quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Não Existem Dois Treinos Iguais ou Entre A Sombra E A Luz.

(...) Corria, como se apenas correr fosse o bastante. Corria, como se não existisse uma sombra diante de mim, deslizando no asfalto e denunciando a beleza do por do sol às minhas costas (...)


Montagem com recorte de sombra sobre textura de asfalto - Bira, 27-01-16.

Não Existem Dois Treinos Iguais ou Entre A Sombra E A Luz.

Amigos!

Foi correndo e olhando minha própria sombra comprida, projetada no asfalto, diante de mim, que pensei:

-- Não existem dois treinos iguais...

Foi quando eu passava pela enésima vez naquela rua, pelo mesmo e velho percurso. Quando eu cruzava as mesmas esquinas, diante das mesmas paredes pichadas. Ignorando as casas que não trocaram de cor, esquecendo dos motivos de estar ali correndo. Corria, como se apenas correr fosse o bastante. Corria, como se não existisse uma sombra diante de mim, deslizando no asfalto e denunciando a beleza do por do sol às minhas costas.

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Foi quando eu passei a enxergar o por do sol sem precisar virar para trás. Via apenas o seu reflexo na paisagem banhada de ouro, à minha frente... Eu precisava continuar correndo. Não dava para virar e olhar diretamente para o ocaso e seu encanto. Enquanto isso, os carros passavam ao meu lado com os quebra-sóis arriados. Correndo em sentido contrário, eu tinha medo que eles não me enxergassem na margem da rua.

-- Não existem dois treinos iguais... - voltei a pensar.

O trajeto e eu parecíamos os mesmos, mas esses detalhes de sombra e de luz denunciavam a diferenças. Dentro de mim, outro universo habitava. Produzindo sombras de ansiedade e insegurança de um lado, ou da esperança que brilhava feito o sol, no lado oposto. Minha lição, naquele momento, seria perceber que as sombras são fruto da luz que me banha.

Ainda demorou um pouco para que os postes e faróis se acendessem na estrada. Antes disso, passei a buscar por outros detalhes que tornassem aquele treino singular. Resolvi mudar minha própria atitude, e passei a acenar para as pessoas que me observavam, no caminho. Na maioria das vezes fui correspondido, trocando sorrisos e vibrações positivas.

Quando escureceu, de fato, eu ainda estava correndo nos 17 km de subúrbio. Minha sombra voltou a se deslocar no asfalto, toda vez que eu passava sob um poste iluminado. Quando o transito ficou intenso e as luzes dos faróis ofuscavam meus olhos. Fui bombardeado por seus fachos. Naquela hora, eu corria ao lado de um paredão, onde minhas sombras se multiplicaram. O movimento dos carros fazia elas correrem desordenadas na tela de pedra. Viajei no pensamento, imaginando que os faróis projetassem, ali, minhas inseguranças e ansiedades em forma de sombras confusas. Então sorri, me dando conta que eu estava embebido de suor e devaneio.

-- Não existem dois treinos iguais... - agora, eu sabia de fato.

Abraços!
Bira.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Dica de Filme Para Corredores: McFarland, USA

Amigos!

Cartaz de divulgação do filme McFarland, USA - Uma história real.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

As Aventuras de BiraNaNet - Cap. I

(...) Eu não precisaria dormir para ter belos sonhos na tarde-véspera da Corrida de São José do Goiabal. Bastaria manter os olhos abertos, enquanto viajava, oriundo de BH para aquela cidade. Bastaria olhar pela janela do ônibus, que fluía nas curvas do asfalto, subindo montanhas ou mergulhando nos vales mineiros cobertos de verde (...)


Montagem feita com recorte de imagens da corrida infantil em São José do Goiabal.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Além do Blog XIII - Maratona 85 (Bolero de Ravel).

A Série Além do Blog está de volta, apresentando uma nova versão da postagem Bolero de Ravel - onde eu relatei minha primeira corrida e longo período que fiquei parado:

Recorte do Jornal do Brasil com 9 mil corredores largando na Maratona do Rio'85, no Leme, às quatro da tarde.

