sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Uma Mísera Crônica

 Uma Mísera Crônica 

Imagem de IA do WhatsApp

Faz tempo que não escrevo, sequer, uma mísera crônica. Faz tempo que esqueço da necessidade de expressar. Limito-me a responder mensagens de WhatsApp, pois elas não param de chegar.

Há, no entanto, muitas mensagens de WhatsApp que são iscas perfeitas (se liga!): pois se você as corrobora, não passará de um teleguiado; e mesmo que você delas discorde, e reaja, não passará de alguém que foi pautado... Toma dicotomia!

Ficar calado não resolve, pois tanto é recurso dos sábios, quanto dos ignorantes (que merda!)... Nesta floresta de bytes não temos como fugir de quem deseja nos julgar!

Faz tempo que não escrevo, sequer, uma mísera crônica. Então descubro que escrever algo pretensamente novo é como desapegar dos escritos passados.

Textos passados são como amores intensos, porém vencidos, ocupando o espaço no coração de quem não quer mais arriscar.

Dentro de mim reside o ímpeto daqueles que pegam carona no tempo, ou que por fim, conseguem escrever uma mísera crônica sem medo de desagradar. #

 

Crônicas de WhatsApp 

Birinha

23.10.26

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Quem Sabe?

Crônicas de WhatsApp


Quem Sabe?

De repente, olho para o painel do carro percebo que o tanque de combustível está completamente vazio. 

É fim de tarde e eu me encontro, solitário, em meio à estrada deserta que atravessa o longo vale.

Não tenho sinais de Internet ou de qualquer outro carro que possa passar por aqui, tão cedo. 

Só me resta descer do carro e virar à direita, seguindo por um caminho sinuoso, de terra,  até encontrar uma porteira, um socorro ou um abrigo. 

Foram muitos investimentos que me fizeram tomar aquela estrada que agora abandono. 

Havia muitos sonhos a me guiarem e um arco-íris, de fim de tarde, colado no céu à minha frente.

O arco-íris parecia estar sempre à frente de cada montanha à qual eu cruzava, dando a falsa impressão de mergulhar na relva, sempre a poucos quilômetros de mim.

Foi dessa forma que viajei naquela estrada e cruzei inúmeras montanhas sem perceber. Minha ambição punha meus olhos apenas no arco-íris que se reprojetava sempre adiante, não se importando com quantas montahas eu iria ultrapassar.

Assim, passei por vários postos de combustível sem perceber a hora de abastecer.

Agora, com o tanque seco, desço do carro e, enfim, percebo a relva no chão, sob mim.

Do lado oposto, um sol enviesado se esconde atrás de nuvens e o arco-íris se apaga.

Pergunto a mim mesmo: "Quem foi que inventou que tinha um pote de ouro, ali?"

Todas as flores silvestres do entorno me ouvem, e uma lufada de vento faz balançarem, como se sorrissem do meu monólogo. 

Sinto-me acompanhado e quando saio do caminho de terra, evito pisoteá-las.

Diante de mim, toda uma montanha verde se ergue... Agora, não tenho a estrada de asfalto, nem um carro abatecido para deixar mais uma montanha para atrás. 

Surge uma porteira com um casebre ao fundo de um pátio. Sinto que cheguei a algum lugar: se Deus quiser  vou ficar por aqui até que amanheça. 

Agora, as possibilidades são muitas: posso seguir ou quem sabe eu possa ficar? 

Mas se eu seguir, prometo não mais ignorar montanhas e flores.

Mas se eu ficar, quem sabe um dia meu corpo se desfaça dentro do solo desta montanha que não ignorei?

Ou então, quem as flores silvestres se sirvam de mim, como adubo.

Pois sendo assim, eu alimentarei o sorriso das flores e com elas sorrirei, emfim!...

Quem sabe?


Crônicas de WhatsApp

Birinha - 28.09.26

terça-feira, 8 de setembro de 2026

É!...

 

É!...

● Vou usar somente um "É!" para chamar tua atenção!

● Título curto;

● Frases curtas;

● Algo concordante.


● Enumerei minha fala, não quero roubar teu tempo!

