferir o tempo oficial fiquei meio frustrado pois havia uma diferença inexplicável de 4 minutos: Foi registrado 3h30'30", enquanto que o meu cronômetro marcara 3h26'42"... Mas não tem problema: A próxima maratona eu vou percorrer em 3h20'!... Aguardem e confiram!

Abraços!

Bira.