quinta-feira, 25 de abril de 2019

NOSSA EQUIPE DE CORRIDA

NOSSA EQUIPE DE CORRIDA



Amigos!

Nossa equipe brotou no asfalto do subúrbio carioca e se esparramou por toda cidade.

Ela subiu as montanhas do Rio e arrastou os pés nas suas praias.

Tropeçou no lixo, que alguém espalhou na rua, e caiu nas redes sociais.

Era, então, o auge do Facebook e os nossos treinos atraíram gente de todo canto. Vestíamos camisetas coloridas, bermudas de compressão e tênis de pisada. Portávamos frequencimetro no pulso, celular na cintura e enterrávamos a cabeça no boné.
 
Todos pareciam crianças em meio a tanta descoberta, mas nada dura para sempre:

Certo começo de noite, um temporal se abateu sobre o Rio e eu fiquei ilhado, voltando do trabalho a caminho de casa. Meu celular tocou e um amigo, com pesar, anunciou que o líder de nossa equipe tivera a vida ceifada.

Depois do trauma, nossos encontros ficaram cada vez mais raros, até que a equipe sem nome acabou... Será?

Há quem diga que não: que a nossa equipe ainda corre nas veias dos seus antigos atletas.

Há quem afirme que quando corremos, mesmo sozinhos, ainda enxergamos nossos antigos colegas ao lado.

Há quem acredite que o líder de nossa equipe nunca morreu. Que ele nos aguarda para mostrar novos percursos muito mais belos. São aquelas paisagens impossível de se enxergar com os olhos abertos.

A nossa equipe de corrida é imortal!

(em memória a Adriano Molinaro)

(Da série "Postagem de Whatsapp" formadas por textos criados no App e transcritos para o blog) 

Abraços!

Bira.

terça-feira, 23 de abril de 2019

AS JÓIAS DA MINHA CORRIDA

AS JÓIAS DA MINHA CORRIDA


Amigos!

Já estamos no limiar de maio e eu posso contar com os dedos, de uma das mãos, as vezes que corri acompanhado.

Pode parecer estranho, mas eu nunca me sinto sozinho correndo. Seja na cidade ou numa distante praia deserta, de qualquer lugar do Brasil, eu corro sem sentir solidão.

Já teve época que eu fazia muitos treinos em grupo, mas aquele grupo se desfez. As lembranças de longões maravilhosos, no entanto, me acompanham até hoje e são como brilhantes guardados num porta-jóias. Vez ou outra, eu me encontro com amigos, daquela época, e numa conversa remexemos as jóias da recordação.

No dia seguinte, lá estou eu sozinho de novo... Correndo e garimpando novas jóias particulares.

A solidão não é tão rápida quanto eu. Meu olhar de corredor transforma cada objeto, do entorno, numa indecifrável onda que absorve meu próprio corpo. Só quando paro me situo e percebo o tempo que passou. Respiro. Abro o porta-jóias dos meus treinos passados e meu rosto se ilumina diante do brilho!

Sou feliz perante o meu tesouro que é feito da recordação.

Sou feliz, sobretudo, no momento que me faço onda e me espalho ou me fundo com a própria solidão!

(Postagem feita originalmente no Whatsapp e copiada para este blog pelo celular. Inaugurando a série: Postagens de Whatsapp.

Abraço!

Bira.