● Te corroboro com meu "É!";

● Acaricio teu ego com meu "É!";

● Com ele, consoo a tua "fÉ!". 


● Meu "É" é tiro sonoro e curto:

● Destravo a arma ao som de  "whats..."

● Aperto o gatilho ao som de "...aap!"

● WhatsApp: Atingi seu coração!


● "É!..." vou parar por aqui!

● O mundo concorre comigo;

● Na tua tela o meu tempo acabou... 

● Fora dela sequer existo, não É?


Poema de WhatsApp

Birinha - 08.09.26.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

De Repente, Me Aposento...


De Repente, Me Aposento...

(versos postados em um grupo de WhatsApp de aposentados)


De repente, me aposento 

E feriadões perdem encanto

Perco a hora de perder a hora

Com amigos, encontro o desencontro 


De repente, me aposento

E tento fazer o que antes adiei

Percebo, meu vício por adiar,

Mas trago um cigarro que nunca larguei.


De repente, me aposento 

E vejo minúcias de reparos na morada

E vejo minúcias de reparos no espelho, 

Mas jogo a culpa nos buracos da Estrada


De repente, me aposento 

E posso fazer versos no WhatsApp 

Desde que tenha óculos aqui e Internet no espaço,

Mas percebo que o link tomou lugar do abraço 


De repente, me aposento 

E posso dizer que não me conformei

E posso perguntar: será que me conformei?,

Mas decido sequer rever as métricas destes versos...


Deixa prá lá, 

Me aposentei!


WhatsApp - Birinha, 06.09.26.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

A Moqueca Capixaba

 

foto de 2018 - Congonhas


A Moqueca Capixaba

#ForaDaCorrida

A primeira vez que comi uma moqueca capixaba foi quando levado pelo nosso irmão Marcello Silva ao tradicional restaurante Pirão, em Vitória. Nunca mais esqueci dos sabores fumegantes da panela de pedra e seu caldo borbulhante.

Naquele almoço dos anos 90, Marcello me contou que havia um trem que rumava de Vitória a Belo Horizonte, pelos vales, sugerindo que programássemos essa viagem para uma visita aos amigos, em comum, de Minas Gerais. Tal viagem nunca aconteceu, mas a possibilidade de fazê-la ficou arquivada em alguma gaveta do meu cérebro.

Tempos depois, meu amigo Marcello voltou para o Rio, seu lugar, e hoje respira a mesma brisa que eu, embora não o veja faz tempo.

Em 2018, eu quis conhecer as cidades históricas de Minas. Então, programei passar primeiro em Vitória para revisitar a moqueca fumegante e o Convento da Penha. Na manhã seguinte pegar, enfim, o trem para Minas Gerais.

Deu certo, no entanto não recomendo a longa e entediante viagem de trem. 

Ver de perto os adornos de ouro das igrejas mineiras e os profetas de pedra sabão é outra história que não vou contar agora.

Voltando à moqueca do Restaurante Pirão, já tentei fazer algo parecido em casa: nota 5, apenas... É que as coisas têm segredos, que os curioso nunca saberão. Melhor é simplesmente provar o que temos no prato e se sentir privilegiado por isso.

Confesso ao leitor, que não era nada disso que eu pensava escrever no início deste texto, mas é melhor viver assim: na Graça de Deus, sem programar! 

O texto não precisa de mim! #


Bira.

22.05.26

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Aprendizado

 

"cachorro sedento lambendo água do pote" - imagem de IA


Aprendizado 

Um de meus defeitos é não estudar ou ler livros. Em meio às leituras mais longas o meu pensamento sempre escapa dos caminhos que o texto tenta me conduzir, me levando a outros caminhos ou atalhos. Os olhos continuam na escrita, mas o pensamentos compõem outras imagens mentais. Quando me dou conta, estou perdido e relendo algumas páginas do livro para entender o que perdi. É um processo cansativo, que se repetitivo, me faz desistir da leitura. Fico frustrado diante dos livros que deixei de lado na metade do caminho ou mesmo no começo.

