segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Quem Sabe?

Crônicas de WhatsApp


Quem Sabe?

De repente, olho para o painel do carro percebo que o tanque de combustível está completamente vazio. 

É fim de tarde e eu me encontro, solitário, em meio à estrada deserta que atravessa o longo vale.

Não tenho sinais de Internet ou de qualquer outro carro que possa passar por aqui, tão cedo. 

Só me resta descer do carro e virar à direita, seguindo por um caminho sinuoso, de terra,  até encontrar uma porteira, um socorro ou um abrigo. 

Foram muitos investimentos que me fizeram tomar aquela estrada que agora abandono. 

Havia muitos sonhos a me guiarem e um arco-íris, de fim de tarde, colado no céu à minha frente.

O arco-íris parecia estar sempre à frente de cada montanha à qual eu cruzava, dando a falsa impressão de mergulhar na relva, sempre a poucos quilômetros de mim.

Foi dessa forma que viajei naquela estrada e cruzei inúmeras montanhas sem perceber. Minha ambição punha meus olhos apenas no arco-íris que se reprojetava sempre adiante, não se importando com quantas montahas eu iria ultrapassar.

Assim, passei por vários postos de combustível sem perceber a hora de abastecer.

Agora, com o tanque seco, desço do carro e, enfim, percebo a relva no chão, sob mim.

Do lado oposto, um sol enviesado se esconde atrás de nuvens e o arco-íris se apaga.

Pergunto a mim mesmo: "Quem foi que inventou que tinha um pote de ouro, ali?"

Todas as flores silvestres do entorno me ouvem, e uma lufada de vento faz balançarem, como se sorrissem do meu monólogo. 

Sinto-me acompanhado e quando saio do caminho de terra, evito pisoteá-las.

Diante de mim, toda uma montanha verde se ergue... Agora, não tenho a estrada de asfalto, nem um carro abatecido para deixar mais uma montanha para atrás. 

Surge uma porteira com um casebre ao fundo de um pátio. Sinto que cheguei a algum lugar: se Deus quiser  vou ficar por aqui até que amanheça. 

Agora, as possibilidades são muitas: posso seguir ou quem sabe eu possa ficar? 

Mas se eu seguir, prometo não mais ignorar montanhas e flores.

Mas se eu ficar, quem sabe um dia meu corpo se desfaça dentro do solo desta montanha que não ignorei?

Ou então, quem as flores silvestres se sirvam de mim, como adubo.

Pois sendo assim, eu alimentarei o sorriso das flores e com elas sorrirei, emfim!...

Quem sabe?


Crônicas de WhatsApp

Birinha - 28.09.26

terça-feira, 8 de setembro de 2026

É!...

 

É!...

● Vou usar somente um "É!" para chamar tua atenção!

● Título curto;

● Frases curtas;

● Algo concordante.


● Enumerei minha fala, não quero roubar teu tempo!

● Te corroboro com meu "É!";

● Acaricio teu ego com meu "É!";

● Com ele, consoo a tua "fÉ!". 


● Meu "É" é tiro sonoro e curto:

● Destravo a arma ao som de  "whats..."

● Aperto o gatilho ao som de "...aap!"

● WhatsApp: Atingi seu coração!


● "É!..." vou parar por aqui!

● O mundo concorre comigo;

● Na tua tela o meu tempo acabou... 

● Fora dela sequer existo, não É?


Poema de WhatsApp

Birinha - 08.09.26.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

De Repente, Me Aposento...


De Repente, Me Aposento...

(versos postados em um grupo de WhatsApp de aposentados)


De repente, me aposento 

E feriadões perdem encanto

Perco a hora de perder a hora

Com amigos, encontro o desencontro 


De repente, me aposento

E tento fazer o que antes adiei

Percebo, meu vício por adiar,

Mas trago um cigarro que nunca larguei.


De repente, me aposento 

E vejo minúcias de reparos na morada

E vejo minúcias de reparos no espelho, 

Mas jogo a culpa nos buracos da Estrada


De repente, me aposento 

E posso fazer versos no WhatsApp 

Desde que tenha óculos aqui e Internet no espaço,

Mas percebo que o link tomou lugar do abraço 


De repente, me aposento 

E posso dizer que não me conformei

E posso perguntar: será que me conformei?,

Mas decido sequer rever as métricas destes versos...


Deixa prá lá, 

Me aposentei!


WhatsApp - Birinha, 06.09.26.