segunda-feira, 4 de maio de 2026

Aprendizado

 

"cachorro sedento lambendo água do pote" - imagem de IA


Aprendizado 

Um de meus defeitos é não estudar ou ler livros. Em meio às leituras mais longas o meu pensamento sempre escapa dos caminhos que o texto tenta me conduzir, me levando a outros caminhos ou atalhos. Os olhos continuam na escrita, mas o pensamentos compõem outras imagens mentais. Quando me dou conta, estou perdido e relendo algumas páginas do livro para entender o que perdi. É um processo cansativo, que se repetitivo, me faz desistir da leitura. Fico frustrado diante dos livros que deixei de lado na metade do caminho ou mesmo no começo.

Há leituras, no entanto, que atraem minha atenção especial. Talvez não seja pela mera habilidade de seu autor e sim pela necessidade que tenho em obter aquela informação. Nesses raros casos, é o egoísmo falando mais alto: posso deglutir parágrafos como um cachorro sedento a lamber água do pote.

Escrever, no entanto, é algo que eu posso fazer como compensação à pouca leitura - tanto quanto falar e ouvir. Lembrei-me agora da frase "falar é prata e ouvir é ouro" e acabo de ver, no Google, que seria um ditado árabe...

Imagino que a escrita deva trilhar a mesma estrada da leitura, porém na mão oposta. A leitura vem e a escrita vai, mas a paisagem é a mesma que não pertence ao autor ou seu receptor.

Neste momento, todos aprendem, perante a palavra-texto, proferida ou ouvida, ouro e prata à disposição sobre um pódio, de onde se enxerga todo o cenário composto pelo seu verdadeiro Autor.

Dito isto, me conformo, ao entender que a escrita e leitura agregam os mesmos valores perante as palavras riscadas na folha ou arrumadas na tela.

As palavras que já estavam aqui, antes de eu chegar ao mundo. Se escrevo, sou na verdade o meu primeiro leitor - que privilégio!

Errando ou acertando, tenho o meu aprendizado. Glória a Deus, por isso! #

Postagem de WhatsApp, Fora da Corrida 
04.05.26
Bira

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Falar Contigo

imagem de IA do WhatsApp

Falar Contigo

(Crônica de WhatsApp - Fora da Corrida)

Então, observo o visor do meu relógio dizendo que zero e vinte quatro horas dividem o mesmo ponto, e que nada disso irá terminar.

Ponteiros de relógio não pensam. Eles apenas demarcam as frações do tempo que eu uso para falar contigo.

Agora, estamos viajando num trem, cujas janelas desenham cenários que ornam a nossa interação.

O tempo que temos é sempre pouco. Algum de nós descerá em estação vindoura, interrompendo a conversa.

Outros passageiros do trem estão quietos ou solitários, para não correrem o risco de sentirem a mesma dor da nossa despedida.

Eles mergulham em sonhos sem perceber a beleza do vale que passa na janela, mas que para eu e você, apenas ambientam nosso momento.

Agora, sobra pouco tempo para falar contigo: é que os ponteiros não param e a minha estação se aproxima!... No entanto, se penso permanecer no trem, para esticar nosso momento, automaticamente deixo de aproveitá-lo e perco nossa conexão.

Você percebe e pergunta: "O que está pensando?" Eu respondo: "Não é nada!"... Não quis expor meu apego sem ter tempo para justificá-lo... 

Agora, preciso descer. Minha estação chegou. #

Bira
20.04.26

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Hoje Corri!


HOJE CORRI!

HOJE CORRI é um resumo: É o resumo do resumo de tudo aquilo que não é possível explicar, pela escrita.

Olavo Bilac, se vivo fosse, também não seria capaz de versar o meu treino.

Já tentei e continuo fazer, em vão, que toques no teclado definam imagens ou sentimentos...

E se consigo algo, acredite: não é nem 10% de tudo que vejo ou que sinto, quando corro.


Correr, para alguns, pode ser definido como "remédio", porém afirmo ser o "extrato original".

O termo mais próprio, agora defino, é "extração": tirar das fontes do corpo e alma a felicidade incutida.

Riscar os caminhos dos lugares onde estiver, com passadas, é algo simples que muda a percepção.

Romper as correntes pesadas do comodismo e revelar todas as cores do entorno.

Ir e vir para contar aos ímpios o que encontrou sem sequer sair do mesmo mundo que ele, também, está. 


H... O.... J... E... ... C... O... R... R... I... !