Há leituras, no entanto, que atraem minha atenção especial. Talvez não seja pela mera habilidade de seu autor e sim pela necessidade que tenho em obter aquela informação. Nesses raros casos, é o egoísmo falando mais alto: posso deglutir parágrafos como um cachorro sedento a lamber água do pote.

Escrever, no entanto, é algo que eu posso fazer como compensação à pouca leitura - tanto quanto falar e ouvir. Lembrei-me agora da frase "falar é prata e ouvir é ouro" e acabo de ver, no Google, que seria um ditado árabe...

Imagino que a escrita deva trilhar a mesma estrada da leitura, porém na mão oposta. A leitura vem e a escrita vai, mas a paisagem é a mesma que não pertence ao autor ou seu receptor.

Neste momento, todos aprendem, perante a palavra-texto, proferida ou ouvida, ouro e prata à disposição sobre um pódio, de onde se enxerga todo o cenário composto pelo seu verdadeiro Autor.

Dito isto, me conformo, ao entender que a escrita e leitura agregam os mesmos valores perante as palavras riscadas na folha ou arrumadas na tela.

As palavras que já estavam aqui, antes de eu chegar ao mundo. Se escrevo, sou na verdade o meu primeiro leitor - que privilégio!

Errando ou acertando, tenho o meu aprendizado. Glória a Deus, por isso! #

Postagem de WhatsApp, Fora da Corrida 
04.05.26
Bira

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Falar Contigo

imagem de IA do WhatsApp

Falar Contigo

(Crônica de WhatsApp - Fora da Corrida)

Então, observo o visor do meu relógio dizendo que zero e vinte quatro horas dividem o mesmo ponto, e que nada disso irá terminar.

Ponteiros de relógio não pensam. Eles apenas demarcam as frações do tempo que eu uso para falar contigo.

Agora, estamos viajando num trem, cujas janelas desenham cenários que ornam a nossa interação.

O tempo que temos é sempre pouco. Algum de nós descerá em estação vindoura, interrompendo a conversa.

Outros passageiros do trem estão quietos ou solitários, para não correrem o risco de sentirem a mesma dor da nossa despedida.

Eles mergulham em sonhos sem perceber a beleza do vale que passa na janela, mas que para eu e você, apenas ambientam nosso momento.

Agora, sobra pouco tempo para falar contigo: é que os ponteiros não param e a minha estação se aproxima!... No entanto, se penso permanecer no trem, para esticar nosso momento, automaticamente deixo de aproveitá-lo e perco nossa conexão.

Você percebe e pergunta: "O que está pensando?" Eu respondo: "Não é nada!"... Não quis expor meu apego sem ter tempo para justificá-lo... 

Agora, preciso descer. Minha estação chegou. #

Bira
20.04.26

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Hoje Corri!


HOJE CORRI!

HOJE CORRI é um resumo: É o resumo do resumo de tudo aquilo que não é possível explicar, pela escrita.

Olavo Bilac, se vivo fosse, também não seria capaz de versar o meu treino.

Já tentei e continuo fazer, em vão, que toques no teclado definam imagens ou sentimentos...

E se consigo algo, acredite: não é nem 10% de tudo que vejo ou que sinto, quando corro.


Correr, para alguns, pode ser definido como "remédio", porém afirmo ser o "extrato original".

O termo mais próprio, agora defino, é "extração": tirar das fontes do corpo e alma a felicidade incutida.

Riscar os caminhos dos lugares onde estiver, com passadas, é algo simples que muda a percepção.

Romper as correntes pesadas do comodismo e revelar todas as cores do entorno.

Ir e vir para contar aos ímpios o que encontrou sem sequer sair do mesmo mundo que ele, também, está. 


H... O.... J... E... ... C... O... R... R... I... !


Bira

01.04 26 

terça-feira, 24 de março de 2026

Tempo e Espaço (mas não necessariamente nesta ordem)

 

imagem de IA do WhatsApp

Crônica de WhatsApp - Assunto: Fora da Corrida 


Tempo e Espaço (Mas Não Necessariamente Nesta Ordem)

ESPAÇO:

Certa noite subi no telhado (isso mesmo!) para vasculhar o céu. Eu tinha lido no jornal que haveria uma chuva de estrelas e não queria perder, tal fenômeno.