Amigos;

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Treinar e Encontrar com um Amigo!

(...) A surpresa de deparar com um amigo, durante um treino, é uma das coisas mais gratificantes na vida de um corredor (...)

Ozeias e eu, na foto tirada em outro treino que fizemos em 2014, no Recreio. 

Treinar e Encontrar com um Amigo!


Amigos!

A surpresa de deparar com um amigo, durante um treino, é uma das coisas mais gratificantes na vida de um corredor. Ainda mais, se os treinos que fazem não têm compromisso ou metas muito rígidas, pois assim eles podem mudar o percurso para correrem juntos, colocando a conversa em dia. Foi assim que aconteceu comigo, no último sábado:

Saí para corre ás 18:30 h da noite, quando um sol amarelado já não tinha a mesma força de quem elevou a sensação térmica do Rio acima dos 40 º. Por conta disso, as ruas da Vila da Penha ainda estavam vazias. A sensação de calor persistia, pois o asfalto e o concreto expulsavam a quentura que absorveram durante o dia. Quando o céu escureceu, eu já tinha passado por Cordovil, Brás de Pina e começava a subir o viaduto da Avenida Lobo Júnior, na Penha. Rumo à Olaria, prossegui mantendo as passadas em ritmo de trote. Corria na margem da rua e na contra-mão, como sempre, para escapar de um algum carro que passasse muito próximo. Optei por vestir uma camiseta clara, que refletisse as luzes dos faróis e prossegui.

Dez quilômetros depois, eu fazia o retorno em Ramos e parava num posto de gasolina para comprar isotônico. Eu me sentia muito feliz em simplesmente voltar a correr. Eu sabia que não estava curado da lesão, mas ela deu uma trégua. Aproveitei para voltar sorrateiramente, como se estivesse me escondendo da própria lesão. Nesse começo de ano, afirmei para mim mesmo que vou ficar curado e voltei a correr um dia de cada vez. Já não aguentava mais viver sem o prazer do movimento. Quis banhar a cabeça com água gelada, que escorre e se junta ao suor para grudar a camisa no corpo. Quis sentir o sabor e o prazer dessa d'água, descendo pela garganta e penetrando na alma. É incrível perceber como um gole d'água recupera o fôlego. O fato de perder e retomar o fôlego carrega um sentimento de gratidão pela vida.

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De Ramos até a Penha, eu retornava às margens da estrada de ferro. Meu treino estava perto de acabar, mas eu ainda não tinha pensado em um tema para postar nesse blog. De repente, alguém me chama e eu deparo com meu amigo Ozéias, que também estava treinando. Seu rosto estava iluminado, mas não era o reflexo da luz de nenhum farol. O brilho vinha do simples prazer de encontrar um amigo. Depois de trocarmos um abraço suado, ele resolveu mudar sua rota e me acompanhar. No trajeto, recordamos de grandes momentos em treinos e provas que fizemos com outros tantos amigos. Viajamos no tempo e sentimos vontade de reunir nossos antigos companheiros.

Logo o treino acabou, como tudo que é bom, em mais um abraço suado e a promessa de novos encontros. Voltei para casa reafirmando o desejo de ficar curado, de vez, para não perder a chance de reencontrar meus amigos, não sem antes encontrar comigo mesmo, como fiz neste sábado.

Abraços!
Bira.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Não Deixe a Crise lhe Afastar da Corrida!

(...) Preocupo-me Contigo, que quando entrou para a corrida, transformou sua vida para muito melhor. Agora, Você não pode perder todo esse ganho para a crise... Então resista! Faça o que for possível para manter-se ativo!... (...)

Crise Corrida, recortes de imagens com edição no Paint e no Gimp - Bira, 09/01/16.

Não Deixe a Crise lhe Afastar da Corrida!

Amigos!