Bira

01.04 26 

terça-feira, 24 de março de 2026

Tempo e Espaço (mas não necessariamente nesta ordem)

 

imagem de IA do WhatsApp

Crônica de WhatsApp - Assunto: Fora da Corrida 


Tempo e Espaço (Mas Não Necessariamente Nesta Ordem)

ESPAÇO:

Certa noite subi no telhado (isso mesmo!) para vasculhar o céu. Eu tinha lido no jornal que haveria uma chuva de estrelas e não queria perder, tal fenômeno.

Era quase madrugada, em Irajá. Corri o risco de quebrar algumas telhas ou de ser confundido com um gato - não me refiro a aqueles felinos noturnos, e sim aos gatunos.

O céu negro de Irajá não tinha nuvens. Estrelas resilientes suplantavam a luminosidade ofuscante da cidade. Meus olhos nus e indecorosos tentavam captar seus lumes.

Logo, chegou na hora prevista para a tal chuva de estrelas, e nada... Nada além do meu mergulho no infinito, entre os vagalumes... 

Vaguei na escuridão até que senti medo. Um arrepio e depois uma vertiz. Fiquei tonto e inseguro como alguém que está perante um precipício.

Então desci do telhado como descem os larápios. Desde de então, aquele medo habita em mim: Basta olhar o céu de estrelas, à noite.


TEMPO:

Meu medo de mergulhar no espaço talvez tenha a ver com o de me afogar no tempo. A insegurança provocada por não ter tido um chão seguro, no passado, tenta impedir o meu espírito de fluir, ainda hoje.

Posso rodopiar pela cidade (qualquer cidade) e até provar que sou livre. Mas, no fundo, eu não sou diferente dos ponteiros de um relógio, que giram, e giram, sem se desprender do mostrador. 

Acima do telhado, o espaço ainda espera pelo meu mergulho!

Chuvas de estrelas ainda querem me banhar!

Quanto a subir no telhado e ficar olhando o céu: é coisa de maluco! #

24.03.26

BIRA

sexta-feira, 20 de março de 2026

O que é Entregar-se?

 

imagem feita por IA do WhatsApp


O Que é Entregar-se?

Posso falar, com propriedade, sobre entrega por que sou maratonista. 

Diferente de que muitos imaginam, a Maratona é uma prova específica de 42,195 km. 

Quem não é do meio, pode confundir qualquer corrida menor com a Maratona. É comum maratonistas ouvirem amigos, que não correm, perguntarem:

"Você já correu a _"Maratona"_ de São Silvestre? -- sendo que SS é uma corrida rústica de apenas 14 km.

A Maratona tem origem na lenda de Felipides (um soldado grego, em 490 aC) que correu essa distância, até Atenas,  para anunciar a vitória sobre os Persas e depois faleceu, de exaustão.

Sempre que eu dou largada em uma Maratona não penso no que terei pela frente. A consciência da dor só se apresenta nos percursos mais difíceis, daqueles corredores que não estão devidamente preparados.

Na lagada de uma prova, todos os corredores sorriem. Nem todos cruzarão a linha de chegada, mas o sorriso da entrega ignora esse fato... 

Portanto, segue a primeira definição: ENTREGAR-SE É SORRIR!

Há aqueles que se entregam às paixões, na vida. Porém, paixões não se sustentam, quando terminam os sorrisos. Corpos exaustos e falecidos são obeservados no trajeto de quem sobreviveu. É como se o espírito de Felipides incorporasse em seres humanos, apaixonados, e estes disparassem na estrada da vida, conduzindo uma mensagem vazia de conteúdo... Para depois morrerem.

Portanto, segue a segunda definição: O SORRISO DA ENTREGA É FLUIDO - é como o líquido que escapa entre os dedos, mas evapora antes de tocar no chão.

Nem toda entrega é positiva a depender do seu contexto. Entregamo-nos ao romance, trabaho, estudo até quanto podemos. N'algum momento, o objeto de nossa dedicação se vai, feito a mãe que observa os filhos que criou tomarem rumo. 

Entre a nostalgia das perdas e as poucas perspectivas de vida, sobraria um resgate das sensações perdidas, a fuga pelo vício ou o mergulho no mundo espiritual - tão fluído quanto aquele líquido que a mão não detém.

Se terceira idade contrai as expressões das faces dos homens, por outro lado pode preparar seus espíritos para fluir no invisível.

É o medo de morrer que me contrai, porém a coragem de viver cada momento que pode me libertar... Rumo a Deus.

Bira, 20.03.26