quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Correndo e Pensando

 


Correndo e Pensando

Acabo de concluir um treino de 14 km e escrevo esta postagem enquanto caminho suado, para casa. Ondas de calor aspergem do meu corpo atravessando o tecido poroso de minha camisa de treino. O calor que emito se junta ao mormaço, e a tarde no entorno da Vila da Penha fica mais quente por causa de mim.


Ainda bem que é inverno e um minuano moribundo sepulta seus últimos suspiros no céu do Rio de Janeiro. Triste minuano que faz do paraíso carioca o seu sepulcro!


Suspiros deste minuano percorrem minha pele suada, causando algum frescor, pós-corrida... Meu coração cadencia suas batidas com meus passos, agora brandos. Divido minha atenção entre o teclado virtual do celular, o movimento na calçada, além dos motoqueiros que passam... Quem sabe, um deles, queira subtrair meu smartphone nestes dias cruéis que vivemos?


Relembro que corri pelos bairros sem me preocupar com o trajeto. Circulei por Irajá, Vista Alegre e Penha nos primeiros 10 quilômetros e sequer percebi. Meus pensamentos fluíam sobre mim, feito um drone a me filmar. Nos ouvidos, os fones bluetooth reproduziam  músicas do celular, daquela feita protegido na pochete.


Consciente, resolvi correr apenas mais quatro quilômetros, afinal estou voltando a treinar, depois de meses parado.

 

Aterrisei na pista de corrida da Avenida Oliveira Belo para concluir esse treino.


Daí, nem espero chegar em casa para relatar essa aventura: saco o celular e abro o WhatsApp... Se antes pensava correndo, agora escrevo andando. Faço de tudo para não perder um insigth!


...Que satisfação!...#


_postagem feita no WhatsApp, será publicada no blog também_


BiraNaNet,

Rio, 27.08.25

sábado, 23 de agosto de 2025

FE-LI-CI-DA-DE

 

Foto da Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, foto do evento

FE-LI-CI-DA-DE

Felicidade não é um prêmio e a sua palavra deveria ser escrita com quatro hífens, separando cada sílaba.


Pensei nisso enquanto corria, ontem, depois de um longo tempo parado. Trotei por 8,5 km, sonhando completar, outra vez, a Maratona da Serra do Rio do Rastro. Na verdade, eu nem sei se seria possível subir correndo a Serra Mais Bela do Brasil de novo. Os requisitos não são fáceis de cumprir, como: cinco meses de treinos; seleção para a prova; ter dinheiro para gastar.


A idade, estou com 66, está querendo me desafiar. Encaro o Tempo, que é o melhor de todos os corredores de elite!... Corro nas ruas ao seu lado, mas sei que haverá o momento que eu sucumbirei, como o atleta esgotado que curva o tronco para frente, escorando seu peso nos braços apoiados nos joelhos, para se recuperar.


Ofegante, verei o Tempo seguir em frente. E só então entenderei que o Tempo não presta socorro. Ele sequer olha para trás... É que apesar de tudo, o Tempo não quer que vejamos o seu sorriso de canto de lábio - uma mistura de orgulho e deboche! Pobre de nós perante a hipocrisia do Tempo!


Paro de vagar nos pensamentos e me concentro na corrida que faço. O palco são as ruas do meu bairro e não posso arriscar um tropeço. 


Meu trote é lento, não quero me lesionar outra vez. Meu suor é moderado por conta disso. Estou calmo, grato e feliz. Já não me importa se correrei na Maratona da Serra do Rio do Rastro, outra vez. A felicidade não é esse prêmio ou resultado. 


Então destrincho a palavra "felicidade" e percebo suas cinco sílabas. Separo mentalmente com hífens e a vejo longa, como um caminho a percorrer... Tal qual o trote que faço. Os hífens de fe-li-ci-da-de não separam as sílabas, são laços, são passos... 


Daí percebo que venci o Tempo, no Quesito Fe-li-ci-da-de. 


Ele tem pressa: É um corredor inexpugnável - não tem tempo para separarar as sílabas de nada! 


Quanto a mim, posso ser feliz na sílaba - no momento em corro, me socorro! #


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BiraNaNet, 

Rio, 21.08.25.