O foco desta postagem não é Economia ou Política. Já tem muita gente falando disso por aí, e as notícias não são nada boas. Quero falar com Você, que tem dificuldades correr em meio à crise que atinge o país. Você que quando entrou para a corrida, transformou sua vida para muito melhor, não pode perder esse ganho para a crise... Você que vai resistir, e fazer o possível para manter-se ativo, este ano!...

Hoje cedo, eu me fiz a seguinte pergunta:

-- Quanta gente estaria deixando a corrida, nesse momento, por desemprego ou falta de grana?...

Depois entrei no whatsaap e pedi aos amigos de todo o Brasil, que me relatassem supostos casos de corredores de rua que estão parando. Três colegas me responderam prontamente, foram eles: Jorge Vicente Freire - coordenador da Equipe de Corrida Jotaefe, de Petrópolis, Marcos Antônio Lima, fundador do Grupo Reciclados Por Corrida, do Rio, e  Luiz Sirotheau, educador físico e blogueiro carioca. Meus dois primeiros colegas falaram brevemente do momento que passamos. Sirotheau, no entanto, mergulhou um pouco mais no assunto e me presenteou com sua experiência pessoal. Mas vamos aos depoimentos:

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Jorge Vicente Freire
Jorge Vicente Freire relatou que ano passado a sua equipe juntou grande número de atletas em mais de 30 corridas, dentro e fora de Petrópolis. Ele percebe, no entanto, que agora os corredores estão mais seletivos, diante do alto preço das provas e finaliza:

-- Não vai ter jeito; em 2016 o pessoal vai diminuir um pouco.






Marcos Antônio Lima
Enquanto isso, Marcos Antônio Lima - fundador da equipe Reciclados Por Corrida - disse que no ano passado inscreveu-se apenas na Maratona do Rio e antecipou:

-- Em 2016, vou continuar me concentrando mais nos treinos com os amigos porque o custo é menor - e continua: Em 2015 eu percebi uma diminuição do volume de corredores em muitos eventos.





Luiz Sirotheal
Luiz Sirotheal me respondeu em forma de áudios que eu fiz questão de postar abaixo, na íntegra. Os áudios são curtos e não foram editados, justamente porque incorporam o espírito desta postagem: Em um papo franco e humilde, Siro relata algumas dificuldades que teve e ainda tem que superar, como todos nós.






Áudios 1 e 2: 
--As pessoas cortam naquilo que julgam ser supérfluo e o personal training acaba sendo descartado...



Áudios 3, 4 e 5, respondendo às perguntas:
 -- Quando você ficou sem correr sentiu alguma diferença no seu humor?
-- Você não teme que muita gente retorne ao sedentarismo por falta de grana para se manter correndo?
-- Você tem alguma dica para essas pessoas não ficarem inativas?




Áudio 6:
-- Finalizando, a vontade de ajudar...



Gostaria que esta postagem simples trouxesse esperança para superar uma crise complexa. A esperança está contida naquilo que é simples, feito as conversas que temos com nossos amigos. É possível que 2016 seja forçosamente o ano dos treinões. Se assim for, os corredores vão mudar sua forma de ver e sentir a Corrida. E quando essa crise passar, tudo será diferente!... Então resita! Faça o possível para manter-se ativo!

Abraços!
Bira.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Corredor, A Cidade E O Lixo...

(...) Aprendi a correr desviando de buracos e sacolas de lixo, da mesma forma que aprendi a olhar para cima, nas calçadas de Irajá. Não bastasse a sujeira que jogam no chão, sempre tem um cano despejando a água da lavagem do terraço sobre um pedestre incauto (...)

Montagem com recorte de foto pessoal e imagens da internet - Correndo no Céu - Bira, 05-01-16.

O Corredor, A Cidade E O Lixo...


Amigos!


Ontem eu estava correndo na pista de pedestres da Avenida Oliveira Belo, na Vila da Penha, quando reparei três senhoras idosas terminando uma caminhada. Uma delas dava o último gole em uma garrafa pet de coca-cola que, gentilmente, descartou no chão sob os olhares de suas amigas. Digo "gentilmente" porque aquela senhora não atirou a garrafa no asfalto, mas a camuflou no cantinho de uma mureta - a dez metros de uma lixeira. Minha reação foi automática e falei:

-- Ôh, minha senhora!... Não joga lixo no chão... Vê se pode?... A senhora já não é mais criança!...