Era quase madrugada, em Irajá. Corri o risco de quebrar algumas telhas ou de ser confundido com um gato - não me refiro a aqueles felinos noturnos, e sim aos gatunos.

O céu negro de Irajá não tinha nuvens. Estrelas resilientes suplantavam a luminosidade ofuscante da cidade. Meus olhos nus e indecorosos tentavam captar seus lumes.

Logo, chegou na hora prevista para a tal chuva de estrelas, e nada... Nada além do meu mergulho no infinito, entre os vagalumes... 

Vaguei na escuridão até que senti medo. Um arrepio e depois uma vertiz. Fiquei tonto e inseguro como alguém que está perante um precipício.

Então desci do telhado como descem os larápios. Desde de então, aquele medo habita em mim: Basta olhar o céu de estrelas, à noite.


TEMPO:

Meu medo de mergulhar no espaço talvez tenha a ver com o de me afogar no tempo. A insegurança provocada por não ter tido um chão seguro, no passado, tenta impedir o meu espírito de fluir, ainda hoje.

Posso rodopiar pela cidade (qualquer cidade) e até provar que sou livre. Mas, no fundo, eu não sou diferente dos ponteiros de um relógio, que giram, e giram, sem se desprender do mostrador. 

Acima do telhado, o espaço ainda espera pelo meu mergulho!

Chuvas de estrelas ainda querem me banhar!

Quanto a subir no telhado e ficar olhando o céu: é coisa de maluco! #

24.03.26

BIRA

sexta-feira, 20 de março de 2026

O que é Entregar-se?

 

imagem feita por IA do WhatsApp


O Que é Entregar-se?

Posso falar, com propriedade, sobre entrega por que sou maratonista. 

Diferente de que muitos imaginam, a Maratona é uma prova específica de 42,195 km. 

Quem não é do meio, pode confundir qualquer corrida menor com a Maratona. É comum maratonistas ouvirem amigos, que não correm, perguntarem:

"Você já correu a _"Maratona"_ de São Silvestre? -- sendo que SS é uma corrida rústica de apenas 14 km.

A Maratona tem origem na lenda de Felipides (um soldado grego, em 490 aC) que correu essa distância, até Atenas,  para anunciar a vitória sobre os Persas e depois faleceu, de exaustão.

Sempre que eu dou largada em uma Maratona não penso no que terei pela frente. A consciência da dor só se apresenta nos percursos mais difíceis, daqueles corredores que não estão devidamente preparados.

Na lagada de uma prova, todos os corredores sorriem. Nem todos cruzarão a linha de chegada, mas o sorriso da entrega ignora esse fato... 

Portanto, segue a primeira definição: ENTREGAR-SE É SORRIR!

Há aqueles que se entregam às paixões, na vida. Porém, paixões não se sustentam, quando terminam os sorrisos. Corpos exaustos e falecidos são obeservados no trajeto de quem sobreviveu. É como se o espírito de Felipides incorporasse em seres humanos, apaixonados, e estes disparassem na estrada da vida, conduzindo uma mensagem vazia de conteúdo... Para depois morrerem.

Portanto, segue a segunda definição: O SORRISO DA ENTREGA É FLUIDO - é como o líquido que escapa entre os dedos, mas evapora antes de tocar no chão.

Nem toda entrega é positiva a depender do seu contexto. Entregamo-nos ao romance, trabaho, estudo até quanto podemos. N'algum momento, o objeto de nossa dedicação se vai, feito a mãe que observa os filhos que criou tomarem rumo. 

Entre a nostalgia das perdas e as poucas perspectivas de vida, sobraria um resgate das sensações perdidas, a fuga pelo vício ou o mergulho no mundo espiritual - tão fluído quanto aquele líquido que a mão não detém.

Se terceira idade contrai as expressões das faces dos homens, por outro lado pode preparar seus espíritos para fluir no invisível.

É o medo de morrer que me contrai, porém a coragem de viver cada momento que pode me libertar... Rumo a Deus.

Bira, 20.03.26