Falei isso enquanto recolhia a garrafa e colocava no lixo. Um outro corredor, que passava, apenas riu da situação sem expor o que pensava. Confesso que senti um pouco de remorso por chamar atenção de uma pessoa que podia ser minha mãe, mas prossegui correndo e refletindo para dirimir a culpa que gerou esse conflito.

Logo que encerrei a corrida, pisei acidentalmente numa embalagem de suco de graviola que outra pessoa descartou no chão. O líquido espirrou com força, lambuzando por completo as minhas pernas, além de sujar minha bermuda. A sorte foi ter um posto de combustível por perto onde eu me lavei e sorindo pensei:

-- Será que as velhinhas rogaram praga em mim??


*       *       *       *       *


Hoje de manhã, entrei no Facebook para ver o que meus amigos postavam e, coincidentemente, o assunto era o lixo deixado nas praias do Rio. Li os comentários que criticavam a postura do povo e me lembrei que no subúrbio, onde eu moro, a coisa é bem pior. Quem anda nas ruas deve ficar atento para não tropeçar na sujeira. Quem corre na beira da estrada, tem que saber se desviar da lixarada...

Como Correr Desviando do Lixo?

Aprendi a correr desviando de buracos e sacolas de lixo, da mesma forma que aprendi a olhar para cima, nas calçadas de Irajá. Não bastasse a sujeira que jogam no chão, sempre tem um cano despejando a água da lavagem do terraço sobre um pedestre incauto.

Uma sucata de carro foi abandonada no meio-fio. Uma dezena de camelôs tomaram conta da calçada, por onde os motociclistas também cortam caminho. Mais adiante, um bando de urubus se empoleiram nos postes de luz. Eles estão de olho na galinha que jaz em um despacho, e aguardam o momento de dar o bote. Alguém taca fogo num monte de pneus velhos que foram despejados na esquina. A fumaça negra se espalha, mas não consegue acordar um usuário de crack, que dorme em um colchão imundo, sob a marquise do metrô.

Se de manhã a limpeza urbana passa deixando as ruas limpas, não demora muito para a sujeira retornar. Sempre que corro, no subúrbio, reflito sobre isso. Reflito sobre os decibéis de lixo sonoro que invadem meus ouvidos... É inquestionável que o subúrbio está repleto de lixo, muito mais que as praias da Zona Sul.

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Mesmo assim, é possível entender que dentro da meia-água, de uma favela que margeia a estrada, não há espaço para as pessoas armazenarem o lixo que é jogado na rua. Mesmo assim, é possível entender que o camelô, que ocupa uma calçada, tenta sobreviver. É possível entender que o usuário de droga é um doente e até que o motociclista não teve educação. Entender que os despachos que apodrecem na encruzilhada poluem tanto quanto o barulho estridente de certas igrejas, e que, mesmo assim, manifestam a busca religiosa de alguém. Tudo aquilo que causa desordem urbana no subúrbio pode ser justificado dessas formas. E se assim entendemos, estamos diante de um conflito. É um conflito idêntico ao que eu tive quando chamei a atenção uma senhora que poderia ser minha mãe, no começo desta história, ao invés de tentar entender suas limitações.

O subúrbio e as pessoas parecem ter mais limitações do que limites. Para entender tal fato, eu precisei pisar num frasco de suco de graviola descartado na rua, na cena já descrita. Precisei xingar um palavrão, naquele momento, mas em seguida rir da situação para não deixar que a poluição das ruas invadisse meu peito.

Correndo e vivendo no subúrbio eu percebi que acima do cano que atira água sobre quem passa na calçada existe um céu azul. Percebi que o céu do subúrbio não difere do céu dos mais belos lugares e descobri que o mundo é igual, quando se está no céu.

Abraço!
Bira.